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Artigos - 21/08/2009 - 09h17

O amigo César e Mamirauá






Por Hiram Reis e Silva

“Não há nenhuma outra floresta tropical no planeta onde o desnível entre as cheias e a seca seja de 11 metros, onde a água se espalha a cada ano por milhões de hectares. Os animais e plantas que aí vivem foram selecionados desde o final do Terciário para suportar estas variações”.

(José Márcio Ayres)

 - Sonho transformado em realidade

 Depois de mais de 300 palestras realizadas na região sul, nos últimos nove anos, em Universidades, Estabelecimentos de Ensino Médio, Cursinhos Pré-vestibulares, Lojas Maçônicas, Associações Comerciais e Organizações Militares, nas quais apresentamos a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá como modelo de preservação ambiental, chegou, finalmente, a oportunidade de conhecê-la ‘in loco’.

 Graças ao amigo Tenente Roberto Stieger, conheci, no INPA, a pesquisadora Vera F. Silva, a maior especialista em mamíferos aquáticos amazônicos do mundo. A amiga Vera, na oportunidade, acenou-nos com a possibilidade de que poderíamos conseguir autorização para visitar a reserva através do Instituto Mamirauá. O resultado final de todo este processo permitiu que, na área da reserva, fôssemos abrigados em seus flutuantes, sem qualquer ônus e tratados como pesquisadores. O Gerente Operacional do Instituto, senhor Josivaldo Modesto, conhecido como César, em particular, e cada um dos pesquisadores, funcionários e ribeirinhos que contatei dentro da Reserva foram incansáveis em nos apoiar.

 - O amigo César 

Guardarei com carinho, na memória, a imagem do amigo César e de sua querida esposa que tão gentilmente nos acolheram. É impressionante observar o dinamismo e a competência deste jovem empreendedor. Mamirauá está de parabéns por contar nos seus quadros com um profissional deste quilate.

 - Entrevista com o César

 Vou transcrever alguns trechos da entrevista que realizamos com ele:

 “Meu nome é Josivaldo Ferreira Modesto, trabalho no Instituto Mamirauá, sou coordenador de operações do Instituto. Aqui todos me conhecem como César, é uma história bem interessante, bem engraçada. Quando eu nasci minha mãe queria que eu me chamasse César e o meu pai, a revelia de minha mãe, registrou-me como Josivaldo Ferreira Modesto. E desde então, minha mãe continuou a me chamar de César e eu virei César até para o meu pai.

Eu sou pernambucano de Recife, nasci em março de 1972, tenho 36 anos. Penso que assim como toda criança, todo estudante aqui no Brasil, quando começa a estudar Geografia, História, quando falam da Amazônia, do estado do Amazonas, a gente fica fascinado. Todo estudante fica muito curioso, querendo saber como é isso aqui, como é essa terra e eu tive esta mesma sensação quando eu era estudante. Um sonho de conhecer a Amazônia, toda essa beleza que tem aqui.

 Eu tive a oportunidade de conhecer o professor Márcio Ayres que foi o idealizador do Instituto Mamirauá e, depois de um certo tempo, ele entrou em contato comigo e convidou-me para trabalhar aqui no Instituto, coordenando a parte logística, operacional e eu aceitei prontamente. Foi tudo tão rápido, ele falou num dia e, depois de 2 ou 3 dias, eu já estava aqui trabalhando. Ao chegar aqui, deparei-me com toda essa imensidão, toda essa beleza, toda riqueza cultural, esse povo que tem aqui na região e apaixonei-me de imediato. (...)

 No início da década de 80, mais ou menos, o Dr. Márcio Ayres veio para a região para estudar a sócio ecologia de uma espécie de macaco endêmica de Mamirauá, endêmica porque só tem aqui essa espécie de macaco, que é o Cacajao calvus calvus, conhecido como o uacari branco aqui na região e em outros lugares também. Como ele é endêmico de Mamirauá, o Márcio Ayres teve de vir até aqui estudar esse macaco. Quando ele chegou, na década de 80, já existia uma grande pressão dentro dessa grande área. Uma pressão em cima dos recursos naturais, principalmente, dos recursos pesqueiros e madeireiros.

 Já existia também por parte das populações locais uma vontade, um ensejo muito grande de que o poder público ou de que alguma entidade fizesse alguma coisa para diminuir essa pressão em cima dos recursos naturais. Já existia uma forte parceria dessas comunidades com a diocese de Tefé, pois a igreja aqui em Tefé já trabalhava nesse sentido junto com as populações. Muita gente pensa que o Mamirauá foi quem iniciou esse movimento, mas não foi, foram as próprias populações, incentivadas, apoiados pela igreja antes da década de 80.

 Márcio Ayres, como era um cientista muito conhecido, com uma influência muito grande no meio científico e até no meio político, conseguiu juntar uma equipe de cientistas e reunir uma grande parte dos representantes das comunidades da reserva, naquela época não era reserva ainda, e fizeram uma proposta para o governo do estado do Amazonas de criação de uma unidade de conservação, uma estação ecológica. A idéia foi aceita pelo governo do Amazonas e pela Assembléia Legislativa do Amazonas que criou a então, estação ecológica de Mamirauá.

 Uma vez decretada, criada a Estação Ecológica de Mamirauá, a equipe toda se deparou com um fato interessante - como fazer, o que fazer, o como trabalhar numa unidade de conservação que tem o perfil totalmente, protecionista, preservacionista como é o caso da Estação Ecológica, se dentro da área tinha aproximadamente 11.000 pessoas? Como trabalhar, retirar o povo dessa área? Com toda a sua história, toda a sua cultura enraizada já naquele local era um desafio praticamente impossível.

Então, toda a equipe se reuniu, foram abertos vários fóruns de discussão e dentro dos preceitos de desenvolvimento sustentável, que já havia sido discutido em 1970 em Estocolmo e aí foi elaborado um novo modelo de unidade de conservação que é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Foi solicitado ao governo do estado que criasse essa nova categoria e foi aceito, foi criado. Mamirauá então deixa de ser Estação Ecológica que é um modelo totalmente preservacionista, que não permite a presença humana dentro de suas áreas e criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. (...)

 O Instituto em si desenvolve várias atividades junto às comunidades, poderia resumir e dizer que o Instituto tem duas grandes linhas de ação. Uma linha de ação voltada para o manejo dos recursos naturais de forma sustentável, aí englobamos uma série de atividades como, por exemplo, a agricultura familiar, qualidade de vida, manejo de pesca, manejo de espécies madeireiras. E a outra parte, que seria de pesquisa, as pesquisas aplicadas sobre fauna e flora aqui na várzea amazônica e essas duas grandes linhas de ação complementam-se e o objetivo é oferecer alternativas e subsídios para tomadas de decisão dos líderes comunitários das reservas.

 Dentro de qualidade de vida, temos várias atividades, temos um programa dentro desse núcleo que se chama desenvolvimento de tecnologias apropriadas, que trabalham com a incrementação de sistemas de obtenção de energias renováveis como, por exemplo, energia solar, semicaptação e tratamento de água do rio. Temos o sistema de ação e desenvolvimento de tecnologia de uso da biomassa para queima em fogões ecológicos. Tem também toda a parte de atenção à saúde, capacitação de parteiras, convênios com o Ministério da Saúde, outros convênios com o Ministério da Justiça, atividades de educação ambiental em Tefé e em todas as áreas da reserva. Tem a parte de fiscalização que é a formação de agentes ambientais voluntários e aí nós temos uma parceria muito forte com o IBAMA, aqui em Tefé na formação desses agentes. A Polícia Militar também nos apoia na questão de fiscalização.

 Enfim, é uma gama de atividades que nós temos, onde uma complementa a outra e faz com que o sentido e o resultado dessas ações sejam um subsídio muito forte para auxiliar na tomada de decisão por parte das comunidades da reserva.

 O trabalho da minha coordenadoria em si, eu sou um membro da diretoria do Instituto e minha função é assessorar as diretorias do Instituto na implementação da parte logística que apoia todas as pesquisas dentro dessas duas grandes áreas. Também apoia todas as atividades planejadas e desenvolvidas pelas comunidades dessas duas áreas, temos que planejar, executar e participar de toda a parte logística. Até o transporte do pesquisador aqui de Tefé para o campo de pesquisa; aqui na Amazônia não existem estradas asfaltadas ao longo do grande rio Amazonas, então nossas estradas são os rios mesmos, nosso transporte é feito em lanchas, em barcos, botes, em voadeiras, em canoas. O pesquisador, quando vai a campo, ele vai por via fluvial, então nossa missão é fazer com que esse pesquisador, esse grupo de pesquisa se desloque de Tefé ao campo de pesquisa com segurança de forma rápida e eficiente e retorne também com segurança e satisfeito com as facilidades que o Instituto provê para que a pesquisa dele seja bem feita, e o resultado seja o melhor possível.

 Nós estamos falando de uma área (Mamirauá) que é 100% várzea, é 100% alagada o ano inteiro, existe uma variação sazonal do nível da água de 12 metros. Hoje dia 2 de janeiro de 2009 nós estamos caminhando onde daqui a 3 meses nós estaremos navegando 12 metros acima. Essa característica impar da região e nos faz pensar em um tipo especial de alojamento, de habitação em campo. Aqui no nosso caso as habitações, os alojamentos são todos flutuantes, são casas que flutuam mesmo. Casas normais como temos em qualquer cidade, só que fica flutuando em cima de toras de madeira e servem de alojamento e apoio estratégico para os pesquisadores, para os comunitários e apóia também o sistema de fiscalização das reservas. Todas as bases são equipadas com sistema de energia solar, sistema de rádio para fortalecer o esquema da segurança. Não só da segurança pessoal, como também da segurança da reserva. Funciona vinte e quatro horas por dia e nós ficamos aqui em Tefé com uma base logística flutuante vinte e quatro horas aguardando toda e qualquer comunicação que venha de qualquer ponto das reservas. Como falei, Mamirauá tem 1.124.000 hectares e Amanã tem quase 2.400.000 hectares, uma área muito grande com essa característica, no caso de Mamirauá de ficar inundado o ano inteiro, com variação de 12 metros de nível de água. E Amanã pega uma pouco dessa questão da várzea.

 A idéia do Márcio Ayres era que o Instituto Mamirauá, e as reservas Mamirauá e Amanã fossem realmente grandes laboratórios abertos para a Comunidade científica, para que todos os estudiosos interessados na Amazônia e no desenvolvimento sustentável e isso realmente está acontecendo, ocorre de forma muito visível. Mamirauá hoje recebe estudantes e pesquisadores de várias partes do país. Hoje temos gente da UNICAMP pesquisando aqui, há pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal Fluminense e uma quantidade muito grande de relacionamentos institucionais científicos que Mamirauá tem. E também com outras universidades em outras partes do mundo. A idéia é essa, é fazer com que todos nós possamos unir esforços, do ponto de vista humano também para produzir e difundir esse conhecimento, melhorar ainda mais a qualidade de vida desse povo brasileiro”.


Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br.

 

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

 

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