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Meio ambiente - 01/09/2008 - 14h30

Problemas de desenvolvimento aumentam a vulnerabilidade a desastres




Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil/Mecado Ético

As perdas com desastres, que entre 1991 e 2003 somaram US$1,193 bilhões, poderiam ser reduzidas se os riscos fossem considerados no planejamento e construção de políticas públicas, defende a responsável pelo programa de mudanças climáticas da Estratégia Internacional de Redução de Desastres das Nações Unidas, Silvia Llosa.

“A vulnerabilidade a desastres é um problema de desenvolvimento mal resolvido”, afirmou Silvia na última sexta-feira (29/8), durante o 1º Fórum da Rede Cooperativa de Comunicação para Cultura de Prevenção de Desastres, em Florianópolis.

Silvia explica que fatores de risco, como moradias sem planejamento, falta de informações e recursos, degradação ambiental e pobreza, aliados com o perigo natural são os responsáveis por causar os desastres.

Para ela, é preciso comprometimento político para que os riscos, que estão sendo agravados pelas mudanças climáticas, sejam levados em consideração no planejamento. “Para os seres humanos é mais fácil apostar que não acontecerá um desastre ao invés de guardar recursos para se preparar caso possa vir a ocorrer”, comenta.

Silvia sugere que entender e monitorar os perigos e avaliar os riscos são as melhores maneiras de prevenir os desastres causados por fenômenos naturais, como furações, enchentes ou secas, que podem se tornar mais intensos e freqüentes com o aumento das temperaturas globais.

“Desastres não são naturais. Os riscos o são, mas a vulnerabilidade é nossa culpa”, afirma. Silvia destaca que, apesar de todas as partes do mundo serem castigadas quando ocorrem desastres, os mais atingidos são os pobres.

Cerca de 3,5 milhões de pessoas foram atingidas e 960 mil morreram por causa de desastres ocorridos entre 1991 e 2003.

Percepção de riscos

Saber identificar os riscos ligados aos hábitos de consumo e estilo de vida de cada um, como a escassez de água e as mudanças climáticas, é o primeiro passo para diminuir a vulnerabilidade a desastres.

Por isso, a Defesa Civil de Santa Catarina criou o projeto educacional “Percepção de risco, a descoberta de um novo olhar” que irá levar informações sobre riscos e prevenção de desastres a 1.224 escolas, além de fazer a capacitação de líderes comunitários.

Cerca de dois mil kits educativos serão distribuídos no início do ano letivo de 2009 e um concurso de frases e desenhos será lançado para incentivar as crianças e adolescentes a se envolverem com o tema.

Segundo a vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, Cilene Victor, a percepção aos riscos começa quando cada indivíduo entende que é co-responsável pelo problema. “Nós não podemos achar que somos vítimas. Quando tratados como vítimas, nos afastamos do problema”, afirma Cilene.

Ao falar sobre como a imprensa pode ajudar na prevenção de desastres, a jornalista explica que a comunicação de riscos deve amenizar o medo e a ansiedade. “As pessoas tendem a fugir de imagens que passam medo. Até na escolha do cigarro, vemos os fumantes escolhendo a cartela com a imagem que consideram menos agressiva”, comenta.

Cilene lembra a cobertura da imprensa com relação aos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) divulgados no ano passado. “Fizemos o alerta, mas não conseguimos aproximar o cidadão do problema (aquecimento global)”, afirma.

Apesar de considerar negativo este tom de alarde usado por grande parte das reportagens sobre as mudanças climáticas, Cilene aponta como um aspecto positivo a popularização do assunto, que até então era exclusivo dos gabinetes científicos e políticos.

O que falta agora, na avaliação da jornalista, é trabalhar a realidade local e aproximar as questões ambientais do dia-a-dia do cidadão. “Falamos do aquecimento global e esquecemos da água, do saneamento, dos resíduos”, diz.

Saiba mais
Projeto “Percepção de risco, a descoberta de um novo olhar” -
clique aqui.

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