zap
   

especiais

seções

colunistas

blogs

enquete

Na sua opinião, o Pantanal já sente os efeitos do desmatamento?
Sim
Não
Não sei
Ver resultados

tempo

newsletter

receba nosso newsletters
   
Rádio Independente

expediente

Pantanal News ®
A notícia com velocidade, transparência e honestidade.

Diretora-Geral
Tereza Cristina Vaz
direcao@pantanalnews.com.br

Editor
Armando de Amorim Anache
armando@pantanalnews.com.br
jornalismo@pantanalnews.com.br

Webmaster
Jameson K. D. d'Amorim
webmaster@pantanalnews.com.br

Redação, administração e publicidade:
Aquidauana:
Rua 15 de Agosto, 98 B
Bairro Alto - CEP 79200-000,
Aquidauana, MS
Telefone/Fax (67) 3241-3788
redacao@pantanalnews.com.br

Escritório:
Corumbá:
Rua De Lamare, 1276 - Centro
CEP 79330-040, Corumbá, MS
Telefone: (67) 9235-0615
comercial@pantanalnews.com.br
pantanalnews4@terra.com.br

 
Artigos - 22/08/2011 - 08h21

Expedição Roncador-Xingu II









Por Hiram Reis e Silva

Aproveitamos neste artigo vários trechos da palestra proferida pelo grande mestre e historiador Coronel Altino Berthier Brasil, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, em 31 de outubro de 2002.
 
A Expedição foi organizada rapidamente, em seu efetivo pessoal, armamento, munição, material e abastecimento. Houve grande repercussão da notícia. De São Paulo, do Rio, Minas e de todos os lados surgiram aplausos e ajuda. Nada foi esquecido: médicos, agrônomos, farmacêutico, enfermeiro, almoxarife, encarregado de pessoal, segurança e transportes, encarregado da tropa de muares, selecionados 35 trabalhadores (mateiros), tudo num contingente de 100 homens.
 
Viagens preparatórias foram feitas para os estados de Minas e Goiás, na tentativa de eleger a melhor rota, e listar fontes alternativas de suprimentos de boca, de muares e de outros recursos que se fizessem necessários. Foi feita uma ligação com a Aeronáutica, para o apoio devido, bem assim, com o SPI, que colaborou com especialistas em indigenismo. Dois meses levou essa preparação. Os meios foram concentrados, inicialmente em São Paulo, sendo a partida marcada para o dia 9 de agosto de 1943. Todos os homens sabiam qual era a sua função, a sua posição hierárquica, o que se esperava de cada um, os riscos, as rígidas condições de trabalho e de disciplina, e até os salários e recompensas a que faziam jus. Houve uma missa solene na igreja de São Bento, oportunidade em que as senhoras paulistas ofereceram uma bandeira nacional-estandarte.
 
Dali, já na parte da tarde, a Expedição tomou um trem especial cedido pelo Governo de São Paulo, composto de 19 vagões abarrotados de pessoal e material, inclusive muares, cavalos, cachorros, caminhões, barcos, carroças, motores, e partiu para o sertão. O primeiro objetivo era Uberlândia, no triângulo mineiro, último ponto para a viagem via ferroviária, e que foi alcançado 3 dias depois da partida. Em Uberlândia já havia sido montada a 1ª Base, que iria centrar as comunicações, controlar e regular o traslado da carga do trem para os caminhões. Foram carregados 5 caminhões, barcos, e mais viaturas automóveis, com tudo o que se fizesse necessário para o longo trecho de 900 km a ser vencido, até a barra do rio das Garças com o Araguaia (hoje Aragarças). Ali deveria ser construído um campo de pouso e montada a 2ª Base de reajustamento da coluna.
 
Já na Base de Aragarças, Vanique soube da criação da Fundação Brasil Central (Dec. Lei 5.878, de 04.10.1943), que deveria incorporar o acervo e gerir administrativamente a Expedição Roncador-Xingú, a qual, contudo, continuaria sua missão, com autonomia nos seus trabalhos. A Fundação recém formada tinha a seguinte finalidade; constituir-se em um órgão autônomo para operar à retaguarda da Expedição Roncador-Xingú, aproveitando o êxito da mesma, e completando as operações de povoamento. Deveria criar indústrias, estimular a agropecuária, e preparar núcleos de civilização com estrutura para fixar, no mínimo, 200 famílias por ano. A medida tomada pouco influiu no trabalho da Expedição Roncador-Xingú a não ser um alívio nas suas numerosas tarefas. (BERTHIER)
 
O subchefe da expedição, Francisco Brasileiro, e o médico Inácio da Silva Telles, propuseram ao Ministro João Alberto alcançar o destino, estimado em 3 mil quilômetros em 10 meses. A ideia foi considerada impraticável pelo Ministro e os paulistas abandonaram a expedição. Vinte expedicionários retornaram a São Paulo, entre eles o padre Hipólito Chevelon, a equipe foi, então, suplementada por sertanejos. A jornada de trabalho dos desbravadores se estendia das 5h30 até as 17h30, com intervalos para refeições e descanso.
 
Meses depois, o rio Araguaia foi transposto, e daí em diante, o percurso rumo ao noroeste só podia ser feito a pé, com auxílio de muares. Penetrando em Mato Grosso, o próximo objetivo era o rio das Mortes, que foi alcançado depois de penosa jornada de alguns meses (O rio das Mortes, um belíssimo curso d’água, tem esse nome injusto, porque, em 1682, o bandeirante paulista Antônio Pires Campos aí chegou e chacinou centenas de índios Carajás e Araés).
 
Ali foi construído o acampamento e montada a 3ª Base (Xavantina), também dotada de campo de pouso. Sempre entusiasta da Expedição, o Presidente Vargas fez uma histórica visita a Xavantina (aqui surgiu a primeira idéia da futura rodovia Cuiabá-Santarém). Após o descanso da tropa, o reajuste do equipamento e a reparação do material, a Expedição partiu para a etapa seguinte, mais difícil ainda.
 
Além das doenças e das feridas, os homens eram vítimas agora de novo mal, o Amouco, (Amok, de Stephan Zweig). É pior que o Banzo de nossos escravos africanos. Costuma atacar a pessoa que sai da civilização para uma região selvagem, a qual fica acometida de uma loucura repentina, que tanto pode levá-la ao crime, como ao suicídio. Mais de um caso aconteceu na Expedição. (BERTHIER)
 
No dia 14 de abril de 1944, foi lançando o marco número um da Expedição, a Vila de Xavantina. A descoberta de minas de barro motivou a construção de uma olaria que iria fornecer telhas e tijolos para a construção das futuras casas. Foram construídos a pista de pouso, casas, ambulatório, almoxarifado, e outras construções no local conhecido hoje como Xavantina Velha. O Coronel Vanique trouxe sua esposa Alda e os outros expedicionários ficaram entusiasmados pensando em fazer o mesmo. Mas o suicídio de Dona Alda, vítima de depressão, arrefeceu o ânimo de todos. O coronel Vanique não tinha mais condições de manter-se à testa da Expedição e acabou sendo afastado. Em seu lugar ficou Orlando Vilas Boas, responsável pelo prosseguimento da penetração para além do Rio das Mortes.
 
Dai em diante, foi passando a chefia ao Sr. Orlando Vilas Boas, a quem transferiu a responsabilidade de cruzar o rio das Mortes e dar prosseguimento à marcha da coluna. Só depois de dois longos anos após ter deixado Xavantina, é que a Expedição chegou exitosa ao alto Xingu. Ali acampou, e como sempre, construiu um campo de aviação. Ali foi montada a 4ª Base, e um Posto Indígena, que existe até hoje, e no qual trabalhou o sertanista Ayres Câmara Cunha (que em 1954, casou-se com a índia Kalapalo Diacui, em cerimônia ruidosa na Igreja da Candelária).
 
Na progressão, a Expedição passou a cumprir o mais longo e o mais difícil trajeto. Depois de detalhado reconhecimento aéreo, partiu do Xingu pelo itinerário mais praticável aberto na selva, atravessando rios e charcos letais, até atingir Cachimbo, e aí também construir o campo de pouso. Era a 5ª base, chamada Cachimbo (famosa em nossa história recente - Insurreição do Coronel Veloso, da Aeronáutica, no tempo do Presidente JK [*1]).
 
Veio, então, a etapa final. Atravessou a grande Serra do Cachimbo e partiu para construir mais um campo e montar a 6ª Base, de Jacareacanga, na margem esquerda do rio Tapajós. Nesse mesmo ano de 1946, parte de Jacareacanga para o sonhado objetivo de Santarém e Manaus, agora, porém, por via do transporte aéreo, oferecido pelos Douglas DC-3, da FAB. Foram seis anos de penosa jornada, para cumprir um trajeto de 3.000 km. A Expedição deu por cumprida a sua heróica tarefa. Ainda desta vez, orgulhoso, o Presidente Vargas compareceu ao local, e grande comemoração foi feita na base do Rio Xingu. No país inteiro, e mesmo no mundo, a repercussão foi grande. (BERTHIER)
 
Concluída a Expedição, o Coronel Vanique voltou a desempenhar a função de Professor, da Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre (EPPA), onde permaneceu até passar para a inatividade. Teve um casamento em segundas núpcias com a Sra. Dolores Martins Vanique, com a qual teve dois filhos: Sérgio (falecido) e Ricardo Martins Vanique, fazendeiro, residente em Bagé. O Coronel Flaviano de Mattos Vanique era natural de Bagé, tendo nascido em 26 de julho de 1904. Pertencia à arma de Cavalaria, antes de ingressar no Magistério Militar.
 
–  Memórias de um Pioneiro
 
Um dos membros da expedição, João de Deus, Chefe da Turma que abriria a primeira picada na mata, faz um interessante relato, escrito por Ulisses Capozoli que pode ser acessado através do link:
 
http://www.achetudoeregiao.com.br/MT/nova_xavantina/historia_2.htm
 
O número III desta série reportará na integra a reportagem de Ulisses Capozoli que conta a Saga da Expedição Roncador-Xingú, revivida por Orlando Villas Boa.
 
–  Blog e Livro
 
Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.
 
O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede virtual da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.
 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link: http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.
 
[*1] (vide link: http://www.pantanalnews.com.br/contents.php?CID=59977)


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E–mail: hiramrs@terra.com.br
 


Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

 

Siga as notícias do Portal Pantanal News no Twitter:
www.twitter.com/PantanalNews

Compartilhe


Deixe o seu comentário

Todos os campos obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.

Nome:

E-mail:

Seu comentário:
Sistema antispam

Digite aqui o código acima para confirmar:


 

zap2
Comentários
adriano amorim, em 22/08/2011 - 16h54

Ola a tds, sou fa dos IRMAOS VILLAS BOAS me chamo adriano sou filho de sertanista eu moro em area indigena eles me chama de PEKWA queria muito se posevel fo participar de outra expediçao xingu, fiquei muito emocionado ver no fantastico, quero muito participar cem fins lugrativos de nova expetiçao juntamente com os netos dos sertanista e filhos nao tenho serta intimidade com informatica, apenas conhecimento no mato fechado sem estrumento,obrigado atds

 
Últimas notícias do canal
24/04/2017 - 09h53
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte V
20/04/2017 - 15h12
Adolescentes em risco de suicídio e o jogo da Baleia Azul
18/04/2017 - 15h00
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte IV
18/04/2017 - 14h55
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte III
18/04/2017 - 14h50
Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte II
 
Últimas notícias do site
27/04/2017 - 15h06
Rádio Independente de Aquidauana recebe "Moção de Congratulação" do deputado estadual Paulo Siufi por processo de migração para FM
27/04/2017 - 15h03
Em MS, 27% dos contribuintes ainda não entregaram declaração do IR 2017
27/04/2017 - 07h10
Chuva em municípios de MS passou dos 50 mm e derrubou temperaturas
27/04/2017 - 06h31
Confira as ocorrências dos Bombeiros das últimas horas
27/04/2017 - 06h24
No primeiro frio do ano, quinta-feira amanhece com mínima de 9°C em MS
 

88

Untitled Document
 ® 2009  

CPN - Central Pantaneira de Notícias
PantanalNEWS - Marca registrada 1998-2009
Todos os direitos reservados.