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Artigos - 07/03/2009 - 09h14

Desafiando o Rio-Mar: Coari - Codajás




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Largada para Camarazinho (11 de janeiro)

Nosso amigo Major Denildo, por volta das 05:30h, estacionou na frente da Universidade (UAB) para nos levar até o flutuante da Consag onde se encontravam os caiaques. Os simpáticos funcionários da Consag estavam lá para tirar fotos e nos desejar uma boa viagem. Quando o Romeu foi conectar as baterias do sensoriamento remoto ocorreu um curto-circuito e a partir daí deixamos de contar com o acompanhamento por parte da Skysulbra. Telefonei para o amigo Regadas dono da empresa para reportar o incidente.

Partimos de Coari às 06:30h com uma nova parceira na equipe, a professora Maria Helena. Logo que saímos do lago Coari os botos vermelhos nos saudaram; eram 3 botos, duas fêmeas e um filhote que saltava tirando todo corpo da água. Procurei o talvegue para ganhar velocidade. Aquelas paragens já tinham sido visitadas por terra e devidamente documentadas. Fizemos uma parada após remar por volta de 01:15h, para acostumar lentamente a nova remadora à  rotina de navegação.

Partimos e resolvi parar próximo à foz do lago Mamiá, cujas praias tínhamos visitado com o Major Denildo; fizemos um lanche rápido enquanto observávamos o encontro das águas pretas do Mamía com o Solimões e a pequena comunidade junto à foz. Rumei para o braço direito do Rio Solimões, à direita de uma grande ilha e, na parada seguinte, encontrei um belo caranguejo vermelho que fotografei. O próximo lance foi de chuva forte e, ao me aproximar da saída do braço direito no extremo norte da ilha, enfrentei fortes correntes reversas que diminuíram significativamente a velocidade. A fotografia aérea desta área e as informações de que dispúnhamos eram muito vagas, de modo que tentei conseguir informações num casebre no meio da mata que, infelizmente, estava abandonado; mais uns dez minutos de remo e chegamos à São Francisco do Camarazinho.

Desci para me informar, com a intenção de continuar até Camará como o programado. Camará tinha uma estrutura bem melhor do que a Comunidade que aportáramos: energia 24h e boa escola; enfim, era o local ideal para a programada parada. O Romeu informou que a Maria Helena não estava em condições de continuar e, contrariado, tive de alterar minha programação.

- São Francisco de Camarazinho

Estacionamos na Comunidade São Francisco do Camarazinho. Procurei a administradora rural, dona Antonia, e o professor José, seu esposo e eles nos abrigaram na salinha da escola. Montei a barraca na sala de aula que era usada também como sala de televisão dos ribeirinhos e, como em todas as comunidades pelas quais passamos, o gerador era desligado logo após a novela.

A Maria Helena nos fez experimentar a sapota que ela trouxe de Tefé, presente do amigo César, e degustamos as bananas e cacau trazidos pela dona Antônia.

Sapota do Solimões (Achras zapota) - árvore de grande porte que pode atingir até 45m de altura. Folhas grandes de até 50cm de comprimento. É bastante apreciada por seus frutos que, além de comestíveis, distinguem-se por sua forma arredondada ou ovalada e por seu grande tamanho. O fruto da sapota do solimões apresenta, por fora, uma grossa casca marrom-esverdeada e, internamente, oferece uma polpa suculenta e abundante, repleta de finas fibras alaranjadas.

- Largada para Codajás (12 de janeiro)

Saímos às 06:00h e nossos amigos, dona Antonia e o professor José, vieram se despedir. Agradecemos o apoio e o belo cacho de bananas que nos presentearam. Mantive a rota próxima à margem direita até a primeira parada, numa bela praia, e depois, na altura da Costa da Salvação, me aproximei da margem esquerda onde estava o talvegue. O Romeu manteve uma rota paralela, próxima à margem direita, embora eu os orientasse insistentemente para alterá-la. Minha idéia era parar na margem esquerda de um enorme banco de areia localizado a uns 12km da Costa da Salvação, mas como a dupla continuasse fora da rota, tive de alterar para aportar na margem direita do banco, aumentando o percurso e fugindo da parte mais veloz da correnteza. Esta mudança nos fez, mais tarde, enfrentar, desnecessariamente, o mau tempo no meio do rio.

Aportando, bastante aborrecido, no grande banco, caminhei até a parte mais alta para um reconhecimento, acompanhado pela Maria Helena. O tempo estava carregado e várias pancadas de chuva tropicais eram avistadas ao longe. Mostrei a ela porque eu estava indo pela margem esquerda e o grande furo à direita que tínhamos de evitar para não ultrapassar Codajás.

- Réquiem Dies Irae

Wolfgang Amadeus Mozart nasceu Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart, no dia 27 de janeiro de 1756, em Salzburgo, Áustria. Com quatro anos começou a ter aulas de música com o pai, demonstrando uma extraordinária vocação musical e, logo, começou a compor pequenas peças. A perícia do menino ao teclado encantou o pai que o levou para a primeira turnê pela Europa, com apenas seis anos de idade, onde alcançou fragoroso sucesso nas cortes. No intervalo das apresentações, Mozart encontrava tempo para compor e, sua composição mais séria, foi a ópera La finta semplice, escrita quando tinha doze anos.

Em 1784, entrou para a ordem maçônica. A influência da maçonaria marcou todas as peças produzidas a partir de então, quando ele alcança o mais alto nível em matéria de profundidade e expressão pessoal. São obras que simbolizam a conquista da liberdade tão almejada pelo compositor. Em 1791, recebeu de um irmão maçom a encomenda de uma ópera popular. A história, relatada através de um conto de fadas, fazia a apologia da maçonaria, da sua trilogia fundamental a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, de seus valores e a busca de si mesmo. Era A Flauta Mágica, a obra-prima de Mozart. A estréia foi um triunfo total e a fama da ópera correu toda a cidade de Viena e se estendeu por toda a Europa. A partir de então as encomendas não pararam.

O Réquiem Dies Irae, de Wolfgang Amadeus Mozart, está envolto por um manto de mistério, romantismo e fantasia. A obra foi encomendada pelo Conde Walsegg-Stuppach, em memória de sua esposa e Mozart, atarefado e doente, foi compondo o Réquiem quando podia, dando mais importância para outras obras. A esposa acompanhava, preocupada, a mudança no seu comportamento. Um dia, quando passeava com o marido com intuito de animá-lo, Mozart, disse-lhe que estava escrevendo o Réquiem para si próprio, afirmando: ‘eu não consigo tirar da minha cabeça a imagem desse estranho. Vejo-o constantemente a me perguntar, solicitando-me e implorando-me impacientemente que complete a tarefa; é o meu Réquiem, não posso deixá-lo inacabado’. Infelizmente, a morte interrompeu o mais belo Réquiem produzido até hoje pelo maior de todos compositores clássicos. Mozart faleceu no dia 05 de dezembro de 1791 e, finalmente, o Réquiem foi concluído pelo seu discípulo Franz Xaver Süssmayr.

- Réquiem a uma velha Bússola de Guerra

Voltei para o meu caiaque e, ao embarcar, depois de mais este aborrecimento proporcionado pela falta de experiência do meu parceiro, acabei perdendo minha bússola sueca ‘Silva’, que me acompanhava desde os tempos de Aspirante, há 32 anos. Ela mergulhou celeremente nas águas lamacentas do velho rio e as notas do Dies Irae soaram nos meus ouvidos, numa justa homenagem à velha amiga. A velha bússola participou, ombro a ombro, de diversas competições, pistas de orientação, manobras, montagem de exercícios, marchas e de uma série infindável de momentos, sempre apontando o rumo correto. As imagens de competições de Pelopes em que a Engenharia de Vilagran sobrepujara os camaradas da Infantaria e da Cavalaria, as montagens de pistas de orientação em que ela era minha parceira inseparável e as pistas que juntos executamos... tudo isso vinha à minha mente junto com o som Réquiem imaginário.

Adeus, velha amiga! Partiste como um dia quero partir, combatendo, labutando!

- Banzeiro

Logo que saímos, rumei para a margem esquerda, procurando corrigir a rota programada. Estávamos a meio caminho quando o tempo fechou e uma chuva forte acompanhada de ondas de 0,6m se formou. Determinei ao Romeu que mantivesse contato visual, não cheguei a colocar a saia, pois conseguia evitar que a água entrasse no caiaque jogando o corpo para trás e evitando que o caiaque baixasse muito a proa. As ondas eram bem menores do que aquelas que normalmente enfrentei no Guaíba. Tive de diminuir o ritmo e parar diversas vezes para aguardar a dupla, que manobrava com dificuldade o caiaque. A falta de experiência em navegar nas ondas e a teimosia do meu parceiro em não utilizar o leme do caiaque Cabo Horn Duplo prejudicavam em muito a progressão.

Aportei, espantando um enorme bando de biguás que havia procurado abrigo da tempestade, na praia. O mau tempo durara em torno de 15 minutos e, nesse intervalo, tínhamos ouvido o apito, insistente, de um navio que se aproximava coberto pelo denso aguaceiro; de repente, uma brecha nas nuvens se abriu e os raios solares, como um holofote, iluminaram o grande barco, permitindo-nos desviar sem maiores problemas. O clarão envolvia tão somente o navio, ao redor a visibilidade se limitava aos 50m. Parece que fomos brindados com uma intervenção divina para que um desastre maior não acontecesse.

- Rumo a Codajás

Esta era para ser a última parada, mas, no extremo norte da Ilha do Coró, a uns 15km de Codajás, o Romeu acenou para que parássemos. Imediatamente abandonei o talvegue e me aproximei da margem esquerda para escolher um local para aportar. Para minha surpresa verifiquei que os dois continuaram remando distante da margem, no talvegue e, logicamente, se distanciaram muito de mim. Mantive a proximidade da margem para tirar algumas fotografias e fui descendo com calma, observando as paragens. Encontrei, depois de algum tempo, os dois parados no meio do rio; não tinham encontrado lugar para parar. Havia enormes aglomerados de capim-memeca que impediam o acesso às margens. Apontei a casa de um ribeirinho, a uns 300 metros a jusante. Se o ribeirinho quisesse ter acesso a rio ele teria de ter uma trilha através do capim até sua casa e foi justamente o que aconteceu. Enveredei pela trilha e aportei na margem para hidratar um pouco e espichar as pernas.

Chegamos em Codajás e, novamente com o apoio da PM, nos instalamos no Hotel Cunha & Cunha. A limpeza do Hotel e a fidalguia dos funcionários do Hotel foram os pontos altos de nossa estada em Codajás.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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