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Artigos - 02/08/2011 - 15h05

68º Aniversário do Afundamento do U-199






Por Hiram Reis e Silva

Recebi por e-mail uma oportuna pesquisa realizada pelo Tenente Sérgio Pinto Monteiro a respeito do afundamento do submarino U-199 que faço questão de partilhar com os leitores. Ao volver nossos olhares para um passado de tantas glórias e sacrifícios conseguimos esquecer, ainda que momentaneamente, as brumas da desesperança, da corrupção e do desgoverno que se abatem sobre nossa pobre Nação.
 
-  Tenente Sérgio Pinto Monteiro
 
O autor da pesquisa é professor e Tenente da Reserva Não Remunerada do Exército Brasileiro, presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil, Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, do Instituto Campo-Grandense de Cultura e autor do livro “O Resgate do Tenente Apollo”.
 
-  Tenente Torres: A Vitoriosa Reserva da FAB
 
20 de janeiro de 1941. O Presidente do Brasil, Getúlio Vargas, pelo Decreto-Lei nº 2.961 cria uma Secretaria de Estado com a denominação de Ministério da Aeronáutica, incorporando as aviações Naval (da Marinha de Guerra) e Militar (do Exército).
 
A II Guerra Mundial, iniciada em 1º de setembro de 1939, incendiava a Europa. O governo brasileiro, ainda em posição de neutralidade, se preparava para a necessidade de uma eventual defesa do país. (...)
 
Tudo era por demais urgente. Inclusive, e principalmente, a formação de novos oficiais-aviadores. Pouco mais de dois meses após a criação do Ministério da Aeronáutica, surgiram, em 25 de março de 1941, a Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, e a Escola de Especialistas, na Ponta do Galeão, no Rio de Janeiro.
 
A Reserva Aérea, importante segmento de qualquer força armada durante uma guerra, foi alvo de providências imediatas. As Portarias Ministeriais nº 97 (de 20/8/42) e 107/108 (de 19/9/42) criaram três Centros de Preparação de Oficiais-Aviadores da Reserva - CPOR Aer - nas Bases Aéreas do Galeão, São Paulo e Canoas. Tais organizações militares formaram 180 oficiais–aviadores da Reserva entre 1942 e 1945.
 
Simultaneamente, como ação emergencial, o Aviso Ministerial nº 121 (de 19/9/1942) baixou instruções para o envio aos Estados Unidos dos primeiros 200 (duzentos) candidatos a oficiais aviadores da Reserva para formação e treinamento de pilotos. Até o final da II GM, 281 oficiais-aviadores da Reserva foram preparados nas escolas de aviação norte-americanas.
 
Entre os oito primeiros voluntários candidatos a oficiais-aviadores da Reserva nos Estados Unidos estavam os jovens amigos Sérgio Cândido Schnoor e Alberto Martins Torres, que mais tarde seriam responsáveis pelo afundamento de um submarino alemão na costa do Rio de Janeiro. (...)
 
-  U-199, O Lobo Cinzento
 
No final de 1942, a Alemanha começou a lançar novos submersíveis para a sua frota oceânica. O tipo IXD2 tinha como principal missão bloquear, ainda mais, o fluxo de matérias primas necessário ao esforço de guerra de seus inimigos. (...) Considerados, na época, como de última geração, eram capazes de executar patrulhas de ataque em regiões afastadas do Atlântico Sul. (...)
 
O “Lobo Cinzento” U-199 (o submarino era pintado no estilo camuflado nas cores cinza-claro, marrom e azul cobalto, e tinha na sua torre o desenho de uma embarcação viking), partiu de Kiel, em 13 de maio de 1943, chegando à sua área de patrulhamento, ao sul do Rio de Janeiro, em 18 de junho. Durante a investida na costa brasileira, o U-199 fez as seguintes vítimas:
 
27 de junho: disparou três torpedos contra o cargueiro artilhado norte-americano Charles Willson Peale, da Classe Liberty, a 50 milhas ao sul do Rio de Janeiro, errando dois torpedos e danificando o navio com o terceiro. A embarcação respondeu com seu armamento, provocando a fuga do submarino. O navio conseguiu chegar ao porto do Rio de Janeiro;
 
03 de julho:  foi atacado, sem danos, por um avião A-28A Hudson, operando da Base Aérea de Santa Cruz, durante a noite foi atacado e abateu um hidroavião PBM 3 martin mariner do VP-74, esquadrão americano parcialmente baseado no Galeão, comandado pelo Tenente Harold Carey. Toda a tripulação pereceu;
 
22 de julho:  atacou e afundou a tiros de canhão o pequeno barco de pesca brasileiro Shangri-lá, matando seus 10 tripulantes;
 
24 de julho:  atacou e afundou o cargueiro inglês Henzada, de 4.000 ton.
 
-  O Afundamento do U-199 (manhã de 31 de julho de 1943)
 
O U-199, navegando na superfície, avistou um avião ainda distante e o comandante Kraus, na torre, comandou força total à frente e mudança de rota. A tripulação teria entendido mal a ordem e iniciou uma frustrada submersão, que retardou a fuga do submarino. A antiaérea foi acionada. O avião americano, um PBM 3 martin mariner comandado pelo Tenente Walter F. Smith, lançou seis bombas de profundidade MK47 que danificaram o submarino impedindo-o de submergir. Dado o alerta pelo rádio, foi acionada a Força Aérea Brasileira através de um avião Hudson A-28A pilotado pelo Aspirante da Reserva Sérgio Cândido Schnoor, que lançou duas bombas MK17 que explodiram próximas ao alvo, sem, entretanto, provocarem maiores danos. Numa segunda passada, a nossa aeronave metralhou o convés do submarino, atingindo alguns artilheiros das peças antiaéreas.
 
Finalmente, também alertado pelo rádio, surgiu um hidroavião “Catalina” PBY-5 da FAB, pilotado pelo Aspirante Torres que, especialista naquele avião, pode demonstrar toda a sua perícia. Na primeira passagem, com todas as suas metralhadoras .50 disparando, lançou três bombas MK44 . Ele próprio, em seu livro “Overnight Tapachula” (1985, Ed. Revista de Aeronáutica) descreve o ataque:
 
Já a uns 300 metros de altitude e a menos de um quilômetro do submarino podíamos ver nitidamente as suas peças de artilharia e o traçado poligônico de sua camuflagem que variava do cinza claro ao azul cobalto. Quando acentuamos um pouco o mergulho para o início efetivo do ataque, o U-199 guinou fortemente para boreste completando uma curva de 90 graus e se alinhou exatamente com o eixo da nossa trajetória, com a proa voltada para nós. Percebi uma única chama alaranjada da peça do convés de vante, e, por isso, efetuei alguma ação evasiva até atingir uns cem metros de altitude, quando o avião foi estabilizado para permitir o perfeito lançamento das bombas. Com todas as metralhadoras atirando nos últimos duzentos metros, frente a frente com o objetivo, soltamos a fieira de cargas de profundidade pouco à proa do submarino. Elas detonaram no momento exato em que o U-199 passava sobre as três, uma na proa, uma a meia-nau e outra na popa. A proa do submersível foi lançada fora d’água e, ali mesmo ele parou, dentro dos três círculos de espuma branca deixadas pelas explosões. A descrição completa sobre a forma por que as cargas de profundidade atingiram o submarino me foi fornecida em conversa que tive com o piloto do PBM, tenente Smith, que a tudo assistiu, de camarote, e que inclusive me presenteou com uma fotografia do U-199. Em seguida, nós abaixáramos para pouco menos de 50 metros e, colados n’água para menor risco da eventual reação da antiaérea, iniciamos a curva de retorno para a última carga que foi lançada perto da popa do submarino que já então afundava lentamente, parado. Nesta passagem já começavam a saltar de bordo alguns tripulantes. Ao completarmos esta segunda passagem é que vimos o PBM americano mergulhando em direção ao objetivo. Depois saberíamos de onde viera. Transmitimos com emoção o tradicional SSSS - SIGHTED SUB SANK SAME - em inglês, usado pelos Aliados para dizer: submarino avistado e afundado - e ficamos aguardando ordens, sobre o local. Em poucos segundos o submarino afundou, permanecendo alguns dos seus tripulantes nadando no mar agitado. Atiramos um barco inflável e o PBM lançou dois. Assistimos aos sobreviventes embarcarem nos três botes de borracha, presos entre si, em comboio. Eram doze. Saberíamos depois que eram o comandante, três oficiais e oito marinheiros.
 
Era o fim do “lobo cinzento”, primeiro submarino do tipo IXD2 a ser afundado na II GM. Sobreviveram 12 tripulantes, resgatados pelo navio-tender americano USS Barnegat, (o mesmo que socorreu os náufragos do U-513, recentemente localizado no litoral de Santa Catarina), tendo sido encaminhados a uma unidade prisional em Recife e posteriormente enviados aos Estados Unidos. Alguns destes relatos foram obtidos do interrogatório dos tripulantes por autoridades americanas. O comandante Kraus negou o ataque do dia 3 de julho ao PBM3 martin mariner, afirmando que a aeronave explodiu antes de ser atingida pela antiaérea, o que parece improvável.
 
O Tenente R/2 Torres foi o único piloto brasileiro que, comprovadamente, afundou um submarino alemão. Pelo feito, recebeu do governo americano a DFC - Distinguished Flying Cross (Cruz de Bravura).
 
No início de 1944, o Tenente Torres deixou o 1º Grupo de Patrulha, seguindo como voluntário para servir no 1º Grupo de Aviação de Caça, que iria combater na Itália. Dos 49 pilotos brasileiros que entraram em combate na Europa, treze eram oficiais R/2. A Esquadrilha de Ligação e Observação - 1ª ELO - tinha onze aviadores, dos quais quatro eram da Reserva. Dos nove aviadores que deram suas vidas à pátria no cumprimento do dever, um era R/2. O Aspirante-Aviador da Reserva Frederico Gustavo dos Santos, em 13 de abril de 1945, foi vitimado pela explosão de um depósito de munições alemão, que ele próprio metralhara, nas proximidades de Udine. Segundo relato do Brigadeiro Rui Moreira Lima (94 missões de guerra), “o Aspirante Santos conseguiu saltar da aeronave em chamas, mas faleceu na queda e foi enterrado pelos soldados alemães”. Um inimigo anônimo, a partir de um estojo de munição de 20 mm, afixou, em alemão, na placa que assinalava a sepultura: "Homenagem ao Aviador Morto em Combate".
 
–  Blog e Livro
 
Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da “Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.
 
O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre.
 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E–mail: hiramrs@terra.com.br


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