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Artigos - 28/11/2012 - 08h45

Uma Viagem Azul ao Paraíso Verde









Por Hiram Reis e Silva

A história do Amazonas é a mais oficial, a mais deformada, encravada n mais retrógrada e superficial tradição oficializante da historiografia brasileira. Pouco estudada, verdadeiramente abandonada, com uma bibliografia parca e documentação rara e saqueada por inescrupulosos que se julgam proprietários do passado. Um história escrita com a letra minúscula do preconceito e da distorção mentirosa. (SOUZA)

-    Arrogância Intelectual

Por ocasião de minha descida pelo Rio Madeira, fiquei profundamente aborrecido com o discurso de posse de um companheiro da Força Terrestre na cidade de Manicoré. Com a arrogância típica dos europeus de outrora o desavisado militar considerava-se um ateniense cercado por uma horda ignara.

Viajantes de outrora oriundos da Europa e Norte América, fossem naturalistas, pesquisadores, negociantes ou simplesmente turistas olhavam com desdém nossos amazônidas. Consideravam-se no topo da pirâmide da intelectualidade, achavam-se superiores aos nossos indígenas e caboclos e os olhavam com total desdém. Volta e meia ouço pronunciamentos de autoridades, intelectuais e estudantes que em breves visitas à região assumem a mesma postura crítica de antanho. Por isso, acho cada vez mais importante nosso trabalho de divulgar as coisas e as gentes da Amazônia.

Estes “intelectualóides” de araque não são capazes de absorver a sabedoria de um pescador entregue ao seu labor diário. Descrevi, encantado, no meu livro “Desafiando o Rio-mar - Descendo o Rio Solimões” uma dessas passagens:

Seu Joaquim, leve e silenciosamente, afundava o remo na água e manobrava a canoa por entre vegetações aquáticas do cano do Mamirauá. Viu, ou sentiu, o leve movimento das águas e, sem pressa, pressentiu a direção seguida pelo cardume de aruanãs, ergueu o braço empunhando a haste e, num impulso rápido e preciso, lançou o arpão a alguns palmos à frente da leve ondulação na superfície (siriringa). Seu Joaquim sabia que a “siriringa” era provocada pelo cardume que nadava próximo a superfície. A haste fincou o bico de ferro em forma de flecha no Corpo da aruanã, mantendo preso o formoso peixe às farpas do bico de ferro do arpão que se soltou da haste. O animal foi recolhido com a mesma destreza com que fora arpoado. (...)

Novamente atento aos mais leves movimentos na água, ele se aproximou de um grande aglomerado de capim-memeca com a intenção de pescar um tambaqui. Usando um “enganador”, um tosco caniço com um peso amarrado na ponta da linha, batia na água simulando a queda da “arati”, frutinha que é o objeto de desejo do saboroso peixe. Na outra mão usava, num igualmente tosco caniço, a frágil “arati” como isca. Se usasse a delicada “arati” para atrair o peixe, ela se desprenderia do anzol. Não demorou muito para que um grande tambaqui fosse puxado para a canoa pelo seu Joaquim.

As poesias sempre me arrebataram desde a mais tenra idade. Lia encantado Augusto dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Gonçalves Dias, Manoel Bandeira, Mario Quintana, Vinícius de Morais e tantos outros artesãos das palavras conhecidos pela maioria dos brasileiros. Nas minhas pesquisas e andanças pela misteriosa e encantadora Amazônia fui garimpando, com humildade, o fruto da inspiração dos poetas da selva e maravilhado descobri um Thiago de Mello a quem tive o privilégio e a honra de conhecer pessoalmente.

Palmilhei, extasiado, estrofes encantadas de poetas amazônidas como Aldisio Gomes Filgueiras, Almino Álvares Affonso, Antônio Mavignier de Castro, Arnaldo Garcez Teixeira, Barreto Sobrinho, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, Ernesto da Silva Penafort, Hemetério Cabrinha, Joaquim de Alencar e Silva, Jonas Fontenelle da Silva, Jorge de Lima, José Joaquim da Luz, Luiz Augusto de Lima Ruas, Sérgio Luiz Pereira, cujas produções fiz questão de reproduzir em meus livros. Sempre busquei romances que tenham como pano de fundo a história, aprecio uma boa leitura, mas gosto de aprender ao mesmo tempo. Descobri, em Óbidos, “Os Dias Recurvos” de Ildefonso Guimarães onde ele relata, no seu romance histórico, magistralmente a Revolta que culminou com a Batalha de Itacoatiara.

Deixo estas pequenas divagações para chamar a atenção daqueles “intelectualóides” que vindo de outras plagas para esta bendita terra das águas achando-se mais capazes que a boa gente daqui. Meu escritor preferido foi e sempre será Euclides da Cunha. Não só pela sua invulgar sagacidade e magia no trato com as letras, mas também, pelo exemplo de vida e dedicação à pátria. Subindo o Purus para realizar uma missão, essencialmente técnica, de demarcação de fronteiras, o grande Euclides, sem perder o foco de seu principal objetivo, consegue, graças à sua visão holística invulgar, fazer comentários de cunho antropológico, aspectos do relevo, solo, fauna, flora, clima da região e sobre o caráter divagante do Rio Purus, baseado na concepção do “ciclo vital”. Durante a viagem teve, ainda, o cuidado de recolher amostras de fósseis e rochas, posteriormente encaminhadas ao Museu do Pará (atualmente Emílio Goeldi). Depois de chefiar a “Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus”, seu inquebrantável apego pela justiça determinou que voltasse os olhos para a questão da demarcação das fronteiras entre a Bolívia e o Peru. Assumindo, apaixonadamente, partido da Bolívia, tornando-se o “Cavaleiro andante da Bolívia contra o Peru”, conforme ele mesmo se definia.

Muitos talvez não compreendam que, numa época de cerrado utilitarismo, alguém se demasie em tanto esforço numa advocacia romântica e cavalheiresca, sem visar um lucro, ou interesse indiretos. Tanto pior para os que não o compreendam. Falham à primeira condição prática, positiva e utilitária da vida, que é aformoseá-la... (CUNHA)

Nas minhas eternas perambulações intelectuais amazônicas descobri o primor literário de Raymundo Moraes que nos reporta ao grande Euclides da Cunha de quem era grande admirador e discípulo sem, contudo, deixar-se influenciar ou perder seu modo próprio de dizer as coisas, de interpretar as matizes telúricas carregadas de amazônico nativismo. Seus líricos relatos, carregados de emoção, são flagrantes que vivenciou e paisagens que impregnaram sua alma durante quase trinta anos. São crônicas de quem apreendeu com as águas e as gentes, com os seres da floresta, os ventos e as chuvas. O fascínio e a magia de navegar pelas artérias vivas da hiléia fizeram-no seguir a carreira do pai chegando a Comandante dos “gaiolas”. As infindas jornadas despertaram seu amor pela leitura. Autodidata de invulgar inteligência e sensibilidade aliou o conhecimento científico e literário adquirido com as experiências que recolhia e anotava nas suas viagens. Raymundo Moraes é um dos melhores exemplos que existe para se caracterizar a diferença entre a cultura e a sabedoria. A falta de estudo não o impediu, absolutamente, de visualizar as belezas que o cercavam e de ser capaz de reportá-las com a sagacidade de um sábio. Raymundo teve como mestres a natureza, as águas e o Grande Arquiteto.

Infelizmente, nossos “intelectualóides” de hoje mais parecem experimentos de laboratório que de suas gaiolas, apartados das vivências diárias, são capazes apenas de reproduzir aquilo que já leram, ouviram ou que alguém já constatou. Serão eles, um dia, capazes de entender e respeitar a sabedoria dessa maravilhosa gente da terra das águas independentemente de sua posição geográfica ou grau de escolaridade?

-    1° SEHMA 2012

Fizemos alusão no tópico anterior à discriminação que nossos irmãos do Norte sofrem por parte daqueles que se julgam detentores do conhecimento, pois notamos nas palavras de alguns palestrantes um enorme ressentimento em relação a isso.

Fui convidado a participar do I Seminário de História Militar Terrestre da Amazônia Brasileira (1° SEHMA 2012), consegui o patrocínio das passagens com as linhas Aéreas Azul-Trip e parti para Manaus. Minha apresentação baseou-se na “Viagem da Real Escolta”, de José Gonçalves da Fonseca, nos idos de 1749, pelo Rio Madeira. Mostrei a importância do Diário de Viagem de Gonçalves da Fonseca para a cartografia e como era possível, graças à precisão de seu relato, acompanhar-lhe passo a passo, remada a remada pelo Madeira.

No Seminário tive a oportunidade de conhecer Márcio Souza, autor de Galvez, Imperador do Acre. Nessa obra, Márcio Souza, retrata Galvez como um aventureiro em busca de fortuna. Galvez encontra uma classe dominante e perdulária sustentada pela exploração da borracha. Galvez comanda uma expedição às “tierras non descobiertas”, ou seja, terras ainda não exploradas pelos bolivianos declara a independência e é coroado imperador.

Diferente de Porto Alegre, a mídia atenta, me encontrou. Fui entrevistado pela equipe do Zappeando, da Amazon Sat, capitaneada pela encantadora apresentadora Ananda Chamma para quem relatei os desafios de minha próxima jornada pelo Rio Juruá.

-    Retorno Conturbado

Na viagem de retorno para Porto Alegre, com escala no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, MG, um passageiro da poltrona 21A, eu viajava na 23A, teve problemas cardíacos e teve de ser atendido pela tripulação e por um médico que viajava como passageiro. Foi impressionante verificar o profissionalismo e a dedicação da tripulação do Vôo 5303. O médico foi chamado e após os primeiros cuidados uma das comissárias sentou-se ao lado do passageiro dispensando-lhe toda a atenção possível. O próprio Comandante Fernando Canto veio avisar-lhe que a equipe de solo já fora informada e o tempo que faltava para o pouso. Chegando a Confins os socorristas subiram a bordo e encaminharam imediatamente o passageiro para o hospital.

Gostaria de manifestar meu reconhecimento ao tratamento eficiente, profissional, mas, sobretudo ao carinho e à solidariedade que dispensaram a um ser humano em situação de crise. Parabéns Linhas Aéreas e, em especial, à tripulação do Vôo 5303 do dia 25/11/2012, da Base POA:

-    Comandante:    Fernado Canto
-    Co-piloto:    Canto
-    Comissárias:     Letícia Fraga
        Catrina
        Carla

Fontes:

CUNHA, Euclides da. Peru Versus Bolívia – Brasil – São Paulo – Cultrix, 1975.

SOUZA, Márcio. A Expressão Amazonense, do Colonialismo ao Neocolonialismo – Brasil – São Paulo – Editora Alfa-Omega, 1946.

-    Livro do Autor

O livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Associação dos Amigos do Casarão da Várzea (AACV) – Colégio Militar de Porto Alegre.

Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB - RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.
E-mail: hiramrs@terra.com.br
Blog: http://www.desafiandooriomar.blogspot.com

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br


 

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