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Artigos - 15/07/2011 - 07h45

Atolado em denúncias de corrupção, prefeito de Aquidauana diz que ‘o momento é para gigantes’




Arquivo Pantanal News/8 Abr 2011

Atolado em um mar de denúncias de corrupção contra o seu governo, Fauzi Suleiman chora no dia do seu afastamento do cargo de prefeito
Por Armando de Amorim Anache (*)

 

O prefeito de Aquidauana, 135 quilômetros a oeste de Campo Grande, Fauzi Suleiman (PMDB), envolvido e atolado em denúncias de supostos atos de corrupção no seu governo, feitas pelo Ministério Público e acolhidas pelo juiz da 2ª Vara Cível da Comarca, escreve em um ‘site’ de relacionamento, onde mantém perfil, que “o momento é para gigantes”.

Fauzi Suleiman, eleito graças à intervenção gigantesca do governador André Puccinelli (PMDB), nas eleições de 2008, insiste em não querer ver aquilo que está bem à sua frente. Se olhasse para um espelho, Suleiman veria o único responsável por tudo o que ocorre no seu ‘governo municipal de Aquidauana’: a imagem refletida dele próprio.  Para quem não sabe, ‘governo municipal de Aquidauana’ é o nome pomposo que ele próprio escolheu, em substituição ao consagrado e popular termo “Prefeitura de Aquidauana”, como se pudesse haver “governo estadual de Aquidauana” ou, ainda, “governo federal de Aquidauana”. Vaidade. Coisas de pessoas pomposas, pedantes, pretensiosas.

Os seus próprios seguidores, alguns assessores próximos e secretários – agora chamados, também pomposamente, de “gerentes municipais” – afirmam à reportagem, com a garantia de não terem os seus nomes revelados, que o “governante municipal”, como ele prefere ser chamado, ao invés do popular termo “prefeito”, sofre de exagerada teimosia. “É muito turrão, não ouve ninguém; a não ser o seu concunhado, o gerente de Saúde Paulo Reis”, dizem alguns colaboradores, com a garantia do sigilo da fonte.

Na semana passada Paulo Reis foi, mais uma vez, afastado da secretaria (gerência) de Saúde, por força de decisão do juiz da 2ª Vara Cível de Aquidauana, José de Andrade Neto. Sobre as acusações feitas, ele alega inocência.
Incensado por alguns áulicos, desde o início do seu “governo municipal”, o prefeito, ou “governante municipal”, como ele prefere – o governador Puccinelli seria, então, o “governante estadual” e a presidenta Dilma a “governante federal”; Ah, se a moda pega! – Fauzi Suleiman apresenta-se como o “melhor em tudo”: Ele garante ter se preparado, nos oito ou 12 últimos anos, antes das eleições de 2000, 2004 e 2008, para ser prefeito, ou “governante municipal”. Nas entrevistas, diz que os seus secretários (“gerentes”) e assessores são “os melhores jamais vistos em Aquidauana”.

Para ele, tudo o que acontece de ruim é debitado na conta dos “coronéis”. Na entrevista coletiva, que concedeu no fim da tarde de 19 de abril, depois de reassumir o cargo de prefeito (ou “governante municipal”), do qual fora afastado por 180 dias, pelo juiz José de Andrade Neto, em consequência de denúncias de corrupção apresentadas pelo vereador Wezer Lucarelli (PSD) ao promotor José Maurício de Albuquerque, nominou dois deles: os seus adversários políticos e irmãos Zelito (Sem partido) e Odilon Ribeiro (PDT), tios do ex-prefeito de Aquidauana (2000 a 2008) e atual deputado estadual Felipe Orro (PDT).

O prefeito não quer admitir, no entanto, que o maior culpado por tudo o que acontece ao seu redor, inclusive as inúmeras denúncias de supostos atos de improbidade administrativa e de corrupção, é ele próprio.

Na Capital, sede do Governo do Estado, comentários são ouvidos em todos os lugares. Novamente, como em Aquidauana, as pessoas próximas ao poder pedem o sigilo da fonte. “Ele [Suleiman] não quer ouvir quem tem mais experiência.” “O prefeito prefere a presença de estranhos, que até ontem atacavam a ele e à sua família, principalmente na época das eleições de 2008, do que aqueles que sempre foram seus companheiros; esse é um grande equívoco político.” “No ano que vem é que veremos. Ele [Fauzi] deverá chamar, para comandar a sua reeleição, aqueles que o chamavam de ‘bolicheiro’, ‘redeiro’, ‘comerciante sem nenhuma experiência em administração pública’, ‘muçulmano’ etc. Não conte comigo e nem com o meu grupo de amigos.” Esses são alguns comentários.

Fauzi Suleiman tem, na sua equipe, excelentes nomes. Outros, no entanto, são fracos, inexpressivos politicamente. Falta ao prefeito (“governante municipal”), principalmente; e também à sua equipe, o necessário “jogo de cintura” que os verdadeiros líderes devem ter. É preciso aprender a conversar, mudar, negociar politicamente – sempre dentro daquilo que é permitido pela Lei – e, acima de tudo, parar de achar que é infalível. Só Deus tem esse predicado.

É preciso, como disse em 2008 um grande político de expressão no Mato Grosso do Sul, ter “jogo de cintura”. Não para fazer coisas erradas, ilegais ou imorais, mas para administrar com tranquilidade, ouvindo mais e com humildade as críticas construtivas; e, menos, os áulicos do palácio, interessados apenas em manter seus próprios privilégios individuais, em detrimento da coletividade.
Ainda há tempo, prefeito (“governante municipal”) Fauzi Suleiman.

Ouça mais os verdadeiros anseios do povo que o elegeu, e que não come lagosta e nem caviar ou camarão – como fazem alguns deslumbrados “novos ricos” ou vaidosos políticos quando assumem o governo – e que ainda vive embaixo das lonas pretas. Não dê importância gigantesca aos bajuladores de plantão. Como escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.”

Mantenha a sua base na Câmara de Vereadores, onde o seu líder entregou o cargo, reclamando da falta de atenção ao Legislativo, por parte dos seus “gerentes” e “assessores”, que nem ao menos enviavam subsídios para que o seu “governo municipal” fosse minimamente defendido no Plenário Estevão Alves Ribeiro.

Prefeito Fauzi Suleiman, antes que “Vossa Excelência” mande sacrificar um galo, como na Atenas antiga, para oferecê-lo ao deus Esculápio, que seria o responsável pela cura da fadiga e dos males da vida, diga em alto e bom som, a todos que o cercam, imitando o filósofo Sócrates, um verdadeiro gigante que preferiu morrer a fugir: “Só sei que nada sei”, disse ele antes do fim, em 399 A.C., reagindo ao oráculo de Delfos, que dissera ser ele o mais sábio dos homens.

E, ainda sobre “gigantes”, Aquidauana abriga um povo honesto, trabalhador, com muitas tradições e glórias. O aquidauanense não é um liliputiano, como no livro de Jonathan Swift (1667-1745), “As aventuras de Gulliver”. Em Lilipute, o imperador escolhia os seus auxiliares promovendo concursos para saber quem dançava ou pulava melhor. O seu ‘grande tesoureiro’, por exemplo, foi escolhido para a função porque era um perito em saltos mortais. Gulliver, um homem normal, perdido em Lilipute, terra de homenzinhos com pouco mais de 15 centímetros de altura, era um gigante para todos. Tentou ensinar coisas boas, novas práticas políticas, mas não foi reconhecido.
Isaac Newton revelou: “Se fui capaz de ver mais longe, é porque me apoiei em ombros de gigantes.”

Arrume logo um ou vários gigantes, prefeito Fauzi Suleiman. Suba nos ombros deles. Veja o que realmente está acontecendo ao seu redor. Afaste-se dos liliputianos (hoje, sinônimos de pessoas mesquinhas, medíocres e sem grandeza).
 
(*) Jornalista e radialista
 
Abaixo, o “outro lado”, ou as palavras do prefeito de Aquidauana, Fauzi Suleiman (PMDB), em artigo publicado no ‘site’ de relacionamento, na internet, às 8h13 desta quinta-feira (23):
 
O momento é para gigantes

Por Fauzi Suleiman


A atitude do prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, esta semana, dá a dimensão das dificuldades por que tem [sic] passado os prefeitos que assumiram o mandato em 2009. Nelsinho administra pela segunda vez a principal cidade de [sic] MS, uma cidade que vem de uma sequência de administrações bem sucedidas, uma cidade que bate sucessivos recordes de captação e investimentos de recursos públicos e privados e, apesar disto [sic], seus problemas se avolumaram de tal maneira que o prefeito "dar um murro na mesa"[sic].

Desde 2009, a realidade para nós prefeitos, que nunca foi fácil, tem sido ainda muito mais dura: queda de arrecadação, imposição de mais responsabilidades e despesas por parte do Governo Federal, investimentos federais truncados, frigoríficos fechados, desastres climáticos.

Apesar de todas estas [sic] dificuldades Aquidauana vive, com 2 anos e meio de meu mandato, um momento de otimismo e esperanças: os maiores programas de pavimentação e habitação de nossa história estão em execução; ampliação e melhoria dos serviços públicos; recuperação e construção de novas unidades de saúde; reforma de todas as nossas escolas; qualificação profissional gratuita para 2 mil trabalhadores; apoio à agricultura familiar; atração de novas empresas; políticas fortes para o turismo, a cultura e o esporte; articulação do governo municipal com a sociedade organizada; cidade limpa e organizada num padrão que poucas vezes teve.

Sei que na história não existe a palavra “se”, mas seria interessante imaginarmos como estaria Aquidauana neste momento de tantas dificuldades para as prefeituras, se ela estivesse nas mãos daqueles que sempre a governaram dentro dos padrões da mesmice. Para começar será que aguentariam 5 minutos das críticas que me fazem sem parar 24 horas por dia desde que assumi [sic]? O momento é para os que tem [sic] estrutura espiritual, visão de futuro e não se deixam abalar. O momento é para gigantes.

Cada vez com mais clareza Aquidauana vai perceber que a Prefeitura está ocupando hoje o papel que deveria cumprir sempre [sic]: de ser um elemento dinâmico, aberto, democrático, capaz de receber e encaminhar soluções para os problemas da sociedade.

Com a confiança de nosso povo, apoio da classe política, imaginação administrativa, equipe, tenacidade e muito trabalho vamos vencendo as dificuldades e construindo a cidade que habita nossos sonhos.

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões.
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