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Artigos - 07/03/2009 - 09h14

Ipixúna - Coari




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Largada para Laranjal (5 de janeiro)

Saímos às 06:05h do Lago Ipixúna sem guardar boas lembranças da Comunidade que, apesar de se chamar ‘Divino Espírito Santo’, não prima muito pelo espírito cristão em termos de amparo aos que a ela acorrem procurando abrigo. Forçamos um pouco o ritmo e chegamos a Laranjal, por volta das 12:00h, após avistar uma enorme samaúma às margens do Solimões. Laranjal tem seu nome ligado a uma grande plantação de laranjeiras que já não existe no local.

Cheguei procurando, como de praxe, pelo administrador rural, o senhor Everaldo, conforme nos informara seu João, do lago Ipixúna. O senhor Idelfonso nos recebeu e informou que o líder da Comunidade não se encontrava no local, mas que o vice faria contato conosco. Senti uma certa desconfiança nos olhos do velho homem que nos incentivava a prosseguir sem parar até Coari. A resistência de seu Idelfonso tinha uma razão de ser - anos antes eles haviam se envolvido com traficantes que se abrigavam na Comunidade, fazendo com que a polícia de Coari fichasse diversos de seus membros por envolvimento deliberado com os meliantes.

Informei de que nossa intenção era pernoitar na Comunidade e, depois de muita conversa, fomos acomodados no Centro Comunitário. Armei a barraca e arrumei as coisas, tomei um banho e depois fomos almoçar na casa do Idelfonso, a seu convite, o qual, já nos conhecendo melhor, tornou-se bastante amistoso. O contato com o decano e com sua família foi bastante agradável.

- A vingança da Samaúma

A primeira visão que se tem da Comunidade, quando se desce o rio, é a da exuberante samaúma com suas enormes sapopemas que lembram os véus de uma deusa da floresta. Existiam três na região; a maior delas foi criminosamente abatida para ser vendida e transformada em compensado. Uma árvore magnífica como esta deveria ser tombada como patrimônio e, nunca, utilizada para comercialização.

O senhor Idelfonso construiu um barco à sombra de uma imponente samaúma próxima a sua casa. O barco ficou pronto e permaneceu no local da construção. Em uma determinada noite a vingança ocorreu. A samaúma despencou um de seus mais frondosos galhos, esmigalhando o barco e vingando a irmã derrubada pela Comunidade.

- O Jacaré Crocodiliano

Idelfonso contou que todas as noites um enorme jacaré, de seus sete metros de comprimento, cruza o Solimões rumo a Coari. A história foi confirmada pelos demais membros da Comunidade e em Coari ouvimos diversos relatos a respeito de animais do mesmo porte. O Major Denildo, da Polícia Militar de Coari, nosso amigo e guardião, relatou ter visto com os próprios olhos, na casa de um ribeirinho às margens do Nhamundá, um couro de jacaré destas proporções.

- Largada para Coari (06 de janeiro)

A noite foi de temperatura bastante agradável e teria sido perfeita não fosse o fato de um bezerro apartado da mãe ficar mugindo a noite inteira. Acordamos ao alvorecer, nos despedimos da família amiga que tão gentilmente nos acolhera e partimos. Paramos no Terminal Solimões, da Petrobras, próximo a Coari, e fomos tratados com total indiferença pelo técnico responsável, depois aguardá-lo por quase 30 minutos. Fomos orientados a procurar, logo ao lado do terminal, o representante da Consag, prestadora de serviços encarregada da construção do gasoduto. O técnico responsável mandou um recado para que procurássemos o pessoal da Consag em Coari que, igualmente e após inúmeras tentativas, não se dignou em nos atender.

Minha intenção era a de mostrar o trabalho ambiental e social que vem sendo desenvolvido ao longo das obras de implantação do gasoduto. Infelizmente, a Petrobras e suas terceirizadas parecem querer transformar o projeto numa enorme caixa preta, tamanha a gama de dificuldades que apresentam aos que tentam mostrar as alternativas adotadas pela empresa procurando proporcionar melhoria nas condições de vida da população atingida pelas obras.

- Major PM Denildo

A navegação até Coari foi rápida em virtude da forte correnteza. Deixamos os caiaques no Flutuante da Consag, por volta das 12:30h, seguindo a orientação de um de seus funcionários. Telefonei, imediatamente, para o 190, solicitando o apoio de nossos fiéis amigos da Polícia Militar do Estado do Amazonas. Não demorou cinco minutos e o Major Denildo estava no cais. Tomamos banho na residência do Major que, depois, nos levou até restaurante Piracuí para almoçarmos. Após o almoço, percorremos a cidade na viatura da PM e conhecemos seus principais pontos turísticos e o complexo de obras executados pela prefeitura de Coari na gestão do prefeito Adail Pinheiro. O Major conseguiu junto à senhora Eliana, coordenadora da UAB (Universidade Aberta do Brasil), que ficássemos hospedados na Universidade. A coordenadora e cada um dos membros da UAB nos receberam de braços abertos e nos franquearam o acesso aos computadores e internet.

- Entrevista com o Major PM Denildo

Eu sou o Maj Denildo de Lima Brilhante, 40 anos de idade, tenho 1 filha de 7 anos, casado há 15 anos com a Cabo da PM Rosa Maria Marques Brilhante, sou evangélico da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ex-aluno do Colégio Militar de Manaus, da turma de 1988. Aspirante da Escola de Formação de Oficiais da Polícia Militar do RJ da turma de 1992. Atualmente, sou comandante da 9ª. Companhia Independente de PM e responsável pelo policiamento dos municípios de Anori, Anamã, Codajás e Coari.

Dentre os cursos realizados, fizemos o curso Direito Internacional Humano e Humanitário, coordenado pelas Nações Unidas, pela PM do estado de SP temos o curso de gestão pela qualidade total, o curso de técnica de ensino e o curso de planejamento estratégico. Trabalhei em todas as unidades da capital como comandante, subcomandante e relações públicas. Também tivemos experiências no grupo de trabalho do governo do estado do Amazonas, onde nós planejamos e criamos o plano de revitalização da segurança pública do estado do Amazonas para o ano de 1999, 2000 e 2001.

Fomos assessor do secretário de segurança do estado do Amazonas por 2 anos, também comandamos a 1ª. Companhia Independente de PM com sede no município de Parintins. Uma cidade turística que também é responsável pelo policiamento em 4 outros municípios, onde permanecemos por 29 meses.

Sou idealizador do programa da PM, denominado: Programa Pelotão Mirim. Atualmente, ele é reconhecido em toda a região norte como uma estratégia da PM de resgatar as crianças de rua e crianças na rua. Como resultado desse programa, temos uma nova visão de policiamento, uma estratégia de comando, uma estratégia de trabalho onde a Comunidade local passa a ser parceira da PM. Participando do planejamento operacional indicando e sugerindo os locais onde podemos direcionar o policiamento e também a participação junto à Comunidade através de palestras e atividades comunitárias, pois somente o morador local é quem sabe quem realmente é o infrator daquela Comunidade. A PM passa por lá somente uma vez por dia e o resultado é plausível, adquirindo o resgate da credibilidade da PM junto à Comunidade”.

- Entrevista com o ex-secretário Rewi

Rewi: meu nome é Rewi, sou natural do Rio Grande do Norte, vim para a Amazônia trabalhar como Técnico em Mineração na área de Engenharia Ambiental, trabalhei durante algum tempo na mineração e depois vim para Coari trabalhar na implantação desse projeto ligado ao meio ambiente.

Hiram: como foi você ter trabalhado na mineração, o senhor teria visto alguma coisa que o levou para a área ambiental?

Rewi: com certeza, na época eu comecei a perceber que se começou a valorizar mais as ações voltadas à questão ambiental. Então percebi a necessidade do profissional nessa área. Chegando a Manaus eu fiz curso de Engenharia Ambiental e como já tinha uma certa afinidade, uma certa vivência na área acabei me apaixonando. Em qualquer órgão público, gestão pública, hoje, um dos principais problemas é o que se fazer com o destino dos resíduos. Coari é hoje um dos precursores na maneira de tratar mais adequadamente da destinação dos resíduos e que hoje é reconhecida no mundo que seria o aterro sanitário. O aterro sanitário diferencia de um lixão, de um aterro controlado. O aterro sanitário tem toda essa preocupação em termos de você reduzir ao máximo os impactos que venham trazer problemas ao meio ambiente e de saúde pública.

Coari optou por implantar esse aterro, ele é referência em gestão de resíduos está se tornando referencia na Amazônia, é o primeiro município que tem implantado um centro de operação já liberado pelos órgãos ambientais. O município também optou por implantar, dentro da estrutura do aterro, uma usina de triagem onde o material é reciclado, segregado, empacotado e retorna como matéria-prima para a manufatura de outros produtos. Os restos de material orgânico são transformados em adubo, o qual será utilizado em praças, hortas, etc.

Todo material que tem valor econômico como o plástico, o papelão, o metal é enviado a Manaus, no momento, para ser utilizado por outras empresas que trabalham com a reciclagem. O papelão vai ser encaminhado para fazer o papel-higiênico, já o plástico, dependendo do tipo, será usado para fazer conexões, tubos, etc. Para termos uma idéia quando você recicla uma tonelada de papel, você deixa de gastar em média 100 litros de petróleo, você deixa de retornar para os cursos d’água em torno de 25.000 litros de água poluída e assim você vê as vantagens ambientais. Isso se não levarmos em conta de que esse material quando é enterrado, mesmo tomando as medidas adequadas, leva milhares de anos para se degradar.

A preocupação de hoje é o que se fazer com esse volume de resíduos gerados, a população vem crescendo, se aglomerando em centros urbanos e o que se fazer com o que gera? Então, uma das alternativas, hoje, no mundo, a tendência vai ser essa. Em grandes centros urbanos a dificuldade é encontrar áreas para destinar os resíduos. O município aqui hoje tem essa visão que é o que fazer com esses resíduos, não é simplesmente aterrar. Para você ter uma idéia nesse projeto aqui, se não trabalharmos a questão da reciclagem, em 10 anos teríamos que arrumar outra área para trabalhar novamente. Se implantarmos essa coleta seletiva e trabalharmos como já estamos trabalhando, separando esse resíduo, juntando, retornado para o ciclo produtivo nós vamos duplicar a vida útil do aterro. Ele passa de 10 anos para em média de 20 a 25 anos, você vê as vantagens que se têm fora as vantagens ambientais, como falei, os resíduos levam até milhares de anos trazendo problemas ao meio ambiente, problemas de saúde pública, contaminação do solo.

Paralelo a esse projeto nós temos um trabalho de sensibilização, conscientização, um trabalho de educação ambiental, porque quando se fala em gestão de resíduo ele inicia na fonte. Nós temos um batalhão que é do Projeto Agente Jovem, com uma média de 300 pessoas trabalhando de casa em casa, de porta em porta, nas feiras, nas escolas tentando sensibilizar o povo de um modo geral que devemos dar a nossa contribuição. Eu acredito muito quando se fala em ações ambientais, é a questão da sociedade estar inserida no processo. O somatório dessas ações que no final vai dar um resultado promissor e mais rápido com certeza. Baseado nessa filosofia que o município vem desenvolvendo esse projeto.

E tem a questão, não só da conscientização da sociedade de um modo geral como a capacitação das pessoas. Nós temos que capacitar aqui em média mais de 100 pessoas que é para trabalhar nesses projetos. Uma das importâncias desse projeto é a questão social, para se tocar um projeto como esse nós necessitamos em média de 100 pessoas, quer dizer que são 100 empregos diretos que é gerado. Se levarmos a proporção de 1 para 3 ou 4 como é feito, então nós temos hoje direto e indireto em média deve movimentar em torno de umas 400 pessoas. A cada emprego que você gera direto você gera 3 ou 4 indiretos. É uma questão social, nós temos que trabalhar com as pessoas, além da capacitação, da sensibilização, são pessoas que vão se tornando mais conscientes em termos ambientais.

Não vejo outra alternativa em meio ambiente se você não tiver inserido essa mobilização social. E uma das questões é a questão social mesmo, a sociedade tem participar. Nós também realizamos a coleta seletiva na cidade e já estamos ampliando. Começamos em algumas ruas da cidade, nas principais avenidas, nas principais ruas que geram maior quantidade, onde já foi feito esse trabalho de conscientização. A sociedade já está se tornando mais consciente, nós já estamos fazendo o trabalho de coleta seletiva.

O trabalho mesmo seria mais na fonte geradora, nós pedimos pelo menos que a população separe o úmido, que seria o orgânico do seco, porque estando separado fica mais fácil quando chega aqui na usina para nós fazermos a preparação. Se essa separação não é feita, torna-se difícil reaproveitar esse material, pois o plástico sujo não é viável para se trabalhar, o papelão sujo também inviabiliza. Por isso a maior preocupação em pelo menos separar o seco do úmido, assim viabiliza a ação de separar o material, não tendo comprometido a qualidade dele de maneira que não possa se tornar uma matéria-prima”.

- Coari (07/10 de janeiro)

O Major Denildo tem sido incansável. O café da manhã regional, de 07 de janeiro, foi degustado na Greici e o Major colocou o Cabo Pereira à nossa disposição para reconhecer a cidade, realizar entrevistas e assistir a posse do secretariado do novo prefeito. No dia 08, tomamos café na Greici, passeamos pela cidade em companhia do Major Denildo e concedemos uma entrevista na Rádio Nova Coari FM. A Maria Helena chegou por volta das 10:30h e o Denildo ampliou nosso passeio turístico até o lago Mamiá. Os dias 9 e 10 foram dedicados a contatos com secretários de governo, passeio no lago Coari e pontos turísticos da cidade.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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