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Antidrogas - 27/10/2009 - 09h49

Especialista diz que 40% de viciados em crack são de classe média






Por Redação Pantanal News/G1.com.br

Para psiquiatra, existe uma ‘epidemia do consumo da droga no Rio’. Ela se baseia em dados de internações em clínicas especializadas.

Um episódio trágico, no último fim de semana, fez um pai expor sua dor  publicamente deixando muitas famílias em alerta. Ao afirmar que viu uma pessoa boa se transformar em um assassino, referindo-se ao filho usuário de crack que estrangulou a amiga de 18 anos, ele revelou a dimensão dos efeitos devastadores dessa droga que já é altamente consumida em rodas de classe média.
De acordo com a psiquiatra Analice Gigliotti, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) e chefe do Setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, cerca de 40% dos usuários são pessoas de classe média.

“A gente não está falando de meninos de rua, com uma população em que 90% são dependentes pelas condições desfavoráveis em que vivem. Esse dado é baseado em informações dos números de internações em clínicas especializadas, que é um outro público”, explica.

“Não temos um monitoramento epidemiológico, mas não há dúvidas de que existe uma epidemia do consumo de crack no Rio. Houve uma disseminação assustadora dessa droga destrutiva nos últimos três anos”, afirma. Na segunda-feira (26) a polícia
apreendeu mais de 6 mil pedras na Zona Oeste.

'Acaba com qualquer um', diz estudante

Para a pesquisadora, como o vício do álcool, responsável por um alto índice de homicídios, o crack, uma droga “extremamente lesiva ao cérebro” também pode provocar muitas tragédias.

“É prazeroso, estimulante, acelerador. Com o uso de cachimbos ou coisa similar, a droga vai direto para o pulmão, que tem uma grande capacidade de absorção. A quantidade que chega ao cérebro é muito maior do que quando se cheira cocaína, cuja superfície é a mucosa nasal”, compara. “A dependência vem rápido.”

O estágio devastador da droga pode ser percebido no relato de um estudante de classe média alta, de 24 anos, que revela em seu blog pessoal a luta para se afastar do vício, depois de três anos.

“O crack realmente acaba com qualquer um. É muito poderoso. Conheço quase todos os tipos de drogas que temos no Brasil. Só nunca usei heroína. Classifico o crack como a mais viciante de todas. Com um efeito curto e muito intenso, devido a depressão após o uso, o usuário se vê obrigado a usar grandes quantidades. Não dá para fumar só uma pedrinha se você tem carro e dinheiro no bolso", conta. 

Droga atinge o cérebro em oito segundos

Conforme estudos científicos, ao ser fumado, o crack atinge o cérebro em cerca de oito segundos, após passar pelos pulmões e pelo coração. Vicia com apenas três ou quatro doses. O efeito dura de um a dois minutos.

A droga produz insônia, falta de apetite e hiperatividade. O uso prolongado causa sensação de perseguição e irritabilidade, o que leva o usuário a agir de forma violenta.

Segundo investigações da Delegacia de Combate às Drogas da Polícia Civil (DCod), o crack é vendido nas maiores favelas e morros do Rio, como Jacarezinho, conjuntos do Alemão, Maré e Manguinhos (subúrbio), Macacos e Mangueira (Zona Norte), Rocinha, Santo Amaro (Zona Sul) e São Carlos (Centro).

De acordo com a polícia, o crack é produzido em laboratórios clandestinos nessas localidades.

 

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