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Artigos - 04/07/2012 - 14h37

Uma Farsa Chamada “Tatunca Nara”









Por Hiram Reis e Silva

Na “Descida do Rio Negro” tive contato, em Barcelos - AM, com um controverso personagem chamado Tatunca Nara. Volto novamente ao tema pois, recentemente, um amigo que estava pesquisando a respeito do meliante consultou-me a respeito.

http://www.youtube.com/watch?v=vPJ4CJ53QuQ
http://www.youtube.com/watch?v=gLwuSfnODu0

-    Entrevista com Tatunca Nara

O Tenente Walter buscou o doutor Nilder em sua residência e, acompanhados pelo soldado Francisco Alves, filho adotivo de Tatunca, dirigimo-nos ao sítio do seu pai, que mora a algumas dezenas de quilômetros de Barcelos, onde cultiva diversas plantas frutíferas que vende para os comerciantes locais. Tatunca foi surpreendido com nossa visita, mas amavelmente nos convidou para entrarmos em seu modesto barraco onde discorreu sobre temas como a Alemanha Nazista, onde deixou patente sua admiração por Adolf Hitler, sua trajetória de vida e suas pesquisas na Serra do Aracá. Tatunca se diz filho de uma freira alemã com um líder religioso Kichwa peruano (descendente dos incas).

Kichwa: os kichwa, originários da região do Lago Titicaca, chefiados por Manco Cápac, filho do sol, estabeleceram-se em Cuzco no século XII. Seus sucessores consolidaram o domínio sobre os povos vizinhos criando uma civilização notável, baseada numa monarquia teocrática cuja autoridade máxima era o Imperador (o Inca), aconselhado por um Conselho Imperial. O Império incluía as regiões do atual Equador, o sul da Colômbia, Peru, Bolívia até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. Também chamado de Tahuantinsuyo (“as quatro regiões”) tinha como capital a Cidade de Cuzco (“umbigo do mundo”). Era formado por diversas nações com mais de 700 idiomas diferentes, embora o mais importante fosse o kichwa. Em 1533, os conquistadores espanhóis executaram o Imperador Atahualpa, impondo o término do vasto império. Apesar de extinta a formação imperial inca, o kichwa, ainda hoje, é a mais importante língua indígena sul-americana, falada por diversos grupos étnicos que totalizam cerca de dez milhões de pessoas na Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Equador e Peru, sendo uma das línguas oficiais desses três últimos países.

Num linguajar arrastado, com forte sotaque alemão, contou suas passagens pelo Brasil, sua ida à Alemanha onde se especializou em motores a Diesel e seu retorno à terra brasileira no período revolucionário. Conta ele, depois de muitas idas e vindas, que conheceu aquela que viria a ser mais tarde sua esposa, dona Anita Beatriz Katz, quando ela o entrevistou em inglês e alemão. Depois disso, ele teria sido recrutado como membro da inteligência para o Exército Brasileiro. Após casar com Anita, trabalhou, durante algum tempo, como motorista de caminhão e acabou vindo para Barcelos. Explorou, por diversas vezes, o Rio Padueri , na Serra do Aracá, com a finalidade de pesquisar as origens de sua gente (Kichwa) e na tentativa de encontrar o “El Dorado”.

Tatunca defende que o nome da Cidade de Machu Pichu, na língua nativa, significa a “segunda” e que na Serra do Aracá encontra-se um sítio arqueológico com a mesma orientação e semelhança onde teria sido construída a “primeira”. Reporta que, em Machu Pichu, a forma do sítio lembra um gigantesco Jacaré e aqui, no Aracá, a formação lembra um grande boto. Mais uma vez, a fraude fica patente. A teoria que Tatunca advoga como sua foi plagiada do pesquisador Marcelo Godoy, empresário e pesquisador paranaense, que reside em Barcelos. Relata que existe uma fotografia aérea que mostra, nitidamente, o desenho de uma enorme tartaruga, de uns 200 metros, gravada na pedra. Um animal sagrado para os antigos Kichwas.

Exatamente, esses pedaços de pedra de antigas cidades. Veja agora Matchu Picchu, no Peru. Matchu Picchu em língua indígena significa a segunda, a segunda cidade, deve ter a primeira, agora cadê a primeira? Matchu Picchu foi construída de esquerda à direita, no meio de um vale, no vale não foi construído nada. Você pega aqui a Serra do Aracá, você tem esquerda, direita e um vale no meio. Eles foram construindo cidades, onde foi uma zona de animal sagrado indígena. Matchu Picchu é um jacaré ou sei lá, uma coisa meio que se formando. Eu acho que aqui é a primeira cidade, então a forma da montanha é um boto.

Você olhando tem a imagem de uma tartaruga no chão, (...) essa tartaruga como eu tenho aqui no peito está em cima de uma pedra, da montanha, gravada na pedra. Você olha no mapa (...) e verifica que é maior que um campo de futebol. Ela está no nível do chão e se eu passar por cima não vou me dar conta de que ela está ali, e nem saber que ela existe, é como as figuras do Peru. Não tem nada com ouro ou certas coisas, simplesmente a forma de uma animal, de uma tartaruga, é um bicho sagrado, de guerra, de defesa antiga de índio, porque as armas de um chefe de guerra são o pão, água e o espírito. Deus, não é um macho, na religião de índios, é sempre feminino (...) (Tatunca Nara)

Continuando seu relato, Tatunca afirma que, na Serra do Aracá, existiam três grandes buracos que penetravam terra adentro, que ele chamou a equipe do Akakor Geographical Exploring, da Itália, para inspecionar o local. Qual não foi sua surpresa quando chegou lá com os italianos e verificou que os buracos tinham sumido. Segundo sua versão, ele tinha até deixado uma corda marcando o local. Algum tempo depois, voltando ao local, ele verificou que o grande bloco de pedra em que se encontravam os três buracos havia desabado.

Tem certas coisas que ainda está, por exemplo um abismo de 1.300 metros, uma caverna que tem 600 metros de profundidade, o maior do Brasil, eu não procurava essa caverna, eu procurava o abismo, a montanha que tem 500 metros, um paredão lá em cima tem 3 buracos. Dois de três metros e um de quatro metros, como uma chaminé. Que são de um granito cristalino, que a água não crava uma chaminé deste jeito. E três, um triângulo lá que vai para o centro da terra, com 1.300 m de altura, só chuva caindo dentro, não pode ter sido formado pela natureza.
Eu queria encontrar um maneira para entrar, por isso eu chamei essa turma de Akakor da Itália que trouxe um equipamento para entrar nesses buracos. Chegamos lá não encontramos mais esses buracos e eu fiquei desesperado (...).

Vários anos depois eu procurei de novo esse buraco e não encontrei mais. Eu procurava porque sabia mais ou menos a posição certa. Aí eu procurando encontrei outra caverna que eles entraram. Recolheram amostras para saber quantos anos a caverna tem (a idade). Mas, o buraco eu não encontrei. Depois eu fui outra vez sozinho e descobri, (...) tudo desabou e foi lá para baixo, era árvore, tudo quebrado. (Tatunca Nara)

Novo Recorde Sul-Americano de Profundidade em Cavernas
Por Marcelo Augusto Rasteiro - 23 de janeiro de 2007.

Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SB) e da ONG Akakor Geographical Exploring estabeleceram um novo recorde sul-americano de profundidade em caverna e recorde mundial em rocha quartzífera durante a expedição ao interior da Amazônia. A descoberta do Abismo Guy Collet (AM-3), como foi batizado pelos exploradores da expedição ítalo-brasileira, com seus 670,6 metros de desnível, foi divulgada em dezembro (2006) passado no periódico Informativo SBE n° 92 e registrada no Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil (CNC), atendendo às recomendações para expedições estrangeiras no Brasil da SBE.

A expedição: (...) foi realizada em 30 dias entre julho e agosto de 2006. Uma verdadeira aventura pela região de Barcelos na Amazônia brasileira. (...)

A região: a exploração concentrou-se na Serra do Aracá, noroeste do estado do Amazonas, altiplano constituído de rochas quartzíferas na fronteira com a Venezuela, região conhecida como tepuys brasileiros, assim denominados por apresentarem a característica feição morfológica com aparência de mesa ou tepuy na língua indígena Macuxi. A área estudada dentro da Serra do Aracá, constitui um exemplo típico de montanha tabular muito semelhante ao Monte Roraima e principalmente ao Pico da Neblina, com rochas silicoclásticas como quartzitos, ortoquartzitos e quartzo-arenitos de granulometria média a fina. (...)

O abismo: (...) ao se depararem com uma entrada no meio de uma parede de quartzito, um lance negativo de 35 metros, decidiram concentrar os esforços neste local. Após descer o primeiro lance, chegaram a um patamar de uns 6 m², o único nível topográfico positivo da caverna, desceram outro lance de 60 metros onde encontraram interessantes espeleotemas, formações raras em quartzito. Parecia ser o fim do abismo, mas voltando ao patamar anterior encontraram outra via e o que se seguiu foi uma sucessão de lances extremamente técnicos, exigindo muito trabalho da equipe, com jornadas de mais de 15 horas. A cada lance e estimativa de profundidade a equipe ficava mais empolgada e não queriam parar. A partir dos 650 m a caverna começou a se afunilar cada vez mais e aos 670 m finalizando num pequeno Lago.

A equipe de exploração: composta pelos italianos Lorenzo Epis e Alessandro Anghileri e pelo brasileiro Marcelo Brandt, ainda no fundo da caverna, não teve dúvida sobre o nome do abismo, seria uma homenagem ao companheiro Guy-Christian Collet, sócio fundador da SBE falecido em 2004. Collet realizou seus últimos trabalhos espeleo-arqueológicos com a Akakor. Também participaram da expedição a espeleóloga brasileira Soraya Ayub, os italianos Stéfano Bettega, Giovanni Confente e Paolo Costa, o mateiro Francisco Alves e o guia Tatunca Nara. (Boletim Eletrônico SBE Notícias n°39 de 21/01/2007).

A respeito de uma suposta Cidade Perdida, ele afirma que tem certeza de que, se a região for devidamente pesquisada, ela será encontrada e que ele já encontrou, na Serra do Aracá, uma peça de cerâmica fabricada mil anos antes da chegada dos espanhóis à América.

Com certeza existe cidade perdida, mas os vestígios são raros, mas esses vestígios que existem são suficientes para um exame total. Eu não queria que os estrangeiros descobrissem. Os americanos estão loucos para que eu os leve até lá. Gringo sempre descobre e depois brasileiro vai atrás. Nós encontramos uma cerâmica muito antiga no local, porque antigamente tinha um comércio de estrada de índio, a estrada que vem do Peru e vai até Venezuela passando aqui perto, (...) porque índio não tinha navegação como portugueses, o caminho era sempre passando na terra firme (...) (Tatunca Nara)

Aqui Tatunca Nara corrobora, plagiando talvez, a teoria de Roland Stevenson que encontrou indícios de um antigo caminho pré-colombiano na região do Amazonas, paralelamente à linha equatorial.

(...) e essa cerâmica que nós pegamos é em alto relevo (...)A Polícia Federal apreendeu no aeroporto em Manaus (...) mandou para São Paulo e lá eles disseram que a cerâmica tinha no mínimo 1.500 anos, produzida pelos descendentes dos Maias. Misteriosamente, antes mesmo de os espanhóis chegarem lá, como poderia esta cerâmica ser encontrada por aqui? Tem certas coisas, (...) e a estrada era uma caminho neutro, todo mundo podia usá-la ninguém brigava com ninguém. Essa estrada não existe mais, o mato fechou tudo, em poucos anos o mato fecha. (Tatunca Nara)

Falou, também, da tentativa de demarcação de novas terras indígenas na região do Aracá pela ONG Instituto Sócioambiental (ISA), quando eles tentaram criar uma maloca na região importando índios de São Gabriel da Cachoeira com a alegação de que ali estavam desde tempos imemoriais. Nas manifestações pró demarcação que aconteceram em Barcelos, ele disse que até índios negros apareceram, mas que, graças à mobilização popular, a farsa montada pelo ISA foi desmantelada e a terra ainda não foi demarcada.

(...) eles fizeram uma área indígena onde nunca teve índios, essas ONGs trazem índios de São Gabriel e os colocam em um sítio abandonada no Aracá, ficaram lá, fizeram uma roça, antigamente já era só capoeira, (...) e colocaram uma placa dizendo: nós queremos a demarcação das terras. Mas como? É um absurdo, se eles não são nem daqui, mandem eles de volta para São Gabriel. (...) eles queriam uma área indígena absurda, mas eu acho que essas ONGS prometem, não precisa mais trabalhar, ganham rancho todo mês, etc. Eles fizeram muitas promessas para esse povo passar por indígenas. Mulher preta pintada de amarela andando nas ruas em Barcelos e o repórter perguntou: de que tribo da África ela é? Porque índio preto aqui não existe. (...) Eu sou índio com muito orgulho, mas se eu cheguei aqui há 39 anos (...) e falou é índio, eu não sou índio eu sou caboclo, mas agora que dá dinheiro, todo mundo se diz índio e eu tenho vergonha de ser índio agora em Barcelos, não dá mais, onde se viu os políticos criarem uma coisa dessa. (Tatunca Nara)

Mobilização Geral dos Povos Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro
(Camila Barra - - 08 de julho de 2009, Instituto Socioambiental - ISA)

(...) mais de 300 indígenas marcharam pelas ruas de Barcelos exigindo os direitos cuja garantia torna-se a cada dia mais urgente. O ato representa um marco histórico no Município, por ter conquistado o respeito da população e da administração pública que, apesar da ausência nas discussões, recebeu a passeata e as lideranças de forma adequada, comprometendo-se a construir uma agenda para discutir as reivindicações apresentadas.

A passeata também foi à Câmara dos Vereadores para requerer a criação de uma lei complementar à Lei Orgânica do Município, reconhecendo a existência dos Povos Indígenas de Barcelos. Parou em frente ao Núcleo de Apoio da FUNAI para exigir a urgente demarcação das Terras Indígenas. A Câmara deve elaborar uma agenda de audiências com representantes das comunidades indígenas e a ASIBA para tratar da proposta apresentada. Sem perder o ritmo, a ASIBA já começou a se organizar para formalizar a agenda de discussão com o poder público. No dia 5 de julho, para exigir encaminhamentos e agilidade no processo de demarcação das Terras Indígenas de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, algumas lideranças partiram para Brasília para uma audiência na Fundação Nacional do Índio (FUNAI), com o presidente Márcio Meira. (...)

As estórias da vida de Tatunca Nara, até sua chegada a Barcelos, são costuradas de maneira a utilizar pessoas e fatos reais para dar mais veracidade à sua falsa origem, resgates fictícios e participação nos órgãos de inteligência brasileiros. O controvertido Tatunca Nara nasceu, na realidade, em 5 outubro de 1941 em Coburg - Alemanha e foi registrado como Hans Gunther Hauck. Divorciado em 1966, fugiu para o Brasil em 1968 e, para não pagar pensão à antiga esposa, se esconde, em Barcelos, no Amazonas. Christa, a ex-esposa alemã de Tatunca Nara, foi trazida ao país em 1989 pela revista alemã Der Spiegel, e o reconheceu, mas ele negou ser Hans.

Tatunca Nara foi acusado pela morte de três pessoas: do americano John Reed, em 1980; do suíço Herbert Wanner, em 1984; e da alemã Christine Heuser, em 1987. (http://www.youtube.com/watch?v=ayObcXTPRd4)

-    Tatunge Nare

Sua ficha criminal em Nuremberg - Alemanha - revela que o falsário já usava a alcunha de “Tatunge Nare” na sua terra natal, antes de fugir para o Brasil em 1968. Tatunca inventou a história de Akakor para motivar inocentes turistas a financiar suas buscas por pedras preciosas na Serra do Aracá. Anita Beatriz Katz Nara, sua esposa, confirmou para Jacques Costeau as aleivosias contadas pelo marido. Anita foi secretária de Turismo da Prefeitura de Barcelos, Capital Nacional do Peixe Ornamental e hoje é Secretaria de Assistência Social e Cidadania.

2. Os alemães Hans Barth, Hans Kemmling, Hernrick Trautschold, Hans Augustin, Wolfgang Schmidt, Horst Paul Linke e o guia brasileiro Tatunca Nara foram flagrados às margens do Rio Negro, na proximidade com Paricatuba (AM), com uma coleta de 350 peixes ornamentais e plantas. (CPITRAFI - 2003)

Tatunca já foi apontado pela mídia por envolvimento com a biopirataria, além de ter sido ser citado na “Comissão Parlamentar de Inquérito Destinada a Investigar o Tráfico Ilegal de Animais e Plantas Silvestres da Fauna e da Flora Brasileiras - CPITRAFI de 2003” ao ser flagrado, em 1999, pela Polícia Federal, transportando 350 peixes ornamentais e plantas amazônicas. Tatunca continua guiando estrangeiros, mal informados e/ou mal intencionados, com autorização do IBAMA, na região montanhosa do alto Rio Padauari, entre o Amazonas e a Venezuela onde, segundo ele, se encontrariam as pirâmides e a Cidade Perdida.

-    Coronel do Exército Cícero Novo Fornari

O “Projeto Aventura Desafiando o Rio-Mar”, na fase final de planejamento, 2° semestre do ano de 2008, proporcionou-me uma agradável surpresa. Quando recebi um e-mail do Coronel Fornari, um militar notável cuja coragem e dignidade haviam deixado marcas profundas na minha memória e na minha alma. Vou resumir a apresentação de Coronel Fornari para aqueles que não tomaram conhecimento, na época, a apenas um fato, que ocorreu no dia 25.08.2005, nas comemorações do Dia do Soldado, em Brasília, e que infelizmente a mídia, não deu a merecida atenção.

Atitudes Dignas
(Fonte: Emerson Rogério de Oliveira)

Relembro um fato inédito que chamou a atenção dos presentes à cerimônia de entrega de medalhas, realizada no dia. Com a presença de Ministros de Estado, Comandantes das Forças Armadas, convidados e familiares, foi entregue a Medalha do Pacificador. Depois do dispositivo pronto, um senhor idoso, apoiado em uma bengala, vestindo roupas escuras e gravata preta, portando em seu peito a Medalha do Pacificador, atravessou toda a frente do dispositivo até o local onde estava a autêntica espada do Duque de Caxias. Com lágrimas nos olhos, retirou a medalha do peito, elevou ao alto, à frente, à esquerda e à direita. Depois de beijá-la, colocou-a no seu antigo estojo e a depositou aos pés da coluna onde estava a espada de Caxias. Voltou, passou silenciosamente pela frente do dispositivo, indo sentar-se na arquibancada de cimento, diante do palanque.

Perguntado por que devolveu a medalha, respondeu que ela havia sido desonrada e desprezada, em flagrante desrespeito à figura do insigne patrono do Exército, o Duque de Caxias, por já ter sido distribuída a pessoas que não mereciam tal honra. Disse mais, que, se a recebeu num ato solene, seria justo devolvê-la também num ato solene. Esse senhor idoso é o Coronel de Infantaria Reformado/Inválido Cícero Novo Fornari. Na época tinha 74 anos, desses, 43 de serviços prestados ao Exército e à Pátria. A imprensa divulgou o fato em poucas linhas, mas eu o destaquei pela sua atitude digna e corajosa em meu livro Trincheiras Abertas, que lhe chegou às mãos por um amigo.

Em dia recente, ligou-me de Brasília, onde mora, para agradecer-me e perguntar-me se eu tomara conhecimento do que lhe aconteceu depois daquele fato. Respondido que não, contou-me que, durante um passeio com a esposa pelas ruas de Brasília, resolveu entrar em uma loja de antiguidades – uma mistura de velhos objetos com brechó. Apoiado pela bengala, visitava prateleiras e balcões, olhando as mais variadas quinquilharias e artigos ali expostos, parando em frente a uma redoma de vidro onde estavam diversas medalhas militares, cuidadosamente alinhadas num feltro verde. Atento, o dono da loja aproximou-se, cumprimentou-o e passou a discorrer sobre o histórico das medalhas, as suas origens, quem as mereciam..., e, por fim, perguntou se ele desejava comprar uma. Apesar de não ter obtido resposta, sabia que iria negociar com aquele homem calado, pois já vira aquele brilho nos olhos de muitos clientes. Abriu a tampa da redoma e continuou com a explicação, mostrando-lhe a medalha da Primeira Guerra Mundial, da Segunda, do Serviço Amazônico...

Tentava cativar aquele cliente que parecia paralisado, que ainda não abrira a boca, mas também não tirara o brilho dos olhos, e, então, o vendedor apontou o dedo para uma Medalha do Pacificador e perguntou se ele lembrava do caso daquele Coronel do Exército que devolveu a sua Medalha do Pacificador numa cerimônia em Brasília, depositando-a junto à espada de Caxias, sob o olhar e o silêncio dos presentes. O Coronel levou um choque. Ergueu a cabeça para aquele homem gentil e educado, que evocava lembranças de um fato da sua vida. Valeu-se da bengala para melhor firmar as pernas trêmulas das muitas jornadas, e contendo a emoção falou pela primeira vez desde que entrara naquela loja: “Não me lembro, mas deve ter sido um velho ‘gagá’, meio maluco, pra fazer isso!” Surpreso, o dono da loja retrucou-lhe com veemência, dizendo que ele estava enganado, pois o Coronel era um homem honrado e tomou uma atitude digna naquele dia, uma vez que essa medalha passou a ser concedida a pessoas que não preenchiam os requisitos para tal, perdendo, assim, o seu valor. O Coronel sorriu, mostrou-lhe a identidade, e disse-lhe: “Pois saiba o senhor que esse Coronel está à sua frente. Fui eu quem devolveu a medalha”. O coitado do homem ficou pasmo, olhou para a identidade, olhou para o Coronel e, num gesto largo e espontâneo, abraçou-o. Imediatamente pegou a medalha, empertigou-se, esboçou um gesto solene e prendeu-a no peito do Coronel, dizendo-lhe: “Ela é sua! Estou devolvendo-a para o lugar de onde nunca deveria ter saído”.

A surpresa agora era do velho e experiente militar. Quis impedir-lhe o gesto, mas não conseguiu. Tentou pagar-lhe o valor da medalha, também não conseguiu... E o vendedor, com um sorriso largo, disse-lhe: “Coronel, o senhor mereceu essa medalha pelo seu trabalho e dedicação à Pátria. Estou feliz por devolvê-la”. Os dois velhos emocionados se abraçaram. O Coronel agradeceu-lhe, juntou-se à mulher e, com passos lentos, auxiliados pela bengala, retirou-se da loja, levando a sua Medalha do Pacificador no peito. Certamente também levava os olhos marejados.

Atrás dele, um homem feliz pelo resgate que fizera naquela tarde, observava-o partir, tendo a certeza de que aquele foi o seu melhor negócio do dia. Gesto isolado, sem pompa e sem testemunhas, mas nobre e grandioso, porque esculpido na dignidade das suas atitudes, provando que os valores morais são cultuados por homens, não por sombras. Nem tudo está perdido. (Jornal O Sul, de 4 de outubro de 2008)

Desde o primeiro contato virtual, passamos regularmente a nos comunicar e, quando soube, recentemente, que o Coronel do Exército Cícero Novo Fornari havia tido contato com a controvertida e falaciosa figura de Tatunca Nara solicitei que ele fizesse um pequeno relato para que pudéssemos desmascarar suas histórias que envolvem e muitas vezes comprometem instituições e personagens brasileiros. O Coronel Fornari enviou-me o seguinte e-mail, de Brasília, no dia 12 de maio de 2010, que reproduzo, na íntegra, abaixo.

-    Recordações da Amazônia

Curiosidade: A História do Índio Loiro

O índio Loiro, que se dizia chamar Tatunca Nara, apareceu no antigo Quartel General do Comando Militar da Amazônia (QG/CMA), no ano de 1971. Foi, depois de ouvido ligeiramente pelo Chefe do Estado Maior (Ch EM), Coronel Espírito Santo, encaminhado ao Chefe da 2ª Seção (Informações, hoje Inteligência), Maj Ruy, que após ouvi-lo mais detalhadamente, passou o caso para as minhas mãos, já que eu, Major Cícero Novo Fornari, era estagiário de EM e Adjunto da 2ª Seção, tendo depois assumido a Chefia da Seção.

Ele se dizia índio e ao mesmo tempo tinha toda a aparência de branco. Alto, pele clara bem tostada pelo sol, cabelos aloirados e compridos, com penteado de rabo-de-cavalo. Falava um português bastante razoável, com acentuado sotaque alemão. A princípio a sua conversa foi um amontoado de idéias sobre sua vida, mas que, depois de várias repetições, fazia sentido e não caía em contradições. Ordenadas as idéias, fomos batendo por partes.

A História Narrada Pelo Tatunca

Ele disse que era de uma nação “Inca”, habitante do Peru, numa região próxima do Estado do Acre. Disse que seu pai era o “Inca”, título do soberano da tribo e que sua mãe era uma ex-freira católica, de nacionalidade alemã, que muito influiu na sua educação e instrução, tendo lhe ensinado o idioma alemão, história mundial, geografia, e Matemática. Nada falou sobre ensino religioso, o que seria de se esperar de uma freira. Sobre a sua origem, disse que seu pai, como soberano (imperador) dos incas, tinha grande conhecimento da área amazônica, sua selva, sua rede hidrográfica, com experiência adquirida através de inúmeras expedições empreendidas na calha norte (naquele tempo não se usava essa expressão) do Rio Amazonas, dando a entender que conhecia até o caminho fluvial para a bacia do Orenoco. Contou que seu pai, em uma dessas expedições, encontrou uma missão católica, onde, depois de um entrevero, fugiu com seus homens, raptando duas freiras alemãs.

Ao passar por um trecho encachoeirado do Rio (não é o caso, mas eu me lembrei daquele pedaço de chão, pedra, água e selva de São Gabriel da Cachoeira), uma das freiras se lançou às águas e desapareceu. Deve ter morrido afogada. A outra freira foi levada para a aldeia (cidade) dos incas e mais tarde veio a ser a mãe do Tatunca Tatunca Tatunca. O Tatunca sempre se referiu à sua mãe com grande ternura e reconhecimento, dizendo que aprendeu com ela tudo que era possível se aprender em um curso ginasial. Disse mais que sua mãe ensinou e difundiu na tribo a numeração decimal, pois os índios até então só conheciam três números: “um, dois e muitos”.

O caso do avião. Na década de 60, caiu um avião com várias pessoas à bordo, lá pelas “bandas” do Acre. O caso deve ter sido bastante rumoroso e “os tambores da selva” levaram a notícia para os quatro cantos da mata. O Tatunca disse que por curiosidade foi até o local do acidente e dali a pouco estava ajudando a abrir a clareira e a comer a comida dos brancos. Não fiquei sabendo nada do fato de 12 militares sobreviventes do acidente terem sido salvos pelo Tatunca. Parece mais um chute. A única coisa que ele disse é que com o seu relacionamento com a equipe de salvamento, acabou se enturmando e conseguiu uma carona até Manaus.

Em Manaus, sem saber falar o português, se sentiu completamente desamparado. Só sabia falar o alemão, o idioma da tribo do seu pai e o idioma de duas tribos escravas dos incas.

Na selva de pedra, estava perambulando pelas ruas quando ouviu alguém falando uma língua familiar. Era um grupo de marinheiros alemães, que de folga do navio que estava atracado no porto, bebia e conversava animadamente nas mesinhas da calçada de um bar. Chegou-se a eles e conversa não lhe faltava.

A alemoada se encantou com ele e aí estava o Tatunca seguindo como clandestino para a Alemanha. Desembarcado no destino os marinheiros se descartaram dele e daí surgiram os problemas com as autoridades. Ele não tinha documentos, falava bem o alemão, se dizia brasileiro e não falava português. Contou que frequentou um curso de engenharia, mas pelo pouco tempo de duração e pelo currículo do curso, cheguei à conclusão que ele devia ter estado em um cursinho técnico de mecânica. Disse que para validar o curso teria que apresentar um diploma do curso básico. Ele não tinha nenhum diploma. Tinha os conhecimentos mas não tinha nenhum papel comprovando o curso básico.

Para impressionar, ele queria dizer que sabia bastante Matemática e então nos propunha problemas simples de aritmética do tipo: “Uma caixa d’água com capacidade de um metro cúbico, tem uma entrada de 5 litros de água por minuto. Quanto tempo, em minutos, vai demorar para a caixa ficar cheia, se sabemos que há um vazamento de um litro em cada 10 minutos?” (Os dados eu coloquei aleatóriamente, agora). É lógico que eu não me submeti a resolver os problemas propostos, mas ele dizia:

- Viu? Eu sou engenheiro!

Vejamos a História Mirabolante que Ele Contou.

Disse que foi informado que existia um país onde era possível se comprar um diploma. Ele não teve dúvida. Foi para Portugal, comprou o tal diploma que estavam a lhe exigir e voltou para a Alemanha para terminar o dito curso de “engenharia”. Não teria sido mais prático ele ter comprado o diploma de “engenheiro” em Portugal? Para mim não exibiu nenhum diploma.

Depois de algum tempo resolveu voltar para a América. Desembarcou na Venezuela, onde disse que trabalhou com um médico veterinário que fazia inseminação artificial de animais. Passado algum tempo, disse que recebeu um chamado do pai. Daí vem outra história rocambolesca. Como você foi chamado? Seu pai tinha o seu endereço? Foi enviado algum mensageiro? Não, Seu Major. Eu fui chamado por meu pai por uma comunicação Telepática. O Tatunca então regressou à sua terra em território peruano. Nunca falou que era no Acre. Encontrou seu pai moribundo, nos tais subterrâneos. O pai lhe passou a chefia do governo da tribo, transmitiu seus últimos desejos e recomendações e morreu... Teve que assumir a chefia da tribo com o título de Inca, com o domínio da tribo inca e mais duas tribos de índios escravos, mas não era seu desejo viver na selva. Disse que teve muita luta contra o exército regular peruano e me exibiu uma cicatriz no corpo, dizendo que era consequência de um ferimento de baioneta em luta contra os soldados. Disse mais que sofreu bombardeio pela aviação peruana e que os aviões passaram a utilizar aparelhos de localização de seres vivos através de raio infravermelho, tornando as instalações subterrâneas muito vulneráveis.

A tatuagem de uma pequena “Tartaruga”, que ele me mostrou em seu peito, servia para identificá-lo com a tribo. Ele me recomendou, no caso de encontro inesperado com guerreiros do seu povo, para eu não demonstrar medo e nem agressividade e que eu deveria desenhar em traços rápidos uma pequena Tartaruga. Então eu seria poupado e auxiliado. Mesmo não acreditando, guardei a lição do Salvo-Conduto. Nunca se sabe...

Uma curiosidade interessante. O Índio Loiro disse que usava o cabelo grande para soltá-lo quando estivesse no meio do seu povo. Os cabelos soltos servem para encobrir as orelhas das vistas das pessoas. Disse que a orelha é tabu para sua gente. Eles podem estar com o “bumbum” de fora mas as orelhas devem estar cobertas. Contou sobre o seu casamento em Goiás e exibiu a certidão, mas já estava separado. Um mistério são os seus deslocamentos pelo Brasil e pelo mundo, sem dinheiro. Meu último contato com o Tatunca foi no QG novo, na Ponta Negra. Ele estava com sua nova esposa, uma moça bem jovem, de origem judaica e ele me disse que ela era estudante (ou formada) em antropologia e que estava seguindo com ele para a selva para conhecer o seu povo. Ele me pediu para encher de gasolina o tanque do seu motor de popa, para seguir viagem. Eu dei o dinheiro necessário; foi a única coisa que ele me pediu em todos os nossos contatos.

Na nossa despedida, o Tatunca parecia estar bastante emocionado e disse que ia me dar um presente que lhe era muito caro. Ofereceu-me o seu arco de guerra e suas flechas. Era um arco muito bonito, com uns dois metros de altura, com a aparência de estar bem usado. Na hora de me entregar o arco, ele disse que a arma do chefe não poderia ser usada por mais ninguém e então, como se estivesse executando algo ritualístico, sacou uma pequena faca e cortou a corda do arco em uma das extremidades, dando um pequeno nó para que aparentemente o arco ficasse completo, mas sem poder ser esticado e usado. Esse arco ficou depois com um dos meus filhos, enfeitando a parede do seu quarto. Depois de algum tempo tomei conhecimento de alguma aparição do Tatunca em programas de televisão no Rio de janeiro ou São Paulo. Virou vedete e creio que perdeu muito da sua autenticidade. Os meus filhos mais velhos sempre se interessavam muito em ouvir as “aventuras” do Índio Loiro, contadas por mim em “capítulos eletrizantes”...

Confrontação

Do que me foi dito pelo Tatunca Nara, nos anos de 1971, 72 e 73, e as informações mais recentes que me foram transmitidas pelos e-mails e a gravação feita num esforço de reportagem histórica, pelo Coronel Hiram Reis e Silva.

1.    Tatunca Nara: Daí nós conversamos e como eu voltei para Manaus, o General Cardoso me deu tempo para eu pensar aonde eu queria ir. Eu fui ficando lá, onde agora é o Colégio Militar de Manaus, no centro da cidade, foi no tempo em que mudou o quartel para Ponta Negra, eu ajudei a levar as coisas para lá...

    Cel Fornari: O Tatunca não foi recrutado como membro do Serviço de Informações do Exército. Ele apenas procurou o QG/CMA para relatar, como informante voluntário, a sua história que não mereceu ser aprofundada e nem investigada.

2.    Passou apenas uns 15 (quinze) dias comparecendo em horário escolhido por ele e dependendo da nossa disponibilidade, almoçando algumas vezes no QG velho.

3.    No final de 1972 ou início de 73, compareceu ao QG da Ponta Negra, já acompanhado da sua nova esposa, para se despedir e voltar para a selva.

4.    Tatunca Nara: (...) na 2ª seção eu escrevi uma carta, eu colocava na minha carta “Top Secret”, o carimbo dele e jogava a minha carta na bandeja dele. E outro dia um militar entregou minha carta, duas cartas. Era tudo segredo até eles descobrirem.

    Cel Fornari Ele não teve contato com documentos de informações, não ficou sozinho em ambientes reservados da Seção, não manipulou carimbos como disse na última gravação que me foi enviada. Como prova do absurdo, digo que não tínhamos carimbo de “Top Secret” como ele declarou. Nossos carimbos para classificação dos documentos sigilosos eram todos em português. Pode ser que ele, depois que apareceu a série do James Bond, tenha até mandado confeccionar um carimbo Top Secret para dar maior autenticidade às suas fantasias.

5.    Ele não teve contato com nenhum General. O Comandante do CMA tomou conhecimento do assunto através dos poucos relatos orais que eu fiz em despachos com o Comandante.

6.    Nunca falou nada sobre Machu Pichu nem sobre a enorme tartaruga de 200 metros esculpida em pedra.

7.    Nada falou sobre a Cidade Perdida, mas sim sobre a existência de grandes pirâmides de pedra, de construção muito antiga e não muito longe de Manaus.

8.    Não falou nada de ser casado na Alemanha.

9.    O fato citado numa CPI, de ter sido flagrado em 1999 pela Polícia Federal, contrabandeando 350 peixes ornamentais, se for verdade, é de uma infantilidade ou imbecilidade tremenda por parte das autoridades. Prendem as sardinhas e homenageiam as baleias e tubarões. 350 peixinhos Neon é brincadeira de criança. O contrabando de peixes ornamentais sempre foi intenso e se houvesse interesse da polícia poderiam ser apreendidos quilos e quilos de peixes ornamentais todos os dias. Não haveria tempo e nem gente suficiente para contar dezenas de milhares de peixes contrabandeados em centenas de embarcações brasileiras e também com bandeiras estrangeiras nos Rios de navegação internacional como o Javari, o Solimões e o Amazonas.

10.    O contrabando na Amazônia é um caso muito sério e triste. O contrabando de toras de madeira de lei é feito aos milhares e ninguém vê nem toma conhecimento. 350 peixinhos ornamentais de 3 centímetros de comprimento é um grão de areia no deserto da impunidade. Todas as grandes fortunas da Amazônia tiveram suas origens no contrabando e muitas delas ainda não perderam esse cacoete. É como onça que já sentiu o gosto do sangue humano; volta sempre a atacar o homem. Mas não vamos defender o Tatunca. Se ele é contrabandista, cadeia nele. Isso vai enriquecer as estatísticas da “eficiência” da Polícia Federal e da Receita Federal.

11.    Do que João Américo Peret escreveu eu ouvi do Tatunca as mesmas histórias sobre pirâmides, subterrâneos habitados (não chegavam a ser cidades), as comunicações telepáticas entre ele e o pai. Dizia que seu pai era o INCA (Imperador e não Sacerdote) e sua mãe uma freira, embora a Igreja não tenha registro do rapto de duas freiras de uma missão na Amazônia brasileira. Seria na Amazônia venezuelana, colombiana, equatoriana, peruana ou das guianas? Com quem está a verdade? Falou-me também que a iluminação nas cavernas fluía da terra (?). Não me falou em outros planetas e nem em discos voadores. Se a entrevista fosse feita no dia de hoje, poderia até aparecer uma alusão ao interesse dos iranianos na compra de minério para fazer a bomba atômica. A imaginação do Tatunca é dinâmica e atual. As histórias são inseridas num contexto real, atual e imaginário. É preciso que o interlocutor tenha experiência em técnica de interrogatório e ampla vivência na área amazônica, para não ser vítima da empolgação ou da incredulidade. As meias verdades existem e são enganadoras.

12.    A história de Karl Brugger, colhida em 1972, bate em parte com a que ouvi da boca do Tatunca. Nada me foi dito sobre um império branco na Amazônia, fundado por extraterrestres, que teria sido formado em 13.000 a.C. por brancos de seis dedos vindos de outro sistema solar. (Foi isso que entendi na gravação). Não existia a história da negociação com os nazistas.

13.    Na gravação aparece a citação de um certo “M”, oficial do serviço secreto do Exército Brasileiro. No QG/CMA/2ª Seção não existia nenhum oficial que tivesse a inicial “M” no nome. Nada foi documentado nos arquivos do serviço secreto brasileiro.

14.    O Tatunca não salvou a vida de nenhuma vítima de queda de avião. A história que o Tatunca me contou sobre o avião foi bem diferente.

15.    O Tatunca não recebeu identidade alguma do Exército, nem mesmo crachá para entrar no QG/CMA, simplesmente porque não existia o uso de crachá. Daí as dificuldades que enfrentou quando foi para a Alemanha; não tinha documentos. De acordo com sua narrativa, ele se viu em apuros com as autoridades alemãs, pois ele se dizia brasileiro e não sabia falar português, não tinha nenhum documento e somente falava alemão e línguas indígenas.

16.    A guerra entre os índios e o exército peruano foi descrita pelo Tatunca. Ele me exibiu uma cicatriz, dizendo que o ferimento foi causado por um golpe de baioneta desferido por soldado peruano. Por informações colhidas no CFAR (Comando de Fronteira Acre-Rondônia), o Índio Loiro estava sendo procurado pelas autoridades peruanas, como sendo o chefe das tropelias aprontadas pelos índios.

17.    Nada fiquei sabendo sobre pedido de extradição e nada disse o Tatunca sobre o assunto. Creio que tal pedido nunca existiu.

18.    O Tatunca “NÃO” ajudou na mudança do QG da cidade para a Ponta Negra e “NEM” esteve presente à mesma. Eu trabalhei na mudança. Participei da cerimônia simples, mas comovente, da despedida do Velho QG, com uma formatura no pátio interno, onde depois das breves e eloquentes palavras do General Álvaro Cardoso, Comandante do CMA, foi arriada a insígnia de comando. Essa insígnia foi para as minhas mãos, pois eu estava de serviço de Superior de Dia, e a levei para o QG da Ponta Negra para ser hasteada na manhã seguinte. Lembro-me bem da mudança. Foi feita praticamente em um dia e cada seção se encarregou da sua tralha. Na nossa Seção tínhamos um dos cofres de aço que estava com o pé quebrado e daí surgiu a oportunidade. Combinei com o Major Haroldo que era o Comandante da Companhia de Material Bélico (CiaMB) e passando pela estrada, demos uma entrada na CiaMB e com o cofre sobre a viatura, foi feita a solda elétrica necessária. Como podemos ver eu ainda estou por dentro dessa mudança. O Tatunca não estava mais frequentando o QG nessa época. Temos que ter cuidado com a sua imaginação. Ele nunca trabalhou na Segunda Seção e nem no QG. Ele devia estar delirando com malária quando disse essas coisas.

19.    Pelo que me consta, o Tatunca nunca teve filhos, o que seria desejável para a sua “dinastia”. Como já teve várias experiências matrimoniais, todas elas sem filhos, presumo que o mesmo é Estéril.

20.    Em alguns trechos desta narrativa eu me alonguei um pouco, mas isso é natural, quando voltamos no tempo e passamos a reviver o passado, liberando uma carga muito grande de recordações que estão incrustadas no nosso pensamento. É como está no cancioneiro popular:

O pensamento
Parece uma coisa à-toa
Mas como é que a gente voa
Quando começa a pensar

21.    Estas são as resumidas recordações da intrigante e curiosa história do meu contato pessoal com o Senhor Tatunca Nara, o Índio Loiro da Amazônia.

-    Altino Berthier Brasil
Extraído do seu livro “Amazônia, nos domínios da coca”.

Em 1972, na companhia de amigos, vi um homem alto de cabelos negros e longos, traços bem delineados. Sua figura estranha, olhos castanhos e pequenos, que circulava em Manaus. Sua figura estranha e seu ar circunspeto chamavam a atenção. Seu nome era Tatunca Nara, segundo se comentou no grupo. Corria a notícia de que, em 1968, ele salvara a vida de doze oficiais do Exército, vítimas de acidente aéreo no Acre, conduzindo-os a salvo para Manaus.

Tatunca Nara adquiriu notoriedade, tanto no Brasil como no exterior, em vista de sua proeza, mas, especialmente pelos impressionantes relatos místicos que contava. Seu poder de persuasão e, sem dúvida, os conhecimentos que revelava, acabaram convencendo um jornalista alemão chamado Karl Brugger a escrever um livro sobre a “Cidade Secreta de Akakor”. A obra tomou o nome de “The Chronicle of Akakor”, e tornou-se um “best-seller”.

Tatunca foi um dos visitantes “ilustres” de São Gabriel da Cachoeira. Disse-me um dos vereadores da Cidade que o místico costumava relatar fatos curiosos ocorridos em Ugha Mongulala e Akakor, reinos encantados que afirmava estarem localizados nas brenhas perdidas daquela região. Tatunca Nara descrevia esses augustos páramos com tal riqueza de detalhes, que impressionavam qualquer pessoa. Mais ainda, ele falava na primeira pessoa do singular, transmitindo impressões de quem tinha visto pessoalmente as aquarelas extra-sensoriais daqueles mundos. Foi tal a fama de Tatunca Nara que ele acabou impressionando até o famoso Erik Von Däniken, autor de “Eram os Deuses astronautas?”. O consagrado escritor dinamarquês chegou a viajar à Amazônia apenas para entrevistar Tatunca Nara. (BRASIL - 1989)

-    João Américo Peret um Indigenista “BRASILEIRO”

João Américo Peret, um dos mais renomados indigenistas do país, é também arqueólogo, escritor, jornalista, acadêmico, roteirista cinematográfico e fotógrafo. Como indigenista, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) no período de 1950 a 1970 tendo convivido, nesta época, com o Marechal Rondon e sertanistas conhecidos como os irmãos Villas Boas, Francisco Meirelles e Gilberto Pinto. Participou da criação do Museu do Índio e da criação da “Comissão Pró-Índio”, no Rio de janeiro; atualmente participa do “Movimento em Defesa da Economia Nacional” (MODECON) e do “Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos” (CEBRES), organização voltada às questões indígenas e problemas de fronteiras.

Peret critica a FUNAI que, segundo ele, vem sendo omissa e conivente com a proliferação de ONGs nas áreas indígenas. “Hoje é comum se encontrar uma jovem graduada em antropologia, amasiada com líderes indígenas e administrando ONGs em causa própria”. Em relação à reserva Raposa e Serra do Sol, afirmava que os índios do CIR são “marionetes” com operadores, inclusive, internacionais. Em relação à desintrusão dos não índios, Peret dizia que a maioria deles tem relação de parentesco ou amizade com os índios, “Como vão aceitar que lhe retirem o avô? O pai? O tio? O primo? O compadre? O índio é muito ligado aos parentes. Também, não existe unanimidade das lideranças indígenas quanto à demarcação contínua ou em ilhas da região Raposa e Serra do Sol”.

Entrevista com Peret
Fonte: Bellizzi Jaccoud, 8 de dezembro de 2005.

Quando o Dr. Achylles Peret, engenheiro agrônomo e ex-oficial militar chegou ao Acre, em 1901, o Brasil estava em plena guerra com a Bolívia. Ele se envolveu na luta e se tornou herói. Em 1916, traçou a vila de XAPURI, onde conheceu a adolescente Luzia Bandeira, viúva aos 13 anos, com uma filha de colo. Eles se casaram e, como não havia rádio, cinema ou novela, eles ficavam escutando o cricri dos grilos, o coaxar de sapos e rãs, à noite. Então, tiveram nove filhos. Eu nasci no dia 14 de setembro de 1926. Fui o sétimo filho dele e o oitavo dela, numa fila de dez irmãos. (...)

Sou técnico em várias profissões. Fiz curso de piloto aviador, mas não completei. Fiz Jornalismo e estagiei no jornal “A Crítica” e nos “Diários Associados”, em Manaus. Cursei Arqueologia em Manaus, estagiei no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e no Museu Frederico Barata, em Belém. Estudei Etnografia no Rio de janeiro e estagiei no Conselho Nacional de Proteção aos Índios - CNPI. Finalmente, ingressei no SPI - Serviço de Proteção aos Índios. (...)

Adoro ler clássicos, romances de capa e espada, aventuras com índios... Leio relatórios de naturalistas, missionários, Comissão Rondon, antropólogos e indigenistas. Gosto de ler escritores indígenas. Sou membro da Academia Pan-Americana de Letras e Artes (patronímico de José de Alencar). Tenho cerca de 500 títulos de escritores sobre a Amazônia. Gosto de ler crônicas, fábulas, contos e poesias. Adoro conversar ou contar histórias para os jovens.

Como indigenista do governo durante 20 anos, recuperei comunidades indígenas que sofreram embates da civilização e quase desapareceram com os vícios adquiridos. Promovi os primeiros contatos com índios isolados que estavam sendo dizimados. Indiquei áreas indígenas para garantir a posse ancestral. Localizei uma expedição que os índios massacraram no Amazonas, por incompetência do missionário (caso do Padre Calleri). (...)

Com eles (índios) ganhei razão de sobra para viver por uma causa justa. Eles me domaram e educaram com carinho e amor. E desenvolveram meu potencial ético. Aprendi a valorizar o direito individual, porque na cultura indígena, ninguém manda, o bem comum é a solidariedade. As regras básicas da sociedade são a tolerância, a lógica e a sabedoria de viver em harmonia com a natureza.

Perguntei a Didiué Karajá: por que os pássaros de vocês voam longe, se misturam com os selvagens, e voltam ao pôr do sol? Ele respondeu: você não aprende. Eles não são nossa propriedade, são parentes... Quando são bebês, damos de mamar no peito ou mastigamos os alimentos e passamos com a boca para o bico deles. Eles fazem parte da família. Por isso, voltam e às vezes trazem seus novos amigos para nos visitar. Outra vez, falei a Lauaxiro Karajá: minha amiga, como você envelheceu rápido! O que houve? Ela me olhou calmamente e me disse: espera aí. Apanhou um espelho e disse: olha a sua cara! Nós nos abraçamos e rimos às gargalhadas. (...)

É claro. Tive amigos ilustres, de muita visibilidade. Os irmãos Villas Boas e Francisco Meirelles, por exemplo. Entrei para o Serviço de Proteção aos Índios, uma instituição fundada em 1912. Para torná-la um órgão mais ágil e menos burocrático, o SPI foi transformado na FUNAI. Infelizmente, em pouco tempo, o novo órgão já tinha vícios que o antigo Serviço não havia tido, em 50 anos de existência - corrupção, desleixo e desrespeito aos índios. Sabe como é, o lema é “o índio tem que dar lucro”, uma visão totalmente diferente dos nossos ideais antigos. Dá a impressão de que ninguém quer nada com o índio, querem simplesmente o que o índio tem para dar. (...)

Tive muitas (surpresas), mas para não me estender muito, vou contar uma que me emocionou e outra que me decepcionou. A primeira foi quando fiz a pacificação dos índios beiços de pau - os suyá. Após um ano de “namoro”, é como nós chamamos o período de aproximação com os índios, o mais bravo da tribo, o que tivemos maior dificuldade de nos chegarmos, sentou ao meu lado, num tronco de árvore, colocou a mão no meu ombro e disse: eu achava que não ia conseguir amansar você! Mas consegui! Aí, ele retirou o seu disco labial e me deu de presente. Eu é que era considerado o “branco bravo”, imagina! Mas adorei a confissão e guardo até hoje o disco como lembrança de um momento engraçado, mas emocionante. (...)

Por razões pessoais, não vou citar o ano em que isso aconteceu. Uma vez, o presidente da FUNAI me ofereceu uma parceria, que nos daria a oportunidade de ganhar 100 milhões de cruzeiros (a moeda corrente na época) de investidores da Amazônia, em troca de terras dos índios, que ele mesmo se encarregaria de lhes tirar e colocar em local sem minérios e recursos naturais - o motivo de cobiça dos investidores. Eu fiquei muito decepcionado. Pensei: eu aqui, remando com meia dúzia de gatos pingados contra a maré, e uma corja tramando contra os índios, ao invés de cumprir a missão para a qual são pagos. Mas resolvi denunciar a proposta indecente às autoridades. E, como sempre acontece por aqui, eu é que fui demitido. Mas há males que vêm para bem. Com a experiência profissional que adquiri, consegui ótimos trabalhos e consultorias, que me renderam muito mais do que eu ganhava na FUNAI. (...)

Em 1994, uma jovem veio à minha casa, falando castelhano e perguntou: aqui mora o ancião sábio e sacerdote indígena João Américo Peret? Eu respondi: nem tão ancião, nem tão sábio. Aí, ela disse: bem, nós não sabemos. Mas o meu mestre Chamalu, da comunidade Janajpacha, que fica nas Cordilheiras dos Andes, na Bolívia, sabe. Ele me mandou aqui para te convidar para o “Encontro Mundial de Anciãos Sábios e Sacerdotes Indígenas das Américas”. Aqui estão o convite, a passagem e o dinheiro para a viagem. O encontro será daqui a três meses e sua presença é imprescindível. Fui. Foi outro momento muito emocionante da minha vida. Afinal, ser reconhecido como um ancião sábio, como os grandes chefes e sacerdotes de tribos indígenas, para mim, é uma honra. A mudança foi nesse sentido. Fiquei impregnado, de corpo e alma, de toda a cultura indígena. Dirigi minha vida baseado em seus valores e crenças. Tanto é que fui reconhecido como tal pelos próprios índios. Desde então, participo dos encontros em alguns países e me sinto muito à vontade junto aos “meus pares”...

-    João Américo Peret e Tatunca Nara
Entrevista a Pepe Chaves - via Fanzine

(...) Conheci o “índio” Tatunca Nara, em 1979, na cachoeira da Aliança, do Rio Padauiri, afluente esquerdo do Rio Negro (AM). Gravei em fita cassete suas histórias rocambolescas. Sobre pirâmides e cidades subterrâneas, monges espaciais, equipamento de comunicação intergaláctico. Ele dizia que seu pai seria um sacerdote Inca que atacou um convento e raptou uma freira alemã, que é sua mãe, cresceu como príncipe numas ruínas Incas, no Acre. Essas histórias contadas de “boca em boca”, atraíam pesquisadores, como o arqueólogo Roldão Pires Brandão que há anos fazia expedições ao Pico da Neblina, procurando localizar “cidades perdidas”. Tatunca Nara trazia turistas estrangeiros e faturava (US$).

Quando o explorador francês Jack Cousteau (Jacques-Yves Cousteau) pesquisou o Rio Amazonas, foi com Tatunca Nara, de helicóptero, “ver as pirâmides”. Mas tudo continuou em segredo. Parece que o único autorizado a escrever sobre o assunto foi Karl Brugger com o livro: Die Chronik von Akakor (Econ verlag Gmbh, Dusseldorf und Ween, 1976), traduzido sob o título “A Crônica de Akakor”. Direitos de tradução, a Livraria Bertrand Sarl, Lisboa, 1980. Prefácio, Erich von Dâniken. Que tal uma entrevista especial, abordando somente sobre a “Pirâmide e cidades subterrâneas, que só o Tatunca Nara tem o segredo?” (...)

O professor Roldão me contou que “Conheci o Tatunca Nara, ele é guardião das pirâmides e cidades subterrâneas no Amazonas. Ficam nas cabeceiras do Rio Padauiri, no alto Rio Negro. Ele me pediu segredo; Vai pedir ao grão sacerdote Ugha Mongulala para me levar lá. Mas falou do perigo de encontrarmos índios canibais... Preciso de você para amansar os índios. Vou a Manaus conseguir recursos para a expedição”. (...)

Em julho de 1979, o professor Roldão detonou a notícia de que havia descoberto as “Pirâmides do Amazonas”. Assim, atraiu a imprensa do Brasil que alugava pequenos aviões para fotografar as pirâmides. Mas, devido à cerração, as fotografias não tinham boa definição. O Roldão me telefonou dizendo “Venha logo, os estrangeiros estão saqueando as relíquias arqueológicas. O suíço Ferdinand Schmid foi preso contrabandeando cerâmica do Rio Padauiri. Estou voltando para a região com dois agentes da Polícia Federal com metralhadora, um monge para conversar com os sacerdotes guardiões, um etnólogo e o índio Mongulala Tatunca Nara”. (...)

Vamos por partes, porque o professor Roldão saiu numa expedição aparatosa com pessoas inexperientes; ficou estressado e, num movimento brusco com uma carabina, ela disparou acertando seu pé. Regressaram a Manaus e ele me chamou. Cheguei a Manaus no dia 17/09/1979, juntamos o que sobrou de material e viajamos de carona num barco até o Rio Padauiri. Na Cachoeira da Aliança, ele me apresentou a um indivíduo que falava português com forte sotaque alemão. Era o índio Mongulala Tatunca Nara de quem falei... Surpreso, não contive a expressão: “Mas ele é um Alemão!...”. E o Tatunca tentou de todas as formas me convencer do que era óbvio. Convidou-me para ir a sua casa onde conheci sua esposa dona Anita, o casal de filhos loiríssimos, e turistas falando alemão, examinando mapas de uso das Forças Armadas. No retorno da nossa hospedaria, ele parou a canoa no rebojo da cachoeira e contou uma estória rocambolesca que gravei em fita cassete e autorizo a reprodução a seguir.

Essa tartaruga tatuada no meu peito é distintivo, sou ugha mongu

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