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Artigos - 31/12/2009 - 08h57

SGC - Tapuracuara Mirim




Por Hiram Reis e Silva

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

Um desencontro de informações e tivemos de remarcar a saída do dia 24 para 25 de dezembro. O positivo deste atraso é que consegui fazer o ‘upload’ das fotos tiradas em São Gabriel da Cachoeira (SGC), fotografar a Missão Salesiana e mergulhar nas águas do Rio Negro.

Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto. (Quintino Cunha)

- Partida (25 de dezembro)

Às 4h45min a viatura do Exército estacionou na porta de nosso apartamento no Círculo Militar do Alto Rio Negro; como o material já estava perfeitamente embalado, o carregamento foi rápido. O Coronel Teixeira embarcou na boléia com os militares e eu preferi cuidar de meu caiaque, viajando na carroceria. O deslocamento foi rápido até o porto de Camanaus, a estrada asfaltada pela 21ª Companhia de Engenharia de Construção estava em boas condições. Descemos o caiaque e carreguei, cuidadosamente, o material no mesmo.
Parti às 5h50min, o sol ainda não havia aparecido no horizonte, mas a tênue claridade era suficiente para que eu pudesse avistar as rochas e desviar delas em tempo. Minha equipe de apoio capitaneada pelo Coronel Teixeira partiria no dia seguinte e nos encontraríamos, se tudo desse certo, a jusante da Ilha de Aracabu.
O alvorecer no Negro era totalmente diferente do Solimões. Não havia a gloriosa sinfonia de pássaros acompanhada pelo soturno coral de guaribas (bugios) ao fundo. O sol não demorou a surgir; a popa apontava diretamente para o astro rei e tive de colocar os óculos de sombra. O amanhecer no Negro lembrava o do Purus. As imagens perpassavam pela minha mente numa fantástica velocidade e eu, ora mergulhando no passado, ora no presente, viajava ao sabor dos acontecimentos de outrora misturados às cenas de agora. Minha memória recolhia fragmentos das passagens de um Alexandre Rodrigues Ferreira.

- Alexandre Rodrigues Ferreira

Penetrou na embocadura do Rio Negro, em 13 de Fevereiro de 1785, e rumou até a Vila de Barcelos, situada na margem direita do rio, 496 quilômetros à montante, aonde chegou no dia 2 de Março. Rodrigues Ferreira montou, aí, sua base de operações. Partiu de Barcelos a 20 de Agosto de 1785 e continuou a subir o Rio Negro, alcançando, em 14 de Novembro, a Fortaleza de São José de Marabitanas, limite extremo do domínio português. Durante o trajeto explorou diversos afluentes e visitou inúmeras povoações, recolhendo farto material de estudo. Uma semana depois retomou a Barcelos em 7 de Janeiro de 1786.
Empreendeu uma nova excursão, depois de refeito da viagem ao Alto Rio Negro. A 23 de Abril de 1786, desceu o rio, atingiu a foz do Rio Branco; subiu-o, ultrapassando a Fortaleza de São Joaquim, onde permaneceu algum tempo, convalescendo. Explorou diversos afluentes do Branco e regressou à base de operações, chegando a esta em 3 de Agosto de 1786.
Na expectativa de instruções da metrópole de além-mar, quanto à nova meta a ser atingida, permaneceu na base de Barcelos até 1788. Nesse período, realizou diversas jornadas no entorno da base, explorando as matas do Rio Negro, e determinou que o botânico Agostinho do Cabo explorasse o trecho do Solimões, até a altura do primeiro pesqueiro (290 quilômetros). Finalmente, após receber determinações expressas de Portugal, deixou a expedição a Vila de Barcelos em 27 de Agosto de 1788, em direção ao Rio Madeira.

- Comunidade Tapuracuara Mirim

“Ferreira menciona mais de 60 grupos indígenas, a que faltava até mesmo a identidade lingüística, com os seus variados dialetos. E como as povoações nem sempre se constituíam de famílias da mesma origem, em cada uma delas se ouviam vozes poliglotas, interpretativas do linguajar de cada componente etnográfica. Depois, examina-lhes as superstições, os costumes, os ornatos, bailes, instrumentos de toda espécie.”
 (José Pereira da Silva)
Ao sul da ilha de Aracabu, aportei na comunidade Tapuracuara Mirim. Os adultos me olhavam com certa desconfiança e logo descobri a razão, as garrafas de cachaça atiradas pela aldeia. As festividades de Natal há muitos anos eram regadas a caxiri e agora pelo produto manufaturado pago regiamente aos regatões.
Caxiri - para preparar o caxiri deve-se descascar e lavar a macaxeira e cortá-la em pequenos cubos que são colocados numa panela com água e cobertos com folhas de bananeira, para cozinhar. Após o cozimento, amassa-se bem a macaxeira com uma colher de madeira e deixa-se a massa esfriar. Depois a macaxeira cozida é triturada até que adquira a consistência de uma pasta. Côa-se a pasta. Acrescenta-se um pouco de água, e a caxiri está pronta para ser consumida. O grau de fermentação depende do tempo destinado a isso; quanto mais tempo, maior o teor alcoólico.
Depois de convencer o vice-cacique José Vicente Pena que não era um fiscal da FUNAI e sim um pesquisador, a desconfiança se dissipou e ele ordenou que o caiaque fosse transportado até sua casa, onde fiquei hospedado em um anexo. Embora os líderes das diversas comunidades que encontrei ao longo do percurso fossem de origem tucana, cada uma das comunidades guarda no seu seio diversas etnias que acabam miscigenando entre si. Existe um certo ressentimento das demais etnias em relação aos tucanos, já que sendo maioria sempre, por votação ocuparão cargos de liderança nas comunidades.
Comprei um pedaço de carne de porco moqueada e a esposa do Professor Agostinho, irmão do vice-cacique, preparou o jantar com um pouco de arroz e dois pacotes de massa que forneci. Comprei, do regatão estacionado na frente da comunidade, um refrigerante de dois litros a R$ 5,00.
“(...) O bufarinheiro conhecido nas cidades por teque-teque chama-se, no interior, regatão; somente, em lugar de transportar nas costas – pitoresco atlas da quinquilharia – o mundo de miudezas, transporta-o no bojo de uma galeota que desloca duas, três, quatro toneladas, dividida em seções de secos e molhados e tiradas a remo de faia. (...) Ninguém labuta mais arriscadamente do que ele no vale, rodeado de inimigos, cercado de perigos. Nada o faz, entretanto, esmorecer ou recuar, e, afrontando a própria morte, sobe aos últimos manadeiros para extorquir uma bola de borracha e vender algumas garrafas de cachaça”. (Raymundo Moraes)

 

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

 

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