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Artigos - 23/09/2009 - 11h05

44° aniversário do 5º BECnst




Por Hiram Reis e Silva

“E rugem motores

No solo a rasgar,

Enormes tratores

Removem a terra sem parar

E a estrada cresce num olhar

Trazendo a Amazônia ao Brasil”.

(Hino do 5º BECnst)

 

No dia 25 de agosto, deste ano, escrevi um artigo homenageando a Engenharia Militar Brasileira, suas origens e seus feitos. Muitos dos meus correspondentes e leitores me escreveram relatando desconhecer esse lado empreendedor do Exército Brasileiro. Hoje, como ontem, a Engenharia Militar responde com oportunidade e alta qualidade técnica aos desafios que se lhe são propostos para atender aos reclames do desenvolvimento nacional. Aqueles que condenam o emprego da Engenharia Militar Brasileira em obras viárias ignoram sua história e sua missão que é, em tempo de paz, colaborar com o desenvolvimento Nacional, construindo estradas de rodagem, ferrovias, pontes, açudes, barragens, poços artesianos e inúmeras outras obras que se fizerem necessárias.

 

Dando continuidade às homenagens à Engenharia Militar transcrevo o texto, redigido pelo General de Brigada Reformado Tibério Kimmel de Macedo, veterano do 5º BECnst, por ocasião das comemorações do 44° aniversário do 5° Batalhão de Engenharia de Construção, sediado em Porto Velho - Rondônia.

 

- (Transcrito no Boletim Interno do 5º BE Cnst Nº 155 de 14/08/2009).

 

Instado pelo vosso Comandante, Tenente Coronel de Engenharia e Estado Maior Paulo Rabelo Viana, para formular um texto para ser lido na Formatura Geral da Unidade, comemorativa do quadragésimo quarto aniversário do nosso Batalhão, sumamente honrado com a empreitada que me distingue, ainda que ultrapasse minhas possibilidades, emocionado, tento fazê-lo.

 

Com os olhos da mente, vejo o pátio de formatura. Chão de laterita batida com pilão de mão. Linhas largas de cal, brancas e no pedregulho pintadas, marcavam o trajeto do desfile. A Bandeira, ao toque da Marcha Batida de uma banda com um tarol, uma caixa clara e uma corneta em si, hasteada. Um Cabo, somente no piston, tocava o Hino Nacional em frente da tropa, que em linha de Pelotões, face para o Norte, formava.

 

No topo do mastro e banhada pelo sol matutino, que projetava longa sombra do seu alto mastro na direção do rancho ainda em obras, tremulava. Na laterita dançava sua sombra, a sombra da “Senhora das nossas Batalhas” de todos os dias. Ao vê-la hasteada, lhe pedíamos não permitisse que, naquela jornada que iniciava, acontecesse algum acidente nos dois milhares de quilômetros, do estendido dispositivo das frentes de trabalho do Quinto.

 

“Mais de uma vez trememos diante do gigantismo da missão” disse o Cel Weber em fala à tropa em uma destas mesmas formaturas. Mas, diria, também: “Chora, filho, mas chora andando, porque o Quinto não pode parar”.

 

Não que se não soubesse que não se ataca empresa tamanha, em geografia em que tudo era não sabido, empresa e geografia de gêneros quais aqueles dos antigos tempos e dos que enfrentais, na atualidade, sem que se fique familiarizado com a idéia dos perigos com os quais se há de conviver e dos momentos, inúmeros, em que as Parcas se haverão de apresentar, mesmo que não desejadas companheiras. Como dizia o primeiro batedor dos matos destas picadas nos idos dos 1900, quando comandava um Quinto, que fazia parada em Cáceres: “Não era o imprevisto da sua chagada, o que nos aturdia, mas sim a mágoa de termos perdido um camarada com quem nos sentíamos irmanados pela comunhão dos trabalhos passados e das privações e esperanças provadas”.

 

Também, assim se passava naquela, então, reduzida e escassa Guarda Velha. “Desde que aqui chegamos, muitas coisas foram feitas, mas, apenas engatinhamos neste chão”, diria nosso primeiro Comandante. Muito progresso foi semeado, nestes nove lustros menos um ano. Progresso com a dedicação e o sacrifício de muitos plantado, nos paralelos da Amazônia Ocidental. Conhecendo-se as obras que fizestes e as cidades que plantastes, lembrando-nos que onde hoje há fecundo e pujante trabalho nada havia, senão as picadas que abristes, vós verdadeiros discípulos de Rondon sois, como ele o foi, uma fonte de vida e, com vossos passos, fecundais os desertos.

 

Com sua mente privilegiada e olhos de visionário, em Dezembro de 1970, o criador dos Batalhões da Amazônia antecipava que, (e o repito) “O Exército e a Engenharia em particular, estão prontos e prestes a cumprir a sua parte nesta grande obra, malgrado os obstáculos a vencer, os sacrifícios a enfrentar, os embates a superar honrando a bravura e o estoicismo de nossos antepassados representados pelosa missionários, soldados e sertanistas que conquistaram e mantiveram para o Brasil esta grande Amazônia”.

 

Diria, também o General Rodrigo Octávio, chefe de esguia figura que parecia só de fios de aço forjada, que envolviam e emolduravam sua contagiante obstinação na colimação dos objetivos que consubstanciavam a Cruzada Santa a que, com ardor missionário, se consagrara, Cruzada desenhada para desenvolver e defender a Amazônia. Nesta sua Cruzada traria o CMA de Belém para Manaus, ainda que o desejasse mais para dentro, em Porto Velho. Criaria a 12ª RM e três Batalhões de Engenharia de Construção, dos quais dois, da comprovação da eficaz atuação do nosso Quinto, nascidos. Mais dois outros, do recém concluído TPS (Tronco Principal Sul), para este quadrante noroeste da Carta Geral traria. Coluna vertebral do sistema ferroviário brasileiro que a Engenharia do Exército, ao construí-lo, desbravara o sertão em que desde 1938 palmilhava, e trinta anos passados outro sertão impunha desbravar, para desenvolvê-lo e: defendê-lo. Este, o anfiteatro em que o Quinto, não fazia muito, estendia suas frentes de trabalho.

 

“Apenas engatinhamos, tateando este chão imenso”, nos diria o Coronel Weber, quando a topografia do Quinto chegava no rio Embira.

 

Agrupadas estas formidáveis ferramentas do CMA neste mesmo chão conquistado e mantido pelos nossos antepassados estavam, o Exército e a Engenharia em particular, no dizer daquele Chefe visionário, prontos para cumprir a árdua missão de desenvolvê-lo e defendê-lo. A frase, lapidar, que é mostrada nos quartéis do CMA, todos a memorizamos pelos seus quatro verbos: conquistar e manter, desenvolver e defender. São o resumo da Cruzada Santa que, desde seu nascedouro, o Quinto com vigor de Pioneiro e o denodo de desbravador obstinado, realiza.

 

Vigor e denodo que, quais sinetes, estão gravados na alma de todos quantos, então tiveram, e dos que agora têm o privilégio de integrar o Mapa da Força do Quinto. Sinetes que, gravados em sua alma de Soldado e Engenheiro, já os trazia o primeiro Comandante quando escreveu a primeira proclamação ao seu Batalhão. O que é mais de admirar-se é que, ao escrevê-la, o seu Batalhão nada mais era que uma folha com o decreto que o criara, o Comandante, outros dois oficiais e um soldado. Quem o viu sentado junto a uma pequena mesa, sob uma lâmpada de luz amarelada de um PC improvisado, em sala emprestada que abrigava todas as seções do seu Estado Maior e, ainda, de alojamento lhes servia, a escrever aquela proclamação que no dia seguinte seria publicada no Boletim Interno Nº 1, de 18 de dezembro de 1965, sentiria que, ali estava o líder de quem o Gen Rodrigo Octávio passados menos de cinco anos chamaria “O maior pioneiro dos tempos atuais”.

 

Naquele Boletim, o “Alemão Weber”, quando o seu Batalhão, o Batalhão das Onças como depois ele o chamaria, de seu nada tinha, se achava a mais de seiscentas léguas do local que recebera como sua parada, escreveria: “A história da Engenharia Militar Brasileira apresenta-nos uma página em branco. Cabe a nós escrevê-la, sem deslustrar o caminho de nossas tradições, honrando a confiança que em nós foi depositada. Deus nos dê fortaleza de ânimo e estatura moral para enfrentarmos a magnitude da nossa tarefa”. Terminaria esta conclamação com o dístico “Eu não vivi em vão”.

 

Estas palavras do Comandante tinham, não obstante a solidão daquele PC emprestado e a absoluta falta de tudo que haveria que constituir a sua tão querida “Legião”, a força de uma Profissão de Fé, de sagrado juramento.  Deste privilegiado observatório, com os olhos da memória repasso as cenas vividas desde aquela do solitário Comandante em mesa sentado de um PC emprestado, até esta formatura que, ajudado pelas minhas antigas relembranças, imagino.

 

Formatura comemorativa do quadragésimo quarto aniversário deste aguerrido instrumento de trabalho, o nosso Batalhão. Batalhão que o Cel Weber chamava “Velha Legião Estrangeira, Batalhão Perdido, Batalhão de Maláricos, homens que choravam andando. No caminho do sofrimento temperamos nossas energias” e, acrescentava: “Senhor, dai-nos as armas, porque temos a vontade de vencer”.

 

Este caminho que, hoje, leva o mesmo rumo que aquele que a Legião trazia desde um PC emprestado, e quando nada de seu tinha, senão a vontade de vencer, é o que foi trilhado, com o mesmo vigor e o mesmo estoicismo durante estes quarenta e quatro anos que aqui, e nesta formatura, são comemorados.

 

Já nos idos do milhar de 1970, quando a Legião chegava com a ponta da estrada na capital do Acre e as turmas de topografia se enfiavam para além de Cruzeiro do Sul, o apóstolo da Cruzada para o desenvolvimento e a defesa da Amazônia, General Rodrigo Octávio, dizia aos seus comandados: “Estamos vivendo a Hora da Amazônia. Vivamo-la, pois, com fé, ardor, obstinação, entusiasmo incontido em nossas realizações profissionais. É chegada, realmente, A HORA DA AMAZÔNIA. Esta oportunidade de enquadrar a Amazônia, efetivamente, na vida econômica do País não a poderemos perder. Se a perdermos não mais voltará; daqui a meio século talvez seja tarde. Será que as gerações, andante e vindoura, deixarão de dar resposta imediata e audaciosa destinada a preservar a soberania incondicional daquela base física de mais de cinco milhões de quilômetros quadrados que é a Amazônia Brasileira, a Nossa Amazônia?”

 

A “Senhora das Batalhas”, do alto do seu mastro, há quarenta e quatro anos observa seus filhos na liça constante a se dedicarem, sempre atentos aos preceitos que os levam a perseverar nas suas obras, empreender as suas tarefas, cumprir as suas missões com obstinação e destemor, porque sabem que os teimosos são os realizadores e os que acreditam no que fazem, os sublimes.

 

Camaradas do Quinto, continuai, como sempre o tendes feito, trabalhai a vossa semeadura, com obstinação, pois que, com suas silhuetas desvanecidas pelas brumas do Tempo, uma legião de velhos camaradas, emocionados, vos acompanham nestas fileiras e colunas deste dispositivo formado neste pátio que já foi só de laterita coberto.

 

Parabéns pelo aniversário de vossa Unidade, o nosso velho Quinto da Guarda Velha.

 

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