zap
   

especiais

seções

colunistas

blogs

enquete

Na sua opinião, o Pantanal já sente os efeitos do desmatamento?
Sim
Não
Não sei
Ver resultados

tempo

newsletter

receba nosso newsletters
   
Rádio Independente

expediente

Pantanal News ®
A notícia com velocidade, transparência e honestidade.

Diretora-Geral
Tereza Cristina Vaz
direcao@pantanalnews.com.br

Editor
Armando de Amorim Anache
armando@pantanalnews.com.br
jornalismo@pantanalnews.com.br

Webmaster
Jameson K. D. d'Amorim
webmaster@pantanalnews.com.br

Redação, administração e publicidade:
Aquidauana:
Rua 15 de Agosto, 98 B
Bairro Alto - CEP 79200-000,
Aquidauana, MS
Telefone/Fax (67) 3241-3788
redacao@pantanalnews.com.br

Escritório:
Corumbá:
Rua De Lamare, 1276 - Centro
CEP 79330-040, Corumbá, MS
Telefone: (67) 9235-0615
comercial@pantanalnews.com.br
pantanalnews4@terra.com.br

 
Artigos - 01/11/2010 - 07h53

Quem faz pelo livro




Por Bruno Peron Loureiro

O livro ainda é bem de luxo e se lê muito pouco no Brasil. Para contrapesar este diagnóstico que persiste ao longo das décadas e denigre nossos reais dados da educação, governos e instituições não-governamentais têm proposto formas de acesso ao livro e incentivo à leitura.

Num país em que "todos querem tirar o seu", é procedente a afirmação de que as leis de mercado funcionam melhor que as políticas públicas para a democratização da leitura?

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) sustenta uma postura otimista ao fundamentar seus argumentos num estudo que indica queda de preços nalgumas categorias de livros: didáticos (24,5%), religiosos (38%), obras gerais (22,4%) e científicos, técnicos e profissionais (23,3%).

Outros representantes privados defendem que se tem produzido número maior de títulos, portanto o aumento da oferta barateia o preço do livro. Ignoram, porém, que este argumento é tão pífio a ponto de contradizer-se em que, se aumentar a compra de livros e consequentemente a demanda, o preço sobe. A bonança, assim, duraria pouco.

Aqueles que simplesmente associam o hábito saudável de leitura às oscilações de mercado, entretanto, não enxergam a indústria do livro além de um objeto a mais de ganância em vez de instrumento de enriquecimento cultural de um povo. O livro seria, então, uma "mercadoria".

O processo de produção do livro envolve escritores, editores, gráficas, indústrias de papel, livreiros, distribuidores, tradutores quando forem necessários, e outros que não cedem facilmente seu meio de sustento a políticas de democratizadores da cultura.

A indústria do livro corre um risco parecido ao crepúsculo da musical. Atualmente são poucos os que se atrevem a pagar tão caro por um disco original, pois albuns inteiros dispõem-se para aquisição gratuita na internet. O endereço http://www.torrentz.com é uma fonte interminável de discografias. Se o livro continuar caro, o leitor o copiará sem hesitação ou deixará de ler.

Não deixo de mencionar as iniciativas de digitalização de livros completos na internet, onde o leitor paga para ter acesso virtual à obra. Já há mecanismos que simulam a sensação de folheá-los. A medida dispensa a indústria de papel e pode baratear o acesso ao livro e à leitura.

As leis de mercado encarecem os libros em sebos no Brasil, uma vez que os mais raros estão sujeitos à oferta baixa, portanto preços abusivos. O Brasil deixa a desejar em comparação com alguns países latino-americanos, como Argentina e México, no que se refere ao barateamento do custo de livros e a facilidade de encontrar títulos, como os universitários.

Algumas especialidades acadêmicas exigem ainda a leitura de obras que não foram traduzidas ao português, porém a disponibilidade delas nas livrarias nacionais, ainda que sob encomenda, é rara, custosa e demorada.

As leis de mercado engrenam processos sobre os quais o Estado não atua nem deveria para não se expor ao risco do dirigismo: o que, quanto, como e onde ler. Aquelas, porém, não têm sido suficientemente convincentes a fim de resolver a pendência de falta de leitura no Brasil.

Deste modo, o acesso ao livro não se faz somente mediante a compra do "produto" pelo maior número possível de leitores, o que satisfaria o insidioso mercado, senão também com o aparelhamento e incentivo do uso de bibliotecas públicas e escolares.

Os empréstimos bibliotecários ensejam uma rotatividade maior dos livros sem o risco de desperdício em estantes privadas empoeiradas ou, como se flagrou uma vez numa cidade tupinica, obras de escritores nacionais renomados amontoadas numa caçamba de lixo.

É necessário frisar que boa parte dos jovens mudou os hábitos de leitura em vez de ler menos: mensagens instantâneas (como nos programas MSN, Twitter e Orkut) e "torpedos" nos celulares, cartazes publicitários distribuídos caoticamente pelas cidades e notícias que sobem em tempo real nas telas do computador transformaram a rotina de leitura. Talvez seja o momento de resgatar a importância do livro no processo de construção cidadã, digno de qualquer idade.

Os três níveis de governo (municipal, estadual e federal) há muito discutem sobre o tema, elaboram leis e lançam programas que incentivam a leitura no Brasil, como o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER).

Em março de 2006, o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação fizeram parceria para o lançamento do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), uma proposta ambiciosa. Seus objetivos principais têm sido nominalmente: democratização do acesso; fomento à leitura e à formação de mediadores; valorização da leitura e comunicação; desenvolvimento da economia do livro.

Esta última estratégia do PNLL indica que é difícil evadir a cadeia complexa de produção, distribuição e consumo do livro com todos os atores envolvidos e citados acima. A participação ativa do Estado e a cobrança dos cidadãos são imprescindíveis para, ao menos, regular o funcionamento deste mercado.

O livro deve ser facilmente acessível e associado ao lazer e não unicamente estudo e labor. Quem lê o que gosta, desfruta.

Se o acesso à leitura for divulgado nos lares e nas escolas, os jovens desenvolver-se-ão com este hábito saudável e formador da consciência.

Estado e mercado, em vez de se anularem, podem um suprir as carências do outro para a promoção do livro e a leitura.

Bruno Peron Loureiro é mestre em Estudos Latino-americanos por FFyL/UNAM.

http://www.brunoperon.com.br


Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

 

Siga as notícias do Portal Pantanal News no Twitter:
www.twitter.com/PantanalNews

 

Compartilhe


Deixe o seu comentário

Todos os campos obrigatórios. Seu e-mail não será publicado.

Nome:

E-mail:

Seu comentário:
Sistema antispam

Digite aqui o código acima para confirmar:


 

area
Comentários
 
Últimas notícias do canal
09/10/2017 - 13h44
Joaquim Francisco de Assis Brasil
09/10/2017 - 13h43
Assis Brasil, Acre
09/10/2017 - 13h34
O Assassinato de Chico Mendes
09/10/2017 - 13h31
Epopeia Acreana - Parte VII
09/10/2017 - 13h29
Epopeia Acreana - Parte VI
 
Últimas notícias do site
23/10/2017 - 09h54
Prefeito de Corumbá representa o Brasil em seminário internacional do FONPLATA sobre hidrovia
23/10/2017 - 08h55
Semana em MS começa com 169 vagas em concursos públicos
23/10/2017 - 07h41
PMA e parceiros realizam Educação Ambiental para alunos em escolas ribeirinhas e indígenas
23/10/2017 - 07h40
Em oito dias, Mato Grosso do Sul registra queda de 55 mil raios
23/10/2017 - 07h02
Medidas anunciadas por Temer farão ressurgir o rio Taquari, diz Ruiter
 

zap

88

Untitled Document
 ® 2009  

CPN - Central Pantaneira de Notícias
PantanalNEWS - Marca registrada 1998-2009
Todos os direitos reservados.