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Correio de Corumbá - 15/12/2008 - 08h21

Jornalista e poeta Mário Feitosa Rodrigues




Por Silva Neto (Tim)

Jornalista e poeta Mário Feitosa Rodrigues  

Texto extraído do livro “Era Uma Vez”, de autoria de Silva Neto(Tim), escritor, compositor, historiador e músico de Corumbá-MS. 

 

 

Existem pessoas que, dada sua inteligência, capacidade  para criar estórias, narrar de modo gracioso fatos vividos  ou,  então, simplesmente atrair a atenção quando numa roda de amigos começam  falar, ficam marcadas dentro da comunidade que os acompanhou no seu dia-a-dia. 

           Corumbá tem  sido farta de pessoas com essas características.  Algumas simplesmente passaram. Outras deixaram marcas acentuadas de sua personalidade,  que ainda serão lembradas  por muitos e muitos anos.

            Mário Feitosa Rodrigues, misto de funcionário público, jornalista, escritor, poeta e contador de estórias, deu muito do seu espírito e da sua inteligência para nossa gente, através  de publicações que fazia em pequenos livros e jornais, que se converteram em manchetes na sua folha.  Foi esse Mário Feitosa que eu conheci na década de 40.  Seu nome e sua personalidade me atraíram  a partir da publicação de um livro  ao qual deu o título de  “...e o meu cabelo arrepiou”.  Suas páginas  eram fartas de estórias fantasmagóricas que o escritor criava e que, contadas  à sua maneira,  davam à impressão  de serem verdadeiras, assustando, realmente, os meninos e meninas  daquele tempo.   Tudo de sua criação terminava sempre com  momentos de tensão, porque envolvia homens sem cabeça, esqueletos que  levantavam de suas covas no cemitério para passearem pelas ruas  da cidade.  E ele, ao narrar com tamanha propriedade aqueles episódios, terminava sempre com a frase “...e o meu cabelo arrepiou”.

O escritor contou que, certa vez, quando o cemitério da cidade de Corumbá-MS era no local onde foi construído o Fórum, na Rua Major Gama, entre as ruas Delamare e 13 de Junho,  o relógio da Matriz batia meia-noite e ele passava, despreocupado, pela calçada daquele quarteirão.  Pouco a pouco foi se dando conta de que passos suaves   se aproximavam dele, por detrás.  Sem voltar-se, achou prudente acelerar um pouco a sua marcha. Assim o fez.  No entanto, aquele passo suave acelerava também. Foi quando começou a transpirar por todos os poros e sentir um calafrio na espinha.  Em dado momento, possuído de muita coragem, parou.  Parou e olhou p’ra trás.  Queria ver o seu seguidor.  Foi quando, com espanto, queixo batendo fortes “marteladas”, deparou com um homem sem cabeça.   Não teve mais pernas para andar.  Sujou-se todo e  “...o meu cabelo arrepiou”,  concluiu.

Esse foi o Mário Feitosa  contador de estórias.  Entretanto,  ele tinha outras facetas. Como habilidoso jogador de Truco Espanhol,  mandou imprimir um caderninho com as regras do jogo.  A maioria dos itens  ditava normas  que todos já conheciam, mas ele, com sua criatividade,  introduziu coisas novas que hoje  são chamadas “piancas”,  que realmente dão um colorido muito alegre  às partidas disputadas. 

Por outro lado,  Mário Feitosa Rodrigues, o Jornalista, foi o único no seu estilo de fazer jornal.  Era o maior inventor de notícias. Ele inventava com tamanha naturalidade,  que ninguém,  jamais,  questionara suas matérias.  E por que inventava? Aqueles que nunca tiveram contato com um jornal, não podem avaliar como era difícil  encher a página de um  jornal de antigamente,  quando as notícias chegavam até ao redator, já de barbas brancas. E era aí que funcionava a imaginação do jornalista.  Muitas vezes para fechar  uma edição,  surgiam  problemas.  Falta de notícias.  Espaços  em branco.  Mas a folha tinha que sair.  Era jornal diário.  Mário então pensava... pensava...Tomava de uma caneta, levava a pena à ponta da língua para umedecê-la,  olhava um pouco para o alto e  escrevia  sobre conflitos na China,   sobre assassinato de  Chu-in-Fu e outros “acontecimentos”   que jornal nenhum do mundo soube,  para noticiar.

Por outro lado, o que era muito engraçado para os amigos que o conheciam de perto,  era o fato de ele ter  - sempre – ao seu alcance,  um clichê  velhíssimo,  com a imagem totalmente borrada e que ele ocupava para noticiar sobre a Rainha da Inglaterra;  mais adiante,  e  na mesma edição,  o  “borrão”  era Churchill – Primeiro Ministro da Inglaterra;   na outra edição ele representava o  Presidente do Brasil.  E,  ainda,  às vezes,  a aparição do clichê  borrado  se repetia  por duas ou mais vezes,  encimado da legenda de      “um qualquer”.

Hoje,  quando alguém se lembra de Mário Feitosa Rodrigues,  sua lembrança vem sempre ligada à  frase       “... e o meu cabelo arrepiou”.

Era uma vez uma inteligência voltada para as coisas  divertidas da vida,  que ele as transformava sérias. 

O poeta Mário Feitosa Rodrigues deixou muita coisa bonita para os corumbaenses  antes da sua partida  para Campo Grande onde  faleceu. E agora, neste momento,  estou recordando sua poesia:  

 

Envelhecendo

 

            Agora, quando os anos já chegaram

            Minha cabeça toda embranquecendo,

            É  que lembro dos tempos que passaram,

            Ora  feliz, ora infeliz,  vivendo.

 

            Lembro de quanto amor me dedicaram

            Aquelas  moças que hoje estão morrendo,

            De quantas vezes  muitas me beijaram

            E nos meus braços iam enlouquecendo.

 

            Hoje não tenho mais esses afetos

Dedico todo amor para meus netos

os quais venero como ao próprio Deus.

 

Vou assim esperando a boa morte,

Porém vivendo com bastante sorte,

               

Pois sei que sou amado pelos meus.

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