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Meteorologia - 05/01/2010 - 10h53

Técnicos da Defesa Civil estavam no Morro da Carioca quando encosta desabou




Por Redação Pantanal News/Agência Brasil

Angra dos Reis (RJ) - Técnicos da Defesa Civil Municipal de Angra dos Reis estavam no Morro da Carioca no momento em que uma encosta deslizou, matando mais de 20 pessoas. Uma equipe de sete pessoas havia ido ao local no início da madrugada de sexta-feira (1º), devido a um deslizamento pequeno, que provocara o desabamento de uma casa, sem vítimas, bem próximo ao local onde minutos mais tarde ocorreria o desastre.

Os agentes retiraram moradores das casas do entorno e se preparavam para deixar o morro, quando um forte estrondo foi ouvido. Era o deslizamento maior, que provocaria o soterramento de várias casas no alto do morro e deixaria mais de 20 mortos.

A agente da Defesa Civil Thais dos Reis era uma das técnicas que estavam no Morro da Carioca no momento do deslizamento. Ela conta que quando foi ao morro atender ao desabamento de uma única residência, não imaginava que fosse presenciar um desastre.

“Quando começou a chuva, acreditávamos que teríamos problemas sim, mas não dessa grande proporção. Já vinha chovendo há dois dias, com chuva forte. Então, o solo já estava encharcado e imaginávamos que íamos ter trabalho, mas não nessa grande proporção”, disse.

Ao ouvir o barulho do deslizamento, os técnicos da Defesa Civil voltaram ao local onde toneladas de terra haviam descido do alto do morro. O primeiro trabalho foi retirar os moradores das casas que ainda não tinham sido afetadas pelo desastre. Em seguida, dois sobreviventes foram encontrados.

“Quando estávamos manobrando o carro para ir embora, ouvimos o barulho e aconteceu o deslizamento principal. Daí fomos para o local, começamos a tranquilizar as pessoas e tentar ver se havia vítimas a serem resgatadas o mais rapidamente possível. As pessoas estavam em pânico, achando que o morro ia cair”, afirmou a agente da Defesa Civil.

A primeira vítima socorrida com vida no Morro da Carioca foi Maria da Glória da Silva, de 34 anos. Ela havia saído de casa e estava na rua, se dirigindo à casa do pai para ver se tudo estava bem com ele, quando a encosta desabou.

“Quando eu desci, veio aquele estrondo todo. Aí a casa do vizinho desabou, me pegou e me enterrou. Fiquei presa da cintura para baixo. Eu não podia sair. Eu gritava muito por ajuda e ninguém escutava, porque era muita gente gritando. Teve uma hora que eu pensei que ia morrer e pensei: 'Não vou gritar mais'”, disse.

Segundo ela, pouco tempo depois apareceu um vizinho e começou a socorrê-la. Depois outra pessoas e, por fim, os técnicos da Defesa Civil, que haviam ido ao morro para atender a um desabamento de casa e acabaram presenciando um grande deslizamento.

Ainda com um hematoma na altura do olho direito, Maria da Glória não consegue parar de pensar naqueles momentos. “Eu vi tudo [o deslizamento]. Eu parei, botei a mão na cabeça, corri para um lado, corri para o outro, mas não tinha para onde correr. Até agora, não consigo parar de escutar os gritos de socorro que dei [quando estava soterrada]”, conta a vítima, ainda tentando se recuperar do trauma, em um abrigo improvisado numa escola no Morro do Abel, vizinho ao da Carioca.

Thais dos Reis conta ainda que, enquanto os técnicos da Defesa Civil prestavam os primeiros socorros às vítimas, um segundo deslizamento atingiu o mesmo local, quase colocando em risco a vida dos próprios agentes. “Passou a ser uma área de risco, porque estava sem luz e chovia muito”, disse.

Depois do resgaste dos poucos sobreviventes e da evacuação das casas próximas ao deslizamento, a busca por corpos só seria iniciada de manhã, com a ajuda do Corpo de Bombeiros.

 

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