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Meio ambiente - 19/12/2008 - 06h25

Editora recebe selo por neutralizar carbono emitido na confecção de livros




Por Thais Leitão, da Agência Brasil

A substituição de 3,5 mil sacolas plásticas usadas por ano, que podem levar décadas ou até séculos para serem degradados no meio ambiente, por outras feitas de papel reaproveitado, o emprego de matéria-prima reciclada para produzir 25 mil livros publicados anualmente e a promoção do plantio de 700 mudas de árvores de Mata Atlântica durante um ano são algumas das iniciativas que garantiram à editora da Universidade Federal Fluminense (UFF) o Selo Carbono Zero, pela neutralização do carbono emitido na confecção dos livros. O certificado, que será entregue hoje (19) pela organização não-governamental Projeto de Reflorestamento Integrado da Mata Atlântica (Prima), é conferido pela primeira vez a uma empresa desse ramo no país.

De acordo com o diretor da editora, Mauro Romero, as ações fazem parte do Programa Recicle Idéias, que vêm sendo implementadas desde o início de 2008. “São pequenas mudanças no dia-a-dia que podem trazer impactos na melhoria da qualidade de vida nas próximas décadas”, defende ele, que cita outras atitudes que podem ser adotadas por profissionais de qualquer área. Entre elas estão o uso racional do papel, com a utilização dos dois lados de cada folha, e a redução do uso do copinho plástico para beber água ou café.

“Você dá um gole e aquilo dura 200 anos no meio ambiente”, alerta o diretor, que comemora outro desdobramento das mudanças que vêm sendo implementando na empresa. Segundo ele, os funcionários se tornaram multiplicadores das iniciativas e levam para o seu cotidiano familiar a necessidade de se preservar o meio ambiente. Foi isso que ocorreu com Rodrigo Eron, que trabalha no departamento financeiro da editora.

“Depois de ver a importância dessas iniciativas, que são simples, passei a separar todo o lixo produzido lá em casa e levo o material reciclado até uma cooperativa. Além disso, agora só uso caneca plástica reutilizável, aboli os descartáveis de plástico e evito usar papel sem necessidade. Para escrever um bilhete ou outra coisa qualquer, verifico se o verso de uma folha usada pode servir para evitar gastar uma nova”, afirma.

O biólogo Ricardo Harduim, responsável pela ONG Prima, que trabalha desenvolvendo projetos de preservação da Mata Atlântica, explica que o objetivo da concessão do selo Carbono Zero não se limita a promover mudanças pontuais, mas uma alteração da consciência ambiental das empresas e de seus funcionários. Durante o processo de auditoria, que envolve uma análise das emissões de carbono feitas pelas companhias durante um ano e o cálculo de quantas mudas de espécies de Mata Atlântica seriam necessárias para neutralizá-las, o grupo promove também um programa de educação ambiental, por meio de cursos e palestras.

“Para nós não interessa apenas a neutralização das emissões, o que acreditamos ser conseqüência de todo um processo. É preciso haver um ajuste de conduta porque não adianta no próximo ano haver uma emissão maior de carbono e calcular quantas mudas a mais terão que ser plantadas. O que queremos incentivar é a redução das emissões na atmosfera”, ressaltou.

As mudas foram plantadas para a recuperação da mata ciliar às margens do Rio Caximbau, no município de Pinheiral, no sul do estado do Rio de Janeiro.

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