zap
   

especiais

seções

colunistas

blogs

enquete

Na sua opinião, o Pantanal já sente os efeitos do desmatamento?
Sim
Não
Não sei
Ver resultados

tempo

newsletter

receba nosso newsletters
   
Rádio Independente

expediente

Pantanal News ®
A notícia com velocidade, transparência e honestidade.

Diretora-Geral
Tereza Cristina Vaz
direcao@pantanalnews.com.br

Editor
Armando de Amorim Anache
armando@pantanalnews.com.br
jornalismo@pantanalnews.com.br

Webmaster
Jameson K. D. d'Amorim
webmaster@pantanalnews.com.br

Redação, administração e publicidade:
Aquidauana:
Rua 15 de Agosto, 98 B
Bairro Alto - CEP 79200-000,
Aquidauana, MS
Telefone/Fax (67) 3241-3788
redacao@pantanalnews.com.br

Escritório:
Corumbá:
Rua De Lamare, 1276 - Centro
CEP 79330-040, Corumbá, MS
Telefone: (67) 9235-0615
comercial@pantanalnews.com.br
pantanalnews4@terra.com.br

 
Artigos - 28/06/2012 - 15h21

Recordações da VOA






Por Luiz Amaral (*)

Longe de descrever como tranquila a vivência na Voz da América. Era natural que houvesse choques de opinião entre profissionais de diferentes formações num ambiente de marcada  competitividade, cada qual procurando salvaguardar o seu nicho contra interferência estranha . Eram os percalços corriqueiros da profissão.  Mas valeram a pena o saldo das amizades , na Voz e seu entôrno, entre as centenas de colegas das estações brasileiras a nós associadas, e a experiência fonte de aprendizado .
 
Durante algum tempo, as emissoras estrangeiras de ondas curtas e os cinejornais exerceram um fascínio sobre os jornalistas brasileiros, desde os tempos de Aimberê, da BBC e, mais tarde, dos narradores dos jornais cinematográficos franceses, ingleses, espanhóis e americanos. Júlio Rozen, das Atualidades Francesas, Aurélio de Andrade (BBC, Radiodiffusion Française, CBS, NBC ), Ramos Calhelha ( Metro e programas especiais com entrevistas para a Voz da América) e Gaspar Coelho nos Estados Unidos.
 
Chegamos à  Voz e lá encontramos, juntos ou separados pelo tempo , o Nélio Pinheiro da famosa novela O Direito de Nascer , na Rádio Nacional do Rio , José de Mara Nogueira ,  Pedro Kattah,  Marilena Muller ( correspondente em Nova Iorque), Nelly Lima , Ricardo Gardeazabal,  José Roberto Dias Leme , José  Américo, Agnaldo de Souza, Álvaro Bitencourt, Luiz Edmundo, Ricardo Lessa, Gláucio Veloso, JohnTyprin, Susana Schindler, Sônia Moreira, Nara Ferreira .
 
O Nélio era um tipo modesto , tranquilo e cuidadoso com tudo que fazia. Impressionava pela maneira como “marcava” o texto que ia ler , assinalando cada frase , cada palavra a que devia dar uma entonação especial , e corrigindo eventuais falhas de datilografia. Encantava com a locução de qualquer texto que lhe caía em mão.  
 
O José Américo também mantinha alto padrão sobretudo nas narrações de textos sobre música e cinema.    Como era comum na Voz , monopolizou um assunto – só ele podia falar sobre esporte e defendia esse direito com determinação , ninguém podia falar em futebol , falar de futebol era proibido na Voz . . O futebol lhe facultava copas e torneios internacionais . Só que no esporte faltava-lhe o brilho da música e dos filmes. Não parecia praia sua . A saída era entrevistas com coleguinhas que encheriam os programas não fossem elas para o lixo destino que lhes dava o noticiarista Ricardo Gardeazabal.
 
O Ricardo respirava rádio e se realizava traduzindo notícias na máquina de escrever e falando no microfone . Vinha da Velha Guarda. No dias em que a Voz trocou as máquinas pelos computadores foi um desespero para ele . Quando ouviu a ordem de abandonar suas velhas companheiras, caiu no choro , esperneou:
 
- Minha maquininha… minha maquininha …
 
Era o adeus às Remingtons, Royals e Olivettis…
 
O Ricardo não foi o único a se afligir com a morte das máquinas de escrever. As redações brasileiras tiveram muitos exemplos de desespero.  O amor às ”maquininha” fazia com que o famoso repórter e escritor Joel Silveira mandasse sempre um técnico cuidar da sua ,   remoçando-a sempre , ao escrever um livro (escreveu cerca de 40).
 
Outro assunto monopolizado na Voz , este por Pedro Kattah, foi a corrida espacial que lhe rendeu além de prestígio viagem internacional com astronautas .    Só que montado o esquema na Voz   para transmitir o momento exato da chegada do homem à Lua , que ele estava acompanhando com outros colegas pela televisão , entrou inopinadamente no ar o noticiarista João Carvalho , gaguejando de nervoso :
 
-         Pi… pi … pisou, pisou!
 
…  tirando de Kattah a primazia de relatar para os ouvintes o momento supremo da corrida espacial .
 
De outro episódio curioso foi protagonista o colaborador dos fins de semana o Coutinho Lopes. O Coutinho era protestante fanático e um dia começou a ler uma notícia do Vaticano sobre a ida do Papa a Castel Gandolfo :
 
-  O Papa …
 
  - começou normalmente , mas aí deu uma parada brusca , baixou a voz e escandindo bem as sílabas comentou com desprezo , microfone aberto :
 
- O papa … ora,  o papa …
 
Outro ícone da locução que encontramos na Voz e de quem nos tornamos amigos foi José Roberto Dias Leme , irmão de outra figura inesquecível , o Reynaldo Dias Leme .  O Zé Roberto foi quem inaugurou as transmissões da Voz .   Ele era na ocasião colaborador da Voz e só muito mais tarde concordou em se tornar funcionário efetivo . Em 1936, seu futuro sogro Celso Guimarães inaugurara as trnsmissòes da Rádio Nacional do Rio .
 
Do José Roberto e do Ricardo Lessa guardamos excelentes momentos passados ao final das tardes , de volta para casa , na Mercedes do Zé , evocando e discutindo ” causos ” dos três , no que ele chamava de Tertúlias .
 
Adorávamos as Tertúlias , eram o desabafo que precisávamos após um dia de tensão . Foi nas Tertúlias que o Ricardo Lessa ganhou, entre os três , o apelido carinhoso de Aviú – um camarãozinho no rio Tocantins do qual ele sempre falava.
 
O esquema de programação da Voz da América permaneceu o mesmo durante muito anos , mas depois as ondas curtas terminaram perdendo prestígio e “esfriou” a propaganda da guerra fria que era o motivo da emissora .  A Voz buscou diversificar . Estreou com sucesso o programa “ Sábado Alegre” , gerado em Washington  e transmitido de São Paulo pela Rádio Bandeirantes e que os americanos da emissora teimavam em chamar de ‘Sabado Alegre ” ( oxítono , acento no “bá”) com o apresentador Dárcio Arruda .  Era um programa realmente alegre no qual o Dárcio entrevistava os colegas com  perguntas bem humoradas.
 
 Nessa época , apareceu  na emissora a cantora Miramar Mangabeira com o disco “Falabá, fala baiano com seu jeito de falar ”. O Dárcio  sugeriu que eu fizesse o papel de Falabá, exagerando o sotaque baiano .  Assumi a condição , brincando com o que parecia uma ofensa . O quadro era a caricatura da reação de um baiano à realidade americana .
 
O programa foi ao ar por algum tempo coordenado pelo Dárcio até o dia em que tentaram incluir nele matérias , contrárias ao espírito  da coisa . Ele reagiu e no protesto sugeriram-lhe tirar férias pois estaria muito nervoso ... Resposta: ” férias não , tenho outro projeto .”  Poucos dias depois , sem avisar sem nada , apareceu em Sào Paulo e abandonou a VOZ ! Ainda houve tentativas para salvar o programa , mas sem ele estava morto o “Sabado Alegre ”. De volta a São Paulo , o Dárcio entrou na política e chegou a ser eleito vereador .
 
O mercado para as ondas curtas no Brasil  realmente tinha se esgotado. O governo americano precisava investir em outras áreas de conflitos e as transferências de recursos terminaram pondo um fim àquele ciclo da experiência .
 
Ao sentir o amortecimento do interesse pelas Ondas Curtas no  Brasil  a Voz decidiu pelo envio dos boletins informativos diretamente para selecionadas emissoras , diariamente, via satélite . Participamos da mudança operacional que, no final das contas, se transformou num grande sucesso e para nós num prazer pelo contato com as emissoras e seus mais destacados profissionais. Para o governo americano  provou ser um meio eficiente de fazer chegar suas mensagens aos ouvintes , para nós valeu pelas amizades que resistiram aos anos , compensando a tarefa diária , o preparo do material , as chamadas das e para as emissoras .
 
A participação das emissoras , em base diária ou não ,  que incluiu, salvo engano , a CBN do Rio , a Bandeirantes de São Paulo, Gaúcha de Porto Alegre , a Super-Rádio de Brasília, a Anhanguera de Goiânia, a Sociedade de Salvador , a Celeste e a Capital de Sinop ( Mato Grosso ), a Clube de Corumbá e a Independente de Mato Grosso do Sul , a Mirante de São Luiz  (Leonor Filho ), a Tabajara , Sanhauá e Cidade Verde , de João Pessoa ( por intermédio do amigo e incansável apresentador  Germano Barbosa), a Gazeta de Maceió , a Gazeta de Cuiabá,  a Sampaio de Palmeira dos Índios , a Gazeta de Cuiabá, a Verdes Mares , de Fortaleza .
 
Na Rádio Gaúcha , de Porto Alegre ,  boletins , assinados ”De Washington, Luiz Amaral” eram frequentes no ar , graças a Luiz Artur Ferraretto, hoje Mestre de Comunicação do Curso de Pós-Graduação da Universidade  Federal do Rio Grande do Sul . Ferraretto e sua mulher , Elisa Kopplin, são escritores consagrados,  co-autores de livros sôbre rádio e relações públicas.
 
A nossa associação com Luiz Artur Ferraretto levou-o a apresentar a tese “De Washington, Luiz Amaral”, no VII Congresso Nacional de História da Mídia , realizado em Fortaleza em 2009, traçando a nossa trajetória de jornalista e radialista.
 
São Paulo teve fases de alta produtividade com o  radialista e professor Álvaro Bufarah. 
 
Outra associação duradoura estava reservada entre a Voz e a Super Rádio FM, de Mário Garófalo (” Rádio é coisa séria ”), e
Lúcia, sua mulher e locutora de voz melodiosa (”A diferença é a Música”). Conhecia o Garófalo do Rio (Tupy/ Continental ) e a nossa amizade se estreitou em Brasília. Os boletins iam completos, iam comentários especiais, referências a datas da emissora. A VOA podia contar com a Super-Rádio. No livro ” Esses repórteres …”, fizemos   referência à maneira como o Garófalo obteve a concessão da rádio do presidente João Figueiredo: uma novela interminável com lances melodramáticos… Tal fato proporcionou o lançamento do livro , em noite de autógrafos,  pela Super-Rádio em Brasília.
 
Subindo o mapa brasileiro, tivemos bons momentos em Salvador. inclusive uma noite de autógrafos na Casa Jorge Amado , no Pelourinho .
 
Uma escala muito especial foi em Sinop, no Nortão de Mato Grosso , na Rádio Celeste e posteriormente na Rádio Capital .  O jovem empreendedor repórter Marcos Azevedo foi o nosso contato com as duas emissora e abraçou na Celeste a proposta do envio do Jornal Internacional . Durante anos , graças ao Marcos e para desespero dos técnicos locais,  transmitimos, em base regular , o noticiário da Voz . Tempos depois.a Celeste foi substituída pela Rádio Capital.
 
Natural de Céu Azul , perto de Cascavél, no Paraná , Marcos Azevedo se entusiasmou por Sinop, e acreditou nas  potencialidades da região .  Lá constituiu família e tornou-se cidadão , ele que no início não sabia fazer a diferença entre um  gostoso taperebá e um fruto venenoso .
 
A cooperação com a Celeste e a Capital nos proporcionou viagens a Sinop, cidade fundada, em 1974,  em plena selva ,  por Ênio Pipino e banhada pelo piscoso rio Telles Pires (de 1.370 km de extensào) que se junta ao Juruena e se lança no Tapajós, um dos principais afluentes do Amazonas ,  numa áerea de   matrinxãs, pacus , jaús , cachorras,  tucunarés , tambaquis, centenas de espécies ictiológicas.  Sinop competia com emissoras de Cuiabá com seus noticiários atualizados, cobrindo uma área amazônica de importância.
 
 Belém, Manaus e Parintins  (do festival folclórico do boi-bumbá ) também foram cidades cobertas pela Voz .
 
  Mato Grosso do Sul juntou-se à nossa rede de emissoras com a Rádio Clube de Corumbá e Rádio Independente de Aquidauana. Com a visita de Armando Anache a Washington, passamos a enviar boletins para a Clube que , de Corumbá, na fronteira com a Bolívia,  eram retransmitidos pela linha de programação para a Independente de Aquidauana que tem à frente Tereza Cristina Vaz, diretora-geral.
 
Caso especial foi Alagoas e a associação com a Rádio Gazeta ,  do  radialista França Moura que no início da década de 90 patrocinou a apresentação do nosso nome à Assembléia Estadual por intermédio do vereador Givaldo Carimbão, hoje deputado federal no quarto mandato , para concessão do título de cidadào maceioense . A solenidade da entrega contou com nosssa presença numa das nossas frequentes viagens ao Brasil.
 
A Rádio Gazeta de Alagoas e a Tabajara de João Pessoa manifestaram-se publicamente contra o fim das transmissões da Voz da América, em carta ao Broadcasting Board of Governors, em Washington.
 
O sistema de envio de material personalizado para o Brasil via satélite durou bom tempo até o desmonte do serviço causado  pela necessidade do desvio de recursos para outras áreas de maior interesse  estratégico para os Estados Unidos.  A Voz teria um soerguimento mais tarde em outras condiçòes.
 
Aquela Voz da América acabou, as amizades perduram.

Recordações da VOA, por Luiz Amaral (*)

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

 

Siga as notícias do Portal Pantanal News no Twitter:
www.twitter.com/PantanalNews

Compartilhe


Deixe o seu comentário

Todos os campos obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.

Nome:

E-mail:

Seu comentário:
Sistema antispam

Digite aqui o código acima para confirmar:


 

area
Comentários
 
Últimas notícias do canal
13/11/2017 - 08h00
Expedição Centenária – F. Coimbra – Corumbá I
09/10/2017 - 13h44
Joaquim Francisco de Assis Brasil
09/10/2017 - 13h43
Assis Brasil, Acre
09/10/2017 - 13h34
O Assassinato de Chico Mendes
09/10/2017 - 13h31
Epopeia Acreana - Parte VII
 
Últimas notícias do site
17/11/2017 - 16h03
Viralizou: cachorrinho 'penetra' na balada é a imagem mais fofa que você vai ver hoje
17/11/2017 - 10h18
Fim de semana tem sertanejo, funk, comédia e teatro
17/11/2017 - 07h53
Confira as ocorrências dos Bombeiros das últimas horas
17/11/2017 - 07h44
Proprietários rurais são autuados por manterem carvoarias ilegais
17/11/2017 - 06h14
Confira as ocorrências dos Bombeiros das últimas horas
 

88

Untitled Document
 ® 2009  

CPN - Central Pantaneira de Notícias
PantanalNEWS - Marca registrada 1998-2009
Todos os direitos reservados.