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Artigos - 20/07/2009 - 16h15

Honra ao demérito






Por Luiz Leitão (*)

“Se a economia não serve para o bem-estar da sociedade, é porque estão prevalecendo os interesses dos mais poderosos sobre os mais fracos”.

 A lúcida frase acima - praticamente um truísmo -, proferida recentemente pela presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, recende, em vista do seu deplorável governo, a deboche ou hipocrisia, mas ilustra com perfeição a falsidade do discurso político da maioria dos governantes.

 Algo semelhante poderia ter saído da boca do presidente Lula, que acaba de ser agraciado com o prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos".

 Antes de questionar o que mesmo Lula fez, em termos práticos, pela promoção da paz e da igualdade de direitos, cabe perguntar por quais estranhas lentes a comunidade internacional enxerga a figura de nosso governante, que não percebe o presidente desbocado, de palavras fáceis e vazias, que execra os senadores porque querem investigar a Petrobrás, chamando-os de pizzaiolos, intrometendo-se em outro Poder, como fez nas várias críticas ao Judiciário e aos Tribunais de Contas e Eleitorais, contribuindo para conturbar as relações entre as instituições, e até para deteriorá-las.

 O problema é que essas baboseiras, proferidas em profusão pelo presidente, certo de que a sua popularidade o brinda com o dom da eterna inimputabilidade, não são adequadamente divulgadas no exterior. Se o fossem, soubessem analistas e autoridades estrangeiras dessas atrocidades verbais perpetradas dia sim, outro também, pelo chefe do Executivo, eles passariam a ver o Brasil de outro ângulo, com um pé atrás.

 E Obama não chamaria Lula de "O cara".

 Temos um presidente que adula ex-inimigos, notórios violadores de leis e normas de boa conduta, que passa a mão na cabeça de gente dona de péssimos currículos.

 Um adulador de ditadores, muito à vontade em visita ao terrorista e assassino líbio Muamar Khadaffi, admirador de ditadores do quilate de Fidel Castro; que declama seu apoio ao fraudador de eleições a antissemita iraniano Mahmoud Ahmadinejad, e cuja diplomacia, por orientação sua, se esquiva de apoiar a condenação de violadores de direitos humanos e de condenar o emprego de bombas-cacho (cluster-bombs).

 O governante que invariavelmente cede às abusivas pressões de governos vizinhos, da Argentina, com suas imposições unilaterais, da Bolívia, que expropria refinarias de sua tão cara Petrobrás; que fez o papel de cabo eleitoral de Hugo Chávez e Evo Morales.

 Não fosse tudo isso o bastante, noticia-se que o governo brasileiro irá se curvar às exorbitantes demandas paraguaias, à custa do consumidor brasileiro, que arcará com mais aumentos de preços nas já extorsivas tarifas de energia, recheadas com 40% de tributos.

 Enquanto Lula estende o chapéu alheio em cortesias a um país vizinho que mais atrapalha do que ajuda, um entreposto de armas, drogas e contrabando, mais de 18.000 escolas brasileiras ainda não têm energia elétrica.

 O laureado promotor da paz e igualdade de direitos certamente não se pauta por aquelas palavras de Cristina Kirchner quando se sabe que no Brasil os pobres pagam muito mais impostos que os ricos, protegidos por Lula ao demitir a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, que ousou concentrar a fiscalização em grandes empresas.

 Igualdade de direitos é um conceito que se estende à boa qualidade dos serviços públicos, que ficará ainda mais comprometida com o projeto de lei patrocinado pelo governo para restringir a fiscalização do Tribunal de Contas da União.

 

Luiz Leitão luizmleitao@gmail.com

 

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