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Artigos - 30/08/2010 - 15h57

Fortaleza do Tapajós




Por Hiram Reis e Silva

Sobre o cimo de uma ribanceira de pedra na aba do Rio à direita da Vila ainda existem os remanescentes de uma Fortaleza de figura quadrangular elevada em 1697 à custa de Manoel da Motta de Siqueira; o qual em retribuição desta despesa foi agraciado com o governo vitalício da mesma Fortaleza. (BAENA) 

 

 

- “Cabeça de Ponte” 

 

 

Promanou esta fortificação da mesma ideia de por em defesa o Amazonas contra a invasão de inimigos, especialmente dos franceses. (Artur Viana)

 

 O desenvolvimento da Aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Tapajós (Santarém), no século XVII, despertou a cobiça dos inimigos da Coroa Portuguesa tendo em vista sua importância estratégica. A Aldeia servia de “cabeça de ponte” para apoiar as incursões portuguesas na Hinterlândia Amazônica. A construção da Fortaleza do Tapajós fazia parte de um grande projeto defensivo e ofensivo que estabelecia posições fortificadas, casas-fortes, fortalezas, acampamentos devidamente equipados que visavam conter as ameaças de invasão e consolidar o domínio lusitano na região. 

 

 

- Francisco da Motta Falcão

Fonte: Arthur Cezar Ferreira Reis - Ensaio: Manaus e Outras Vilas, Manaus, 1934. 

 

“Morador do Pará e homem de personalidade na sociedade local, sertanista, já por ocasião dos sucessos que sacudiram o Maranhão com o pronunciamento dos colonos contra a Companhia de Jesus e contra a Companhia do Comércio, tivera atuação sucessória, como delegado de Gomes Freire. Acompanhando o Capitão-General, que viera realizar a pacificação ou enfrentar o movimento pelos meios violentos, Falcão desembarcara antes de qualquer outra autoridade para sentir as reações do ambiente revolucionário. Entrara em contato com os moradores e verificara que nada havia a temer. Gomes Freire viera para a terra depois, se encontrar resistências. Falcão mostrara-se mediador hábil. Sua passagem pelo sertanismo regional foi a passagem de todos quantos tinham de enfrentar a adversidade e os perigos do interior. E, seguramente, ao contato com a realidade dura que fora observando e estudando é que se propusera aquela empresa, realmente oportuna, útil aos interesses reinóis e que o propunham como um colono ágil, objetivo, realístico, colono que servia a S. Majestade sem deixar de cuidar dos problemas de sua própria fazenda”. 

 

 

- Alvará Régio de 15.12.1684 

 

O Alvará determinava que Falcão deveria concluir, às suas expensas, num prazo de quatro anos, a construção das fortalezas do Tapajós, do Rio Urubu, do Rio Madeira e boca do Rio Negro conforme as plantas elaboradas pelo engenheiro Pedro de Azevedo Carneiro, com a melhor técnica possível e respeitadas as contingências locais, de pedra e barro. As autoridades contribuiriam com sessenta índios e dez cavaleiros. Em troca Falcão seria nomeado comandante da Praça Militar, cujo cargo poderia ser transferido hereditariamente aos seus descendentes. 

 

 

- Projeto e Localização

 

 O local, como de costume, estava localizado em uma das partes mais altas da região, precisamente no “outeiro” escolhido pelo Padre Antonio Vieira para ser sede da missão e que o Padre João Felipe Bettendorf, em 1661, mandara roçar e demarcar para ali construir a igreja e residência dos missionários. 

O projeto da Fortaleza era em forma de quadrilátero com 48 metros de lado e um baluarte em cada vértice. No centro estava localizado um paiol, alojamento para a tropa e a cadeia. As muralhas de taipa e pilão possuíam seteiras para os mosquetões e peças de artilharia. 

 

Taipa e pilão: após a preparação das formas, com madeira robusta, eram colocados em seu interior, por camadas, lascas de madeira de lei, barro, cal, saibro, pedras miúdas e cascalho e socados com soquetes de madeira até completar a forma. 

 

 

- Pequeno Histórico 

 

Francisco da Motta Falcão faleceu antes de ver a obra concluída e seu filho Manoel da Motta de Siqueira designado, por ele, como seu sucessor para os favores reais, prosseguiu nos serviços. Siqueira realizou sua inauguração oficial, em 1697, embora a Fortaleza não estivesse concluída, a cerimônia foi presidida pelo Capitão-General Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho que inspecionava as fortalezas da região. A tradição oral reza que as salvas de artilharia racharam uma das muralhas, que começou a desmoronar aos poucos desde então. 

“Foi em 1749 que começou a mostrar ruínas nos ângulos e na cortina da parte do Rio. A mesma Fortaleza, posto que pela elevação do sítio dominasse a passagem do Rio, não podia atalhar nela a navegação proibida, porque o sistema de canhoneiras não permitia às peças de artilharia fazer os tiros por baixo do horizonte pelos ângulos que o declive da montanha exigia: e deste modo aquela Fortaleza não era chave capaz de fechar aquele estreito do Amazonas não só a todo o arrojo interno, perturbador da ordem, mas ainda a qualquer projeto de invasão estrangeira”. (BAENA) 

 

Em 1762, Domingos Sambucetti foi encarregado de examiná-la e reconstruí-la. A construção foi executada à base de pedra e cal material de boa solidez e resistência, foi aumentada sua artilharia e o paiol. Infelizmente sem contar com uma manutenção adequada com o passar dos anos começou novamente a ruir. 

Em 1795, o Capitão-General D. Francisco de Souza Coutinho apresentou um minucioso relatório ao Ministro dos Negócios da Marinha e Ultramar, Martinho de Melo e Castro em que dizia textualmente: “ponho de parte tudo o que respeito a Fortaleza de Gurupá, de Parú, de Santarém, de Óbidos e do Rio Negro porque considero como inúteis e só próprias para dividir as forças”.

 No final do século XVIII a Fortaleza do Tapajós ameaçava desabar. Foi então que o Governador Francisco de Sousa Coutinho determinou sua restauração no dia 18 de março de 1803, mas, infelizmente, nada de concreto foi feito. 

“Nos dias da cabanagem (1835), os homens que tratavam de organizar a resistência na Vila de Santarém, contra a esperada incursão dos cabanos, instituíram um Corpo Provisório de artilharia que contava com três peças de bronze, calibre 2, retiradas da Fortaleza e adaptadas em reparos. Eram as únicas existentes em Santarém”. (SANTOS) 

 

“Ao encerrar-se o período português na Amazônia, a Fortaleza não apresentava mais qualquer sentido militar - era ruína histórica, desprovida de qualquer resquício de poderio. (...) Na forma do velho costume, voltava-se em 1867 à carga: por uma ordem especial do Ministério da Guerra, o Capitão de engenheiros Luiz Antônio de Souza Pitanga marchou para Santarém e ali empreendeu a tarefa de fortificar de novo a cidade, tarefa improfícua que devia ficar por concluir definitivamente”. (REIS) 

“Quando o Governador Imperial mandou o engenheiro, capitão Pitanga, tratar da reconstrução do forte, no mesmo ano, 1867, enviou seis peças de artilharia, calibre 6, com as respectivas palamentas, para serem colocadas na Fortaleza. Os serviços de reconstrução, porém, como os novos canhões, ficaram em meio caminho”. (SANTOS) 

Hoje podemos encontrar, aos pares, essas peças de artilharia distribuídas na Praça do Centenário, no Aeroporto e na Sede da Sudam.

 

 “Dentro de poucos anos a fortificação, abandonada de vez, desfazia-se em escombros. Depois tiraram-lhes os canhões, precipitaram-nos pelas ladeiras da colina abaixo, para um terreno particular”. (REIS) 

“Abandonado pelos poderes públicos, o velho baluarte, bem como as abas e arredores do outeiro, todo o conjunto considerado propriamente do Ministério da Guerra, foi sendo ocupado por particulares que, sem protesto ou reclamação de ninguém, iam se apossando das terras, construindo barracas e casas até mesmo no recinto das muralhas arruinadas. Em setembro de 1908, o 2º Tenente do Exército, Fileto de Oliveira Pimentel, filho de Santarém, denunciou e pediu providencias ao Major de engenheiros Comandante da Fortaleza de Óbidos, a respeito de construções particulares que estariam a fazer-se pelas vizinhanças do fortim de Santarém. (...) mas tudo ficou em nada. Mais ou menos em 1926, apareceu em Santarém um cidadão (...) Comprou uma casinha situada ao lado das velhas muralhas, as benfeitorias, é claro, que logo mandou demolir e construir em seu lugar uma bela vivenda para sua moradia, a qual, pouco depois, foi vendida ao governo do estado (Interventoria Magalhães Barata) que mandou aumentar e adaptar o prédio para ali funcionar o Grupo escolar, atual Grupo Frei Ambrósio”. (SANTOS) 

O descaso e a ignorância pulverizaram tudo. A Fortaleza sucumbira sem jamais ter cumprido sua missão. Não existe qualquer traço remanescente da Fortaleza, apenas a Praça Frei Ambrósio que representa um marco histórico importante além de permitir uma visão privilegiada da Foz do Tapajós.

 

Fontes:

REIS, Arthur Cezar Ferreira Reis. Santarém: seu Desenvolvimento Histórico - Rio de Janeiro - Editora Civilização Brasileira, 1979.

BAENA, Antonio Ladislau Monteiro. Compêndio das Eras da Província do Pará (1615-1823) - Belém, PA: Editora da Universidade Federal do Pará, 1969.

SANTOS, Paulo Rodrigues dos. Tupaiulândia. ICBS/ACN. Santarém, PA: Gráfica e Editora Tiagão, 1999.



Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E-mail: hiramrs@terra.com.br
 
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