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Artigos - 23/06/2011 - 08h45

A Ilha Encantada de Parintins




Por Hiram Reis e Silva

Na minha última descida pelos caudais amazônicos aportei na linda Parintins no dia 5 de janeiro deste ano, véspera de meu aniversário. Em homenagem ao tradicional Festival Folclórico de Parintins, escrevemos o presente artigo. O festival que será transmitido, com exclusividade, pela Band nos dias 24, 25 e 26 é o segundo maior evento do país e, certamente, o mais belo do mundo.
 
- Emoção Sexagenária
 
Graças ao Coronel de Engenharia Aguinaldo da Silva Ribeiro, eu estava desfrutando do apoio da zelosa tripulação do B/M Piquiatuba. Para quem, como eu, já desceu o Rio Solimões de caiaque, sem qualquer tipo de apoio, é fácil perceber a importância desses verdadeiros guardiões que não me perderam de vista um segundo sequer. Graças a um equipamento de rádio doado ao projeto pelo meu amigo Wanrley dos Anjos Perazzo o contato verbal foi feito sem a necessidade de aportar ou de me aproximar da embarcação de apoio. A par da competência de cada um dos tripulantes, cabe ressaltar o respeito e o carinho deles para comigo e acredito, piamente, que mais que uma missão de apoio eles assumiram o papel de meus verdadeiros anjos da guarda.
 
O Comandante do Batalhão da Polícia Militar de Parintins, Major Túlio Sávio Pinto Freitas foi me visitar a bordo e colocar-se à disposição. O Túlio é uma criatura alegre, comunicativa e extremamente prestativa, cujo sotaque e o comportamento lembram um típico gaúcho de campanha. Graças a ele fomos acomodados, gratuitamente, no Hotel Avenida, na Avenida Amazonas, de propriedade do senhor Mário Flávio Andrade de Souza. Depois de percorrermos a cidade de chimarrão em punho o Túlio foi à missa e eu fui buscar os apetrechos necessários no Piquiatuba para o pernoite no Hotel. A equipe de apoio tinha preparado uma comemoração ao meu natalício, recebi de presente o belo livreto “Entoada” que traz no seu bojo as letras e as músicas deste mago da poesia chamado Tadeu Garcia. Eu já estava bastante emocionado e tentava voltar, imediatamente, para meu refúgio emocional, mas o pessoal de bordo me preparou mais uma peça e quando desci para o convés inferior a mesa de aniversário estava posta com velinhas e tudo. Depois dos parabéns uma surpresa que absolutamente não esperava, a tripulação me presenteou com uma miniatura personalizada do Piquiatuba. Guardarei com muito carinho esta recordação que representa não apenas mais uma Fase do Projeto Rio-mar, mas, sobretudo, materializa a conduta irrepreensível desta “Tropa de Elite” do 8º Batalhão de Engenharia de Construção.
 
O Comandante Túlio colocou à nossa disposição uma viatura da PM, conduzida pelo Sgt Klinger, permitindo-nos conhecer os pontos turísticos mais importantes da bela cidade. Visitamos a Catedral Nossa Senhora do Carmo, projetada na Itália, fundada em 31 de maio de 1962. A Catedral possui uma monumental torre de 40 metros de altura e base quadrangular que é igualmente revestida de tijolos aparentes. A Igreja de São Benedito, primeira Igreja de Parintins, fundada em 1795, pelo Frei José das Chagas e demolida em 1905. Foi construída, em 1945, no seu lugar, a capela de São Benedito. A atual Igreja do Sagrado Coração de Jesus, fundada em 1945, chamava-se Igreja Nossa Senhora do Carmo, e teve seu nome alterado depois da construção da nova catedral, em 1962. Fica localizada na Praça Sagrado Coração, em frente ao colégio Nossa Senhora do Carmo, o mais tradicional de Parintins. Depois de nosso tour religioso fomos conhecer o Bumbódromo onde se realiza o Festival Folclórico de Parintins e que abriga durante o restante do ano uma escola municipal com 18 salas de aula. Concedi uma entrevista à Rádio - TV Alvorada e Rádio Clube de Parintins onde fomos entrevistados pelo repórter Tadeu de Souza.
 
Reportagem de Tadeu de Souza (Blog)
 
CORONEL DESAFIA O RIO MAR
Parintins – O coronel Hiram, na foto com o subtenente Klinger, da arma de Engenharia, é gaúcho, professor do Colégio Militar de Porto Alegre e Ir:. do atual comandante da PM, Major Túlio, serviu na Amazônia e por ela se apaixonou. Na reserva, ele dá sequência a mais uma etapa de um sonho: descer o rio Amazonas de Caiaque. O Projeto chama-se “Desafiando o Rio-mar”. Agora, a pouco ele esteve no programa “Portal Em tempo”, da Rádio Clube, e falou sobre essa nova fase do projeto que termina em Santarém, no Pará, de onde ele retorna a Porto Alegre para iniciar a redação dos depoimentos que ouviu durante a viagem. “Vamos transformar tudo em livro”, afirmou.
 
Entrevista com Dona Ângela
 
Meu marido sempre foi Garantido. Só nossa família ajudava o boi com dinheiro. Meu filho foi o primeiro apresentador oficial do Garantido.
 
Dona Maria Ângela de Albuquerque Faria, hoje com 88 anos, nasceu em Belém do Pará e mudou-se com o marido, José Pedro Faria, já falecido, para Parintins, em 1953. Dona Ângela está acostumada a receber visitas e nos recebeu com muito carinho. Mostrou os aposentos de sua casa e o pátio onde, é lógico, o vermelho tem posição de destaque. Muito alegre e comunicativa nos fez assinar um dos inúmeros cadernos onde guarda com carinho as mensagens de todos que a visitam.
 
Eu sou Maria Ângela de Albuquerque Faria, mãe do Paulo Faria, sou Garantido há setenta anos. Aqui na minha casa é tudo vermelho, eu amo o boi Garantido eu amo o nosso presidente. Toda a nossa família é Garantido que é o boi mais lindo e que ficou conhecido mundialmente por duas músicas – o “Tic-tic-tac” e  “Vermelho”. Na minha casa já veio meio mundo felicidades a todos.
 
Tic-tic-tac: a toada composta por Braulino Lima, gravada em 1993, tornou-se sucesso internacional, em 1997, com o Grupo Carrapicho. A toada fazia parte da temática do Garantido em 1993, “Rio Amazonas, este rio é minha vida”. O “Tic-tic-tac” é o som das caixinhas de guerra, que, junto com o tambor, marcam o ritmo do boi-bumbá. Um produtor francês, em 1996, ouviu a toada cantada pelo Grupo Carrapicho e resolveu lançá-la na França. O sucesso foi enorme e a toada depois de encantar o público europeu retornou e conquistou o coração dos brasileiros.
 


Bate forte o tambor
Eu quero é tic tic tic tic tac
Bate forte o tambor
Eu quero é tic tic tic tic tac
 
É nessa dança que meu boi balança
E o povão de fora vem para brincar
É nessa dança que meu boi balança
E o povão de fora vem para brincar
 
As barrancas de terras caídas
Faz barrento o nosso rio-mar
As barrancas de terras caídas
Faz barrento o nosso rio-mar
Amazonas rio da minha vida
Imagem tão linda
Que meu Deus criou
 
Fez o céu, a mata e a terra
Uniu os caboclos
Construiu o amor
 
Fez o céu, a mata e a terra
Uniu os caboclos
Construiu o amor
 
Bate forte o tambor...


 
Vermelho: a toada foi composta pelo compositor Chico da Silva, em 1996. O Chico, durante a gravação do CD, se desentendeu com a diretoria do Garantido e retirou sua toada da lista de seleção. A toada mesmo antes de ser executada nas rádios, já era conhecida em todo o Amazonas. Finalmente a diretoria entrou em acordo com o Chico e a toada fez sucesso em todo o Brasil. A toada foi a música mais executada nas rádios do Brasil naquele ano e ultrapassando as fronteiras nacionais virou sensação do “Festival do Avante em Portugal”.
 


A cor do meu batuque
Tem o toque e tem
O som da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão
 
O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor
o brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha cor
Vermelho
 
Meu coração é vermelho
Hei, hei
De vermelho vive o coração
Ê, ô, ê, ô
 
Tudo é Garantido após
A rosa avermelhar
Tudo é Garantido
Após o sol vermelhecer
 
Vermelhou no curral
A ideologia do folclore
Vermelhou
 
Vermelhou a paixão


 
O Paraíso de Manuel Joaquim Coelho Lima
 
A única prisioneira deste divino lugar é a nossa felicidade. (Joaquim Lima)
 
A jornada ganhou um colorido muito especial depois que minha amiga Rosângela pousou, à noite, em Parintins, a inspiração para escrever voltou, as cores ganharam novos matizes e os sons melodias originais. Na manhã seguinte resolvemos dar um passeio a pé para conhecer os Currais do Garantido e Caprichoso. Estávamos retornando do passeio quando encontramos o casal Joaquim e Ester que nos convidaram para tomar o café em sua casa. Conhecêramos Ester quando fomos comprar algumas lembranças na sua loja e acabamos conhecendo o escritório do esposo Joaquim ao lado de sua loja. A maneira de tratar e o bom gosto do amável e empreendedor casal cativaram-nos de imediato.
 
Sua residência mais parece um belo parque temático. As alegorias que serviram de temas para o Festival do Boi dão um toque especial ao bem cuidado jardim. Já havíamos avistado peças como estas adornando jardins e muros de logradouros públicos e residências particulares de Parintins. Os moradores as adquirem, em leilão, ao término do Festival. Logo na entrada da residência dos Lima pode-se ler o Parágrafo Único do Artigo IV de “Os Estatutos do Homem” do poeta Thiago de Mello, amigo pessoal do Joaquim.
 
“O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino”.
 
O casal nos mostrou seus jardins e depois do café na varanda de sua agradável morada, uma casa de campo plantada em uma paradisíaca área de mais de um hectare, nos limites da cidade, fomos conhecer a Vila Amazônia, cuja história dedicarei o próximo capítulo.
 
Entrevista com o Sr Manuel Joaquim Coelho Lima
 
O amigo Joaquim é um homem fantástico, educado, de fala mansa e de uma experiência de vida que serve de exemplo para todos nós. Sua determinação e amor aos estudos transformaram aquele menininho que vendia picolés para sobreviver em um dos pilares mais importantes da sociedade de Parintinense. Foi realmente um privilégio conhecê-lo e à sua esposa Ester ainda que por breves momentos na nossa passagem pela Ilha de Tupinambarana. Na nossa próxima descida pelo Madeira e Amazonas pretendemos, novamente, encontrar os queridos amigos de Parintins. Reproduzo, abaixo, a entrevista que o Joaquim nos concedeu no seu belo escritório de contabilidade.
 
Nasci em 1958, sou o primogênito de uma família de 14 irmãos, minha mãe era professora rural e o meu pai era um simples carpinteiro. Passávamos dificuldades, tínhamos poucos recursos, a família crescia, todo ano nascia um irmão e aos 8 anos de idade tive que trabalhar na cidade, naquele tempo não tinha conselho tutelar nem nada, eu vendia picolé e pão doce. Duas irmãs foram trabalhar como empregada doméstica.. Era uma situação difícil, no início dos anos 60, mais ou menos.
 
Comecei a estudar e meu pai teve que ir para o garimpo, no garimpo ele fumava e bebia, eu acho que no garimpo ele era obrigado a fumar alguma coisa muito forte, ele era mergulhador, mergulhava para buscar ouro lá no fundo. Muitas vezes as pessoas eram obrigadas a beber e fumar, um dos critérios para ir para lá era ser maluco assim. Então o meu pai praticamente desapareceu por lá, na época eu estava no exército, tive a sorte de ir para o exército com 17 anos, por um erro na data de nascimento, quando cheguei em São Gabriel eu estava com 17 anos e eu achava que tinha 18. Quando fiz meus exames para o exército, aqui em Parintins, a Fundação Estadual de Saúde Pública disse que não tinha a minha ficha, e minha mãe me disse:
 
“não tu nunca adoecesse meu filho, tu só pegaste uma cataporazinha, um sarampo, nunca tomou vacina, nunca adoeceu, nada, nada”.
 
Mamãe não tinha tempo, com 14 filhos, e eu era o mais velho e o mais velho precisava ajudar. Morreu um casal de gêmeos e depois outro irmão com problemas simples, sobreviveram 11 filhos.
Eu estava no exército e estava pronto para engajar, quando meu pai desapareceu e minha mãe ficou apavorada, tive de largar tudo e voltei para ajudar mamãe. Mas a família se reuniu e decidiu que nós tínhamos que estudar. Todos os meus irmãos estudaram, cursaram nível médio, hoje uma de minhas irmãs está fazendo doutorado na Austrália, eu fiz minha graduação, minha esposa também, um de meus irmãos é engenheiro, outro sociólogo, um deles está cursando psicologia, uma irmã está estudando e outra concluindo o curso de direito, para nós é uma vitória.
 
A minha mãe sempre foi uma guerreira. Quando minha irmã passou no vestibular de Manaus, ela se mudou para lá porque aqui não tinha emprego e levou os meus irmãos, só fiquei eu e uma outra irmã que é protética e a família toda foi morar em Manaus, fazem mais de 20 anos que moram lá, possuem casa própria e uma situação econômica muito boa, graças a minha mãe, ela é uma guerreira mesmo.
 
Eu fiquei em Parintins, terminei meus estudos, quando conclui meu estudo em 80 eu fiz 3 concursos públicos no Município e passei em todos. Você vê que eu trabalhei de picolezeiro, trabalhei numa loja como vendedor e quando concluí os estudos eu passei no concurso da CESP e depois no concurso do Banco do Estado. Meu sonho era ser bancário, passei no concurso da Caixa Econômica, naquele tempo, década de 80 era um glamour na cidade e com os estudos que eu tive no próprio município, estudando em escola pública e sem aulas de reforço, eu não tinha aula particular para estudar, eu era o mais velho, então eu sentia uma responsabilidade grande, eu não podia beber, eu não podia fumar; o irmão mais velho quando a família não tem um pai passa a ser o modelo dos outros irmãos e isso eu aprendi no exército, ter as coisas organizadas, ter disciplina, isso eu aprendi lá. A Caixa me chamou para trabalhar em Maués, cidade próxima daqui e ser caixa executivo para comprar ouro, uma cidade como Maués, fica a mais ou menos 18 horas de barco daqui.. Quando cheguei lá eu tinha que andar de terno, gravata, era funcionário da caixa.
 
Eu 1980, me formei, e, em 1981, fiz concurso para professor do estado, passei e fui contratado para dar aula de contabilidade, em 1982 fiz concurso e ganhei mais uma cadeira para dar aula no estado, dava aula de contabilidade geral até para ex-colegas meus que não tinham passado, mas eu já trabalhava na contabilidade desde 1974, era auxiliar de escritório contábil, quando fui estudar na faculdade já entendia um pouco e meu professor percebeu minha facilidade, eu tinha notas excelentes e passei nesses concursos que já falei. Eu consegui me superar pelo estudo e olha que foi sofrido, não ter pai e tal.
 
Quando eu estava na Caixa em Maués, usando a tecnologia do banco, naquele tempo já tinha computador, eu trabalhava com telex, com informações.. Liguei para uma moça de Porto Velho e disse que nessa área de garimpo tinha um senhor com as características do meu pai.
 
Depois de aproximadamente quinze anos que eu achava que meu pai estava morto uma colega me disse: que o nome do homem era José Cláudio de Lima e o nome de meu pai é Cláudio de Lima.. A colega procurou e encontrou meu pai, e ele contou que era de Parintins, ela deu meu nome e telefone e, em fim, encontrei meu pai. Só que meu pai já era viciado, era alcoólatra mesmo e ele me disse que em um dos mergulhos ele perdeu a noção de tudo, passou muito tempo em um hospital de Belém e não lembrava de mais nada, só de quando já estava em Porto Velho e precisava fazer os documentos. Fez com outro nome porque não lembrava mais o nome dele e depois eu trouxe ele para cá, então foi uma felicidade muito breve, uma das conquistas que eu tive dentro da Caixa foi essa.
 
Em Maués eu trabalhava, de dia, na Caixa e, à noite, como professor. Foi quando eu conheci e namorei a minha esposa e casamos, em junho, lá em Maués. Depois veio o plano Funaro e extinguiu os postos, o governo teve que fazer uma contensão e acabou com a compra do ouro, fechando a agência em agosto. Depois que a Caixa fechou eu vim para Parintins.
 
Relatos Pretéritos – Parintins
 
Manuel Aires de Casal (1817)
 
Vila Nova da Rainha é mediana e abastada de peixes, junto à embocadura do Maués, paragem vantajosa para crescer. Quase todos os seus habitadores são índios Maués, os melhores mestres na composição do guaraná, cujo vegetal é comum no seu território, igualmente apropriado para a cultura dos cacueiros, já assaz numerosos os plantados. (CASAL)
 
Spix e Martius (1819)
 
Alcançamos, portanto, a 1° de outubro, o registro de Parintins, algumas palhoças ao sopé de uma colina de uns 200 pés de altura, coberta de mata virgem densa, que, de certo modo, pode ser considerado como ponto limítrofe entre as províncias do Pará e do Rio Negro. (...) Em seis horas de viagem, alcançamos aquela Vila, que se acha situada sobre a margem Meridional, 20 pés acima do nível das águas, e meia légua abaixo da foz do furo de Abacaxis ou Rio Maués no Amazonas. (SPIX E MARTIUS)
 
Antônio Ladislau Monteiro Baena (1839)
 
Vila Nova da Rainha: missão situada sobre a terra mediocremente alta de uma Ilha pertencente ao sistema de ilhotas jacentes ao longo da ribeira austral do Amazonas, entre o Rio Madeira e o Rio Tupinambaranas: cuja a Ilha do lado, em que se acha engastada a missão é lambida pelas correntes do Amazonas, que lhe dão um excelente Porto, e pelos outros lados é lavada por uma porção de águas derivada do furo ou canal Urariá e chamada vulgarmente Rio Ramos, que dividindo-se em dois braços entra no Amazonas por cima e por baixo da mesma Ilha, a qual demora 12 léguas acima do Rio Nhamundá, confim oriental da Comarca no Amazonas. (...) Ela deve sua indicativa ou primordial assento a José Pedro Clodovil, que em 1803 congregou um certo número de silvícolas Maués e Mundurucus atraídos com dispêndio seu e trabalho, e lhe deu o nome de Tupinambaranas que quer dizer Tupinambá não verdadeiro: cujo nome foi pelo Governador do Pará o Conde dos Arcos para a denominação atual quando a estabelece ampliando os descimentos, e encarregando de agregar ao redil muitos Gentios e Carmelitas Frei José das Chagas, que então missionava a Povoação de Canumá. Em 3 de setembro de 1818 vinte e nove moradores subscreveram o seu nome em uma petição, que endereçaram a El-Rei para que sublimasse esta missão à graduação de Vila, obrigando-se eles a edificar à sua custa casa de Câmara e cadeia. Também na mesma petição trataram de acompanhar a Câmara da Vila de Silves e dezenove vizinhos da mesma Vila no seu perdimento ao trono de ser constituído o Governo subalterno da Capitania do Rio Negro em Governo Geral, e de lhe criar uma Junta de Fazenda, e de promover para Este novo Governo o Major do Estado Maior do Exército Manoel Joaquim do Paço, que então era o Governador daquela Capitania. A Ilha em que está erguida a missão, não difere das outras do sistema em ser por maravilha fértil: todas são uns torrões, em que a riqueza natural provoca a atividade do homem. (BAENA, 2004)
 
Alfred Russel Wallace (1848)
 
Mas felizmente tudo ficava só no susto, e quatro dias depois chegamos a Vila Nova sãos e salvos. Era um longo caminho o que já havíamos percorrido, e isso deixou-me deveras satisfeito. Na praia, fomos cordialmente recebidos pelo vigário local, o Padre Torquato, que por assim dizer intimou-nos a ficar em sua casa durante o tempo em que ali tivéssemos de permanecer. Não houve como recusar o hospitaleiro oferecimento. (WALLACE)
 
Richard Spruce (1851)
 
Era tarde da noite de 24 de outubro quando chegamos a Vila Nova. (...) A Cidade foi construída no fundo de uma pequena baía, protegida por um rochedo baixo, sob o qual estão empilhados blocos de diorito (rocha ígnea cristalina, granular, comumente de cor verde-escura e constituída de plagioclásio e hornblenda, ricos em silício, piroxênio ou biotita), como os de Santarém. (SPRUCE)
 
Henry Walter Bates (1849; 1854/55)
 
Continuamos nossa viagem e chegamos a Vila Nova, um lugarejo muito espalhado, com cerca de setenta casas, muitas das quais dificilmente mereciam esse nome, já que não passavam de meras choupanas de barro cobertas com folhas de palmeira. (BATES)
 
Robert Avé-Lallemant (1859)
 
Não tardou avistarmos, a uma distância de seis milhas inglesas, na margem direita do Rio, Vila Bela da Imperatriz, outrora chamada Vila Nova da Rainha. Prosseguimos pela margem esquerda, até defronte da Cidade. Atravessamos então a corrente extraordinariamente impetuosa, e logo ancoramos junto à praia da pequena Cidade, para tomarmos lenha. Vila Bela da Imperatriz fica a 20 pés de altura acima do nível mais elevado do Rio, sobre um campo verde, que encosta na floresta por trás da Cidade. (LALLEMANT)
 
Luiz Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz (1865-1866)
 
Vila Bela. 27 de agosto (1866) - Parada de algumas horas, ontem à tarde, em Óbidos para receber lenha. Ninguém desce em terra. Embarcada a lenha, dirigimo-nos diretamente a Vila Bela, situada na outra margem do Rio, na foz do Tupinambaranas. Somos aí cordialmente recebidos pelo Dr. Marcos, um dos antigos correspondentes de Agassiz, que enviou várias vezes exemplares da fauna amazônica para o Museu de Cambridge. Hoje, à tarde, iremos fazer uma excursão de canoa por alguns dos Lagos próximos. (AGASSIZ)
 
– Blog e Livro
 
Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da “Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.
 
O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Pode ainda ser adquirido através do e–mail: hiramrsilva@gmail.com.
 
Para visualizar, parcialmente, o livro acesse o link:
http://books.google.com.br/books?id=6UV4DpCy_VYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false.


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar (IDMM)
Vice Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil - RS (AHIMTB)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
Blog: http://desafiandooriomar.blogspot.com
E–mail: hiramrs@terra.com.br
 


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