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Artigos - 16/02/2011 - 15h29

Desafiando o Rio-mar – Centro Cultural João Fona









Por Hiram Reis e Silva

“O Cavalleiro Carlos Fred. Phil. de Martius, membro da Academia R. das Ciências de Munich, fazendo de 1817 a 1820 de ordem de Maximiliano José, Rei da Baviera, uma viagem scientifica pelo Brazil, e tendo sido aos 18 de setembro de 1819 salvo por misericórdia divina do furor das ondas do Amazonas, junto à Villa de Santarém, mandou, como monumento de sua pia gratidão ao todo poderoso, erigir este crucifixo nesta igreja de nossa Senhora da Conceição, no ano de 1846”.

(gravação, em relevo, na chapa de ferro do Crucifixo de Von Martius).

- Centro Cultural João Fona

O prédio, projetado pelo Major Engenheiro Pereira Sales, começou a ser construído em 1853, foi concluído em 1867 e inaugurado no ano seguinte. É uma bela construção no estilo colonial brasileiro que sofreu pequenas alterações, em 1926, determinadas pelo Coronel Joaquim Braga, Intendente Municipal. No prédio, localizado na Praça Barão de Santarém, centro da cidade, funcionou o Fórum de Justiça de Santarém, o Presídio, a Intendência Municipal, a Prefeitura Municipal e, atualmente, funciona o Centro Cultural João Fona e a Academia de Letras e de Artes de Santarém. O acervo do Centro é composto de cerâmicas tapajônicas, uma herança das populações indígenas que habitaram antigamente a região, objetos históricos da Câmara de Santarém do início do século passado e recebeu, recentemente, o esqueleto de uma baleia Minke que, perdida, encalhou no dia 14 de novembro de 2007 num banco de areia do Rio Tapajós.

- Entrevista Laurimar dos Santos Leal

Depois de me identificar como pesquisador fui levado até os aposentos onde se encontrava o mestre Laurimar Leal. O grande mestre das artes santareno, conhecido nacional e internacionalmente, despertou para as artes aos nove anos. O jovem artista juntava cerâmica e procurava reproduzir, em casa, as obras expostas na Catedral. Com o passar do tempo foi aprendendo sozinho, mas confessa, com certa humildade, que mesmo sendo autodidata recebeu influências de outros artistas. Homem de múltiplos talentos, oriundo de uma família de músicos, Laurimar é ceramista, escultor e pintor. Migrou ainda jovem para o Rio de Janeiro onde sobreviveu como artista de rua e voltou à sua terra atendendo a um pedido do então Prefeito de Santarém Everaldo Martins, onde se dedicou, de corpo e alma à cultura, ao teatro e ao folclore da região. Suas obras estão expostas em Santarém, Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Portugal, França, Espanha e Japão, locais onde coleciona inúmeras homenagens e títulos. Foi responsável pela pintura do interior da Igreja Matriz e pela restauração de várias peças sacras, além da galeria de prefeitos exposta no Centro Cultural João Fona. Hoje, aos 72 anos de idade, o artista cujo talento encanta a todos que conhecem sua arte e é motivo de orgulho para todos os santarenos que viram brotar de suas mãos a própria história de Santarém está cego. Mas com uma força invulgar e uma alegria contagiante ele mesmo afirma: “A gente está sempre aprendendo, por exemplo, agora eu tenho uma aula, uma lição para aprender a viver sem enxergar com o olho da cara, só com este (o terceiro olho)”. Laurimar me presenteou com uma pequena, mas muito agradável e bem humorada entrevista.

O meu nome é Laurimar dos Santos Leal, o meu dos Santos é emprestado porque a minha família foi escrava da família Rodrigues dos Santos, aqui em Santarém pelo lado da minha mãe, e o Leal é da parte dos comerciantes judeus que vieram lá do Marrocos; essa é a minha origem, minha ascendência é exatamente essa. Nasci no dia 24 de julho de 1939, eu desde os 9 anos de idade sempre trabalhei com o lado artístico, mexendo com cerâmica Santarém, pinturas, esculturas. Em Santarém minhas obras podem ser admiradas nas praças, nos monumentos e no interior das igrejas. Sempre trabalhei fazendo o que gosto, o que quero, para quem gosto, para quem quero; se não quero trabalhar para aquela pessoa eu digo: olha, não dá. É por isso que me dizem que o meu trabalho é bom, é porque o faço por prazer. E meu lema de vida é muito interessante: quem não vive para servir, não serve para viver – isso é o que eu uso como lema, pois eu sempre servi e acho que só vou parar de servir materialmente as pessoas quando eu morrer. Muito obrigado! (Laurimar dos Santos Leal)

- Baleia Mink

Há pouco mais de três anos uma baleia Minke encalhou num banco de areia nas margens do Rio Tapajós, município de Belterra. A baleia Minke (Baleanoptera acustorotrata), uma das menores espécies de baleias do mundo, foi encontrada por moradores da Comunidade de Piquiatuba. Apesar dos todos os esforços de voluntários e do IBAMA, o animal foi encontrado boiando, na manhã do dia 16, na Comunidade de São José, no Rio Arapiuns. Os técnicos não sabem até hoje os motivos que levaram o animal ao óbito. Estas baleias costumam viver em pequenos grupos e, eventualmente, sozinhas. São encontradas em todos os oceanos, nas áreas oceânicas ou costeiras aonde chegam a penetrar em baías e estuários de águas rasas. No verão elas buscam os pólos para se alimentar e no inverno migram para regiões mais quentes para acasalar-se ou criar os filhotes.

- Museu de Arte Sacra da Diocese de Santarém

Fomos convidados pelo o Padre Sidney Augusto Canto a visitar o Museu sobre o qual retirei breves e interessantes informações do Livro do Centenário da Diocese de Santarém.

“O Museu de Arte Sacra da Diocese de Santarém faz parte do complexo da catedral de. O prédio foi construído no século XIX e serviu de residência de Domingos Veloso, antes de ser adquirido pela Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Do edifício original apenas a fachada está mantida. Em 2002, A Diocese de Santarém, em vista das comemorações do seu Centenário, decidiu transformar o andar térreo, onde funcionava o salão paroquial, em um Museu. Dom Lino Vombommel, bispo de Santarém, foi o idealizador. Considerada a nova residência da Cultura Religiosa Santarena, o Museu de História e Arte Sacra foi inaugurado no dia 22 de junho de 2003, por ocasião do 342° aniversário de Santarém e do encerramento do IV Congresso Eucarístico Diocesano. O Museu possui um dos acervos mais diversificados da Região Norte. São imagens sacras, objetos de culto, documentos, indumentárias, pinturas, além de um bom acervo fotográfico que nos remete ao passado da Igreja Católica e do Município de Santarém, como bem relata o escritor Emir Bemerguy: “Emocionante vem sendo a colaboração dos santarenos, tanto dos nossos bairros como das Comunidades interioranas. Preciosidades ocultas em capelas e residências, algumas com mais de dois séculos, foram cedidas ao Museu, por doação ou por empréstimo, valorizando demais o patrimônio ali reunido”. (Livro do Centenário da Diocese de Santarém)

- Crucifixo de Von Martius

“Infelizmente, o céu num instante todo se toldou de nuvens negras; as ondas do Rio empinaram-se e sobreveio o tufão, acompanhado de pavorosos trovões. Dentro de três minutos, o dia claro tornara-se noite tão profunda, que só ao clarão dos relâmpagos reconhecíamos as margens; e, embora tivéssemos a fortuna de enrolar de novo as velas apenas armadas, a ventania, acompanhada de chuva, nos tocava Rio acima com a rapidez de uma flecha de modo que em poucos minutos fizemos quase meia légua. Conseguimos, finalmente, por a canoa a salvo na margem, e também vimos, com regozijo, chegar a montaria ilesa de estragos, passado o temporal; a não ser uma verga partida, só lamentamos a perda de alguns papagaios, os quais naquela confusão foram atirados do convés ao Rio”. (SPIX e MARTIUS – Costa de Amatari – Itacoatiara - AM)

De todas as peças a que mais chamou minha atenção foi uma pintura do amigo Laurimar em que ele, usando apenas os dedos das mãos, em menos de seis horas, procurou retratar a tempestade enfrentada por Martius, no dia 18 de setembro de 1819, quando foi “salvo por misericórdia divina do furor das ondas do Amazonas, junto à Vila de Santarém”. É interessante verificar que Martius reporta com detalhes a tempestade que enfrentou na costa de Amatari, próximo a Itacoatiara, e não menciona, em nenhum momento em sua obra, a que sofreu nas costas de Santarém. Apenas a gravação, em relevo, na chapa de ferro que acompanhava o Cristo Crucificado, de ferro fundido, doado à Igreja Matriz em sinal de gratidão ao Senhor, faz menção ao fato. Chama atenção, também, o fato de a Igreja Matriz consagrada à Nossa Senhora, abrigar no seu altar-mor o crucifixo doado por Martius e não a imagem da própria virgem.

- Tempestade no Tapajós

No regresso de nossa missão no Tapajós quando visitamos Fordlândia e tentamos, infrutiferamente, encontrar o “Berço da Humanidade”, no Rio Cupari, enfrentamos a fúria dos ventos e das águas do Tapajós. A violenta tempestade, felizmente estava alinhada com nossa proa e não oferecia muita resistência ao vento, o Piquiatuba corcoveava indômito e valente, enfrentava a procela como a nau Argo, do distante pretérito, rumo ao Velo de Ouro. Lembrei-me imediatamente, neste dia, de Martius e do quadro do Mestre Laurimar, felizmente nosso competente timoneiro, o Sargento Barroso, conhecia, como ninguém, todas as manhas de sua arte e conduziu com segurança nossa embarcação até o porto distante.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E–mail: hiramrs@terra.com.br


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