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Artigos - 03/08/2009 - 07h09

Ode à Maguari - Réquiem à Lagoa da Fortaleza




Por Hiram Reis e Silva(*)

“Às vezes, as garças se animam

com o assovio dos ventos chamando

a noite. E dançam. Dançam o passado

cravado às asas. Nunca procuram

caminhos de volta: foram apagados”.

(Maria Lúcia Martins)

 

- Treinamento para o Rio Negro

 Nem mesmo os rigores do inverno devem impedir ou prejudicar o treinamento para meu novo desafio, a Descida do Rio Negro (1.100 Km) em Dezembro, de Cucuí a Manaus, de caiaque. Minhas raias tem se alternado, regularmente, entre as águas do Rio Guaíba e das Lagoas litorâneas. A terça-feira (28 de julho) amanheceu ensolarada, esperei até as 11h00 para que a temperatura se tornasse mais amena antes de iniciar a navegação na Lagoa da Fortaleza, em Cidreira. Seria apenas um treinamento curto tendo em vista que as previsões meteorológicas previam tempo ruim na parte da tarde. A velocidade do vento oscilava entre 2 e 3 nós e as ondas entre 20 e 40 centímetros, tudo indicava que seria mais um habitual dia de treinamento. A lagoa e as paisagens no seu entorno eram minhas velhas conhecidas e, em consequência, o percurso não prometia grandes novidades.

 - Ode à Maguari

 Eu havia decidido iniciar minha rota contornando o perímetro da Lagoa remando há uns 50 metros da margem rumo norte. Depois de remar por 15 minutos passou, a poucos metros sobre mim, uma enorme Garça Real, também conhecida como Garça Moura ou ‘Maguari’. Diferente dos demais pássaros que se afastam repentinamente, quando se aproximavam do caiaque, ela não alterou seu curso e foi pousar tranquilamente dentro d’água próxima à margem de onde ficou me observando.

 Garça Maguari (Ardea cocoi): é a maior das garças brasileiras podendo atingir 1,80 de envergadura. Fora do período reprodutivo vive solitária, e mesmo nessa época, a maioria mantém-se isolada durante a alimentação. O vôo, em linha reta, com o pescoço e as pernas totalmente esticados, é ritmado com lentas batidas de asas. Pousa nas margens dos rios, lagoas e banhados, oculta pela vegetação, onde captura peixes e anfíbios. Nidifica na parte superior das árvores mais altas e os ovos são chocados e cuidados pelo casal. A plumagem apresenta um contraste do branco do pescoço com o dorso acinzentado e as laterais escuras do ventre. Possui uma listra negra da parte inferior do pescoço, bem como no alto da cabeça. Ao redor dos olhos possui uma coloração azulada e o bico é amarelo. (Pantanal - Guia de Aves - Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc)

 Continuei minha jornada e fui surpreendido novamente, quando a ‘Maguari’ passou desta vez pela proa do caiaque, virando sua cabeça, me observando-me, indo pousar logo adiante de onde permanecia me avaliando. A cena se repetiu diversas vezes e, em uma das oportunidades, ela pousou nas areias da praia de uma pequena enseada e de lá acompanhou, de modo a não me perder de vista, a passos largos, a minha movimentação. Quando aportei, depois de remar uma hora, ela se afastou desaparecendo ao longe por trás das dunas imaculadas.

 Fiz um tour pela área admirando a vegetação e identificando os vestígios de capivaras e ratões do banhado que ainda habitam a região protegidos, que são, pelos zelosos e conscientes fazendeiros locais. Não esperava mais rever minha estranha amiga, mas, alguns minutos depois de iniciar meu retorno, a ‘Maguari’ cruzou novamente pela proa do caiaque há uns 10 metros de distância de maneira que pude identificar até a cor de seus olhos. Ela continuou a me acompanhar até o sítio de onde iniciara seu périplo.

 O que era para ser mais um rotineiro dia de treinamento se transformou numa experiência mágica em que dois seres, tão distintos, tiveram seus destinos cruzados, ainda que momentaneamente, pelas mãos do Grande Arquiteto do Universo. Foi um dia muito especial. Guardarei com carinho a cor daqueles brilhantes olhos da amiga ‘Maguari’ me fitando.

 - Réquiem à Lagoa da Fortaleza

 

Mas nem tudo foi perfeito. Verificando as águas rasas junto às margens não havia qualquer sinal de vida aquática. Nem mesmo os famosos pequenos peixes ‘barrigudinhos’ que infestam qualquer pequena lâmina d’água. Lembro de minha adolescência quando se capturavam, nas suas águas, lambaris, tainhas, peixes-rei e mesmo siris.

 Iniciei, há uns vinte anos, minhas navegações pela Lagoa de Cidreira (Fortaleza) e desde então observo, constrito, a vida a se esvair de suas águas. A Corsan, há anos, represou as águas da Lagoa de Cidreira para captação de suas águas para o consumo humano. Os peixes que migravam desde o mar pelo rio Tramandaí e pelos canais que o unem a lagoa Custódia e outras três até a Lagoa da Fortaleza foram impedidos de fazê-lo. A diferença dos níveis das águas, que na estiagem pode atingir dois metros, no dique, impedem tainhas, peixes-reis, dentre outros, de alcançar as águas da Fortaleza. Não houve, na época da construção da represa, a preocupação de construir um acesso aos peixes para que isso não acontecesse.

 É interessante verificar que os ecologistas gaúchos que se preocupam e se mobilizam com desmandos tão distantes de suas plagas não se interessem pelas ações inconsequentes que são perpetradas debaixo de suas ventas. Será que aos talibãs verdes não interessam uma empreitada deste tipo porque ela não obteria a tão ‘necessária’ repercussão na mídia sensacionalista?

 


(*)Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

 


 

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