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Artigos - 30/08/2011 - 14h57

Santo Antônio do Cachoeiri






Por Hiram Reis e Silva


É na tradição, nas antigas narrativas, nesses arquivos universais chamados erroneamente de lendas, é nos velhos contos que o homem poderá encontrar a sua verdadeira identidade mágica. (Mario Mercier)
 
O Irmão maçom Hamilton Souza (o Ariuca), de Oriximiná, Pará, além de cantor e compositor é um excelente contador de histórias e, a nosso pedido, fez um belo relato do que ele mesmo denominou de “Auto do Santo Antônio do Cachoeiri”.
 
Conta a lenda que um determinado cidadão que trabalhava como coveiro, em Óbidos, ao preparar uma cova encontrou uma imagem entalhada em madeira com características barrocas. Uma coisa totalmente inusitada porque nós não temos artesãos especializados em esculturas sacras de madeira neste estilo.
 
Durante a escavação o coveiro quebrou um dos dedos do pé da imagem, não sei se do pé esquerdo ou direito, que era negra e que mais tarde se atribuiu a Santo Antônio. Essa imagem foi trazida para cá e começou a ser cultuada, o grande lance mítico da história é que a imagem falava com o dono do Santo e relatava seus interesses. O dono do Santo em sonhos ou visões tratava diretamente com o Santo e traduzia para a Comunidade o que era do interesse do Santo.
 
E essa coisa foi ficando tão forte que os navegantes ao cruzarem o Paraná do Cachoeiri, que liga o Trombetas ao Amazonas, iam até lá para fazer promessas, pagar suas indulgências e cultuar o Santo Antônio. Com o aumento da popularidade do Santo e a morte de seu dono, o dom de falar com o Santo passou para a mulher do falecido. A igreja católica não aceitava o culto do Santo e as atividades religiosas que ali promoviam eram totalmente desvinculadas do Santo milagreiro, considerada pelos religiosos como uma atividade espúria, pois o Bispo, reticente, preferia não incluí-la no calendário religioso.
 
Certa feita ocorreram diversos fatos que tem registro factual, por exemplo:
 
1.  O Santo solicitou à mulher do falecido que desejava que sua imagem fosse recuperada e pintada, e a sua nova dona, atendendo ao pedido do Santo, resolveu entregá-la a um Padre que encaminhou à Prelazia, em Óbidos, onde existia um especialista que se encantou com a imagem e mandou fazer uma réplica da imagem em gesso, e enviou a cópia para a dona da imagem.
 
Certo dia ela recebe o queixume do Santo, em sonho, que pedia que ela fosse buscar a sua imagem já que aquela que ali estava não era o Santo verdadeiro. Ela, imediatamente procurou o Padre que desconversou dizendo que aquela era a imagem verdadeira. Não se dando por satisfeita ela resolveu ir até Óbidos onde procurou o Bispo. O Bispo ratificou a afirmação do Padre e afirmou que já tinham feito a restauração da imagem sem cobrar nada e que ela se conformasse com isso.
 
Ela sem saber o que fazer e sendo pressionada, durante o sonho pelos queixumes do Santo, que afirmava que ela tinha a missão de recuperar a imagem roubada, ela acabou procurando o Ministério Público do Município e apresentou a queixa. O Ministério Público encaminhou uma Carta Precatória ao Bispo convocando-o para uma audiência. O representante da Igreja, na dita audiência, lá chegando foram tratadas das características da imagem e a dona do Santo relatou que a sua imagem era de madeira, etc... Aí o Bispo perguntou-lhe porque ela achava que aquela não era a sua imagem ao que ela respondeu que além do dedinho do pé quebrado, de ser de madeira, a sua imagem estava em um determinado local e numa determinada gaveta. O Bispo impressionado com a fidelidade do relato resolveu restituir a imagem à sua verdadeira dona.
 
2.  Outro episódio absolutamente inusitado que teria ocorrido foi o fato de que depois disso resolveu-se organizar um evento religioso, uma quermesse, que ano a ano foi crescendo, juntamente com a Comunidade, acarretando lucro considerável para os organizadores da festa. O Paraná do Cachoeiri sofre com os fenômenos das terras caídas e o Santo Antônio veio, em sonho, para sua dona e disse queria que construíssem uma Capela para ele porque afinal de contas os festejos haviam gerado lucros significativos e não era justo que o Santo permanecesse morando numa choupana. Os organizadores não deram importância a essa história, embora a dona do Santo continuasse insistindo, e protelavam a construção da Capela de alvenaria dizendo que os recursos não eram suficientes e prometiam sua execução sempre para o ano seguinte.
 
Um dia desmoronou o barranco e o casebre que abrigava o Santo foi engolido pelas águas permanecendo no local apenas o altar do Santo. Fato documentado pela Dona Rosa, uma das devotas, mas fiéis do Santo Antônio do Cachoeiri se preocuparam em fotografar o local depois do ocorrido.
 
A dona do Santo faleceu passando o dom para a filha, cujo irmão em uma das quermesses resolveu vender cachorro quente durante o evento. O irmão foi impedido tendo em vista não ter pago o alvará na Prefeitura, nem as taxas devidas aos organizadores da festa que resolveu levar o Santo Antônio que pertencia à sua família. O impasse estava formado, como fazer a festa em homenagem ao Santo sem a sua imagem.
 
O fato dividiu a cidade num momento em que não havia nem promotor de justiça, nem juiz, nem prefeito na cidade e se encontrava apenas um defensor de justiça que é nosso irmão na maçonaria. E naquela história toda, claro que a pressão era da população que reivindicava afirmando que o Santo não era de propriedade de ninguém e como se tratava de um Santo milagreiro era de propriedade coletiva. Como é que o cara pega e leva o Santo, alguns afirmavam, é mas quem trouxe o Santo foi a família do cara e ele não tem o direito de vender cachorro quente, diziam outros.
 
O defensor público mandou que as forças policiais organizassem uma verdadeira cruzada na busca desse Santo. O homem foi preso e o Santo recuperado e embrulhado em um saco de lixo preto e colocado em cima de um armário e lá permaneceu esquecido como prova cabal do roubo. Até que a questão fosse decidida o Santo permanecia retido, e se iniciou uma outra campanha – a de libertação do Santo que estava preso. Neste mesmo dia a mulher que falava com o Santo, irmã do ladrão do Santo, procurou Nosso irmão Mário Luis (corujinha) que era Defensor Público e disse que tinha falado com o Santo. O Defensor Público retrucou dizendo que ela não falava com o Santo coisa nenhuma e ela afirmou que o Santo havia pedido que o soltasse e que se isso não fosse feito o Defensor iria sofrer uma grande desgraça na sua vida. O Defensor não se impressionou com a ameaça e dispensou a mulher.
 
No dia seguinte ele tinha de realizar o transporte de parte do seu gado da várzea para a terra firme através de balsas. Aqui na região os rios são calmos, as balsas dificilmente viram, naquele dia o Defensor levou sua única filha, o Prefeito e seus oito filhos na mesma embarcação. Inopinadamente surgiu um vendaval virando a embarcação no qual veio a falecer somente a filha do Defensor. Hoje ele tem muita dificuldade para tratar do assunto por conta da experiência absolutamente negativa que ele teve.
 
De alguma forma a crença e a lenda se fortalecem. O fato é que o Santo Antônio do Cachoeiri é tido como um Santo de muita força e hoje se encontra na sua Capela tão reclamada às margens do Cachoeiri.
 
–  Blog e Livro
 
Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da “Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.
 
O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS;
- na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br);
- na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre;
- ou pode ainda ser adquirido através do e–mail: hiramrsilva@gmail.com.
 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
 
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover&dq=hiram+reis+e+silva&hl=pt-BR&ei=O0BcTt_wNart0gGK3PCPAw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CC4Q6AEwAA#v=onepage&q=hiram%20reis%20e%20silva&f=true
 

 

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E–mail: hiramrs@terra.com.br

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

 

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