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Artigos - 19/01/2011 - 14h21

Desafiando o Rio-mar - Parintins




Por Hiram Reis e Silva

Vila Nova da Rainha - Vila Bela da Imperatriz

“Era tarde da noite de 24 de outubro quando chegamos a Vila Nova. Deparamos com uma povoação miserável, cujas casas estavam à beira da ruína. Não havia no Porto senão uma pequena embarcação ali ancorada. A Cidade foi construída no fundo de uma pequena baía, protegida por um rochedo baixo, sob o qual estão empilhados blocos de “diorito” como os de Santarém”. (Richard Spruce)

Histórico

O município de Parintins como quase todos os demais municípios brasileiros, foi primitivamente habitado por indígenas. Sua descoberta ocorreu em 1749, quando, descendo o Rio Amazonas, o explorador José Gonçalves da Fonseca notou uma ilha que, por sua extensão, se sobressaía das outras localizadas à direita do grande Rio.

Cronologia Histórica


1796  -  Fundação da localidade por José Pedro Cordovil, que veio com seus escravos e agregados para se dedicar à pesca do pirarucu e à agricultura, chamando-a Tupinambarana. A rainha D. Maria I deu-lhe a ilha de presente. Ali instalado, fundou uma fazenda de cacau, dedicando-se à cultura desse produto em grande escala.

1803  -  José Pedro Cordovil ofertou a ilha à rainha. Tupinambarana foi elevada à Missão Religiosa pelo Capitão - Mor do Pará, Conde dos Arcos, que incumbiu sua direção ao Frei José das Chagas, recebendo a denominação de Vila Nova da Rainha. A eficiente atuação de Frei José provocou um surto de progresso e desenvolvimento na Vila, mediante a organização da Comarca do Alto Amazonas.

1833  -  Em 25 de julho passa a Freguesia, com o nome de Freguesia de Nossa Senhora do Carmo de Tupinambarana. Era ainda Tupinambarana simples freguesia quando iniciou a revolução dos Cabanos no Pará e se alastrou por toda a província. O seu vigário - Padre Torquato Antônio de Souza teve atuação destacada durante a sedição servindo de delegado dos legalistas no Baixo Amazonas. Como Tupinambarana estivesse bem defendida foi poupada aos ataques dos “Cabanos”.

1848  -  Em 24 de outubro, pela Lei Provincial do Pará n° 146, elevou a freguesia à categoria de Vila, com a denominação de Vila Bela da Imperatriz, e constituiu o município até então ligado a Maués.

1852  -  Em 15 de outubro, pela Lei n° 02, é confirmada a criação do município.

1853  -  Em 14 de março dá-se a instalação do município de Parintins.

1858  -  Em 24 de setembro é criada pela Lei Provincial a Comarca, compreendendo os Termos judiciários de Vila Bela da Imperatriz e Vila Nova da Conceição.

1880  -  Em 30 de outubro, pela Lei Provincial n° 499, a sede do município recebe foros de Cidade e passou a denominar-se Parintins.

1881  -  Foi desmembrado do município de Parintins o território que constituiu o município de Vila Nova de Barreirinha.

1911  -  Na divisão administrativa o município é constituído por quatro distritos: Parintins, Paraná de Ramos, Jamundá e Xibuí.

1933  -  Nova divisão administrativa com um distrito Parintins.

1938  -  Em 1° de dezembro, pelo Decreto-Lei Estadual n° 176 é criado o distrito da Ilha das Cotias, passando o município a constituir-se de dois distritos: Parintins e Ilha das Cotias.

1952  -  Em 24 de setembro pela Lei Estadual n° 226, a Comarca de Parintins perde os Termos judiciários de Barreirinha e Urucará, que são transformados em Comarcas.

1956  -  Em 19 de dezembro pela Lei Estadual n° 96, é desmembrado do município de Parintins o Distrito da Ilha das Cotias, que passa a integrar o município de Nhamundá.

1981  -  Em 10 de dezembro pela Emenda Constitucional n° 12, o território de Parintins é acrescido do distrito de Mocambo.

Aspectos Físicos e Geográficos

Limites: Estado do Pará, Barreirinha, Urucurituba, Nhamundá, Distrito de Mocambo e Parintins.

Localização: 9° Sub-Região - Região do Baixo Amazonas Altitude: 50 m acima do nível do mar. Área Territorial: 7.069 Km² Temperatura Média: 26,3° C.

Distância: em linha reta entre Parintins e a Capital do Estado, 369 km. Por via fluvial entre Parintins e a Capital do Estado, 420 km.

Relatos Pretéritos - Parintins

Manuel Aires de Casal (1817)


Vila Nova da Rainha é mediana e abastada de peixes, junto à embocadura do Maués, paragem vantajosa para crescer. Quase todos os seus habitadores são índios Maués, os melhores mestres na composição do guaraná, cujo vegetal é comum no seu território, igualmente apropriado para a cultura dos cacaueiros, já assaz numerosos os plantados. As árvores do cravo não são assaz raras em alguns sítios do seu extenso distrito. (CASAL)

Spix e Martius (1819)

Alcançamos, portanto, a 1° de outubro, o registro de Parintins, algumas palhoças ao sopé de uma colina de uns 200 pés de altura, coberta de mata virgem densa, que, de certo modo, pode ser considerado como ponto limítrofe entre as províncias do Pará e do Rio Negro. (...) O ar é puro; o horizonte, relativamente vasto para estas regiões, é claro e sereno; o calor é quase diariamente atenuado por fresca viração que sopra do Rio acima, e a praga dos mosquitos não flagela demais. Os arredores mais próximos são cobertos de matas aqui e acolá arejados por derribadas e roças, que passam para arbustos cerrados ou capinzais, onde pasta algum gado. Mais para dentro, dizem que se estendem vastas campinas sobretudo em torno de lagoas piscosas, muito procuradas pela gente do lugar nos meses secos. Perto das goiabeiras, avistamos um grande assacu, a difamada árvore de veneno, com cujo leite os índios tinguijam (entorpecem) os peixes.

Antônio Ladislau Monteiro Baena (1839)


Vila Nova da Rainha: missão situada sobre a terra mediocremente alta de uma Ilha pertencente ao sistema de ilhotas jacentes ao longo da ribeira austral do Amazonas, entre o Rio Madeira e o Rio Tupinambaranas: cuja Ilha do lado, em que se acha engastada a missão é lambida pelas correntes do Amazonas, que lhe dão um excelente Porto, e pelos outros lados é lavada por uma porção de águas derivada do furo ou canal Urariá e chamada vulgarmente Rio Ramos, que dividindo-se em dois braços entra no Amazonas por cima e por baixo da mesma Ilha, a qual demora 12 léguas acima do Rio Nhamundá, confim oriental da Comarca no Amazonas. (...) Ela deve sua indicativa ou primordial assento a José Pedro Clodovil, que em 1803 congregou um certo número de silvícolas Maués e Mundurucus atraídos com dispêndio seu e trabalho, e lhe deu o nome de Tupinambaranas que quer dizer Tupinambá não verdadeiro: cujo nome foi pelo Governador do Pará o Conde dos Arcos para a denominação atual quando a estabelece ampliando os descimentos, e encarregando de agregar ao redil muitos Gentios e Carmelitas Frei José das Chagas, que então missionava a Povoação de Canumá. Em 3 de setembro de 1818 vinte e nove moradores subscreveram o seu nome em uma petição, que endereçaram a El-Rei para que sublimasse esta missão à graduação de Vila, obrigando-se eles a edificar à sua custa casa de Câmara e cadeia. Também na mesma petição trataram de acompanhar a Câmara da Vila de Silves e dezenove vizinhos da mesma Vila no seu perdimento ao trono de ser constituído o Governo subalterno da Capitania do Rio Negro em Governo Geral, e de lhe criar uma Junta de Fazenda, e de promover para Este novo Governo o Major do Estado Maior do Exército Manoel Joaquim do Paço, que então era o Governador daquela Capitania. A Ilha em que está erguida a missão, não difere das outras do sistema em ser por maravilha fértil: todas são uns torrões, em que a riqueza natural provoca a atividade do homem. Se ele por meio de uma doutrina rural bem entendida fizer uso industrioso de tantas produções da terra e das águas poderá não só tirar muita abundância, mais ainda enfastiar o apetite humano com a superfluidade. (BAENA, 2004)

Henry Walter Bates (1849; 1854/55)

Continuamos nossa viagem e chegamos a Vila Nova, um lugarejo muito espalhado, com cerca de setenta casas, muitas das quais dificilmente mereciam esse nome, já que não passavam de meras choupanas de barro cobertas com folhas de palmeira. Ficamos ali quatro dias. A Vila era construída num trecho rochoso do barranco à beira do Rio, composto do mesmo conglomerado que já mencionei algumas vezes. Em alguns pontos, uma camada de tabatinga cobre o conglomerado. O solo das redondezas é arenoso, e a mata, que em sua maior parte não parece composta da floresta primitiva, é cortada por vários e largos caminhos que vão terminar, tanto na direção ao Sul quanto do Leste, à beira de Lagoas e Charcos que se estendem em série pelo interior a dentro. (BATES)

Luiz Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz (1865-1866)

Vila Bela. 27 de agosto (1866) - Parada de algumas horas, ontem à tarde, em Óbidos para receber lenha. Ninguém desce em terra. Embarcada a lenha, dirigimo-nos diretamente a Vila Bela, situada na outra margem do Rio, na foz do Tupinambaranas. Somos aí cordialmente recebidos pelo Dr. Marcos, um dos antigos correspondentes de Agassiz, que enviou várias vezes exemplares da fauna amazônica para o Museu de Cambridge. Hoje, à tarde, iremos fazer uma excursão de canoa por alguns dos Lagos próximos. (AGASSIZ)

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E–mail: hiramrs@terra.com.br

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

 

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