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Antidrogas - 10/06/2010 - 15h00

Mais de um milhão de pessoas fazem uso de crack no Brasil




Por Redação Pantanal News/Portal Educação

A droga já virou epidemia. Segundo estudo apresentado no início do mês passado, pelo psiquiatra Pablo Roig, especialista no tratamento de dependentes da droga, são pelo menos 1,2 milhão de pessoas submissas ao crack. Agora, estudiosos no assunto, dizem estar sem solução para a dependência dessa droga. "Eu, honestamente, de todos os pacientes de crack que atendi, perto de 200, de 2008 a 2010, só recuperei um", diz a psiquiatra Maria Thereza Aquino.

Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que durante 25 anos dirigiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), reconhece que o problema é muito maior. “A maioria dos dependentes são jovens. Não estamos falando de usuários de uma droga. E sim, falando de uma geração. Acho que estamos despreparados. Estamos de calças curtas. Não sabemos como lidar com isso”, desabafa Maria Thereza em entrevista para o site G1.

Os personagens dessa história real estão em todas as partes e ruas das grandes cidades. Duas meninas, uma de oito e outra de doze anos, satisfaziam todos os desejos sexuais de "craqueiros", em uma Praça do Rio, para ter a droga. Outro exemplo é o de um fotógrafo profissional, que não resistiu ao vício e entregou sua câmera Canon de última geração, avaliada em mais de R$ 20 mil, nas mãos de um traficante. Em troca, pediu trinta pedras de crack.

Segundo a tutora do Portal Educação, enfermeira Carolina Marlien, a explicação para a “epidemia” é que além do acesso fácil à droga, o usuário tem a seu favor a falta de policiamento e de controle que impera no tráfico do Brasil. “Infelizmente, essa droga 'barata' traz consequências muitas vezes irreversíveis, resultando em dependência física e psíquica grave, que dificilmente são contornadas, já que é facilmente viciante, de ação muito rápida, levando o usuário à busca incessante pela sensação de prazer que o crack provoca”, diz Marlien.

Para o Pedro Lima, da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, o crack tem um alcance muito grande “Existe uma sensação de descontrole, de perda da situação", afirma. De acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, 900 policiais (militares, civis e peritos) estão sendo formados para atuar nas fronteiras do país e evitar a entrada de drogas como cocaína e pasta base usadas na produção do crack.

Na semana passada, durante dois dias, um grupo de especialistas, incluindo Pedro Lima, Suelen Sales e Pedro Gabriel, se reuniu na sede da organização não governamental Viva Rio para definir estratégias e formular um documento com orientações de como tratar o problema do crack. As recomendações serão entregues a equipes do Programa de Saúde da Família.

Crack
Quando inalado, atinge diretamente o pulmão e o cérebro em cerca de oito segundos. Causa aceleração cardíaca, aumento de pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores e excitação. Quando inalado junto com álcool provoca esses sintomas em maior proporção e pode levar à morte. Euforia, sensação de poder e aumento da autoestima também são sentidos pelos usuários. Pesquisas recentes indicam que 30% dos dependentes de crack morrem nos primeiros cinco anos de uso.

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