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Artigos - 07/10/2011 - 14h29

Travessia da Laguna dos Patos - Margem Ocidental II




Por Hiram Reis e Silva

Em cada volta de praia
Em cada barranca do rio
Ficaram as pegadas somente
Da capivara assustada
E do canoísta
Que dali partiu.
 
Belo Rio Camaquã!
Do serpentear do teu leito
Levamos a grata lembrança
Do vigilante Martim-pescador,
Do vôo da Garça moura,
Do saltar da tainha,
Da espuma da correnteza,
Da rede do pescador...
(Vera Regina)
 
Na pousada consegui secar as roupas molhadas e me reorganizar para a próxima empreitada. O atendimento cordial da gerência, o preço diferenciado para idosos e a qualidade das instalações da Pousada da Laguna Apart Hotel, certamente nos servirá de referência para a próxima travessia em abril de 2012.
 
– Partida de São Lourenço (19 de setembro)
 
O merecido descanso em São Lourenço nos recompôs e partimos confiantes para a terceira etapa de nossa travessia na Laguna dos Patos rumo ao Rio Camaquã. Os ventos, porém, e as ondas de través não haviam diminuído sua intensidade exigindo de nós um esforço muito grande para progredir. Fizemos uma parada intermediária (31°19’58,83”S/51°55’40,26”O) antes da Ponta do Quilombo de onde rumamos diretamente para Este pegando, a partir daí, o vento de proa, novamente o Professor Hélio conseguiu assumir o comando de seu voluntarioso caiaque “Anaico” e avançamos celeremente a uma velocidade de 4nós (7,2km/h).
 
Paramos na Ponta do Quilombo (31°20’00,83”S/51°51’20,96”O) e mostrei ao Hélio nosso objetivo a Nordeste, a Foz do Camaquã, ele sugeriu uma parada a uns cinco quilômetros adiante no que parecia, pelo mapa do Google Earth, uma extensa praia de areias brancas. O vento ia golpear o caiaque do Hélio com ondas de través, novamente prejudicando-lhe a progressão. Avancei diretamente para o ponto sugerido (31°17’58,45”S/51°49’32,76”O) e aguardei o amigo em terra. O Hélio mal parou para descansar e resolveu continuar a progressão acompanhando a costa enquanto eu, depois de aguardar um tempo, procurei orientar minha rota diretamente para a foz do Camaquã.
 
Aportei próximo à foz (31°17’10,18”S/51°46’17,01”O) e arrastei o caiaque para um banco de areia mais ao Sul deixando-o de lado para que o professor pudesse avistá-lo de longe. Calibrei o GPS e fiquei, algum tempo, admirando as aves que emprestavam um colorido especial à mesopotâmia camaquense. Um enorme bando de colhereiros cor-de-rosa chamou-me, em especial, a atenção com suas graciosas evoluções e cores que se mesclavam com o azul celeste.
 
Colhereiros cor-de-rosa (Platalea ajaja): para obter alimento, a ave arrasta o seu bico sensível em forma de colher de um lado para o outro revirando o lodo. No período reprodutivo, exibe uma bela plumagem cor-de-rosa. A ingestão de peixes, insetos, camarões, moluscos e crustáceos que contenham carotenóides dão uma coloração rosada ao colhereiro, que se torna mais intensa na época da reprodução.
 
O Hélio demorou um pouco, pois confundira-se com a trama aquática da região e depois de descansar um pouco partimos pelo delta assoreado do Camaquã para nosso destino na Ilha de Santo Antônio.
 
Avistamos uma pequena ilha na entrada da Barra Grande e penetramos confiantes nas águas do Camaquã. Logo na entrada observei intrigado uma estranha embarcação que se aproximava. Era o amigo Pedro Auso Cardoso da Rosa e sua esposa Vera Regina Sant’Anna Py em seu caiaque oceânico duplo totalmente modificado com dois estabilizadores na popa e suportes para carga na proa.
 
Os amigos nos conduziram até uma cabana (31°14’42,63”S/51°44’54,37”O) de seu amigo Henrique, na Ilha de Santo Antônio, onde pernoitaríamos. Na cabana nos aguardavam o Coronel Sérgio Pastl e seu dois netos Pedro Sérgio Londero Pastl e Brian Pastl Wechenfelder. O Mestre Pedro fez questão de transportar os caiaques no seu reboque da praia até a cabana. Depois de arrumarmos nossas tralhas e tomarmos um bom banho saboreamos a refeição preparada pelo nosso dileto amigo Pastl. Dormimos cedo para enfrentar a jornada seguinte.
 
– Vera Regina Sant’Anna Py
 
Matas, rios, estradas,
Capoeiras e banhados,
Servem de rumos
Para eu deixar de ser gente
E transcender...
Junto d’alma da terra mãe. (...)
 
O segredo da felicidade
Humm... deve ser decodificado
Escute, mergulhe, entre e perfure... (...)
(Vera Regina)
 
A professora Vera Regina, gaúcha de Guaíba, reside em Camaquã, RS, é graduada em Ciências, especialista em meio ambiente e toxicologia aplicada. A canoagem lhe proporcionou uma mágica aventura pelo cânion Fortaleza, em Cambará do Sul, RS, que ela procurou materializar, pela primeira vez, através de um poema. Companheira fiel de seu esposo Pedro Auso Cardoso da Rosa ela o acompanha nas remadas, caminhadas, pedaladas e outras tantas aventuras radicais pelos nossos rincões. A poetisa-escritora faz uma crítica contundente ao desrespeito à natureza promovido pelo ser humano afirmando: “acho que o homem necessita acordar urgentemente para um verdadeiro respeito pela natureza”.
 
Vera Regina presenteou-nos com seu belo e inspirado livro “O rio Camaquã e a Canoa” que como ela mesma afirma: “é um entrelaçar de esporte e poesia, com conhecimento ecológico, pois percorri os 230km do rio e quero que vocês também o façam comigo”.
 
– Partida para a Casa Vermelha (20 de setembro)
 
Os amigos aguardavam a balsa para transpor o Camaquã quando descemos o Camaquã rumo à Casa Vermelha como a professora Vera identificara nosso destino final. O vento forte nos fez procurar abrigo na margem esquerda do Rio e chegamos à foz sem grandes problemas. Iríamos enfrentar fortes ventos de proa, novamente, e sugeri uma parada intermediária e nela aguardei o Hélio admirando e fotografando a vegetação do entorno.
 
Quando decidi seguir rumo à Ponta do Vitoriano meu suporte do leme partiu e comecei a sofrer com os problemas de navegação similares aos que afligiam o professor Hélio. Depois de tentar, durante algum tempo, impingir uma rota fixa ao “Cabo Horn” forçando por demais o braço direito já que as ondas de través atingiam primeiramente a popa à Boreste arrastando o caiaque para a direita, decidi remar naturalmente. Deixava o caiaque fazer uma longa curva na direção das ondas me afastando da margem e depois surfava até a costa aproveitando as ondas de popa, era um ziguezaguear constante que embora aumentasse a distância me poupava o desgaste do braço direito. A meio caminho entre a foz do Camaquã e a Ponta do Vitoriano avistamos uma bóia de sinalização encalhada e depois, na Ponta do Vitoriano, mais outras duas. O Cel Pastl me assegurou que por mais de uma vez fez reclamações junto às autoridades competentes, mas que até hoje nada foi providenciado deixando os grandes e perigosos Bancos de Areia sem qualquer tipo de sinalização visual.
 
Da Ponta do Vitoriano avistamos a chaminé de uma antiga instalação do IRGA (31°12’03,49”S/51°38’34,34”O) na Praia do Areal e mais adiante a tal casa vermelha mencionada pela amiga Vera Regina. O Hélio seguiu costeando e eu apontei a proa para a chaminé surfando nas ondas de través. Sem o leme, porém, a tendência do “Cabo Horn” era desviar para Boreste, dificultando um pouco a navegação. Aportei nas proximidades da chaminé junto a um grupo de pescadores que retirava o fruto de seu labor das redes. Estavam, já há algum tempo, instalados no complexo do IRGA e, como a instalação tinha sido vendida a particulares, teriam de abandonar o local. Combinei com o Hélio a próxima rota, diretamente para a casa vermelha mencionada pela amiga Vera e parti.
 
Aportei na praia da tal Casa Vermelha - Fazenda Flor da Praia (31°08’25,59”S/51°37’06,85”O), e procurei alguém para me informar onde estariam meus parceiros. As instalações da fazenda eram impressionantes e achei que desta vez usufruiríamos de acomodações confortáveis para o pernoite. Ledo engano, o capataz, devidamente armado, apareceu muito tempo depois e nos informou que não recebera nenhuma ordem no sentido de nos hospedar e que nossos amigos deveriam estar mais adiante nas antigas instalações da fazenda onde estavam acampados outros pescadores. Nesta altura o Hélio e eu muito cansados e encarangados tivemos, desolados, de nos resignar e continuar até a instalação indicada.
 
Acabei de falar com o Sr Gabriel da Fazendo Flor da Praia que nos autorizou a entrar na propriedade e acampar na beira da Praia. Peguei, também uma carta na 1ª DL, que nos dá a posição do local como: 31°54’10”S/51°40’11”W. Há três prédios pela vista da carta (galpões bem junto à praia). Como referência é mais ou menos o dobro da distância entre a raiz do Banco do Vitoriano e a chaminé do engenho da Praia do Areal. (E-mail do Cel Pastl - 16/09/11)
 
O último lance foi especialmente complicado para o Hélio que virou por mais de uma vez o caiaque golpeado pelas fortes ondas de través. Resolvi picar a voga para não virar também e para tentar conseguir um barco de resgate. Cheguei à praia (31°07’42,23”S/51°34’41,57”O) onde avistei o Pedro Sérgio e o Brian, netos do Cel Pastl, que me informaram que só eles estavam ocupando as instalações, portanto não havia nada a ser feito a não ser esperar pelo Hélio que chegou, depois de algum tempo, a pé depois de deixar o caiaque escondido numa vala.
 
– São Pedro de Cafarnaum x Sr Pedro de Camaquã
 
Por isso Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. (São Mateus, 16, 18)
 
Até então São Pedro de Cafarnaum (Aldeia de Naum), o “príncipe dos apóstolos”, conhecido também como “porteiro do céu”, “padroeiro dos pescadores” e, sobretudo, “manda-chuva” tinha imposto à nossa travessia todo o tipo de obstáculos e dificuldades. Dificuldades essas que foram amenizadas, em grande parte, com a chegada de seu xará o Senhor Pedro de Camaquã (Rio Correntoso). Os amigos brigadianos de Camaquã comandados pelo Sargento PM Juliano, atendendo ao pedido do Cel Pastl que solicitara a indicação de um vaqueano da região, conhecedor não somente dos locais de paragem ao longo da Laguna dos Patos, mas que fosse prestativo e tivesse livre transito entre os moradores da região, chegaram, finalmente, ao amigo Pedro graças à indicação de seu sobrinho Josemar Rosa de Sousa.
 
Raramente em minhas seis décadas de vida tive a oportunidade de conhecer uma pessoa mais afável, criativa e prestativa. O Pedro só sossegou depois de resgatar o caiaque do Hélio que tinha ficado na margem. A operação, que se estendeu noite adentro, enfrentou porteiras fechadas a cadeado e com isso a equipe formada pelo Sr. Pedro, Professor Hélio, Cel Pastl e seus dois netos, teve de carregar na mão, por quase três quilômetros, o caiaque até o reboque antes de transportá-lo ao acantonamento. Em Porto Alegre haviam adaptado um leme no caiaque do Hélio que não estava sendo utilizado porque o tinham colocado totalmente fora do alinhamento além de furarem o casco. O Pedro resolveu então substituir o meu suporte do leme quebrado pelo do caiaque do Hélio e só retornou à sua cidade depois de concretizar sua missão. A colocação resolveria meu problema de navegação, mas o professor Hélio continuaria enfrentando mais surpresas pela frente.
 
– Blog e Livro
 
Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da “Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.
 
O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Pode ainda ser adquirido através do e–mail: hiramrsilva@gmail.com.
 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar (IDMM)
Vice Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br/
Blog: http://desafiandooriomar.blogspot.com
E–mail: hiramrs@terra.com.br
 

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Comentários
Magnus Peske, em 13/10/2011 - 11h24

Poucas pessoas conhecem a beleza da Lagoa dos Patos e Rio Camaquã, tal como as fotos retratam. Felizmente desde há muito navego com uma turma de amigos por estes rincões de água. Parabéns pelos versos e fotos que muito bem demonstram a beleza e o encanto da região.

 
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