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Meio ambiente - 31/03/2009 - 07h10

Crise mundial é oportunidade para refletir sobre o consumo desenfreado




Por Redação da Adital

 

Nas TVs, nas ruas, na internet, nos letreiros, cartazes, outdoors, revistas, jornais...Sob várias formas, o apelo para o consumo está presente, fazendo parte do nosso cotidiano. Diante desse consumo que não respeita a saúde e o bem-estar das pessoas e do planeta, algumas vozes se levantam apontado que é necessário um limite.

Em entrevista a ADITAL, Juan Trímboli, coordenador para América Latina do Consumers International (CI), fez uma explanação sobe a importância do consumo responsável e de como o consumidor pode mudar este cenário.

Ele acredita que a crise mundial que estamos vivendo se constitui em uma oportunidade para repensar e refletir acerca das formas de como estamos consumindo. Confira

Adital - Sabemos que a prática do consumo irresponsável está instaurada na vida cotidiana de milhares de pessoas. Como mudar esses costumes? Ainda há possibilidades?

Juan Trímboli - Consumers International (CI) busca realizar campanhas de conscientização por meio de suas 220 organizações membros em mais de 115 países.  A ideia é que os consumidores tomem consciência das consequências tanto para as crianças como para nosso planeta do que significa um consumo irresponsável e desenfreado. Dar relevância à responsabilidade que temos como consumidores individuais é a tarefa que nos convoca ante as crises que estamos vivendo. Por isso, desde o ano passado, a Consumers International chama a celebrar o Dia Mundial da Responsabilidade do Consumidor, sendo o tema central em 2008 a Educação para um Consumo Sustentável. Os costumes se modificam quando informamos e educamos os consumidores sobre as implicâncias que têm suas escolhas de consumo e quando criamos pautas sustentáveis e responsáveis de consumo por meio das campanhas globais de CI e de nossos meios de informação e denúncia.

Adital - A campanha sobre "comida rápida" tem tido efeito nos países latino-americanos?

Juan Trímboli - A campanha tem tido efeitos interessantes em relação aos estudos que a CI tem realizado junto a suas organizações membros. Isto é, o forte impacto que tem tido os resultados dos diferentes estudos de cereais que foram publicados nesses meses. As grandes concentrações de sal e açúcar que esses alimentos contêm, em si entendidos como saudáveis, têm mudado a idéia da população em relação a seu entender dos cereais como alimentos saudáveis para seus filhos. Além disso, foram obtidos efeitos parciais por meio das subcampanhas de nossos membros para remover a comida rápida das escolas. Por último, têm-se enviado muitas cartas solicitando aos ministros de saúde que adiram à aprovação de um Código Internacional acerca da comercialização de alimentos não saudáveis dirigidos às crianças.

Adital - Toda campanha necessita de um aporte educacional. Os pais estão dispostos a aderir a modos mais saudáveis de alimentação?

Juan Trímboli - Não temos dúvidas acerca de que os pais querem dar dietas mais saudáveis e criar melhores hábitos de alimentação em suas crianças, no entanto tanto a Organização Mundial da Saúde como a Consumers International reconhecem que existe uma extensa e opressora promoção de alimentos e bebidas não alcoólicas não saudáveis dirigidos às crianças que atentam contra as recomendações de levar um regime alimentar saudável. Frente a essa exposição das crianças à promoção comercial em que as multinacionais de alimentos investem mais de 13 bilhões de dólares ao ano, a OMS e a CI consideram que se devem tomar medidas e ações globais no âmbito governamental para apoiar o trabalho dos pais nessa matéria.

Adital - Nesse novo milênio, o consumo desenfreado determina economias, comportamentos, atitudes. Como se dá essa ressignificação do consumo nos dias atuais?

Juan Trímboli - A crise mundial que estamos vivendo se constitui em uma oportunidade para repensar e refletir acerca das formas de como estamos consumindo. Os consumidores estão mais abertos a novas alternativas de consumo que impliquem um regime de vida mais saudável e práticas de consumo mais sustentáveis. Além disso, muitos governos têm-se comprometido em gerar iniciativas para a criação de políticas de eficiência energética, de diminuição de gases de efeito estufa, de criar subsídios para novas tecnologias mais sustentáveis, de por limites ao uso de energias não-renováveis, etc.

Esta é uma crise que é mais profunda que uma simples crise econômica… é uma crise da forma em que temos vivido e por isso deve ser entendida como uma oportunidade para tomar consciência e realizar ações certeiras que nos levem a mudar nossas antigas pautas de consumo para melhorar nossa qualidade de vida e assegurar essa qualidade para nossas gerações futuras.

Adital - Há algum estudo que trata sobre a qualidade da comida consumida no continente latino-americano?

Juan Trímboli - Existem sim. Foram realizados vários estudos. Pontualmente, queremos referir-nos ao estudo realizado pela Rede de Consumidores em Ação da América Central cujo objetivo era a análise dos conteúdos dos cereais Kellogs e Nestlé. Essa pesquisa em que participaram países como Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá e El Salvador, revelou resultados escandalosos acerca dos altos conteúdos de sal e açúcar presentes em mais de doze produtos destas reconhecidas marcas de cereais. Além disso, outro estudo realizado pela CI junto às pesquisas em que participaram 32 organizações membros de todo o mundo, também  revelou altos conteúdos de sal e açúcar nos cereais Kelloggs e Nestlé, evidenciando os potentes meios de publicidade utilizados por essas grandes marcas para promover tais alimentos.

Adital - Quais são as próximas atividades de Consumers International?

Juan Trímboli - Seguir participando no debate da OMS para que, dentro de suas recomendações a ser apresentadas ante os países membros este ano, se considere a adoção de um Código Internacional de Comercialização de alimentos dirigidos a crianças que integre as linhas principais definidas pela CI no Código internacional que promove, isto é: Que se proíba a publicidade em rádio e televisão de alimentos com altos conteúdos de gordura, açúcar e sal; Que se proíba a publicidade e promoção em novos meios de comunicação (marketing viral, sites, mensagens de texto, etc.) de alimentos com altos conteúdos de gordura, açúcar e sal; Que se proíba a promoção de alimentos com altos conteúdos de gordura, açúcar e sal nas escolas; Que se proíba o uso de celebridades, desenhos animados, concursos, prêmios e brindes para a promoção de alimentos com altos conteúdos de gordura, açúcar e sal.


(Envolverde/Adital)

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Comentários
Caio Loriano, em 07/04/2009 - 14h51

temos q parar de consumir tanto para essa crise acabar e td se endireitar, e para nossas vidas voltarem a serem normais...

 
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