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Artigos - 18/05/2009 - 07h28

Luiz Carlos Prestes ‘O Cavaleiro da Desesperança’




Por Hiram Reis e Silva (*)

 

Por Coronel Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 18 de Maio de 2009

 

“Malévolos sicários, raça espúria, sem Pátria, ermos de brio,

Já traidores alfanges afiando, o ensejo só aguardam favorável

De ensopá-los no sangue daqueles a quem bens, e honra devem”.

(Domingos José Gonçalves de Magalhães)

- Luiz Carlos Prestes

O militar e militante comunista brasileiro, Carlos Prestes, nasceu em Porto Alegre no dia 3 de janeiro de 1898. Declarado Aspirante da Arma de Engenharia pela Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1919, exerceu as funções de engenheiro ferroviário, como tenente, até ser transferido para o Rio Grande do Sul. Em outubro de 1924, já como capitão, liderou um grupo de rebeldes na região das missões do Rio Grande do Sul. Os revoltosos receberam adesões de várias partes do país iniciando sua marcha até Foz do Iguaçu. No Paraná, reforçados por um contingente de paulistas, receberam a designação de Coluna Miguel Costa-Prestes, que com 1500 homens, percorreu durante dois anos e cinco meses mais de 25.000 km. As baixas chegaram a quase 800 homens em decorrência das doenças e mortes em combate.

- Cavaleiro da ‘Esperança’

Prestes iniciou seus estudos sobre o marxismo na Bolívia, onde havia se refugiado no final de 1928, com grande parte dos membros da Coluna. Em 1930 retorna clandestinamente a Porto Alegre. Instado a comandar a Revolução de 30, recusa-se a apoiar ao movimento. Convidado pelo governo Soviético, em 1931, emigra para aquele país, onde trabalha como engenheiro e aperfeiçoa seus estudos marxistas, iniciados na Bolívia. Em agosto de 1934, por pressão do Partido Comunista Soviético, é finalmente aceito pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) em seus quadros. Eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista (IC), volta para o Brasil em dezembro de 1934, acompanhado pela amante alemã Olga Benário, com o objetivo de liderar uma revolução armada no Brasil, seguindo a orientação de Moscou.

- Aliança Nacional Libertadora

É recebido calorosamente pelo presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro. A ANL congregava, nas suas hostes, tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas. Em julho de 1935 divulga um manifesto exigindo ‘todo o poder’ à ANL e a derrubada do governo de Getúlio Vargas.

- Intentona Comunista

No período de 23 e 27 de novembro de 1935 as cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro foram os palcos da primeira estúpida tentativa de implantação de um regime comunista no Brasil. Em nome de uma ideologia alienígena a traição, o homicídio e a covardia foi o caminho escolhido pelos ‘heróicos’ seguidores de Prestes para cometeram seus crimes na calada da noite, acobertados pelo manto da madrugada, assassinando irmãos de armas enquanto estes ainda dormiam. 

Natal

Um clima de terror reinava na cidade. Violações, estupros, pilhagens e roubos generalizaram-se. Dois cidadãos acusados de estarem ridicularizando o movimento foram assassinados. A população começou a abandonar a cidade. Os rebeldes ocuparam as localidades de Ceará-Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibú, Santa Cruz e Canguaratema. A reação inicial partiu de Dinarte de Medeiros Mariz que derrotou um grupo insurgente com uma pequena força de sertanejos. Quando as tropas legalistas iniciaram sua marcha sobre Natal, o ‘Comitê Popular Revolucionário’ acovardado fugiu, sem apresentar a menor resistência.

Recife

O Sargento Gregório Bezerra tentou tomar o Quartel-General da 7ª Região Militar, assassinando covardemente o Tenente José Sampaio, e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser dominado e preso. No dia seguinte, à sublevação, Recife já estava totalmente dominada pelas forças legalistas e o número de baixas nas fileiras comunistas ultrapassava a uma centena de mortos.

Rio de Janeiro

Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes, os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os Tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Diversos oficiais foram assassinados, covardemente, enquanto dormiam. O Capitão Agliberto matou o Capitão Benedito Lopes Bragança embora este estivesse desarmado e indefeso. Os rebeldes atacaram o 1º Regimento de Aviação, cujo comandante Coronel Eduardo Gomes, apesar de ferido, iniciou a reação. Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, rapidamente, derrotaram os rebeldes.

No 3º Regimento de Infantaria (RI), da Praia Vermelha, os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, dominar quase toda a Unidade. Apenas um núcleo, sob o comando do Coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento, resistia. A reação heróica do Coronel Afonso Ferreira impediu que a Unidade rebelada partisse para a tomada do palácio presidencial no Catete cumprindo as ordens de Prestes. Nas últimas horas da madrugada, as tropas leais ao governo, sob comando do General Eurico Gaspar Dutra, forçaram a rendição dos amotinados.

A intervenção imediata dos comandantes militares evitou um banho de sangue. A indignação tomou conta do país e o presidente Vargas saiu ainda mais fortalecido desse triste momento da vida brasileira.

- A ‘justiça’ do Tribunal Vermelho

Os comunistas suspeitaram que uma moça chamada Elvira Cupelo Colônio, conhecida como ‘Elza Fernandes’, namorada do então Secretário-Geral do PCB, Antonio Maciel Bonfim, o ‘Miranda’, estaria delatando os companheiros à polícia. Considerada uma ameaça a jovem foi condenada à morte pelo ‘tribunal vermelho’.

- Recordando a história: o assassinato de Elza Fernandes

   por Fernandes Dumont, F.

“Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o ‘Miranda’. Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de ‘Miranda’ e passou a ser conhecida, no Partido, como ‘Elza Fernandes’ ou, simplesmente, como a ‘garota’. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos. Nos primeiros dias de janeiro de 1936, ‘Miranda’ e ‘Elza’ foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a ‘garota’ pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de ‘Miranda’ e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, ‘Elza’ foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para ‘Miranda’ surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que ‘Miranda’ havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era ‘Miranda’. As investigações do ‘Tribunal Vermelho’ começaram. Honório descobriu que ‘Elza’ estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por ‘Miranda’, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a ‘garota’. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem ‘Elza’ estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de ‘Miranda’ para a ‘garota’.

Reuniu-se o ‘Tribunal Vermelho’, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O ‘Tribunal’ seguiu o parecer do chefe e a ‘garota’ foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o ‘Miranda’. A reação do ‘Cavaleiro da Esperança’ foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do ‘Tribunal’, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

"Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.’ ... ‘Por que modificar a decisão a respeito da ‘garota’? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?’ ... ‘Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar...’ ... ‘Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião”.

Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos ‘tribunos vermelhos’, respondeu a Prestes:

“Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”

Decidida a execução, ‘Elza’ foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (‘Abóbora’), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (‘Milionário’), Adelino Deycola dos Santos (‘Tampinha’), Francisco Natividade Lira (‘Cabeção’) e Manoel Severino Cavalcanti (‘Gaguinho’). Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a ‘garota’, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de ‘Elza’, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista. Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista. Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de ‘Elza’, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara ‘Miranda’ na tentativa de assassinato do ‘Dino Padeiro’, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a ‘Miranda’, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

"Rio, 17-4-40"

Meu caro Bonfim

Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.

Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio".

- Anita Leocádia Prestes

 

Em março de 1936, Prestes é preso, perde a patente de capitão. Sua companheira Olga Benário, grávida, é deportada e assassinada na câmara de gás no campo de concentração nazista Ravensbrück. A filha, Anita Leocádia Prestes, nasceu em uma prisão na Alemanha e depois foi resgatada pela mãe de Prestes.


(*) Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Telefone:- (51) 3331 6265

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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