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Finanças - 16/10/2008 - 09h20

Bovespa retrai 1,11% nas primeiras operações; dólar sobe para R$ 2,18




Por Folha Online

Os mercados financeiros devem ter um dia nervoso novamente nesta quinta-feira. Ontem, o pânico tomou conta dos investidores, com a percepção de que as medidas trilionárias para resgatar o sistema financeiro não devem evitar uma desaceleração brusca do crescimento econômico em nível mundial. A Bolsa brasileira fechou com sua pior queda em dez anos (11,39%), enquanto a Bolsa de Nova York registrou maior perda diária em 21 anos.

Logo na abertura, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) operou em terreno positivo, mas virou a tendência após dez minutos de operações.

O panorama não parece mais positivo nesta manhã: a Bolsa de Tóquio afundou 11,4% no fechamento de hoje, o maior "tombo" do principal mercado da região Ásia-Pacífico desde o crash de 1987.

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, desvaloriza 1,11%, aos 36.422 pontos, nos primeiros dez minutos de pregão.

O dólar comercial é cotado a R$ 2,186 na venda, em alta de 0,92%. Nas primeiras operações, a moeda americana já foi cotada a R$ 2,26 hoje.

Na Europa, a Bolsa londrina cede 1,27%, enquanto o mercado de Paris cai 0,93% e a Bolsa de Frankfurt registra leve alta de 0,03%.

Alex Grimm/Reuters
Bolsas européias recuam; sinais de recessão na economia global afetaram mercados
Bolsas européias recuam; sinais de recessão na economia global afetaram mercados

Ontem, os investidores receberam muito mal uma série de indicadores econômicos dos EUA, que apontavam para o contágio da chamada "economia real" (consumo e setor produtivo) pela crise financeira: as vendas no varejo tiveram declínio de 1,2%, a maior queda em três anos. Dois grandes bancos, o Wells Fargo e JP Morgan, anunciaram lucros entre 24% e 84% abaixo dos resultados de 2007. E no início da semana, as indústrias do setor automobilístico já haviam anunciado demissões em massa.

Foi, no entanto, o famoso "Livro Bege", do banco central americano (o Federal Reserve), que trouxe o panorama mais dramático. O documento é uma compilação de análises macroeconômicas das 12 divisões regionais do Fed e mostrou um quadro pessimista para a economia americana: o gasto dos consumidores caiu em setembro na maioria dos distritos; houve queda no nível de atividade no setor de serviços em "quase todos os distritos"; e "a atividade fabril se tornou mais lenta na maioria dos distritos".

As primeiras notícias de hoje têm poucas chances de animar os mercados: o banco norte-americano Citigroup anunciou revelou um prejuízo de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre. Em idêntico período no ano passado, esse gigante financeiro havia apurado lucro de US$ 2,21 bilhões. O prejuízo por ação (US$ 0,60) ficou, no entanto, um pouco melhor que a previsão da maioria dos analistas do setor financeiro (US$ 0,70).

Brasil

A economia brasileira também mostra sinais de que não vai escapar incólume da crise global. Além das notícias de aperto no crédito para pessoas e empresas, e das grandes perdas em operações no câmbio, grandes indústrias já advertiram que devem pisar "no freio".

Ontem à noite, o grupo Suzano Papel e Celulose avisou que deve parar a produção na unidade de Mucuri, na primeira semana de novembro "em função do arrefecimento da demanda por celulose em determinados mercados asiáticos, especialmente o chinês".

O governo brasileiro já admite um crescimento menor do país em 2009, como adianta notícia publicada na Folha nesta quinta-feira. Por causa da crise financeira, o governo prevê que o país deve crescer entre 3,8% a 4% em 2009, contra uma estimativa inicial de 4,5%, revela reportagem de Valdo Cruz.

Hoje, o Banco Central voltou à carga para estimular a circulação de recursos no sistema bancário, com foco nas instituições de pequeno e médio porte. Desta vez, o BC ampliou as possibilidades para que esses bancos possam elevar o dinheiro que têm em caixa com a venda de ativos para instituições financeiras de grande porte.

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