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Artigos - 18/10/2012 - 09h21

Jornalismo - carreira ou profissão?






Por Luiz Amaral (*)

Há quem se preocupe  com o assunto, certo que a classificação determina a importância da função e condiciona a informação correta, o estilo enxuto, o comentário justo e uma veríssima crônica. Como se a definição conformasse a importância do jornalismo nesta era em que presenciamos o rejuvenescimento da mídia graças às conquistas tecnológicas, à televisão digital, à internet, ao jornal on line.
 
A inquietação tem sua razão de ser. No afã de indagar sobre os homens, tentando identificar, denunciar e julgar os seus atos, os jornalistas deixam de levantar sua própria identidade e de perguntar quem são eles próprios e qual a importância de sua função. No entanto, e ao longo dos anos,  poucos profissionais têm estado mais sujeitos a um escrutínio mais rigoroso.
 
Escritores e políticos não os têm poupado. Citemos esta dura advertência de Balzac dos perigos da profissão no livro “A filha de Eva”.   “Essa bonomia aparente que seduz os recém-chegados e não impede traição alguma, que se permite e justifca tudo, que se queixa em voz alta de uma perfídia e a perdoa, é um dos caracteres distintivos do jornalista. Essa camaradagem... corrói as mais belas almas; enferruja-lhes o orgulho, mata o princípio das grandes obras, e consagra a covardia do espírito”.
Os dicionários definem os dois termos profissão e carreira como atividade ou ocupação especializada da qual se podem tirar os meios de subsistência. Por extensão, meio de vida, emprego, ocupação, mister. Ou ainda, exercício predominantemente técnico e intelectual do conhecimento. 
Muitos jornalistas  usaram ou usam os dois termos sem preconceitos. Foi o caso de Raquel de Queiroz neste trecho biográfico “Nunca levei esse negócio de carreira muito a sério... Se estava com vontade de fazer romance, eu fazia romance, se não... Na verdade,  a profissão que eu adotei , que eu amo, que é a minha profissão, é o jornalismo.” Já a jornalista francesa Franoise Giroud inclinava-se francamente pelo termo profissão e intitulou um dos seus últimos livros “Françoise Giroud – profissão jornalista”. O escritor Graciliano Ramos reagiu ao convite do repórter Joel Silveira para uma entrevista, dizendo que “não sabia de profissão mais idiota do que essa de vocês, jornalistas, que vivem a recolher bobagens de pessoas sem importância”. O pioneiro da idéia da fundação da Associação Brasileira de Imprensa, Gustavo de Lacerda, não contestava ser o jornalismo uma profissão, mas ressaltava: “Entre nós, não é uma profissão: ou é um eito ou uma escada para galgar posições.”
Outros negam-se a aceitá-lo como profissão.  O jornalista e crítico Claudio Abramo declarou no seu livro autobiográfico, “A regra do jogo”: “Um dia desses, o Paulo Francis melhorou meu pensamento – dizendo que é dele, aliás, como é costume no Brasil – e definiu o jornalismo como uma carreira, o que acho uma definição correta. É uma carreira,  não uma profissão”.
Esta afirmativa não desabona o jornalismo.  Abramo tinha uma concepção nobre do metier que exerceu nos Diários Associados, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo com tanto saber e dignidade. Ele explicou o jornalismo como um meio de ganhar a vida, um trabalho como outro qualquer;  uma maneira de viver, não  uma cruzada.  Mas idealizava: o papel do jornalista dizendo que é o de qualquer cidadão patriota, isto é, defender o seu povo, defender certas posições, contar as coisas como elas  ocorrem com o mínimo de preconceito pessoal ou ideológico, sem ter o preconceito de não ter preconceito.
“O jornalista não tem ética própria, isso é um mito – defendia Cláudio  Abramo – A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista.”
Ele achava, ao mesmo tempo, que o jornalista não pode ser despido de opinião política e que é bobagem considerá-lo um ser separado da humanidade.  “A própria objetividade  - disse – é mal administrada, porque se mistura com a necessidade de não se envolver, o que cria uma contradição na própria formulação política do trabalho jornalístico”. 
O jornalista e crítico americano Paul H.Weaver, autor do livro “””otícia e a cultura da mentira”, também nega ao jornalismo o caráter de profissão, argumentando que embora  os jornalistas pratiquem importante e exigente ofício, reconhecido pela sociedade, eles não são profissionais no  sentido  em que termo é aplicado a médicos e advogados.  E acha que, ao contrário do que chama de  verdadeiros profissionais, eles prescindem de um treinamento especializado formal, não exercitam nenhum conhecimento especial, não estão sujeitos a nenhuma revista ou sanção dos seus pares e, com a exceção do dever de prestar testemunho nos tribunais em muitos Estados, não gozam de imunidades.
A posição de Weaver é curiosa porque a formação e o status do jornalista  sempre foram motivos de preocupação na imprensa americana. Há mais de um século o proprietário do NewYork World, Joseph  Pulitzer respondeu áqueles que se divertiam com a sua idéia de que “jornalista não nasce, se faz”, dizendo: “O único cargo que, a meu ver, um homem em nosso mundo pode desempenhar com êxito, pelo simples fato de ter nascido, é o de idiota”.
Quando chegou a Nova Iorque, depois do sucesso jornalístico inicial em St. Louis, Pulitzer, húngaro de nascimento, de pai judeu, mãe católica e mulher episcopal, levou com ele o gosto por textos vivos e atraentes,  temas humanos e sensacionalismo que o ajudaram na luta contra William Randolph Hearst que passou a atuar na mesma faixa.  E foi na briga entre os dois que surgiu o termo “jornalismo amarelo”, que no Brasil virou “marrom”. Mas levou também com ele a determinação de lutar contra a desonestidade e a corrupção no governo, e uma visão superior de sua profissão.
A mudança de cor no Brasil de  jornalismo amarelo para marrom ocorreu em 1960 no ”Diário da Noite”, do Rio de Janeiro, quando o potiguar Calazans Fernandes preferiu usar a expressão jornalismo marrom numa matéria sobre escândalo e explicou ao chefe de redação Alberto Dines que em sua terra o amarelo é uma cor alegre e que o marrom seria mais apropriado por ser cor de excremento...
A pesquisadora e doutora em comunicação a gaúcha Márcia Franz Amaral, autora de ”Jornalismo popular”, lembra, porém, com propriedade, que ”jornalismo marrom” é a tradução de ”imprimeur marrom” como era referido na França dono de gráfica clandestina.  Outra eplicação vai além,  tem conotação racista e envolve  negros fugidos.
Foi justamente a visão superior do jornalismo que levou Pulitzer, em 1892,  a oferecer recursos para a Universidade de Colúmbia  abrir a primeira Escola de Jornalismo do mundo.  A idéia foi rejeitada pelos curadores, temerosos de que a adoção de tal curso  viesse desmerecer a importância da instituição.   Pulitzer não desistiu.
 Dez anos depois, em 1902,  escreveria um plano para a fundação da escola: “Minha idéia é reconhecer que o jornalismo é, ou deve ser,  uma das grandes e intelectuais profissões”. O então presidente da Colúmbia recebeu o projeto com mais compreensão do que seu antecessor, embora também temeroso da  repercussão negativa sobre o prestígio da  instituição.   Em 1904, Pulitzer voltou a publicar artigo defendendo a idéia e insistindo na necessidade de um curso especializado. “Desejo começar um movimento para elevar o jornalismo à posição de um profissão intelectual”.  Em seu testamento, deixou 2 milhões de dólares para a fundação do curso.  Mas só em 1912, a Colúmbia concretizou  a idéia pioneira do dono do World.  No dia 25 de setembro de 1912,  78 estudantes responderam “presente” na primeira aula de jornalismo da Colúmbia.
Pulitzer não viveu para ver a concretização do seu sonho de pioneiro:  naquela altura dos acontecimentos, a Universidade de Missouri já tinha “roubado” a idéia e fundado a sua própria escola. A idéia germinou. É nas escolas de jornalismo que os jornais americanos vão buscar, hoje em dia, os seus editores, repórteres e redatores, seus grandes talentos. Há mais de 450 programas, departamentos e escolas de jornalismo e comunicação de massa espalhados pelo país.  Cerca de 40 mil bacharéis e mestres são lançados anualmente no mercado
Vinte e nove anos mais tarde, a promoção do jornalismo como profissão chegaria ao cinema com o filme, hoje clássico, “Deadline U.S.A.”, em que  Humphrey Bogart, chefe de redação, tem o seguinte diálogo com um fóca:
Bogart: O jornalismo é a melhor profissão do mundo. Você sabe o que é uma profissão?
Foca - Uma tarefa especializada.
Bogart (irônico e prendendo o riso): Sim, como a de relojoeiro... Não, não! Uma profissão é o desempenho de um bem público. Daí por que o jornalismo é uma  profissão.
À saída da taverna, Bogart completa a preleção:
 
- O jornalismo pode não ser a mais velha profissão do mundo, mas é a melhor.
Quase meio século depois da experiência americana, o Brasil teria seu primeiro Curso de Jornalismo, integrado à Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. O quadro  docente era de honrar qualquer instituição superior de ensino: Celso Cunha, Celso Kelly, Danton Jobim, Delgado de Carvalho, Hélio Vianna, Marcial Dias Pequeno, Múcio Leão, Simeão Leal, Sobral Pinto, Victor Nunes Leal, para citar alguns.
Como havia acontecido nos Estados Unidos, a fundação do primeiro curso  dividiu jornalistas e educadores. Falando da questão do diploma, Alceu do Amoroso Lima disse que não se deve confundi-lo com vocação ou apresentá-lo como sinônimo de qualidade, pois “diploma nunca foi atestado de valor. O objetivo da formação universitária é aperfeiçoar qualidades, despertar interesses, facilitar o trabalho de leitura e pesquisa”. E frisa o professor e escritor: “Não sou contra os cursos de Jornalismo. Mas como no campo político vale mais quem tenha imaginação do que quem tenha apenas técnicas, no campo do jornalismo também vale mais quem tenha vocação para o gênero do que quem tenha preparação para o mesmo. Uma coisa não exclui a outra”.
A idéia dos cursos estendeu-se pelo Brasil afora  alimentando a noção de que  jornalismo é, de fato, uma profissão.  Essa noção levou à luta pela reserva de mercado que tem merecido contestação, pois,  segundo alguns, “impede a liberdade de expressão ou é uma atitude corporativa e inconstitucional”. Tal pretensão é inexistente nos Estados Unidos e em outros países industrializados que enfatizam, a excelência da formação e não a obrigatoriedade do diploma.  Os melhores estudantes são aproveitados e encontram sempre um lugar para empregar os seus conhecimentos.
No caso específico do Brasil, mancha o quadro da formação universitária do jornalista o desleixo em que vive o sistema educacional em geral, convertido num grande negócio, sem compromisso com a formação dos jovens.  “A privatização e o sucateamento do ensino público”,  diz o jornalista Pedro Porfírio (Tribuna da Imprensa), “duas faces da mesma moeda, converteram os cenáculos do saber em balcões de expedição de diplomas destituídos de valores éticos e morais, consagrando uma espécie de pragmatismo impatriótico”.
Paul H. Weaver  prega que a verdadeira cura para os males atuais da mídia e da política não está na profissionalização mas numa alternativa para a profissionalização: na opção para a corrupta noção atual de notícia e para o relacionamento especial do jornalista com as fontes de informação. Em particular, a cura  para a “cultura da mentira”  deve ser buscada na revitalização do papel do jornalista e na re-moralização do seu relacionamento com o leitor e o telespectador.
 O reconhecimento do jornalismo como profissão seria sugerir, na visão de Weaver, que notícia é algo objetivo para o profissional operar e estudar, tal como  o corpo, que é objeto da medicina, algo como a sociedade e o indivíduo dos quais os advogados se ocupam.  “O que não é: é um texto criado por funcionários (públicos ou não) e contado  por um jornalista sob o ponto de vista  de um chefe”.
Seja como for, o jornalista não pode  renunciar a um conceito elevado do ofício que exerce, seja ele profissão, carreira, ou outro termo que se lhe queira atribuir.   Mas  a fonte dos males da mídia e da cultura da mentira, está, antes,  nas salas dos magnatas e nas reuniões dos acionistas e investidores. O jornalismo é a sentinela da democracia,  querem alguns, mas se se torna  mero subordinado do poder econômico, deixa de ser sentinela e se transforma em ameaça.
As mutações que revolucionaram a imprensa nesse passar do século XX para o século XXI ensejam mudanças contínuas nos conceitos sobre jornalismo, jornalista, o papel do jornal. Para que serve a imprensa, estaria nas últimas o jornal de papel? O que os nossos maiores pregavam já não se aplica à realidade da mídia social  na era digital

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