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O Estado do Pantanal - 16/06/2014 - 07h01

Faltam ações para convívio entre animais e população em Corumbá




Por Caroline Maldonado do Campo Grande News / Redação Pantanal News

Capivaras são comuns às margens do rio (Foto: Arquivo/Cleber Gellio)

Capivaras são comuns às margens do rio (Foto: Arquivo/Cleber Gellio)

Corumbá precisa de ações para orientar a população sobre a convivência com animais do Pantanal. É o que defende o Comitê de Incêndios Florestais e Contenção de Animais Silvestres, que fez o resgate de três onças-pintadas, no quintal de uma casa no dia 7 de junho, na cidade que fica 419 quilômetros de Campo Grande. Uma das onças, que estava em uma árvore, morreu depois de ser sedada e cair no rio Paraguai, mas deixou dois filhotes que estão no Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), na Capital.

Embora o aparecimento de onças e outros animais seja frequente na região do rio Paraguai e na área urbana, não há registro de ataques nesse ano, de acordo com o veterinário Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal), entidade que faz parte do Comitê.

O veterinário afirma que o Comitê tem algumas ações nesse sentido, porém não tem essa função. “Estas atividades ainda carecem de organização e implementação e poderiam ser efetivamente conduzidas em parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente e as ONGs (organizações Não-governamentais), por exemplo”, sugestiona.

Segundo Walfrido, já foram mapeadas as áreas de maior risco de visitação por onças-pintadas e por onças pardas e um folder foi elaborado para orientar a população a como se comportar em situações desse tipo. O veterinário defende a criação de um programa de orientação efetivo, que ofereça palestras nas escolas, produção de cartazes e reuniões com a população, nas áreas de maior risco.

Para o Comitê, a convivência entre a população e as onças em seu habitat natural, que fica na outra margem do rio Paraguai, é plenamente possível, mesmo com a proximidade. Porém, quando os animais se refugiam na área urbana, fugindo das cheias do rio e de grandes incêndios a situação se torna preocupante. Nesses momentos, os moradores precisam estar preparados para agir de modo a não provocar ou acuar os animais.

Conforme a Embrapa Pantanal, além de onças-pintadas e pardas, na região são comuns a circulação de espécies ameaçadas, como capivaras, sucuris, ariranhas, lontras e jacarés; além de macacos, tamanduás, ouriços caixeiros, cobras, jaguatiricas, marsupiais, lobinhos, gatos mouriscos, abelhas, vespas, entre outros. “A situação de Corumbá é peculiar em função da boa conservação dos habitats naturais, então é necessário que a população esteja esclarecida sobre como conviver com isso e proteger a fauna. É sempre bom lembrar que perseguir ou matar animais silvestres é crime, e se for uma espécie ameaçada de extinção há um agravante considerável”, destaca Walfrido.

 
 

Onça-pintada fêmea morreu após cair no rio (Foto: Diário Corumbaense)Onça-pintada fêmea morreu após cair no rio (Foto: Diário Corumbaense)

 

Filhotes foram levados para o Cras e retonarão ao Pantanal depois de oito meses  (Foto: Edemir Rodrigues)Filhotes foram levados para o Cras e retonarão ao Pantanal depois de oito meses (Foto: Edemir Rodrigues)

 

Riscos – O Comitê, que conta com representantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Militar Ambiental, Guarda Municipal e Embrapa Pantanal, trabalha em uma “estrategia única no Brasil para casos envolvendo grandes felinos”, conforme Walfrido.

O veterinário explica que o protocolo do Comitê prevê o uso de drogas seguras para a contenção química dos felinos, sem estressar o animal antes e durante a captura. Em seguida, o animal recebe atendimento clínico caso sintomas de problemas apareçam, para então ser finalmente liberado no Pantanal.

De acordo com Walfrido, a morte da onça, resgata no último sábado, não pode ser atribuída à dose do anestésico, pois isso não seria suficiente para levar o animal à morte. “A causa da morte parece ter sido choque em função de vários fatores, entre eles o estresse, o choque térmico ao cair na água e o anestésico, ou seja, uma associação de fatores”, afirma.

Embora a experiência da equipe dê subsídios para entender a morte da onça, foi solicitada uma necrópsia a um laboratório da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Os materiais do corpo do animal já foram colhidos, mas não há previsão para os resultados dos exames, segundo o a Embrapa Pantanal.

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