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Artigos - 10/10/2008 - 08h20

Quando a Pátria se omite




Por Luiz Leitão da Cunha (*)

Deixando de lado todas as questões comerciais com o Equador; ignorando a parcialidade com que o presidente Rafael Correa está tratando estes assuntos, passando por cima de contratos e deixando de submeter o assunto ao crivo do judiciário; levando em conta o inacreditável costume de o governo brasileiro engolir imposições de nossos vizinhos, resta uma pergunta: Como pode o presidente Lula calar-se diante da atitude ditatorial do presidente Rafael Correa ao suspender as garantias constitucionais dos cidadãos brasileiros Fernando Bessa e Eduardo Gedeon, funcionários da empreiteira Norberto Odebrecht, abrigados na embaixada do Brasil, desde o dia 23 de setembro? Por decreto, Correa os proibiu de deixar o país; sem processo legal, nada.

Por suas posições em atritos passados com outros vizinhos, o governo Lula e seu chanceler Celso Amorim podem até achar tudo isso muito natural, mas os cidadãos brasileiros, não. Estes, certamente, solidarizam-se com seus conterrâneos Bessa e Gedeon. Não se viu, todavia, grandes demonstrações de indignação na imprensa a respeito deste absurdo.  Talvez a crise econômica esteja obnubilando  a consciência nacional.

É notória a incapacidade do presidente Lula para administrar conflitos. Salta aos olhos a sua dificuldade de enfrentar o contraditório quando tem de tatear o terreno.  Prefere ceder a negociar, como fez quando o presidente boliviano Evo Morales, tal qual Correa, mandou o exército tomar conta das instalações da Petrobrás.

Nossa diplomacia, por motivos ideológicos, que os tem de sobra, ou por ordem presidencial, não se dá nem mesmo o trabalho de protestar energicamente contra a truculência do governo do Equador. Ante a expulsão da Odebrecht do Equador, o máximo que o governo brasileiro ousou foi suspender uma missão comercial que estava programada e anunciar a intenção, quem sabe, de suspender investimentos na infra-estrutura do país.

Outrossim, está dada a senha para o novo governo paraguaio insistir na revisão do Tratado de Itaipu. Ou, no mínimo, seguir pleiteando o aumento dos valores – de mercado, diga-se – pagos pela energia que compramos da cota não utilizada pelo Paraguai.

Talvez a lógica perversa a reger esta pusilanimidade seja a mesma que levou o país, para vergonha nacional, a deportar os lutadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara com inédita presteza, quando cabia acolhê-los. Diante daquele vergonhoso episódio, nada mais surpreende.

Pode-se aceitar muitas coisas dos governos, mas é intolerável que abandonem seus cidadãos. E não se diga que o seu acolhimento pela nossa embaixada representa uma atitude

em si. Não. Aí, o Brasil faz o mínimo, faz o que qualquer um faria. Dos cidadãos, a Pátria exige sacrifícios, mas a via é de mão dupla. Ou deveria ser.

 

(*) Luiz Leitão 

luizmleitao@gmail.com

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Comentários
Neto, em 11/10/2008 - 17h45

Ah, mas o Lula é um verdadeiro diplomata. Não sei nem para que temos embaixadores espalhados por todos os países! Para ele, esses fatos "Não tem jeito. O Brasil tem o papel de ser cobrado, porque somos o maior. Você imagina na sua casa, com seus irmãos menores, quando você morava com três, quatro irmãos, você podia estar certo, mas eles ficavam te cobrando coisas". Ah mas é igualzinho! Isso sem falar quando pediu desculpas em Senegal em nome de todo o povo brasileiro: “A dor da escravidão é como a dor do cálculo renal. Não adianta contar, só sentindo é que se sabe”. Já que o Papa pode, ele também pode. Como diria "Mamonas", "ai, como doi..."

Neimar Oliva, em 11/10/2008 - 02h37

Os cubanos disseram com todas as letras, inclusive a membros do judiciário brasileiro - que prontamente os procuraram - pra checar se estavam sendo pressionados pelo governo brasileiro, que estavam arrependidos e foram embora. Concordo com todo o resto. Um abraço.

 
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