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Artigos - 07/03/2009 - 09h12

Tefé - Lago Ipixúna




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Tefé

O Padre jesuíta Samuel Fritz, no final do século XVII, fundou várias missões na região do Solimões e Tefé foi uma dessas aldeias. Fritz era um verdadeiro soldado à serviço da Espanha. que tinha a firme convicção de aquela região pertencia à coroa espanhola. Os portugueses, por sua vez, consideravam o território português e como tal tinham de preservá-lo do domínio espanhol, que se implantava tendo como ponto de lança a obra catequista dos missionários castelhanos.

O governador do Grão-Pará, em 1708, enviou, sob o comando do capitão Inácio Correia de Oliveira, uma tropa evacuar os espanhóis das aldeias. Houve reação por parte dos castelhanos, que apoiados por tropas vindas de Quito, investiu contra as aldeias, recém ocupadas pelos portugueses, aprisionando o comandante e diversos soldados. O Governador do Grão-Pará envia, no ano seguinte, uma nova expedição sob o comando do Sargento José Antunes da Fonseca. Coube dessa feita, a vitória às forças portuguesas. que aprisionaram entre outros o padre Sana.

Em 1718, essas lutas trouxeram a devastação das aldeias, cujos remanescentes, o piedoso frei André da Costa, reuniu na Ilha dos Veados e trouxe para Tefé. Habitavam primitivamente a região, os índios: Nuruaques, Cauixanas, Jumanas, Passés, Uainumas, Catuquinas, Jamamadis, Pamanas, Júris e Jurimaguas, Tupebas ou Tapibás. Em 1759, Tefé foi elevada à vila, com a denominação de Ega. No mesmo ano cria-se o município de Tefé e em 1817, foi criado o município de Olivença, com território desmembrado de Tefé. Em 1833, foi suprimido o município de Olivença, cujo território retornou ao de Tefé e no mesmo ano a Vila voltou a denominar-se Tefé. Nessa divisão, a comarca do Alto Amazonas, que compreendia o território do atual estado, compunha-se apenas de quatro municípios. Tefé era um deles e a sua área, abrangendo vastíssima região, era superior a 500.000 Km².

Em 1843, é restabelecida a denominação de Ega e em 1848, é desmembrado o território do atual município de Coari. Em 1853, foi criada a comarca do Solimões e em 1855 a Vila de Ega torna-se sede da comarca do Solimões. Em 1855 dá-se elevação a Cidade de Tefé. A denominação dada ao município e à sua sede, provém da tribo indígena das ‘Tapibás’ de cujo vocábulo o de ‘Tefé’ é corruptela. Depois de Manaus, foi Tefé a primeira localidade amazonense a receber Foros de Cidade.

- Instituto Mamirauá (31 dezembro de 2008)

O almoço do dia 31 de dezembro, chegada em Tefé, foi por conta do César - um escabeche de pirarucu, fruto do manejo sustentável. Após a refeição, fomos conhecer as instalações do Instituto Mamirauá. Ficamos impressionados em relação ao tratamento paisagístico, à parte arquitetônica e aos equipamentos que certamente justificam seu reconhecimento, junto com o corpo de pesquisadores de projeção internacional, como centro de excelência em pesquisas relacionadas ao meio ambiente e à ecologia animal.

A passagem do ano foi às margens do lago Tefé, em um lugar conhecido como ‘Muralha’, com a apresentação de bandas e queima de fogos de artifício. Encontramos apenas um conhecido na multidão, o mestre Jonas - aquele dos peixes ornamentais - que nos convidou para o almoço na sua casa.

- Passeio em Tefé (01 de janeiro)

De manhã digitei os textos que havia redigido desde o Aranapu e, depois, chamamos o Manoel, zelador do flutuante Cauaçu, que nas horas de folga é moto-táxi, para nos levar até o Jonas. Após o almoço, retornamos ao Hotel de Trânsito dos Oficias e imediatamente após nossa chegada, o César e sua simpática esposa apareceram e nos convidaram para um passeio pela cidade e arredores. É impressionante observar o dinamismo e a competência deste jovem empreendedor. Mamirauá está de parabéns por contar nos seus quadros com um profissional deste quilate e capacidade de trabalho.

- Entrevista nas rádios (02 de janeiro)

Concedemos, pela manhã, uma entrevista muito bem conduzida na rádio 101 FM. Logo após a entrevista, atendendo determinação do Major Cardoso, o sargento Plínio nos aguardava nas instalações da rádio, hipotecando total apoio por parte da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, comandada pelo General de Brigada Racine Bezerra Lima Filho. Consegui então acesso ao computador do ensino a distância do Colégio Militar de Manaus e a isenção total das despesas com o Hotel de Trânsito.

À tarde, concedemos uma entrevista na Rádio Alternativa. O César já aguardava na porta para nos levar para um passeio no lago. O Walter BuonFino, que conhecêramos em Mamirauá, foi junto. O passeio foi fantástico; visitamos as praias de areias imaculadas de Nogueira e assistimos ao pôr-do-sol sobre o Lago Tefé e o documentamos, o que jamais iremos esquecer. O Walter, profissional da fotografia, dava dicas de como obter melhores fotos.

Fomos convidados pelo Walter para conhecer os amigos que o estavam hospedando - a Betina, conhecida como holandesa, e seu esposo. Não me senti muito à vontade ao saber que ambos haviam militado nas hostes do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), que tantos malefícios têm promovido em relação à soberania brasileira na região amazônica. Voltei cedo ao Hotel de Trânsito para continuar com o upload dos arquivos, que se arrastou madrugada adentro.

- Largada para Caiambé (03 de janeiro)

O César, mais uma vez, com sua pontualidade e cordialidade chegou às 06:00h horas para nos levar até o porto. Despedimo-nos do querido amigo de Tefé e partimos para nossa jornada às 06:45h. Depois de duas paradas breves, estacionamos em um flutuante de Caiambé e saí em busca de abrigo.

- Hospedagem VIP

A senhora Valdecia dos Santos Silva, mais conhecida como Beti, secretária da Escola Estadual Amélia Lima, alojou-nos na sala de aula número 01, com ar condicionado, e nos franqueou o acesso às instalações sanitárias e cozinha da escola. Foi um tratamento VIP que não imaginávamos encontrar em um local tão ermo. O governo do estado do Amazonas entregou a escola em agosto de 2008, totalmente reformada e ampliada. O ar-condicionado das salas, longe de ser um luxo numa região destas, é uma necessidade. À tarde, saí pra registrar algumas imagens, subindo, inclusive, na caixa d’água da Comunidade, enquanto o Romeu se envolvia com o remo e com a gurizada.

- Largada para Catuá (Lago Ipixúna - 04 de janeiro)

Partimos às 06:30h, já programando estender nossa jornada de maneira que pudéssemos abreviar em um dia o deslocamento até Coari. Eu estava resolvido a passar meu aniversário em Coari.

- Jutica

Nossa primeira parada foi determinada, novamente, pelos amigos botos tucuxis, que cortaram a frente do caiaque apontando para a Comunidade. Sem pestanejar, chamei o Romeu, que estava um pouco à frente, e embiquei para Jutica. Conheci o escritor e latifundiário, dono daquelas terras, Jones Cunha, que nos ofereceu um café com sucos, tapioca e pupunha além de me presentear com seu livro ‘Jutica, o brilho da terra’. Homem de visão empresarial, patriota e amante da natureza, mantém suas terras intocadas, onde os ribeirinhos se dedicam ao extrativismo. Montou uma agradável casa de hóspedes, que pretende destinar ao ecoturismo. O senhor Jones é mais um destes amazonenses que não interessam à mídia sensacionalista, a qual procura apenas mostrar aqueles que agridem a floresta.

- Santa Sofia

Alongando nosso trajeto, paramos no flutuante do ‘seu’ Plínio, conhecido como Bom Fim. Filho de Paraibano migrou com sua família do Juruá por pressão de seringalistas. Aposentado, com os filhos criados e morando em Manaus, resolveu procurar sossego no pequeno vilarejo às margens do Lago Catuá, junto com sua amável esposa Conceição que é hoje a presidente da Comunidade de Santa Sofia. Um contador de ‘causos’ nato, brindou-nos com uma série interminável de experiências vividas por ele e outras tantas por conhecidos seus, sempre colocando uma pitada de humor nos seus relatos. Já nos preparávamos para partir quando nos convidou pra almoçar e, como pretendíamos alongar nosso percurso, achamos que seria bom reforçar as energias antes de continuar. Lá pelas 14:00h nos despedimos e seguimos destino rumo à Comunidade Esperança - a Comunidade dos 162 degraus.

- Esperança e os 162 degraus

Apesar de o seu Plínio afirmar que só encontraríamos Esperança depois de uma hora de remo, lá aportamos em 30 minutos. Encontramos o senhor Edson, como havia sugerido Bom Fim, que nos assegurou que o Flutuante cor-de-laranja do Jorge, à boca do lago Ipixúna, ficava a igual distância de Esperança a Santa Sofia. O mapa mostrava uma distância três vezes superior, mas subir aqueles 162 degraus até a escolinha, pelo menos duas vezes, carregando o material do caiaque, motivou-me a prosseguir viagem. É impressionante como os parâmetros de tempo e espaço nessa região são erroneamente dimensionados pelos ribeirinhos, inclusive os mais experientes.

- Lago Ipixúna

Chegamos ao flutuante do Jorge por volta das 16:30h e solicitamos que ele nos rebocasse até a Comunidade Divino Espírito Santo no interior do lago. O administrador rural, inicialmente, apresentou-nos um local para acampar, sem quaisquer condições de higiene. Depois da intervenção de seu irmão, um ‘leigo’ coordenador da pastoral, a chave do quarto dos professores da escolinha ‘milagrosamente’ apareceu. A única vantagem do ambiente em relação ao anterior era a privacidade.

O senhor João, de quem compramos um refrigerante, convidou-nos para jantar na sua residência. Ofereceu-nos um jantar à base de peixes e nos informou que em Laranjal teríamos abrigo no Centro Cívico e que lá deveríamos procurar o senhor Everaldo.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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