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Artigos - 21/05/2009 - 07h10

Padre Cristobal de Acuña e o Rio Negro




Por Hiram Reis e Silva (*)

Por coronel Hiram Reis e Silva, 20 de Maio de 2009

 

“Olha esta água, que é negra como tinta.

Posta nas mãos, é alva que faz gosto;

Dá por visto o nanquim com que se pinta,

Nos olhos, a paisagem de um desgosto.

(Quintino Cunha)”.

Estamos iniciando o planejamento da 2ª fase do Projeto-Aventura ‘Desafiando o Rio-Mar’. Com o objetivo de iniciar uma metódica preparação intelectual sobre nossa próxima jornada, no rio Negro, no final do ano, vamos publicar uma série de artigos que visam apresentar aos leitores um pouco, dos mistérios e encantos dessa jóia de águas negras. A descida do ‘Rio Negro’, de caiaque, é, também, uma homenagem ao importante escritor da literatura brasileira, Euclides da Cunha, no ano do centenário da sua morte. Euclides foi covardemente assassinado em 15 de agosto de 1909, aos 43 anos de idade.

- Projeto-Aventura ‘Desafiando o Rio Mar’ - 2ª Fase

Percorremos todo o Rio Solimões, de Tabatinga a Manaus, num percurso que superou os 1700 quilômetros, tendo em vista a exploração de afluentes, paranás, furos e lagos ao longo de sua calha. Não atingimos o Mar, como o próprio nome do projeto indica, mas resolvemos que, antes de atingi-lo, devemos percorrer o quarto maior rio brasileiro em vazão: o Rio Negro. Estamos na fase de planejamento e treinamento sem uma data marcada para o início da jornada, tendo em vista que ainda não dispormos dos recursos necessários, da ordem de R$30.000,00 para a execução do projeto.

- Cristobal de Acuña

Filho de família nobre e influente nasceu em Burgos, em 1597. Ingressou na Companhia de Jesus, em 1612, e tão logo recebeu as ordens sacras foi enviado para a América. Foi professor de Teologia moral no Colégio de Cuenca (Quito) e mais tarde reitor daquele estabelecimento. Em fevereiro de 1639, juntamente com outro irmão da ordem, o padre André de Artieda, foi designado para acompanhar Pedro Teixeira na sua viagem de volta pelo rio das Amazonas chegando à Belém em dezembro do mesmo ano. A sua ‘Relación del Descubrimiento del rio de las Amazonas’, que revela pormenores importantes da viagem de Pedro Teixeira, teve a primeira edição publicada em Madrid, pela Imprensa del Reyno, em 1641.

- O Batismo do Rio Negro

Embora Cristobal de Acuña relate na sua ‘Relación del Descubrimiento del rio de las Amazonas’ que, em decorrência da cor de suas águas, ‘chamaram os portugueses, com muita razão, a esse grande rio de Negro’ o batismo já havia sido realizado pelos espanhóis de Francisco Orellana quase cem anos antes.

“Neste mesmo dia, saindo dali, prosseguimos a viagem, vimos a boca de outro grande rio que entrava pelo que navegávamos, pela margem esquerda, cuja água era negra como tinta e, por isso, o denominamos rio Negro. Suas águas corriam tanto e com tanta ferocidade que por mais de vinte léguas faziam uma faixa na outra água, sem com ela misturar-se”. (Frei Gaspar de Carvajal - 03/06/1542)

- Capítulo LXV - o Rio Negro

“A menos de trinta léguas abaixo do Basururu, na mesma margem norte, na altura de quatro graus, sai ao encontro do Amazonas o maior e mais formoso rio que em mais de trezentas léguas lhe rende vassalagem. Apesar de tão poderoso em sua entrada, que é de légua e meia de largura, parece que se resiste a reconhecer outro maior, e ainda que o Amazonas com todo seu caudal lhe lance braços, não querendo sujeitá-lo, ombro com ombro, sem respeito algum, senhoreando-se da metade de todo o rio, acompanha-o por mais de doze léguas, distinguindo-se claramente as águas de um e do outro, até que, não sofrendo o Amazonas tanta arrogância, envolvendo-o em suas águas turvas faz com que entre em seu curso e reconheça por dono ao que ele queria avassalar. Chamaram os portugueses, com muita razão, a esse grande rio de Negro, porque em sua boca, e muitas léguas adentro, a grande fundura que possui e a claridade da água de imensos lagos que nele vertem fazem parecer tão negras suas ondas, como se de propósito estivessem tingidas, apesar de que em seu natural são cristalinas.

Faz seu curso de oeste para leste em suas origens, embora as voltas sejam tantas que em curtas distâncias toma vários rumos diferentes, mas a direção que segue por muitas léguas antes de entrar no Amazonas é a de poente a oriente. Os nativos que o habitam chamam-no Curiguacuru, embora os Tupinambá, (...), tenham lhe dado o nome de Uruna, que em sua língua quer dizer ‘água negra’.

Da mesma forma estes Tupinambá chamaram o principal, o Rio das Amazonas, neste lugar, de Paranaguaçu, que significa ‘rio grande’, para distingui-lo de outro menor, mas muito caudaloso, que chamam de Paranamiri, ou seja, ‘rio pequeno’, que deságua, pelo lado sul, uma légua antes do rio Negro. Tal rio os nativos afirmam estar muito povoado por diferentes tribos, a última das quais está vestida e usa chapéus, sinal certo de que se avizinham dos espanhóis do Peru.

Os índios que habitam as águas do rio Negro formam grandes nações, (...). Os que primeiro habitam um braço que sai deste rio, por onde, segundo informações, vai-se dar no rio Grande, em cuja boca, no mar do Norte, estão os holandeses, são os Guaranaquazana.

Todas estas tribos usam arco e flecha, muitas delas envenenadas. As terras deste rio são todas altas, de grande fertilidade e, cultivadas, prometem quaisquer frutos, mesmo os da nossa Europa, em algumas partes. Possuem muitas e boas campinas, cobertas de pastos maduros para poder nelas pastar inúmeras cabeças de gado.

Crescem ali grandes árvores, que produzem madeira de boa qualidade para todo tipo de embarcações e edifícios que, não apenas com elas, mas também com muito boa pedra que neste rio abunda, podem ser edificados.

Estão suas margens habitadas por todo o tipo de caça e, embora seja verdade que o pescado neste rio não seja tão abundante como no Amazonas, pelo fato de suas águas serem tão cristalinas, nos lagos formados terra adentro sempre se colhe peixes a mancheia.

Há em sua foz bons sítios para fortalezas e muita pedra para levantá-las, com o que se poderá defender a entrada do inimigo, que por suas águas quiser chegar ao rio principal. Se bem que eu julgo que não seja neste lugar, mas muitas léguas adentro, no braço que desemboca no rio Grande, conforme já mencionei, onde se deva concentrar toda a defesa, com o que ficaria: totalmente fechada a passagem ao inimigo para todo este novo mundo, o qual, sem dúvida, cobiçoso haverá de tentar fazê-lo em alguma ocasião.

Não me atrevo a afirmar se o rio Grande, onde desemboca esse braço do rio Negro, é o rio Doce ou o Felipe, mas muito me inclino a achar que seja este segundo, de acordo com boas demarcações, já que este é o primeiro rio considerável que, após algumas léguas, entra no mar depois do cabo do Norte”. (...)

- Capítulo LXVI - tentam os portugueses entrar pelo Rio Negro

“A armada portuguesa, de volta de viagem, encontrava-se na boca do Rio Negro, a doze de outubro de mil seiscentos e trinta e nove, quando, considerando-se já às portas de suas casas, os soldados tinham os olhos voltados não sobre os lucros que traziam, que eram nada, mas sobre as perdas que, no espaço de mais dois anos em que tinham andado nestes descobrimentos, tiveram e que não eram poucas. (...) As notícias da existência de muitos escravos que possuíam, os nativos que viviam no interior deste rio, tornava a ocasião propícia, e não deveriam deixá-la passar, sem aproveitar-se disso. (...) Sem esses escravos, sem dúvida, seriam menosprezados pois, tendo passado por tantas e diferentes tribos e tendo encontrado tantos escravos, chegavam de mãos vazias.

O capitão-mor dava mostras de querer satisfazê-los, talvez porque eles fossem muitos e ele um só, e desta forma deu autorização para que pusessem velas nas embarcações porque: o vento em popa favorável para a entrada as pedia. Todos estavam alvoroçados com esta determinação e ninguém se prometia menos que um grande número de escravos. E houve até quem não se contentaria se a parte dos escravos que lhe tocasse não chegasse a trezentos”. (...)

- Capítulo LXVTI - requerimento encaminhado ao exército

“Os padres Cristóbal de Acuna e Andrés de Artieda, religiosos da Companhia de Jesus, (...) No presente, tendo entendido, pelo que muitos dizem e pelas velas preparadas para navegação, que o capitão-mar Pedro Teixeira, e os demais capitães e oficiais maiores desta armada, em cuja companhia viemos por mandato de Sua Majestade, tentam estender mais esta viagem entrando pelo rio Negro, em cuja boca nos encontramos atualmente, com o desígnio de nele resgatar peças escravas, para levá-las como tais a fazendas do Pará e Maranhão, como costumam fazer, em todas as entradas que desde o dito Pará dirigem aos nativos que habitam seus confins.

E porque nisso se há de gastar forçosamente muito tempo, segundo dizem pessoas experientes em semelhantes entradas, e há de haver ainda muitos outros inconvenientes (...) com o devido respeito, requeremos ao capitão-mor Pedro Teixeira, ao coronel Bento Rodrigues de Oliveira, ao sargento-mor Felipe de Matos, aos capitães Pedro da Costa e Pedro Baiào e aos demais oficiais vivos que no momento se acham dirigindo este exército na boca do rio Negro. (...) que o atraso pode resultar em muitos e graves inconvenientes, como o é a demora de Sua majestade em ampliar a fortificação deste rio, que já há tantos anos deseja que se explore, esperando a rapidez com que nós haveríamos de chegar com as informações deste rio, e se, nesse ínterim, apoderar-se o inimigo de suas principais entradas, resultará em grandes prejuízos para a coroa real. Além disso, tão bons e esforçados capitães, como os que aqui vão, com tanta demora, farão falta, sem dúvida, na fortaleza do Pará, onde, se o inimigo chegar estando eles ausentes, seria muito provável sua perda.

(...) Por tudo isso, e algo mais que pudesse se oferecer em desserviço das duas Majestades, divina e humana, e prejuízo da salvação de tão grande quantidade de almas como há neste rio, de novo e outra vez voltamos a requerer ao referido capitão-mor Pedro Teixeira, coronel, sargento-mor, capitães e demais oficiais que no momento dirigem este exército, que não dando lugar a atrasos que não sejam do serviço de Deus e de Sua Majestade, com maior rapidez se procure que sigamos nossa viagem ao Pará, para dali passar à Espanha com a finalidade de cumprir o objetivo e obrigações de nosso legado, e que se possa fazê-lo com brevidade, (...)”

- Capítulo LXVIII - prossegue a viagem e do Rio da Madeira

“Redigido este documento e comunicado ao capitão-mar, ele alegrou-se muito de ter já alguém que se pusesse ao seu lado e, reconhecendo a força dos argumentos, mandou no mesmo instante recolher as velas, cessar todos os preparativos e dispor para que no dia seguinte, voltando a desembocar pela foz do rio Negro, prosseguíssemos todos, pelo Rio Amazonas abaixo, nossa viagem”.

Fonte: ACUÑA, Cristobal de - Novo Descobrimento do Rio Amazonas - Uruguai, Montevidéu,1994 - Editora Oltaver S.A. Buenos Livros Activos.

 

(*) Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

 

Telefone:- (51) 3331 6265

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

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