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Artigos - 29/10/2012 - 08h09

Antônio Luís Von Hoonholtz – Parte II






Por Hiram Reis e Silva

Reportamos, neste artigo, a segunda parte referente à biografia do Barão de Tefé escrita por sua nora Tetra de Tefé. Caluniadores contaminados por uma “inveja corrosiva” tentaram manchar a honra do ilustre Chefe da Comissão de Limites Brasileiro-peruviana de 1874, gerando a famosa “Questão Cirne Lima”.

Após cerca de três intermináveis anos no Alto Amazonas, por entre perigos, pestes, imundícies, inimigos ferozes e mortes, Tefé reivindicara para o Brasil uma extensíssima região não só de terras férteis como de sub-solo prenhe de riquezas. Traçara uma abertura pelo Rio Javari de 2.000 km. de travessia ao forçar a barreira humana formada pelas mais indomáveis tribos selvagens, embrenhadas nas margens desse Rio. Seu feito é uma epopéia. Epopéia seguida com ansiedade pelo Império todo através dos seus diários publicados no “Jornal do Commercio”, embora com o atraso normal em face da distância.

No entanto que amarguras lhe traria dentro em pouco esse nobre feito, do qual voltaria com a saúde abalada, mal podendo andar, mas de consciência tranquila por haver tão bem cumprido a grande missão da qual pessoalmente o revestira o Imperador. Pensando certamente nesse triste regresso a Manaus e na dolorosa surpresa que aí o aguardava, escreverá Tefé um dia muito mais tarde:

—    O que me atemoriza não é na vida ao ar livre (há certa originalidade na colocação das palavras), a fúria do mar proceloso, o bramido das vagas, as águas de um Rio coalhado de sangue, nem o rugir das feras nas selvas. O que me atemoriza é a calmaria que antecede o bote dos invejosos: a calúnia.
Capítulo XVIII

O Triunfo Sobre a Calúnia

O sofrimento é aquele grito de São Paulo: Acorda, ó tu que dormes, revelando ser a dor a essência da vida humana!

Tefé, que em 14 anos de comando não submetera nenhum de seus subordinados a Conselhos de Guerra, nem prendera um só Oficial, nem consentira que seus imediatos ou oficiais castigassem a guarnição com chibata sem seu prévio julgamento, exortou veementemente em discurso dirigido ao Ministro da Marinha em 1870 — Sr. Conselheiro Duarte de Azevedo — na presença de todo o Ministério a bordo do Marcílio Dias, exortou a S. Exª que obtivesse uma medida legislativa abolindo o castigo corporal na Armada. Anos mais tarde em meio à exploração no Amazonas, antes do Javari, declarou em entrevista a um jornalista:

—    Tenho meu sistema: considero até o mais inferior de meus marinheiros; faço-me respeitar com meu exemplo e só emprego os meios fortes nas faltas de extrema gravidade, para não desmoralizar a minha gente e tornar realmente eficaz o castigo. Eis como trato a tripulação, e com este método tenho conseguido educar minhas guarnições, de sorte que nestes longos 16 anos de mando não tive a lamentar uma só desgraça entre os elementos muitas vezes heterogêneos que as compõem. Nenhuma facada entre eles, nenhuma desobediência ou insubordinação; nenhum caso enfim que se pudesse reputar como crime; e mais que tudo nem sequer uma deserção, mesmo durante estes dois anos já de árdua permanência no Amazonas.

Pois justamente esse Comandante exemplar — por não poder ser taxado de inepto, desonesto, covarde ou déspota — ia ter sua honra vilipendiada pelas mais infamantes calúnias, baseadas em pena imposta a certo foguista de um de seus navios. Tudo à socapa (furtivamente), aproveitando-se os caluniadores da distância intransponível em que ele se achava, para lhe cravarem nas costas as punhaladas de uma inveja corrosiva.

Prostrado por grave enfermidade que o assaltou quando baixava do Javari, e pelo profundo golpe que lhe alanceara o coração com a morte de seu querido irmão e companheiro de trabalhos o agrimensor da Comissão Imperial Carlos Guilherme von Hoonholtz, chegou o Barão de Tefé a Tabatinga em tal estado de fraqueza que teve de ser transportado a braços para terra. Seus padecimentos físicos e morais só eram atenuados pela consciência de haver cumprido do modo o mais satisfatório a rude e perigosa missão que lhe fora acometida pelo Governo.

Nem os incalculáveis obstáculos naturais que apresenta ao explorador a parte alta do Javari; nem as febres palustres que iam inutilizando as guarnições; nem os ataques dos ferozes selvagens dessas regiões até onde antes das duas Comissões nunca havia penetrado um só homem civilizado; nem as privações de todo gênero por que passaram em dois meses e meio de trabalhos extenuantes dentro de acanhadas chalanas, que sulcariam trilhas indeléveis pelos seus resultados positivos nas águas embora movediças do Javari, e onde em cada uma viviam agrupados de 14 a 16 homens, nada disso lhes esmorecia o ânimo, nem esfriava o entusiasmo, nem incutia no pensamento a mais leve idéia de abandonarem por impossível tão esforçado empreendimento.

Os exemplos de ambos os exploradores — Tefé e Black secundados pela boa vontade de seus ajudantes, eram poderoso estímulo para que as excelentes guarnições vencessem a machado e à força de pulso as maiores dificuldades. Avante e sempre avante, eis a divisa que os norteara até plantarem o último marco de limites entre o Brasil e Peru na até então mal assombrada e desconhecida vertente principal do famigerado Javari.

A descida do Rio foi terrível. Baixavam as águas com força, impedindo-lhes o passo a cada instante; escasseavam os víveres em cada dia de demora; surgiam paliçadas fortemente amarradas com grossos cipós em cada curva do Rio; e finalmente declaravam-se as febres de mau caráter com tal intensidade, que a volta chegara a tornar-se problemática em tão crítica situação. Nestas condições, e quando se achavam falhos de recursos médicos, pois o Dr. Carneiro da Rocha que dera baixa por doente, antes da entrada no Javari, tendo-se restabelecido em pouco tempo, preferiu ficar em Manaus e tomar assento na Assembléia Provincial, a empreender a arriscada viagem de 600 léguas, embora isso lhe tivesse sido ordenado por Tefé, faleceu sem saber-se de que enfermidade o agrimensor Carlos Guilherme von Hoonholtz, único ajudante brasileiro que acompanhara o irmão em todas as explorações anteriores e que nesta o auxiliara até sua conclusão cabalmente afirmativa.

Deprimido, em estado de estafa, seriamente doente, Tefé caiu de cama. Assim desceu o Rio Galvez até Tabatinga, no Rio Solimões. Foi aí que, estarrecido de espanto, recebeu as cartas de uma desolada mãe e de uma esposa cheia de dor e desespero ante as horrorosas e infamantes notícias, verdadeiro vespeiro envenenado, que em sua ausência haviam sido publicadas em jornais de Manaus, Belém e transcritas em folhas da Corte. E para a família o seu silêncio aos insultos era a mais aterradora resposta!

Na aflição, ou na ignorância, a ninguém acudira a idéia de que a Expedição ao Javari era uma barreira intransponível, onde ele se encontrava bloqueado de todo e qualquer meio de comunicação com quem quer que fosse a não ser os companheiros de luta.

No entanto só ali à chegada, Tefé tomara conhecimento das setas ervadas que, para guerrearem-no a todo transe e enodoarem o nome como Comandante, lhe tinham atirado à traição seu inimigo figadal e rancoroso: José Costa Azevedo, e secundado por um antigo subordinado de Tefé ambos oficiais da Armada. Aquele por ter-se visto apanhado em deplorável erro científico no Japurá e que lesava grandemente o território do Brasil. Este, pela sua demissão da Comissão de Limites por má conduta e falta de conhecimentos técnicos. A inveja e o despeito — essas duas pestilências — os asfixiava. A princípio o rancor, e mais tarde a sede de vingança armaram esses dois homens, sem princípios de lealdade militar, contra o camarada de classe que, ainda muito jovem e gozando da alta estima do Imperador e dos vultos mais eminentes que vinham governando o País, apresentava um sucesso fulminante na carreira. Urgia por isso nulificar e esmagá-lo a todo custo.

Costa Azevedo, já com seus erros científicos evidenciados e corrigidos por Tefé na questão do Japurá e do Içá, tentara ainda sustentar contra o camarada de armas, de patente inferior à sua e doze anos mais moço, uma discussão sobre cálculos, que alcançou grande repercussão, através do jornal “Reforma” do Rio; dela porém se saiu pessimamente, rebaixado ao triste papel de incompetente.

No Pará, onde residira 4 meses, Tefé se escandalizava com a desabrida linguagem empregada por certos órgãos jornalísticos, que, prevalecendo-se da liberdade da imprensa, licenciosamente agrediam a tudo e a todos, inclusive Presidentes das Províncias e até o Monarca! Provocavam os artigos respostas desbocadas e, muitas vezes, troca de tiros. O ar que se respirava nesse meio era poluente. Mais de uma vez congratulara-se Tefé pelo caráter diplomático da Comissão, que lhe impunha o dever de abster-se completamente das pugnas políticas, a ponto de declinar do honroso convite que lhe fizera o Imperador para Presidente da Província do Grão-Pará:

—    Sou um militar, não um político, respondera.

Parecia-lhe essa abstenção garantia suficiente para poder atravessar incólume através de tão estrondoso bombardeio. Durante dois anos foi poupado. Mas, o título de Barão com que Sua Majestade lhe galardoou os relevantes serviços prestados, fez de repente desabar sobre ele toda a fúria dos caluniadores de farda e sem farda. Sua elevação ao baronato podia ser explorada com vantagem, porque aos fregueses das tavernas e aos cocheiros e aos carreiros muito havia de agradar a infamação de um titular.

Foi quando Costa Azevedo, desprestigiado como oficial na apreciação do Imperador, e despeitado até o ódio, pôs em ação a inteligência vulpina, (expressão usada por Carlyle em caso semelhante) e ele possuía, para extravasar a bílis, que lhe corroia o fígado. E foi um ódio que — infeliz alma! — nunca se saciou. Durou até sua morte! Embora o dicionário defina as palavras, só a vida tem o poder de interpretá-las.

Quanto ao segundo — declara Tefé no livro de sua autoria “Defesa do Barão de Tefé”, publicado em Manaus e no Rio no ano de 1874:

—    O secretário da Comissão de Limites e meu substituto não foi demitido do lugar por causa de folhetins analisando bailes em Manaus, como propala. As razões que me levaram a reclamar sua exoneração foram muitas e mui plausíveis. Já antes de nossa partida da Corte esse oficial portava-se de modo tão reprovável a bordo do Vapor Marcílio Dias no qual era meu imediato, que um dia os Senhores Tenentes Motta Araujo, Souza Lobo e o Oficial da Fazenda Botelho me fizeram uma representação formal contra ele, pedindo providências ou passagem de navio. Como me cumpria, ouvi o dito imediato e o repreendi.

—    Tanto bastou para que de tal forma se pronunciasse contra mim pelas costas, que o então oficial de gabinete do Sr. Ministro da Marinha, o digno Sr. Aparício, e mais tarde o próprio Sr. Conselheiro Diretor Geral da Secretaria d’Estrangeiros me aconselharam a desfazer-me de tão mau companheiro. Entretanto pensei que o cumulando de obséquios e de atenções obtivesse convertê-lo, e, por outro lado, não fazendo grande cabedal de sua amizade nada me importava com perdê-la.

—    Por vários motivos as coisas já não marchavam bem, e ainda mais se complicaram com os resultados que o dito oficial me apresentou dos trabalhos astronômicos de que estava incumbido. Foram eles tais que sendo oportunamente remetidos, em próprio original, como de minha obrigação, ao Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros e por ele mandados examinar por profissionais, estes declararam que “tão hábil observador e calculista não era capaz nem sequer de regular um cronômetro”. Eis aí o motivo da sua demissão. E estes trabalhos científicos, que formam seu corpo de delito, existem arquivados na Secretaria dos Negócios Estrangeiros.

Esses dois oficiais da Armada dominados por péssimos sentimentos, maquiavelicamente arquitetaram a trama do mais ardiloso alçapão para nele fazer resvalar e cair a reputação sem mácula de Tefé. O caso “Cirne Lima” pareceu-lhes a oportunidade propícia.

Bastaria desfigurá-lo, misturar-lhe ingredientes tenebrosos e repulsivos, apresentando Tefé como o protagonista de um drama de atrocidade e tirania: o algoz de uma vítima indefesa. Só assim, o herói cairia do pedestal. Para abocanhar Tefé, Costa Azevedo associou ao grupo de detratores o pai do foguista ladrão e insubordinado Francisco de Paula Cirne Lima. A quantia de 500$000 que acompanhou esse conluio bastou para pôr em campo os calabreses da Reforma.


O que ficou sendo chamada “Questão Cirne Lima” teve origem num fatídico dia de março de 1872, quando o até então respeitável Dr. Cirne Lima, Chefe de Polícia do Pará, procurou Onóltz no Arsenal de Marinha e em presença do distinto Capitão-de-Fragata Carneiro da Rocha, pediu-lhe com o maior empenho que desse praça a bordo do Marcílio Dias a seu filho Francisco de Paula Cirne Lima.

Surpreso ante tão insólita solicitação, escusou-se Tefé (ainda Onóltz) dizendo-lhe que não tinha cargo algum conveniente para seu filho. Mas o pseudo honrado e infeliz pai referiu-lhe que o rapaz era um perdido, expulso do Batalhão Naval e da Companhia do Amazonas. Em casa o malvado insultava as próprias irmãs e madrasta. Rematou confidenciando que o filho acabava de cometer um furto, cujas consequências poderiam ser de grande responsabilidade para ele, pai, visto como o praticara em objeto que estava em depósito na Secretaria do Gabinete de Polícia.

Já baldo de argumentos negativos, lembrou-se ainda Onóltz de ponderar que só podendo receber o moço como praça de carvoeiro, ficaria ele sujeito ao castigo corporal, ao Código de Lippe, e que sendo dotado de tão má índole, o poria em sérias colisões, por não poder abrir com o rapaz precedente de mal cabida proteção, obrigado a infligir-lhe as penas em que incorresse com seu gênio desordeiro, insolente e propenso ao crime.

Acudiu o desesperado pai com as seguintes palavras:

—    Sr. Comandante, eu até lhe peço que, por qualquer roubo ou atrevimento, lhe meta a chibata. Só assim poderá corrigir esse perverso, e até se quiser lhe escreverei uma carta, confirmando meu pedido. O Sr. não imagina quem é esse rapaz!

Ainda muito dubitativo (com muita dúvida) de acolher tão mau elemento em sua ordeira guarnição, acedeu, entretanto, Onóltz ante a carta que lhe dirigira dias depois o desafortunado pai:

Pará, 25 de março de 1872

Ilmo Exm° Sr. Tenente-Coronel Antônio Luiz von Hoonholtz.

Fica como praça e à disposição de V. Exª o meu filho Francisco de Paula Cirne Lima, ao que, a meu pedido, teve a bondade de assentir. Isto posto, rogo de dispor dele como entender conveniente. Além das regras de praça, poderá empregá-lo e castigá-lo com rigor, e como V. Exª quiser, em qualquer serviço; certo de que tudo quanto fizer merecerá minha aprovação e reconhecimento. Faço votos para que ele se possa corrigir e tornar-se útil, como anelo (almejo).

Almejo tenha feliz viagem com saúde. Poderá dispor de mim como quiser. Sou etc. etc.

Assinado Francisco de Souza Cirne Lima.

(Firma registrada pelo tabelião Lessa em Belém).

A boa estrela de Onóltz deve ter fechado os olhos por um minuto e o escudo do retrato materno sobre seu peito não afastou o perigo: por um rasgo de humanitarismo excessivo, ele consentiu que penetrasse a bordo do Marcílio Dias esse elemento convulsivamente, mau caráter, marginal irrecuperável, que lhe viria a custar escândalos, amarguras e agonias. Pior do que malvado, o sujeito era cínico e tarado Em breve era evitado a bordo por todos os marinheiros, que o cognominaram ladrão descarado. Preso várias vezes por furto, repugnava a Tefé castigá-lo com chibata, em atenção ao pai do criminoso; mas, teve que prendê-lo várias vezes por indisciplinas graves.

Onóltz esquecera o versículo:

Deus sela as mãos de todos os homens com um selo diferente em cada um dos seus dedos, para que conheçam todos os homens a sua obra. (Job 37:7).

Os selos das mãos de Francisco de Paula Cirne Lima eram amaldiçoados. No entanto, malgrado tantas demonstrações de degenerescência, parece que algo inexplicável obrigava Tefé a continuar acalentando a víbora em seu peito que, para completar sua personalidade, lhe faltavam ainda as provações morais que sublimam os grandes homens.

Alguns meses depois, seguiu a Expedição para a demarcação do Içá no pequeno Vapor Pará, levando a seu bordo a Comissão Peruana, a cujo chefe D. Guilherme Black, ofereceu Tefé, como dever de cortesia, seu camarim da tolda, onde havia uma secretária sólida e segura, na qual se depositava o dinheiro da Fazenda Pública destinado à compra de lenha, pão e carne. No convés, o foguista Cirne Lima, quando de folga, rondava o camarim, observando o que nele se continha...

Em Codajás e Coari comprou-se lenha para o vapor e lancha Apaporis, bem como reses e de cada vez eram pagas as faturas pelo Secretário Dr. Ribeiro da Silva, na presença de Tefé. Conferiam ambos a quantia restante e o Comandante a trancava na referida escrivaninha, cuja chave, em uma argola com outras menores, ficava sempre em seu poder.

Entraram na cidade de Tefé na noite de 29 de junho e como estivesse ancorado o vapor peruano Napo, foi Black a bordo demorando-se lá. Na manhã de 30, tendo que efetuar pagamentos, deu Tefé por falta da chave de sua secretária. Depois de procurá-la por todos os escaninhos — ele tão organizado! —, compreendeu estupefato que a chave havia sido subtraída! Ordenou incontinenti o arrombamento da gaveta. O pacote de notas do tesouro que na véspera continha 1:913$000 e fazia parte do total recebido pelo Comissário do vapor Marcílio Dias, para as despesas da Expedição, havia desaparecido!

Formou-se a gente na tolda. Tefé passou uma revista minuciosa e o resultado foi nulo. Desgostosa, a marinhagem cochichava indicando o culpado. Alguém avisou que haviam oferecido ao negociante Mendes um cento de réis pela alforria de uma escrava moça, para ela descer com o alforriador ao Pará no dia subsequente ao da partida de Tefé para o Javari. Chamado a depor, já então na delegacia da cidade, Mendes confirmou e declarou o nome do homem que lhe tinha feito a oferta: Francisco de Paula Cirne Lima, foguista do vapor Pará.

Preso, Cirne Lima respondeu com solércia (astúcia; habilidade para enganar; velhacaria) às perguntas de Tefé, em tom altanado (soberbo e grosseiro) com que não se fala a superiores. Declarou que ia mesmo desertar para fugir com a escrava; mas nenhuma quantia oferecera por ela. Levado à parede pelos argumentos do Delegado, acabou por confessar, não à força de torturas, mas livre e desembaraçadamente, todos os menores detalhes da ação criminosa: como se esgueirara na câmara, furtara o molho de chaves e, aproveitando-se da ausência do Comandante Black, abrira a secretária e tirara o dinheiro.

Mas, para despistar e criar confusão, ao mesmo tempo que confessava, matreiramente se desdizia forjando mentiralhas e acusando uns e outros do furto, como se encontrasse nisso o maior divertimento. Afinal, com ar de mofa e desdém, o ladrão declarou que aquilo tudo não passava de uma maçada (amolação), porque o dinheiro estava a bordo debaixo de um barril de azeite. Revistado o local e, como tudo não passasse de embuste e desplante, acabou o acusado por dizer:

—    É inútil mesmo procurarem aqui; o dinheiro vai longe nas águas do Rio.

A Comissão Mista já se havia demorado na cidade dois dias a mais do previsto, por força desse vergonhoso caso. Mas Tefé não queria sair Rio acima antes de deslindados os meandros do acontecimento e de o culpado haver confessado indeclinavelmente sua culpa. Dada a premência do tempo para a tão importante partida, ele agiu com uma paciência quase acima do possível. Afinal, o Delegado do Termo — com todas as minudências, inclusive a intenção de desertar —, assinou o certificado do roubo praticado pelo foguista Cirne Lima, bem como suas palavras e atitudes rebeldes e insolentes perante o próprio Comandante do navio. Constrangendo sua mentalidade avessa ao código de Lippe, adotado em todas as marinhas do mundo naquela época, viu-se Tefé na dura contingência de ordenar o castigo à chibata que lhe impunham como dever os regulamentos militares, de acordo com o conjunto de delitos graves cometidos pelo culpado.

Conde de Lippe: Em 1762, Espanha e França determinaram que Portugal fechasse os seus portos aos navios ingleses. Com a recusa por parte do Governo português, desencadeou-se a guerra. Tropas espanholas invadiram o território português tomando Miranda, Bragança e Chaves. O Marquês de Pombal, então, por indicação do Governo britânico, contratou para comandar as tropas portuguesas que, com ajuda de forças britânicas, se preparavam para entrar em ação, um oficial prussiano, inglês de nascimento, denominado Conde Guilherme de Schaumburg-Lippe. O Conde de Lippe assume o posto de Marechal do Exército e se torna o “encarregado do Governo das armas de todas as tropas e Diretor-Geral de todas as armas”. Lippe, conhecendo a limitação das tropas portuguesas, limitou-se a uma guerra de posições, procurando impedir que os espanhóis invadissem Portugal. Daí o nome de “Guerra Fantástica”, já que toda ela decorreu sem ser travada uma única batalha digna de nota. A estratégia funcionou, tendo em vista que Espanha, na época, estava mais preocupada com questões de disputas territoriais mal resolvidas na América do Sul. Com a Paz de Fontainebleau, Lippe continuou reorganizando as forças militares, estabelecendo planos, introduzindo novos métodos de instrução, técnicas, táticas, estratégias, sistema defensivo de fronteira, determinando o reparo das fortificações existentes e ordenando a construção de outras. Passou a vigorar, então, a genuína disciplina prussiana, os militares eram “disciplinados” com varadas, açoites, prisões e fuzilamentos. (Hiram Reis)

Competiu-lhe outrossim a obrigação de levar ao conhecimento do Quartel-General da Marinha tão infeliz ocorrência, o que fez nos termos mais moderados e sem omitir a circunstância da filiação do réu. Todavia o ajudante General da Armada mandou instaurar-lhe processo e submeteu Cirne Lima a Conselho de Guerra. Sem intimidar-se, e mesmo orgulhoso de suas felonias (rebelião de subordinado para com o seu superior), o culpado repetiu a sangue frio o mesmo que já depusera a bordo e na Delegacia, inclusive o propósito de cometer deserção. Sua pena foi a capital.

Escreveu então Tefé uma carta ao pai do acusado, aconselhando-o a entrar com a quantia furtada para os cofres públicos, que isso atenuaria a sentença. Embora as penas de morte fossem sempre comutadas, seria bem melhor se agisse conforme lhe dizia como amigo. E a Comissão Mista partiu rumo do Javari.

Depois de tal sentença, prenunciada por um Conselho de Guerra, dizer-se que um castigo a chibata, aplicado numa praça incorrigível e avessada (hostil) ao roubo, aos vícios infames e à insubordinação, quando ele faltara ao respeito ao seu próprio Comandante e ao mesmo tempo ofendera um hóspede do Império, alto funcionário de uma nação amiga; quando antes disso tentara desertar levando consigo uma quantia de quase dois contos de réis de dinheiros do Estado, que o próprio réu confessara haver roubado; dizer-se que tal punição a chibata fora um castigo bárbaro, era não ter a menor idéia dos regulamentos das Marinhas de Guerra dos mais adiantados países estrangeiros, que nem sequer estabeleciam limites aos castigos de pancadas, deixando na maior parte dos crimes o número de chibatadas ao arbítrio do Comandante do navio.

Compreendeu a “Reforma Liberal” (propriedade de Costa Azevedo, através da qual fazia a política do Partido Liberal) que dizendo a verdade não podia produzir efeito. Conluiados, os desafetos tramaram o complô e, acumpliciando-se com o Juiz de Direito Dr. Cirne Lima — o pai que suplicava em lágrimas a Tefé para tomar o filho a bordo de seu navio, na qualidade de grumete ou foguista, para corrigi-lo de sua índole atrabiliária (colérica) e de ladrão —, serviram-se dele como de um elemento cúpido e inescrupuloso, para destruir quem consideravam inimigo.

Jamais supusera Tefé que mal virasse as costas, para dar início à dificultosa e sacrificante Expedição ao Javari, onde ninguém poderia alcançá-lo, começassem a ser publicados os artigos difamadores, taxando-o de algoz que martirizara a chibatadas — 650 calabrotadas! — um pobre menino indefeso de 14 anos de idade, e outros montões de mentiras deslavadas, malevolentes e escandalosas. E essas inverdades asquerosas e indignas foram espalhadas através do Pará e do Ceará até a Corte, isto é, ao Império inteiro!

A primeira carta de solidariedade que Tefé recebeu foi a do Comissário Peruano, que a tudo presenciara:

Sr. Baron de Tefé — Don Antonio Luiz von Hoonholtz.

Muy apreciado amigo. La apreciable carta de U. fecha del actual, en la cual me felicita por mi llegada, la agradezco muy sinceramente, pues nada mas agradable para un amigo que la sincera emanación de los sentimientos que inspira. Sin embargo del placer que he recibido, he sentido un gran disgusto, que bastante me ha conmovido al leer el insolente articulo que publicó la “Reforma Liberal”, ocupando-se de lo que llama Facto horroroso, acaecido con el individuo Francisco de Paula Cirne Lima.

Desde luego, testigo como soy de los acontecimientos que han mediado con ese miserable subalterno que estaba desgraciadamente à ordenes de U., y el cual había sido embarcado a bordo por corrección à consecuencia de haber robado a su mismo padre, de cuyos hechos me informé à bordo del vapor Para cuando subí a Tefé, en cuya época robó U. a bordo de este buque una cantidad de dinero: habiendo pasado yo por la vergüenza de alternarme con ese individuo cuando se atrevió a acusar a mi sirviente, habiendo acusado antes a otras personas en tierra. No me quedó la menor duda de que el tal Cirne Lima era un criminal, que merecía un severo castigo, el cual venia ya reclamando de antemano la vindicta publica.

Así, pues, querido amigo, el articulo del periódico en cuestión no debe molestar a U. en absoluto. Semejantes hechos se desprecian, pues personas como U. de antecedentes conocidos, y dignos de toda consideración se merecen el respecto de sus conciudadanos; y la torpe calumnia por infame y vil que sea, jamás puede mancillar su honra. Conociendo el noble proceder de U. y los finos sentimientos que le adornan; y al mismo tiempo autorizado por la sincera amistad que nos liga, me tomo la libertad de aconsejarle, no se degrade entrando en una polémica por la prensa; este hecho daría realmente importancia a la persona que acusa U.

La información judicial según las ordenanzas navales como se acostumbra en todas las naciones en casos idénticos; proceder que ya U. practicó deben bastar a la conciencia de cualquier hombre honrado. Por my parte yo no procedería de otro modo. En este mundo de lagrimas no puede practicarse todo a medida de nuestro deseo; y continuamente marchamos juntos con el placer y el dolor: así es que no debe U. afligir-se, y aunque Maquiavel diga “que siempre queda algo de la calumnia”, debe U. tener en cuenta que el criterio de sus buenos amigos siempre propenderá a destruir cualquier hecho que pudiera mancillar su noble reputación.

Soy siempre su amigo

Guilherme Black (Firma reconhecida em cartório).

Como vimos, ao chegar a Tabatinga, afagando a idéia (talvez no delírio da febre que o minava) de ser recebido com aplausos quando chegasse à Corte, depois de ter com tanta constância suportado quase três anos de cruel degredo, separado por imensa distância da família tão, querida, encontrava como pagamento de tantos sacrifícios, as injúrias espalhadas em todo o Império, já que nas principais capitais das Províncias os artigos eram transcritos.

Ansioso, Tefé esperou o vapor mensal de Manaus e com três dias de baixada entrou no Porto de Tefé, onde foram recebê-lo as pessoas mais gradas da sociedade local. Referiu-se então o Dr. Juiz de Direito José Pereira da Silva aos artigos da “Reforma Liberal” nos quais o atacavam com tal acrimônia injuriosa por supostas atrocidades, que os habitantes de Tefé haviam decidido lavrar um termo de protesto que seria publicado em Manaus, e o qual já contava 62 assinaturas reconhecidas em cartório. (Devemos reportar-nos a que a cidade era composta de pouco mais de 200 habitantes, entre escravos, índios e brancos) Eis o Protesto:

Soube-se, é verdade, que a bordo do Vapor Inca tinha sido punida uma praça por ter faltado ao respeito e falado desaforadamente ao respectivo chefe, e depois se soube que essa praça fora quem cometera um grande roubo, como ela própria declarara; porém, não constando a ninguém que esse castigo tivesse sido rigoroso, impossível era ser, pelos habitantes desta cidade, qualificado de bárbaro o procedimento do Sr. Barão de Tefé, como querem fazer constar certos jornais. O Sr. Barão de Tefé sempre inspirou aos abaixo-assinados e à população inteira, os maiores sentimentos de humanidade e de uma alma bem formada, o que se acha provado pelos fatos. Depois de se ter vulgarizado o roubo, a referida praça foi levada à Delegacia de Polícia para averiguações em terra, e no dia imediato percorreu alguns lugares da cidade onde dizia tê-lo escondido e nessas ocasiões se estava castigado — o que não se percebia —, conhecia-se que o castigo não tinha sido bárbaro, pelo que protestamos contra tal calúnia.

Seguem-se as 62 assinaturas reconhecidas por Tabelião.

Chegou Tefé finalmente a Manaus a 26 de abril, onde teve ao mesmo tempo o consolo de abraçar seu irmão o Deputado José Paulino, bem como o Presidente da Província e muitos outros bons amigos e o desgosto de verificar, pelas últimas cartas da família e jornais do Rio, confirmadas as pérfidas notícias que a seu respeito ecoavam por todo o País.

Já em Tabatinga, assim ficou ciente dos fatos, no auge da revolta ao ver crescer em torno de si aquela enlameada tempestade verbal de doestos (afrontas, injúrias, insultos), traçara ele um roteiro de sólida estrutura, para que seu desforço (desabafo) partisse em linha reta; e como o Governo Imperial lhe mandara um aviso pedindo “informações circunstanciadas a respeito do tal castigo, para que se pudesse desfazer a má impressão produzida na opinião pública pelos artigos transcritos nos jornais da Corte” exultou ante a esperança de poder enfim justificar-se categoricamente e pulverizar seus inimigos, por um documento normalizador e irrespondível.

Embora aviltado e injustiçado, com sua reputação atirada aos cães, sentia-se, no entanto, sobranceiro à felonia, sabendo que havia de esmagá-la. Para suportar tais calúnias fora preciso mais do que o respeito à Pátria; tivera que procurar um ângulo da fé que o inspirasse. “Nada mais simples do que esta frase: Faça-se a luz. E a luz foi feita. Mas, em sua penúria de palavras, ela desloca montanhas e vira tudo do avesso”. Era essa ânsia pela luz da verdade que o caluniado sentia. Sistemático, Tefé não alterou seus métodos de trabalho. Sua segunda natureza era o sangue frio diante do inimigo, pois embora sendo do mesmo país, eram estes mil vezes piores do que os estrangeiros. Pôs em ordem e rubricou todos os papéis do Marcílio Dias, e entregou, sereno e altivo, o comando ao seu imediato, requerendo em seguida ao Chefe de Polícia um rigoroso inquérito de todas as praças de bordo, desde o seu novo Comandante até o último grumete, sobre as denúncias e acusações pela imprensa na execrável questão Cirne Lima.

Com o maior comedimento de linguagem em tais circunstâncias, reclamou que fossem ouvidas sobre 14 quesitos importantíssimos toda a guarnição desse navio que comandara por mais de 3 anos. Disse o “Comércio do Amazonas” a 9 de maio de 1874, entre outros comentários:

Um Santo que fosse o Sr. Barão de Tefé, não é crível que, sem aplicação dos corretivos autorizados e recomendados pelo código de guerra, conseguisse governar com tão feliz êxito a um cento de homens tirados pela maior parte da última estratificação social.

O receio de seus amigos era de que algum falseasse a verdade por maldade ou ignorância. Inflexível em seu intento, Tefé remete o requerimento ao Chefe de Polícia:

O Capitão-de-Fragata Barão de Tefé ao regressar a esta Capital depois de cinco meses e meio de ausência, em que se empregava nos trabalhos da fronteira do Javari, entre o Brasil e o Peru, teve o profundo desgosto de encontrar na correspondência atrasada da Corte cartas pesarosas de sua família informando-o das torpes calúnias arrogadas contra ele pelo Dr. Francisco de Souza Cirne Lima, pai de um ex-foguista do Vapor Marcílio Dias.

Como V Exª sabe, estas acusações tão absurdas quanto falsas, tiveram sua origem desprezível num periódico desconceituado, e foram reproduzidas numa gazeta de idêntica fama da Província do Pará. Pois bem, baseados nessas acusações malignas e injuriosas de inimigos traiçoeiros que no maior silêncio deixaram escoar-se mais de seis meses desde o suposto castigo de que acusam o suplicante, para o agredirem depois de saberem-no a 300 léguas desta capital e em lugar de onde por isso não podia destruir imediatamente suas monstruosas falsidades; fazendo-se eco de tais calúnias e industriado pelos inimigos tacitamente citados, o Dr. Cirne Lima buscou levantar a opinião pública contra o suplicante, cuja reputação sem mácula procurou abalar e denegrir.

É triste e doloroso, Exm° Sr., que um homem que nunca cometeu uma só falta em sua vida, um militar cuja fé de ofício em 22 anos de serviços continuados é um encadeamento de louvores e de notas as mais honrosas, sem que uma única vez tivesse incorrido no desagrado de seus superiores nem nas censuras de seus camaradas ou subordinados, veja-se subitamente, e por uma calúnia publicada e repetida a propósito por seus inimigos, na dura necessidade de tomar o papel de réu e de defender-se de atos que não praticou.

Urge, no entanto, que, quanto antes apareça a verdade e possam o Governo e o público pronunciar o seu último juízo sobre tão ominosa (funesta; horrenda; execrável) questão. Não é, porém, com os incontáveis artigos e protestos de bons, amigos que o suplicante pretende justificar-se; é com o próprio testemunho dos cento e tantos companheiros do perverso Francisco de Paula Cirne Lima que ficará decidido se, com efeito, mandou o requerente supliciar barbaramente essa praça, ou se o castigo, pelo contrário, foi demasiadamente moderado para as infrações e delitos que a dita praça cometeu: tentativa de deserção, roubo, insubordinação e insolência com o Comandante do navio.

Nunca nos 14 anos de comando do suplicante foi um só indivíduo sob suas ordens, por maior que fosse a falta, punido com mais de 100 chibatadas, na forma do Regimento Provisional, e este é o castigo usual e comum para as infrações graves, tanto no Quartel do Corpo de Imperiais Marinheiros como em todos os navios de guerra da Armada.

Para que, pois a satisfação ao País seja completa usou já o suplicante da faculdade de que se achava revestido do poder de entregar o comando quando lhe conviesse ao seu imediato, depois de concluída a demarcação dos limites do Império; e tendo passado hoje mesmo o dito comando ao 1° Tenente Tell José Ferrão, requer a V. Exª que se sirva proceder a um rigoroso Inquérito Policial às praças do Vapor Marcílio Dias, interrogando toda a guarnição desde o atual Comandante até o último grumete sobre os quesitos abaixo, que compreendem, não só a acusação que lhe foi lançada de haver mandado infligir um bárbaro castigo de muitos centos de chibatadas no foguista Francisco de Paula Cirne Lima, como se referem ainda a todos os seus atos anteriores na qualidade de primeira autoridade de bordo durante os 3 anos que comandou o citado Vapor Marcilio Dias e a Força Naval do Amazonas.

QUESITOS

1°    Se foi bárbaro o procedimento que teve o suplicante em princípios de julho do ano passado para com o foguista Cirne Lima a bordo do Vapor Pará no Porto de Tefé e de quantas chibatadas foi o castigo nele infligido.

2°    Se o dito castigo foi ou não em presença de toda a guarnição e com a assistência do médico Dr. Carneiro da Rocha.

3°    Se o referido castigo produziu no foguista Cirne Lima alguma enfermidade, ou se, pelo contrário, ele, durante toda a Expedição de dois meses ao Rio Içá, gozou sempre da melhor saúde, jantando mesmo perfeitamente depois de findo o castigo.

4°    Se Cirne Lima é ou era menino quando foi castigado ou se representa ter mais de 25 anos e é um homem alto, corpulento e de grande forca muscular.

5°    Quais os precedentes desse foguista no intervalo de 7 anos em que teve praça como grumete da marinhagem na Fortaleza de Villegaignon, como soldado no Batalhão Naval e como carvoeiro nas Canhoneiras Mearim e Pedro Manso.

6°    Se é verdade que nesta última, depois de muitos furtos aos seus camaradas, roubou ele vários objetos da Fazenda Pública, sendo por isso castigado com rigor e desembarcado por ladrão.

7°    Se o Sr. 1° Tenente Tell José Ferrão, que em princípios do ano passado foi incumbido, como imediato do suplicante, de informar-se de um roubo de que fora acusado o foguista Cirne Lima, verificou ou não que a dita praça furtara em terra a umas mulheres vários objetos de ouro, no valor de 80 e tantos mil réis, parte dos quais ainda se achava em poder de Cirne Lima.

8°    Qual a pena que por este crime foi imposta ao foguista em questão e se apesar de todos os mais roubos e faltas quase diárias, alguma vez sofrera ele castigo de pancadas antes do que teve lugar no Porto de Tefé.

9°    Como fora tratado o foguista Cirne Lima e bem assim toda a guarnição em geral pelo suplicante, durante o largo prazo de 3 anos que comandou o Marcílio Dias.

10°    Se alguma praça tem de representar contra arbitrariedade, injustiça ou mau trato sofrido do suplicante.

11°    Se as praças destacadas no vapor Pará durante a Expedição do Rio Içá estão ou não convencidas pelas provas de que o ladrão da quantia de 1:913$000 (um conto novecentos e treze mil réis) de dinheiro do Estado foi o foguista Francisco de Paula Cirne Lima.

12°    Se a dita quantia era ou não a restante dos 3 Contos recebidos neste Porto do oficial da Fazenda do Marcílio Dias para compra de combustível e frescos durante a viagem e mediante um documento assinado pelo suplicante e seu imediato, cuja ressalva era guardada pelo Oficial da Fazenda.

13°    Que digam o médico e enfermeiros de bordo se o único e mui moderado castigo de chibata que mandou infligir nessa praça incorrigível, depois de servir sob suas ordens quase ano e meio podia produzir as cicatrizes de que falam os jornais ou se já ele as tinha de outros tempos e como atestado da sua péssima conduta nos diversos embarques anteriores.

14°    Finalmente, se alguma vez deu-se sob seu comando o caso de ser qualquer praça punida a chibata, sem ser raríssimas faltas graves que demandavam o rigoroso castigo imposto pelos regulamentos da Armada.

Deste inquérito, que o suplicante deseja que compreenda o maior número possível de informantes de todas as classes e categorias de bordo desse navio sobre o qual já não tem a menor autoridade nem ingerência, rogo a V. Exª que se digne fazer-lhe entrega, quando concluído, na forma da lei.

Manaus, 1° de maio de 1874.

Segue-se então o inquérito procedido pelo Sr. Chefe de Polícia, com os respectivos termos de assentada.

Testemunharam desde o Comandante interino 1° Tenente Tell José Ferrão até o último grumete, passando pelo pessoal da proa, imperiais marinheiros e marinhagem, numa unanimidade emocionante de louvores. Foram ao todo 52 testemunhas inqueridas pelo Chefe de Polícia em audiência pública e na sua repartição, onde nenhum Oficial compareceu durante os interrogatórios das praças que, sob juramento, responderam aos quesitos. Concomitantemente, passa Tefé a refutar ponto por ponto o memorial do pai do foguista Cirne Lima. Esse memorial, o mais significativo ludíbrio à opinião pública, foi assinado pelo Juiz de Direito Francisco de Souza Cirne Lima! Inicia-o pela seguinte declaração:

Cirne Lima: quando exercia o cargo de Chefe de Polícia na Província do Pará, em 4 de abril de 1872, confiado na amizade e dedicação que me votava o Sr. Capitão-de-Fragata Antonio Luiz von Hoonholtz, Comandante do Vapor Marcílio Dias, entreguei meu filho legítimo Francisco de Paula, de 14 anos de idade, para tê-lo em sua companhia a bordo do mesmo vapor, com o fim de corrigi-lo de certas criançadas e de ir praticando na máquina, porque pretendia mandá-lo estudar na Europa o curso de engenharia mecânica.

Refutação de Tefé:

Já nesse primeiro período falta à verdade com bastante desembaraço o Sr. Juiz de Direito Cirne Lima, pois afirma que seu filho, homem corpulento e robusto que em princípios de 1872 entregou a bordo do Marcílio Dias para ter praça e ser corrigido, tinha então 14 anos; e que seu fim era mandá-lo à Europa estudar!

Em boa escola de preparatórios matriculara esse bom pai o seu amado filho, a quem pretendia mandar à Europa estudar: assentou-lhe praça de grumete nos navios desarmados, depois na Fortaleza de Villegaignon; mais tarde de carvoeiro nas Canhoneiras Mearim e Pedro Afonso, em seguida no Batalhão Naval como soldado raso, daí como moço de convés nos navios da Companhia do Amazonas, da qual foi, como de todas as outras entidades, expulso.

Referente à idade de 14 anos:

Certifico que revendo o Livro de Socorros da Companhia, de 1° de junho de 1870, nele, a folha 78, encontrei o assentamento do teor seguinte: Soldado N° 72; Francisco de Paula Cirne Lima, idade 17 anos (dezessete anos). Cor branca etc. Admitido nos navios desarmados como voluntário. Em virtude da Ordem-do-Dia n° 116 do Quartel General da Marinha, de 1° de junho de 1870 assentou praça e jurou Bandeira na mesma data. Ass. o Secretário Luís Carlos Domingues Ferreira, 9 de março de 1874.

Assim em junho de 1870, tinha Francisco de Paula Cirne Lima 17 anos. Como pois ousa o Juiz de Direito, seu pai, iludir o Supremo Tribunal asseverando que em 1872 contava apenas 14 anos? Ora, se em 1° de junho de 1870 tinha 17 anos, segue-se que contava 21 quando foi castigado.

2° período: “... manifestou seus receios do Conde de Lippe, aquele Capitão-de-Fragata Hoonholtz que recebeu meu infeliz filho, considerando-o nominalmente na classe dos criados”.

Resposta: Realmente, entre as diversas razões que aleguei para não aceder ao pedido do Dr. Cirne Lima, vali-me do poderoso argumento do Conde de Lippe. A resposta, porém, desse pai foi a carta (transcrita página atrás), na qual declara, entre outras súplicas: “Sr. Comandante, eu até lhe peço que por qualquer roubo ou atrevimento lhe meta a chibata: meta-lhe a chibata que só assim poderá corrigir esse malvado”.

Digo — acentua Tefé — que foi obra da Divina Providência essa carta, escrita do próprio punho, porque de outro modo, me seria difícil provar, como agora o faço, que o ex-chefe de Polícia e Vice-Presidente do Pará, o atual Juiz de Direito do Aracati, Dr. Francisco de Souza Cirne Lima, falta à verdade de um modo pérfido no seu Memorial e no artigo de 12 de março. Iludir o Monarca, o Supremo Tribunal, o Governo e o público, já por si só constitui um procedimento altamente criminoso. Mas faltar à verdade com o fim de prejudicar a terceiro, negar disfarçadamente aquilo que praticara, somente para acusar um honrado servidor do Estado e expô-lo à odiosidade do povo, não sei que qualificativo mereça!

O filho do Dr. Cirne Lima, depois do Batalhão Naval, foi obrigado a deixar as fileiras, passando de Fortaleza a Fortaleza; de navio a navio; sempre punido pelos seus furtos e pela prática de outros vícios até cair na Canhoneira Paula Afonso, na qual teve a audácia de roubar e vender numa taverna os balaustres de bronze dos portalós (por onde se entra ou se coloca a carga no navio), além de vários outros objetos do Estado, pelo que foi castigado no Rio de Janeiro com 100 chibatadas e de camisa fora (sem camisa).

Cirne Lima: Arrancar-se a carne e tirar-se o sangue de uma criança, que tem incontestavelmente isenção do calabrote, por ter avós Oficiais Generais e ser seu pai condecorado com a Ordem da Rosa; e foi ele recebido como filho de um amigo, a quem prometera tratar paternalmente.

Tefé: Está provado nos autos e por tudo quanto fica dito, que o foguista Cirne Lima não era criança, e se de nada lhe valeram as garantias de ter pai condecorado, foi porque esse mesmo pai condecorado preferira desde longo tempo metê-lo em Corpos da Armada e navios de Guerra, onde não há praças privilegiadas, a alistá-lo como cadete no exército.

De modo irrespondível, linha por linha, esse memorial de chantagens asquerosas, forjado por inimigos de têmpera diabólica, foi totalmente destruído. Caíram por terra os detratores de Tefé, que assim concluiu essa refutação:

Nós outros homens do mar, quase todos pensadores livres, somos por isso mesmo dotados de um sentimento religioso tão puro e intenso, de crenças tão vivas, que parece nos são inspiradas desde os primeiros anos pelas lutas horrorosas dos elementos em cujo seio crescemos, e cuja frequente contemplação incute-nos na alma a verdadeira fé, tão rara nos céticos embalados desde a infância nos gozos e prazeres de uma vida plácida e sem perigos nem privações. Não tome pois como vã deprecação a que eu vou fazer ao Ente Supremo no final deste escrito; ela me sai com lágrimas de sangue deste, coração que V. Sª despedaçou com calúnias.

V. Sª fez-me muito mal. V. Sª derramou o fel do desespero no seio de uma família inteira cujo ídolo eu era. V. Sª abreviou os dias de minha velha e extremosa mãe que com 64 anos de idade mal tem podido suportar as suas atrozes injúrias. V. Sª envelheceu minha querida e jovem esposa, em cuja alma produziu uma ferida que lhe ,vai minando a existência.

Pois bem, Sr. Juiz de Direito Cirne Lima, ouça e guarde na memória o que lhe vou dizer:

Entre o Dr. Francisco de Souza Cirne Lima e Antônio Luiz von Hoonholtz hoje Barão de Tefé, o Todo-Poderoso, o Deus de Justiça, único que pode julgar qual é o verdadeiro criminoso, o verdadeiro bárbaro, o verdadeiro malvado, o verdadeiro culpado em toda esta odiosa Questão Cirne Lima, faça sobre ele recair o seu mais terrível castigo!

Manaus, 31 de maio de 1874.


A Espada de Honra

Na noite de sábado, 16 de maio, veio à minha casa — escreve Tefé — uma Comissão composta de todos os oficiais de proa do Marcilio Dias e de 30 praças das três classes representando a totalidade da guarnição, para felicitar-me pela feliz terminação dos meus trabalhos e pelo modo por que eu estava destruindo as calúnias de que fora vítima; e ao mesmo tempo para dar-me um público e significativo testemunho da estima e gratidão que me votavam oferecendo-me como lembrança de despedida uma Espada de Honra.

Revestiu-se essa festa de grande imponência e os jornais a noticiaram com muito destaque. Escolho uma das notícias:

“Logo que aqui chegaram as lanchas da Comissão de Limites de volta do Javari, soube a guarnição, com grande indignação, que seu chefe era atassalhado (desacreditado, caluniado) por toda parte por motivo de um castigo bárbaro que nunca praticou no foguista Cirne Lima, um ladrão, insubordinado e atrevido, prestes a desertar, péssimo companheiro que infelizmente tiveram por quase dois anos.

Quiseram todos protestar pelas folhas: mas, sendo-lhes isto vedado pelos regulamentos de bordo, acharam bom esperar a vinda de S. Exª o Sr. Barão de Tefé.

Dois dias depois do soldo, o Imperial Antônio em seu nome e no da Guarnição da Chalana Oscar foi levar a S. Exª uma vela de cera ricamente enfeitada, que tinham oferecido como promessa a Nossa Senhora de Nazaré para S. Exª não falecer no alto Javari, quando esteve muito mal depois da morte de seu bom irmão.

Nesse mesmo dia, dirigiu-se à casa de S. Exª uma Comissão para convidar seu ex-Comandante para um jantar que lhe queria dar a Guarnição. O Sr. Barão agradeceu mas escusou-se dizendo que ficava tão obrigado como se tivesse aceito, mas que não consentia que a sua gente gastasse com ele o mesquinho soldo que tanto lhe custa a ganhar.

No dia 8, foi outra vez a Comissão insistir, e, no dia 14, tornou a repetir indo então o Imperial Braga em nome de todos os Imperiais Marinheiros. O Sr. Barão de Tefé escusou-se ainda uma vez pelo motivo já exposto.

Não querendo a gente de bordo aceitar de volta o dinheiro, resolveram mandar fazer no Rio de Janeiro com a quantia subscritada uma Espada de Honra, que lhe foram ontem de noite em corporação pedir licença para oferecer. Reuniram-se no cais da rampa todos os oficiais de proa do Marcílio Dias e mais umas 30 praças comissionadas pelos Imperiais Marinheiros, foguistas e marinhagem por não ser permitido o desembarque de toda a guarnição, e com a banda de música do 3° Batalhão de Artilharia à frente, acompanhados por mais de 200 pessoas de todas as classes sociais se dirigiram à residência do Exm° Sr. Barão de Tefé, na casa de seu irmão o Deputado Dr. José Paulino, na Rua Brasileira junto ao Palácio. Duas filas de archotes e os fogos de bengala (fogos de artifício) alumiavam as ruas, e durante o trajeto os foguetes estrondavam nos ares.

Chegados em frente a casa veio S. Exª às janelas com seu digno irmão o Sr. Deputado José Paulino e sua Exmª família, e então formando-se todos e fazendo o maior silêncio leu o enfermeiro Eugênio Sue, com voz clara e sonora e com tanta expressão que a todos agradou, o discurso de felicitações, vazado nos seguintes termos:

A guarnição inteira do Marcílio Dias, que V. Exª por tanto tempo comandou, ardendo em vivos desejos de dar uma pública demonstração da sua gratidão e amizade ao seu ex-Comandante, mandou já por duas vezes Comissões a casa de V. Exª pedir-lhe licença para oferecer-lhe um jantar a bordo, mas todas as duas vezes escusou-se V. Exª dando as razões por que não aceitava; porém tendo-se em depósito as quantias com que toda a gente de bordo correu a assinar a subscrição para o dito jantar logo que foi pago o soldo dos atrasados, e não querendo ninguém receber de novo a sua cota porque o entusiasmo é grande e verdadeiro e querem todos provar publicamente o afeto que votam ao seu ex-Comandante, deliberou-se pedir licença ao nosso atual Comandante para virmos todos os oficiais de proa e uma Comissão de Imperiais Marinheiros, e praças da marinhagem, em nome da guarnição e com a música à frente, entregar em mão de V. Exª o abaixo-assinado, em que como sinal de dedicação e reconhecimento pelo tratamento paternal que sempre tiveram durante mais de três anos de seu comando, lhe pedem que aceite em nome de todos uma Espada de Honra, para cujo fim resolveram aplicar a quantia reunida e cuja Espada será feita na Corte e entregue a V. Exª por uma Comissão que vão nomear de gente que pertenceu ao Marcílio Dias.

Abaixo-Assinado:

Os oficiais de proa e mais praças abaixo-assinados, vêm possuídos do maior respeito cumprimentar V. Exa. e ao mesmo tempo jubilosos pela feliz conclusão da Imperial Comissão de Limites, depois de tantos e tão graves perigos oferecer a V. Exª uma Espada de Honra como testemunho de eterna gratidão pela amizade mais que paternal, que de V. Exª têm recebido desde que servem sob seu comando. A proteção e bondade, ou antes, o carinho paternal com que têm sido tratados por V. Exª lhes dá aso (asas) a tomarem a liberdade de virem por este meio prestar culto à dedicação e bravura de V. Exª na penosa Comissão do Rio Javari.

Respondeu o Barão de Tefé que aquela manifestação brilhante, os vivas com que o saudavam, o abaixo-assinado em que todos reunidos lhe ofertavam uma Espada de Honra, como sinal de gratidão e de estima, eram provas concludentes de sua atuação, eram atos tão significativos que o comoviam até às lágrimas.

O fato desta insistência e o entusiasmo com que me vindes felicitar, depois de eu ter esmagado um a um os vis caluniadores, está entre os maiores triunfos de minha vida. Vós que residis avante do mastro grande éreis os únicos habilitados a dizer a todo o País quem foi o vosso Comandante. E assim o fizestes com a rude franqueza do homem do mar. Está terminado o rigoroso inquérito a que procedeu o honrado e severo magistrado que se acha à testa da repartição da Polícia; os depoimentos de todos vós vão fazer a luz sobre a questão. A verdade vai por seu turno, e finalmente, ecoar em todo o Império. Meu nome será de novo prestigiado e respeitado. Honra, pois a vós, oficiais inferiores e marinheiros do Marcílio Dias que abrigais em vossos peitos corações tão nobres e tão leais.

Era um desagravo congregacional; o protesto mais veemente contra as calúnias e um hino à verdade. Depois de ter espezinhado a “hidra hiante” que tentara manchar-lhe a honra de militar, podia Tefé, com a cabeça bem erguida, prosseguir incansavelmente como um dínamo humano, servindo ao Brasil, de Norte a Sul com sua bravura indômita de militar, altíssima competência científica a serviço de seu talento excepcional.

No entanto, não havia chegado ainda ao calvário a “via crucis” de Tefé. Ao retornar à Corte, deparou em curso, mais virulenta que nunca, a campanha de pérfida perseguição movida contra ele como sempre por Costa Azevedo. Requereu incontinenti um Conselho de Guerra para justificar-se. O Governo negou-lhe o pedido. O Ministro da Marinha perante o Senado produziu veemente defesa de seu digno subalterno. Não lhe parecendo isento de dúvidas o resultado dessa eloquente defesa e se sentindo rudemente ofendido, Tefé faz uma nova petição ao Imperador:

Senhor.

O Capitão-de-Fragata Barão de Tefé, possuído de extremo desgosto pelas acusaç

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