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Artigos - 30/10/2008 - 15h24

Um exemplo de Honra e Dignidade




Por Hiram Reis e Silva (*)

 Por Cel Eng R/1 Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 30 de Outubro de 2008 

Tenho saudade de uma época que não vivenciei, lembranças de um tempo que mesmo sem fazer parte do meu passado, marcou presença e deixou legado. Esse tempo, onde a palavra valia mais do que um contrato, onde a decência era reconhecida pelo olhar, onde as pessoas não tinham vergonha da honestidade, onde a justiça cega não se vendia nem esmolava, onde rir não era apenas um direito do rei..." (Ruy Barbosa de Oliveira)

O ‘Projeto Aventura Desafiando o Rio-Mar’, na fase final de planejamento, continua proporcionando agradáveis surpresas. Talvez, uma das mais gratas delas tenha ocorrido hoje, quando recebi um e-mail, do Coronel Cícero Novo Fornari, um cidadão notável cuja atitude de coragem e dignidade deixou marcas profundas na minha memória e na minha alma. Vou transcrever o correio recebido e um artigo escrito por um irmão de armas a respeito que, certamente, justificarão minha emoção. Pena que a grande mídia nacional, comprometida e patrulhada, não tenha, na oportunidade, dado o devido destaque ao fato.

- E-mail do Cel de Infantaria Reformado

Meu caro Cel Hiram

Tomei conhecimento do seu Projeto através de mensagem recebida da Srª Ana Prudente. Fiquei entusiasmado com o evento, pois também sou um apaixonado pela nossa Amazônia. Pelo que fiquei sabendo, vi que nós temos muitos pontos em comum. Sou Oficial do Exército, reformado. Servi na fronteira, comandei um pequeno Destacamento em Porto Mendes (hoje alagado pelas águas de Itaipu), servi no Comando Militar da Amazônia como Major E2, participei da primeira expedição feita pela Celetramazon para estudos hidrológicos relativos à construção da hidrelétrica de Balbina, fiz o Curso A de Combatente de Selva em 1973, nunca fui aluno de Colégio Militar, mas tive a honra de comandar o Colégio Militar de Curitiba (1981-82), fui Venerável de Loja em Campinas-SP, percorri toda a Amazônia Brasileira e já como Adido Militar também conheci pessoalmente a Amazônia Venezuelana. Agora, dado aos meus 77 anos, com problemas de saúde, posso apenas acompanhar, atento, o que a sua geração está fazendo pela nossa Amazônia e pelo nosso Brasil. Que o Grande Arquiteto do Universo guie os seus passos e as suas remadas e ilumine o seu caminho.

Um tríplice e fraternal abraço do amigo Cícero Novo Fornari- Coronel do Exército, com muita HONRA.

- Atitudes Dignas - Emerson Rogério de Oliveira

Relembro um fato inédito que chamou a atenção dos presentes à cerimônia de entrega de medalhas, realizada no dia 25 de Agosto de 2005, por ocasião das comemorações do Dia do Soldado, em Brasília. Com a presença de Ministros de Estado, Comandantes das Forças Armadas, convidados e familiares, foi entregue a Medalha do Pacificador. Depois do dispositivo pronto, um senhor idoso, apoiado em uma bengala, vestindo roupas escuras e gravata preta, portando em seu peito a Medalha do Pacificador, atravessou toda a frente do dispositivo até o local onde estava a autêntica espada do Duque de Caxias. Com lágrimas nos olhos, retirou a medalha do peito, elevou ao alto, à frente, à esquerda e à direita. Depois de beijá-la, colocou-a no se u antigo estojo e a depositou aos pés da coluna onde estava a espada de Caxias. Voltou, passou silenciosamente pela frente do dispositivo, indo sentar-se na arquibancada de cimento, diante do palanque.

Perguntado por que devolveu a medalha, respondeu que ela havia sido desonrada e desprezada, em flagrante desrespeito à figura do  insigne patrono do  Exército, o Duque de Caxias, por já ter sido distribuída a pessoas que não mereciam tal honra. Disse mais, que, se a recebeu num ato solene, seria justo devolvê-la também num ato solene.

Esse senhor idoso é o Coronel de Infantaria Reformado/Inválido Cícero Novo Fornari. Na época tinha 74 anos, desses, 43 de serviços prestados ao Exército e à Pátria.

A imprensa divulgou o fato em poucas linhas, mas eu o destaquei pela sua atitude digna e corajosa em meu livro Trincheiras Abertas, que lhe chegou às mãos por um amigo. Em dia recente, ligou-me de Brasília, onde mora, para agradecer-me e perguntar-me se eu tomara conhecimento do que lhe aconteceu depois daquele fato. Respondido que não, contou-me que, durante um passeio com a esposa pelas ruas de Brasília, resolveu entrar em uma loja de antiguidades – uma mistura de velhos objetos com brechó. Apoiado pela bengala visitava prateleiras e balcões, olhando as mais variadas quinquilharias e artigos ali expostos, parando em frente a uma redoma de vidro onde estavam diversas medalhas militares, cuidadosamente alinhadas num feltro verde. Atento, o dono da loja aproximou-se, cumprimentou-o e passou a discorrer sobre o histórico das medalhas, as suas origens, quem as mereciam..., e, por fim, perguntou se ele desejava comprar uma. Apesar de não ter obtido resposta, sabia que iria negociar com aquele homem calado, pois já vira aquele brilho nos olhos de muitos clientes. Abriu a tampa da redoma e continuou com a explicação, mostrando-lhe a medalha da Primeira Guerra Mundial, da Segunda, do Serviço Amazônico...

Tentava cativar aquele cliente que parecia paralisado, que ainda não abrira a boca, mas também não tirara o brilho dos olhos, e, então, o vendedor apontou o dedo para uma Medalha do Pacificador e perguntou se ele lembrava do caso daquele coronel do Exército que devolveu a sua Medalha do Pacificador numa cerimônia em Brasília, depositando-a junto à espada de Caxias, sob o olhar e o silêncio dos presentes.

O coronel levou um choque. Ergueu a cabeça para aquele homem gentil e educado, que evocava lembranças de um fato da sua vida. Valeu-se da bengala para melhor firmar as pernas trêmulas das muitas jornadas, e contendo a emoção falou pela primeira vez desde que entrara naquela loja: ‘Não me lembro, mas deve ter sido um velho ‘gagá’, meio maluco, pra fazer isso!’

Surpreso, o dono da loja retrucou-lhe com veemência, dizendo que ele estava enganado, pois o coronel era um homem honrado e tomou uma atitude digna naquele dia, uma vez que essa medalha passou a ser concedida a pessoas que não preenchiam os requisitos para tal, perdendo, assim, o seu valor.

O coronel sorriu, mostrou-lhe a identidade, e disse-lhe: ‘Pois saiba o senhor que esse coronel está à sua frente. Fui eu quem devolveu a medalha’.

O coitado do homem ficou pasmo, olhou para a identidade, olhou para o coronel e, num gesto largo e espontâneo, abraçou-o. Imediatamente pegou a medalha, empertigou-se, esboçou um gesto solene e prendeu-a no peito do coronel, dizendo-lhe: ‘Ela é sua! Estou devolvendo-a para o lugar de onde nunca deveria ter saído’.

A surpresa agora era do velho e experiente militar. Quis impedir-lhe o gesto, mas não conseguiu. Tentou pagar-lhe o valor da medalha, também não conseguiu... E o vendedor, com um sorriso largo, disse-lhe: ‘Coronel, o senhor mereceu essa medalha pelo seu trabalho e dedicação à Pátria. Estou feliz por devolvê-la’.

Os dois velhos emocionados se abraçaram. O coronel agradeceu-lhe, juntou-se à mulher e, com passos lentos, auxiliados pela bengala, retirou-se da loja, levando a sua Medalha do Pacificador no peito. Certamente também levava os olhos marejados.

Atrás dele, um homem feliz pelo resgate que fizera naquela tarde observava-o partir, tendo a certeza de que aquele foi o seu melhor negócio do dia.

Gesto isolado, sem pompa e sem testemunhas. Mas nobre e grandioso, porque esculpido na dignidade das suas atitudes, provando que os valores morais são cultuados por homens, não por sombras.

Nem tudo está perdido.(Jornal O SUL, de 04 OUT 2008)

- Medalha do Pacificador.

Será concedida:

- aos militares do Exército que, em tempo de paz, no exercício de suas funções ou no cumprimento de missões de caráter militar, tenham se distinguido por suas atitudes, dedicação, abnegação e capacidade profissional;

- aos militares do Exército que tenham contribuído para elevar o prestígio do Exército brasileiro junto às Forças Armadas de nações amigas, bem como para desenvolver, com elas, vínculos de amizade e cooperação;

- aos militares da Marinha, da Aeronáutica e aos membros de Forças Auxiliares que, pelos serviços prestados, se tenham tornado credores de homenagem especial do Exército;

- aos militares e civis estrangeiros que tenham prestado assinalados serviços ao Exército ou contribuído para a consolidação e o desenvolvimento das relações e dos vínculos de amizade entre os Exércitos de seus países e o do Brasil;

- aos cidadãos nacionais que hajam prestado relevantes serviços ao Exército;

- às organizações militares e instituições civis, nacionais ou estrangeiras, que se tenham tornado credoras de homenagem especial do Exército.

- a Medalha do Pacificador com Palma será concedida aos militares e aos civis brasileiros que, em tempo de paz, no exercício de suas funções ou no cumprimento de missões de caráter militar, tenham se distinguido por atos pessoais de abnegação, coragem e bravura, com risco de vida.

 

(*) Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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