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Artigos - 16/10/2008 - 07h10

Uma hora a mais faz toda a diferença




Por Carlos Alberto dos Reis (*)

No próximo dia 19, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, terá início mais um horário de verão. Apesar de adotado há mais de duas décadas, apenas em 2008 oficializou-se determinação para que vigore, todos os anos, sempre no mesmo período: do terceiro domingo de outubro ao terceiro domingo de fevereiro. Haverá exceção quando este coincidir com o Carnaval, sendo então a mudança adiada por uma semana. A padronização é importante para as empresas planejarem de modo mais preciso a adequação de seus fluxos produtivos e também para a população em geral, reforçando o significado da medida, já arraigada na cultura dos brasileiros daquelas regiões.

O ganho de uma hora com luz solar é essencial para reduzir o consumo de eletricidade nos horários de pico. A claridade natural das 18 às 19 horas atenua, nesse intervalo de tempo, a demanda simultânea nas indústrias, escritórios e residências. Assim, não ocorrem sobrecargas e diminuem muito os riscos de blecautes na época mais quente no ano, quando cresce o uso de equipamentos de refrigeração, ar condicionado e ventilação, cujo funcionamento despende bastante energia. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema), a economia, que varia entre 4% e 5%, foi de dois mil megawatts no último horário de verão. Em dinheiro, isso representou R$ 10 bilhões.

Tal resultado, embora aparentemente tímido, tem grande significado neste momento em que o atraso e a insuficiência dos investimentos em geração, transmissão e distribuição mantêm viva a possibilidade de apagões. Para suportar a expansão do PIB verificada na década e possibilitar evolução de 5% por exercício, é necessário crescimento anual de ao menos 7% na oferta de eletricidade. Entretanto, isso não ocorre. A energia que o Brasil dispõe hoje para seus 183,9 milhões de habitantes é a mesma de dez anos atrás.

Segundo relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), há 23 usinas licitadas desde 2002, significando capacidade instalada total de 5.157 megawatts. Dessas, 12 ainda esperam a liberação ambiental prévia e cinco aguardam a licença de instalação. É lamentável constatar que, na prática, nada está acontecendo. Assim, respeitando-se os preceitos ecológicos e a sustentabilidade dos projetos, é necessário agilizar todo esse processo de licenciamento ambiental.

As usinas que entrarão em funcionamento rapidamente são pequenas e não atendem à demanda. As maiores são a de Santo Antônio e Jirau, leiloadas nos últimos meses, que irão gerar mais de seis mil megawatts por ano, o equivalente a meia usina de Itaipu, mas só estarão prontas em cerca de dez anos. É muito tempo! Afinal, não podemos esquecer que a eletricidade é essencial para a economia, a sociedade, as empresas e a própria segurança nacional. Portanto, o crescimento sustentado e o desenvolvimento não podem continuar reféns de políticas públicas ineficazes no campo da eletricidade, item fundamental da matriz energética brasileira.

Em condições normais de oferta, o horário de verão já seria adequado e recomendável. Na presente conjuntura nacional, é imprescindível! Uma hora diária de luz solar extra faz muita diferença. Além disso, bem que poderia iluminar as mentes de todos os que ainda não perceberam a gravidade de um problema que pode parar o País...

 

(*) Carlos Alberto dos Reis é presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo.

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