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O Estado do Pantanal - 30/08/2008 - 11h05

Comunidade pantaneira desenvolve meios sustentáveis de renda com extrativismo de fruta regional




Fabio Pellegrini

Por Fabio Pellegrini/Notícias MS

       Uma despolpadeira de bocaiúva é a nova aquisição tecnológica da Associação de Pescadores de Iscas Vivas do município de Miranda, em Mato Grosso do Sul. Com o maquinário, a comunidade terá a oportunidade de desenvolver novos meios sustentáveis de renda a partir do extrativismo da fruta regional.

A bocaiúva é uma palmeira encontrada em quase todo o Brasil (do Pará até São Paulo e Mato Grosso do Sul), ocorrendo também na Bolívia, Paraguai e Argentina. No município de Miranda é encontrada com grande facilidade em meio à vegetação nativa.

 

Chamada de “chiclete pantaneiro”, a bocaiúva tem sabor exótico e dela pode se aproveitar tudo: a casca, como combustível de queima de biomassa; a polpa para produção de alimentos, como compotas, farinha e sorvete, além do aproveitamento de seu óleo para a indústria de cosméticos, para a produção de sabão ou mesmo óleo para culinária, tal qual o dendê; a castanha da semente pode ser utilizada também de forma alimentícia e também extrair seu óleo. Estudos já são realizados para a utilização do óleo da bocaiúva como biocombustível.

 

Desde que iniciou seu projeto com comunidades de pescadores de iscas no Pantanal, a organização não-governamental Ecoa os incentiva na pesquisa de meios alternativos de renda, principalmente durante o período do defeso quando é proibida a prática da pesca. Dentre as ações estão capacitações na utilização de frutos nativos.

 

Percebendo a potencialidade da bocaiúva, a Ecoa iniciou, desde então, a procura por um maquinário que facilitasse a separação da polpa da semente sem que esta prejudicasse a qualidade do produto e que também associasse resistência e custo acessível.

 

A máquina encontrada foi idealizada por um engenheiro mecânico que solicitou a produção do modelo piloto para Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, Estado de longa tradição no aproveitamento da fruta, lá conhecida como macaúba.

 

“A nossa bocaiúva é mais adocicada e agradável ao paladar. Quando encontramos a despolpadeira ela teve de ser adaptada para o fruto da nossa região de modo que não prejudicasse a qualidade da polpa para a produção de alimentos. Assim, partes que entram em contato com a polpa que eram de ferro foram trocadas por aço inoxidável para evitar ferrugem”, explica o coordenador de trabalho de campo da Ecoa, Jean Fernandes. Este é o primeiro equipamento desenvolvido pela instituição mineira comercializada para outro Estado.

 

Uma parceria com o Departamento de Tecnologia de Alimentos (DTA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) irá desenvolver boas práticas na utilização do maquinário e de higiene de acordo com a preparação de cada produto. Além de ser estudado os produtos de maior demanda e adaptação à realidade local.

 

Para a pesquisadora Darli Castro Costa, do DTA, a nova empreitada tem todos os componentes para gerar produtos de qualidade garantida. “A bocaiúva é um fruto completo. Contém vitamina A, sais minerais, gordura e carboidratos. Estudos e pesquisas não faltam para que se comprove isso. O grande diferencial será trabalhar a sua utilização que é pouca, e essa máquina vem sanar isso. Esse trabalho irá mostrar à comunidade que eles têm um produto que ainda não foi valorizado”, constata.

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