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Artigos - 07/03/2009 - 08h58

Flutuante Mamirauá - Tefé




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Mergulhando nas entranhas do Mamirauá

O Mamirauá é um poço de tranqüilidade, margens intocadas, a vegetação não é violentada pelas águas como a do Solimões. Passamos pela Pousada Uacari e chegamos ao flutuante onde fomos recebidos pelo senhor Ivo, que nos ofereceu um saboroso almoço/janta que havia sido preparado pelas pesquisadoras Juliane e Joana, que tinham seguido destino a Tefé. O flutuante não possui geladeira e os alimentos tem de ser descartados para não estragarem.

- Entusiastas Pesquisadoras

Fomos surpreendidos, ao entardecer, com o retorno da Juliane e da Joana e mantivemos um prazeroso contato com ambas. Juliane, veterinária gaúcha de Porto Alegre e pesquisadora de mamíferos aquáticos amazônicos (boto); Joana, carioca, da gema, trabalha com a ecologia de vertebrados terrestres, tendo como foco as onças. Gravamos uma pequena entrevista com ambas contando suas histórias de vida e o objeto de sua pesquisa. Ambas demonstraram uma paixão pelo que fazem e a determinação com que enfrentam as vicissitudes do ambiente por vezes hostil.

- Primeira Manhã em Mamirauá (28 de dezembro)

Acordei cedo para tirar umas fotos do nascer do sol em Mamirauá. O alvorecer é fantástico, quase tão lindo como o do lago Guaíba, em Porto Alegre. Despedimo-nos das amigas pesquisadoras e saí de caíque para reconhecer e fotografar a área. A vegetação da várzea é formidável, as espécies evoluíram e se adaptaram às condições especiais das inundações sazonais, sobrevivendo apenas as mais fortes, o que explica ser sua biodiversidade menor do que a da vegetação de terra firme. As raízes, em especial, chamam a atenção dos mais sensíveis, parecem ter sido formadas por mãos celestiais.

Conhecemos, no Flutuante ‘Boto Vermelho’ do INPA, a pesquisadora carioca Sani, que trabalha sob a supervisão da nossa querida amiga Vera F. Silva, considerada referência mundial como pesquisadora de mamíferos aquáticos. Alegre, de bem com a vida, a Sani está perfeitamente integrada à região e ao seu trabalho. À tarde, ela veio nos visitar no Flutuante e saiu para passear com o caíaque duplo só voltando ao entardecer.

- Senhor Joaquim Martins (29 de dezembro)

O líder e patriarca da Comunidade da Boca do Mamirauá, senhor Joaquim, como havia prometido, veio nos visitar na manhã de segunda-feira, acompanhado do ‘Lula’, um de seus 38 netos. A chuva que começara à noite só parou por volta das 10h. O Senhor Joaquim ficou proseando e contando suas histórias. É impressionante o vigor físico, a lucidez deste ribeirinho que é um dos esteios da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Quando a chuva diminuiu, acompanhei-o na pescaria e sua destreza em arpoar.

Seu Joaquim, leve e silenciosamente, afundava o remo na água e manobrava a canoa por entre vegetações aquáticas do cano do Mamirauá. Viu, ou sentiu o leve movimento das águas e, sem pressa, pressentiu a direção seguida pelo cardume de aruanãs, ergueu o braço empunhando a haste e num impulso rápido e preciso lançou o arpão a alguns palmos à frente da leve ondulação na superfície (siriringa). Seu Joaquim sabia que a ‘siriringa’ era provocada pelo cardume que nadava próximo a superfície. A haste fincou o bico de ferro em forma de flecha no corpo da aruanã mantendo preso o formoso peixe às farpas do bico de ferro do arpão. O animal foi recolhido com a mesma destreza com que fora arpoado.

Novamente atento aos mais leves movimentos na água ele se aproximou de um grande aglomerado de capim-memeca com a intensão de pescar um tambaqui. Usando um ‘enganador’, um tosco caniço com um peso amarrado na ponta da linha, batia na água simulando a queda da arati, frutinha que é o objeto de desejo do saboroso peixe. Na outra mão de um, igualmente tosco caniço, usava a frágil ‘arati’ como isca. Se usasse a própria arati para atrair o peixe ela se desprenderia do anzol. Não demorou muito para que um grande tambaqui fosse puxado para a canoa pelo seu Joaquim. A destreza e o domínio das técnicas de pescaria justificam a fama de grande pescador que ele tem. Retornamos ao Flutuante e ele nos presenteou com a aruanã e metade do tambaqui que foi assado pelo zelador Ivo e saboreado no almoço.

- Peixes ornamentais

À tarde, chegou com sua equipe, o Jonas, especialista no manejo de peixes ornamentais. Participamos da captura de acarás à noite, numa preparação para a palestra que o Jonas iria ministrar na pousada e que seria concluída no laboratório do nosso Flutuante. À noite estava perfeita, embora sem lua, limpa e estrelada, prenunciando um bom tempo que não veio. No deslocamento da ‘voadeira’, diversas sardinhas, atraídas pela lanterna que o Jonas portava na testa, caíram dentro da nossa embarcação. No retorno, algumas delas serviram de repasto para o grande poraquê que habita um enorme aquário do laboratório.

Acará Bandeira (Pterophyllum scalare) – peixe endêmico da Bacia Amazônica, habita rios e lagos que possuem águas pretas ácidas com leve correnteza. Vivem em cardumes, com aproximadamente quinze a trinta indivíduos, que compartilham determinado trecho do rio onde existe, geralmente, um refúgio como uma grande raiz, árvore caída, galhos, vegetação aquática, etc. Os ribeirinhos chamam os Acarás Bandeiras de ‘pacu doido’ ou ‘peixe louco’, tendo em vista que eles se assustam com facilidade e costumam saltar d’água quando escutam ruídos repentinos.

- Efeitos da Chuva (30 dezembro de 2008)

Na madrugada de 30 de dezembro choveu torrencialmente, o que impediu novas capturas, e o dia raiou com uma precipitação bastante forte. Ajudei o Ivo a desprender o capim memeca, que descia o rio em grandes ilhas, do flutuante e aproveitei para ler um pouco e atualizar minhas anotações. O Romeu envolveu-se nas atividades culinárias. O Jonas realizou a palestra na Pousada Uacari para os turistas e algum tempo depois eles vieram até o laboratório do Flutuante. No laboratório, ele relatou que das mais de 300 espécies de peixes levantadas na reserva, menos de 20 são consideradas ornamentais e que destas apenas 3 fazem parte do projeto de manejo, que são o Acará-Bandeira, o Acaraçú e o Acara-Boari (mesonauta). Na oportunidade, um fotógrafo profissional italiano chamado Walter BuonFino insistiu que remássemos juntos para nos fotografar.

À tarde, fui percorrer algumas trilhas ao longo dos canos do Mamirauá. As aves estavam exaltadas com a pesca fácil. A chuva aumenta a correnteza do Mamirauá e demais cursos, movimentando o lodo do fundo e liberando grande quantidade de gases. Toda a reserva recende a enxofre e os peixes são obrigados a subir à superfície em busca de oxigênio, tornando-se presa fácil dos predadores. O espetáculo proporcionado pelas garças, principalmente, é inenarrável. Achei a trilha, indicada pelo Jonas, fotografei as vitórias amazônicas, guaribas, outras raízes exóticas e retornei à base.

O Romeu tentava ensinar o Walter BuonFino, nosso amigo italiano hospedado na Pousada Uacari, como remar. À noite, preparamos nossos apetrechos para seguir destino a Tefé na manhã de 31.

- Largada para Tefé (31 dezembro de 2008)

Um dos muitos genros de seu Joaquim foi designado para nos deslocar até a Boca do Mamirauá. Seu Joaquim e filhas nos agradavam com a alegria típica dos ribeirinhos. Aproveitamos para comprar alguns artesanatos fabricados pela Comunidade e tiramos uma foto diante da Castanha Sapucaia mais famosa do mundo. Sua foto, na época da cheia, com uma pequena embarcação ao lado, ilustra diversas revistas e livros no mundo tudo. Já no lago Tefé, segui as orientações da pesquisadora Juliane e não tivemos problemas em localizar o flutuante do Instituto. O César, mais uma vez, com a atenção e cordialidade que lhe são peculiares, nos acolheu no porto, levou-nos até o clube militar de Tefé onde nos hospedamos, e nos levou após o banho para almoçar.

Castanha sapucaia (Lecythis pisonis) - ocorre nas várzeas, e mais raramente na terra firme em toda a região amazônica, principalmente nos Estado do Amazonas e Pará. Árvore de médio a grande porte, atingindo até 40 m e mais de 1,5 de diâmetro; tronco reto, casca marrom, fissurada. Seu fruto é uma castanha grande, que se abre na parte inferior para deixar cair as sementes, que são saborosas.

- Entrevista com o César

“Meu nome é Josivaldo Ferreira Modesto, eu trabalho no Instituto Mamirauá, sou coordenador de operações do Instituto. Aqui todos me conhecem como César, é uma história bem interessante, bem engraçada – quando eu nasci minha mãe queria que eu me chamasse César e o meu pai a revelia de minha mãe registrou-me como Josivaldo Ferreira Modesto. E desde então, minha mãe continuou a me chamar de César e eu virei César até para o meu pai.

Eu sou pernambucano de Recife, nasci em março de 1972, tenho 36 anos. Penso que assim como toda a criança, todo o estudante aqui no Brasil quando começa a estudar Geografia, História, quando falam da Amazônia do estado do Amazonas a gente fica fascinado. Todo estudante fica muito curioso, querendo saber como é isso aqui, como é essa terra e eu tive esta mesma sensação quando eu era estudante. Um sonho de conhecer a Amazônia toda essa beleza que tem aqui.

Eu tive a oportunidade de conhecer o professor Marcio Ayres que foi o idealizador do Instituto Mamirauá e depois de um certo tempo ele entrou em contato comigo e convidou-me para trabalhar aqui no Instituto, coordenando a parte logística, operacional e eu aceitei prontamente. Foi tudo tão rápido, ele falou num dia e depois de 2 ou 3 dias eu já estava aqui trabalhando. Ao chegar aqui, eu deparei-me com toda essa imensidão, toda essa beleza, toda riqueza cultural, esse povo que tem aqui na região e apaixonei-me de imediato.

O Instituto Mamirauá é uma organização social do Ministério da Ciência e Tecnologia que desenvolve atividades de manejo sustentável, conservação da biodiversidade em duas grandes unidades de conservação estaduais que são a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, criadas pelo governo do estado e gerenciadas por convênios com parcerias com o próprio governo do estado.

Como são duas reservas de desenvolvimento sustentável o nosso principal trabalho é focado nas populações locais. Digamos que nós andamos de mãos dadas com todas as comunidades, com toda a população que reside nessas duas grandes áreas, principalmente valorizando o conhecimento dessas populações. Nós costumamos dizer também que todo conhecimento científico que é produzido aqui no Instituto Mamirauá anda de braços dados com o conhecimento tradicional, de forma participativa, de forma democrática, de forma bem harmônica.

Por exemplo, dentro de Mamirauá que tem uma área de 1.124.000 hectares, uma área muito grande onde caberiam alguns países da Europa dentro dessa reserva, nós temos aproximadamente 11.000 pessoas. Durante grande parte dos anos de existência do Instituto Mamirauá, mais de uma década e meia, nós desenvolvemos atividades de manejo dos recursos naturais e conservação da biodiversidade numa área de 260.000 hectares, apenas, o que nós chamamos de área focal. Uma área que está mais próxima a Tefé, uma área que tem uma densidade demográfica um pouco maior e por questões administrativas e de logística nós tivemos condições de atuar somente nesta área.

A mais ou menos 3 ou 4 anos nós iniciamos as atividades no restante da área, a qual nos chamamos de área subsidiária e levamos o mesmo trabalho que desenvolvemos por mais de uma década na área focal. A Reserva Mamirauá foi a primeira reserva de desenvolvimento sustentável criada no país, até ela ser criada não existia no Sistema Nacional de Unidades de Conservação, SNUC, modelos de unidades de conservação.

No início da década de 80, mais ou menos, o Dr. Márcio Ayres veio para a região para estudar a sócio ecologia de uma espécie de macaco endêmica de Mamirauá, endêmica porque só tem aqui essa espécie de macaco, que é o Cacajao calvus calvus, conhecido como o uacari branco aqui na região e em outros lugares também. Como ele é endêmico de Mamirauá, o Marcio Ayres teve de vir até aqui estudar esse macaco. Quando ele chegou, na década de 80, já existia uma grande pressão dentro dessa grande área. Uma pressão em cima dos recursos naturais, principalmente, dos recursos pesqueiros e madeireiros.

Já existia também por parte das populações locais uma vontade, um ensejo muito grande de que o poder público ou de que alguma entidade fizesse alguma coisa para diminuir essa pressão em cima dos recursos naturais. Já existia uma forte parceria dessas comunidades com a diocese de Tefé, então a igreja aqui em Tefé já trabalhava nesse sentido junto com as populações. Muita gente pensa que o Mamirauá foi quem iniciou esse movimento, mas não foi, foram as próprias populações, incentivadas, apoiados pela igreja antes da década de 80.

Márcio Ayres como era um cientista muito conhecido, com uma influência muito grande no meio científico e até no meio político, conseguiu juntar uma equipe de cientistas e reunir uma grande parte dos representantes das comunidades da reserva, naquela época não era reserva ainda e fizeram uma proposta para o governo do estado do Amazonas de criação de uma unidade de conservação, uma estação ecológica. A idéia foi aceita pelo governo do Amazonas e pela Assembléia Legislativa do Amazonas que criou a então, estação ecológica de Mamirauá. Não área atual, um pouco mais restrita que o Márcio e o grupo tinham proposto, mas com uma área, talvez 10 vezes maior, que é essa área de 1.124.000 hectares.

Uma vez decretada, criada a Estação Ecológica de Mamirauá, a equipe toda se deparou com um fato interessante - como fazer, o que fazer, o como trabalhar numa unidade de conservação que tem o perfil totalmente, protecionista, preservacionista como é o caso da Estação Ecológica, se dentro da área tinha aproximadamente 11.000 pessoas? Como trabalhar, retirar o povo dessa área? Com toda a sua história, toda a sua cultura enraizada já naquele local era um desafio praticamente, impossível.

Então, toda a equipe se reuniu, foram abertos vários fóruns de discussão e dentro dos preceitos de desenvolvimento sustentável, que já havia sido discutido em 1970 em Estocolmo e aí foi elaborado um novo modelo de unidade de conservação que é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Foi solicitado ao governo do estado que criasse essa nova categoria e foi aceito, foi criado. Mamirauá então deixa de ser Estação Ecológica que é um modelo totalmente preservacionista, que não permite a presença humana dentro de suas áreas e criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

Com isso a legislação federal, o Ministério do Meio Ambiente também teve que se adaptar a essa nova realidade. E esse novo modelo de unidade de conservação foi implantado no SNUC. Depois de Mamirauá, várias outras reservas com esse mesmo perfil foram criadas no Brasil e no mundo. Um exemplo, muito interessante é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, que é vizinha de Mamirauá e que se junta ao Parque Nacional do Jaú. Então, Mamirauá, Amanã e Jaú formam o maior corredor de floresta tropical protegido do planeta. E depois de Amanã, no Brasil mesmo foram criadas várias outras unidades de conservação com esse mesmo perfil.

Então, o trabalho do Instituto é esse: trabalhar junto com as comunidades para a melhoria de sua qualidade de vida, reconhecendo o conhecimento tradicional, deixando que todas as comunidades, os líderes comunitários planejem e tomem decisão. Decidam seu destino, o destino da unidade de conservação e nós somos um dos principais apoiadores das decisões deles.

É um trabalho que tem dado muito certo, nada do que nós fazemos aqui no Instituto dizemos que é um modelo, que é uma coisa que pode ser aplicado em qualquer lugar que vai dar certo. Enfim, o que podemos dizer é que até agora dentro dessa década e meia, todas as atividades que nós estamos desenvolvendo junto com as comunidades estão dando resultados bem positivos e isso nos alegra, nos deixa muito contentes, nos deixa com sentimento de dever cumprido, estou falando em nome de todos nós que compomos, que fazemos a instituição e as lideranças comunitárias das duas reservas.

O Instituto em si desenvolve várias atividades junto às comunidades, poderia resumir e dizer que o Instituto tem duas grandes linhas de ação. Uma linha de ação voltada para o manejo dos recursos naturais de forma sustentável, aí englobamos uma série de atividades, como por exemplo, a agricultura familiar, qualidade de vida, manejo de pesca, manejo de espécies madeireiras. E a outra parte, que seria de pesquisa, as pesquisas aplicadas sobre fauna e flora aqui na várzea amazônica e essas duas grandes linhas de ação complementam-se e o objetivo é oferecer alternativas e subsídios para tomadas de decisão dos líderes comunitários das reservas.

Dentro de qualidade de vida, temos várias atividades, temos um programa dentro desse núcleo que se chama desenvolvimento de tecnologias apropriadas, que trabalham com a incrementação de sistemas de obtenção de energias renováveis, como por exemplo, energia solar, semi captação e tratamento de água do rio. Temos o sistema de ação e desenvolvimento de tecnologia de uso da biomassa para queima em fogões ecológicos. Tem também toda a parte de atenção à saúde, capacitação de parteiras, convênios com o Ministério da Saúde, outros convênios com o Ministério da Justiça, atividades de educação ambiental em Tefé e em todas as áreas da reserva. Tem a parte de fiscalização que é a formação de agentes ambientais voluntários e aí nós temos uma parceria muito forte com o IBAMA, aqui em Tefé na formação desses agentes. A Polícia Militar também nos apóia na questão de fiscalização.

Enfim, é uma gama de atividades que nós temos, onde uma complementa a outra e faz com que o sentido e o resultado dessas ações sejam um subsídio muito forte para auxiliar na tomada de decisão por parte das comunidades da reserva.

O trabalho da minha coordenadoria em si, eu sou um membro da diretoria do Instituto e minha função é assessorar as diretorias do Instituto na implementação da parte logística que apóia todas as pesquisas dentro dessas duas grandes áreas. Também apóia todas as atividades planejadas e desenvolvidas pelas comunidades dessas duas áreas, temos que planejar, executar e participar de toda a parte logística. Até o transporte do pesquisador aqui de Tefé para o campo de pesquisa, aqui na Amazônia não existem estradas asfaltadas ao longo do grande rio amazonas, então nossas estradas são os rios mesmos, nosso transporte é feito em lanchas, em barcos, botes, em voadeiras, em canoas. O pesquisador quando vai a campo, ele vai por via fluvial, então nossa missão é fazer com que esse pesquisador, esse grupo de pesquisa se desloque de Tefé ao campo de pesquisa com segurança de forma rápida e eficiente e retorne também com segurança e satisfeito com as facilidades que o Instituto provê para que a pesquisa dele seja bem feita, e o resultado seja o melhor possível.

Nós estamos falando de uma área (Mamirauá) que é 100% várzea, é 100% alagada o ano inteiro, existe uma variação sazonal do nível da água de 12 metros, hoje dia 2 de janeiro de 2009 nós estamos caminhando onde daqui a 3 meses nós estaremos navegando 12 metros acima. Essa característica impar da região e nos faz pensar em um tipo especial de alojamento, de habitação em campo. Aqui no nosso caso as habitações, os alojamentos são todos flutuantes, são casas que flutuam mesmo. Casas normais como temos em qualquer cidade, só que fica flutuando em cima de toras de madeira e servem de alojamento e apoio estratégico para os pesquisadores, para os comunitários e apóia também o sistema de fiscalização das reservas. Todas as bases são equipadas com sistema de energia solar, sistema de rádio para fortalecer o esquema da segurança. Não só da segurança pessoal, como também da segurança da reserva.

Funciona vinte e quatro horas e nós ficamos aqui em Tefé com uma base logística flutuante vinte e quatro horas aguardando toda e qualquer comunicação que venha de qualquer ponto das reservas. Como falei, Mamirauá tem 1.124.000 hectares e Amanã tem quase 2.400.000 hectares, uma área muito grande com essa característica, no caso de Mamirauá de ficar inundado o ano inteiro, com variação de 12 metros de nível de água. E Amanã pega uma pouco dessa questão da várzea.

A idéia do Márcio Ayres era que o Instituto Mamirauá, e as reservas Mamirauá e Amanã fossem realmente, grandes laboratórios abertos para a Comunidade científica. Para que todos os estudiosos interessados na Amazônia e no desenvolvimento sustentável e isso realmente, está acontecendo, ocorre de forma muito visível.

Mamirauá, hoje recebe estudantes e pesquisadores de várias partes do país. Hoje temos gente da UNICAMP pesquisando aqui, têm pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal Fluminense é uma quantidade muito grande de relacionamentos institucionais científicos que Mamirauá tem. E também com outras universidades em outras partes do mundo.

A idéia é essa, é fazer com que todos nossos possamos unir esforços, do ponto de vista humano também para produzir e difundir esse conhecimento, melhorar ainda mais a qualidade de vida desse povo brasileiro.

 

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