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Artigos - 07/03/2009 - 08h53

Flutuante Horizonte - Flutuante Boca do Mamirauá




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Largada para o Flutuante Cauaçú (26 de dezembro)

Partimos às 05:40h do dia 26, navegando quase um quilômetro rio acima, colados na margem esquerda, pois a entrada do furo ‘Mari-Mari’ ficava, praticamente, em frente ao flutuante, na margem oposta, e a força da correnteza nos impediria, certamente, de acessá-lo.

- Paraná Mari-Mari

O caboclo da Amazônia não faz distinção entre furos e paranás. Por definição, os furos são canais que ligam o mesmo rio, permitindo, na maioria das vezes, diminuir os percursos. O ‘Mari-Mari’ é um exemplo disso, unindo o Solimões a ele mesmo e encurtando o caminho natural do rio que, no local, faz uma grande curva à direita. O Paraná, por sua vez, é um canal que liga dois rios distintos, como o caso do Aranapu, que liga o Solimões ao Japurá.

Acessamos a entrada do ‘Mari-Mari’ quando o sol iniciava sua caminhada no amazônico horizonte. O furo, relativamente estreito, permitiu-me admirar a paisagem exuberante de ambas as margens. Mergulhei de corpo e alma no ambiente que me cercava, absorvendo seus aromas e sons impressionantes. O nascer do dia estimulava os pássaros, numa esplendorosa melodia em louvor ao sol; ao fundo, um soturno coral de ‘guaribas’ (bugios) complementava a peculiar sinfonia da aurora. Eu fotografava, extasiado, as imagens ao meu redor. Meu parceiro, infelizmente, alheio a tudo isso se afastara novamente remando freneticamente sem nenhum sentido.

Guariba (alouatta guariba ) - a pelagem varia do ruivo ao castanho, possui pelos mais compridos nas laterais da face se assemelhando a uma espécie de barba. Os machos são vermelho-alaranjados e as fêmeas e jovens castanho escuros. Mede de 30 a75 centímetros e é um dos maiores primatas das américas. Famoso por seu grito, um ronco forte e soturno, semelhante a um esturro de onça, que pode ser ouvido ao longe. A potência desses sons é obtida graças à um pequeno osso, situado entre a laringe e a base da língua, o hióide, que funciona como uma caixa de ressonância. É também conhecido por bugio, barbado ou macaco-uivador.

Passei por um grande coqueiral e por uma casa de alvenaria que, pela grandeza e qualidade da construção, contrastava com o ambiente a sua volta. Conversei com os caseiros que me informaram que seus donos residiam em Tefé e que criavam tambaquis e pirarucus em lagos situados atrás da sede da fazenda.

- Flutuante Cauçu

Depois de três paradas, chegamos por volta das 11:30h, ao flutuante Cauaçu, onde fomos recebidos pelo senhor Manoel. Descarregamos os caiaques e, enquanto o Romeu se banhava, aproveitei para colocar a ‘malhadeira’ (rede de pesca). Manoel sinalizou com um lugar melhor na margem oposta e ao retirar a rede para recolocá-la, verifiquei que tinha capturado três piranhas, que, depois, limpei e ‘tiquei’ para o jantar. Mudei a rede e fui tomar banho. Escrevi um pouco, analisei a rota trocando idéia com o Manoel e fui retirar a rede, constatando que ela havia sido levada pelo boto vermelho que antes passara rondando pelo ‘furo’. Mais tarde, usando um pequeno arpão, consegui pegar duas sardinhas que foram igualmente limpas e ‘ticadas’. O Manoel foi pescar e consegui dois sardinhões que foram degustados com os demais no jantar.

Ticar – dar pequenos cortes paralelos no peixe para quebrar as espinhas.

- Largada para a Boca do Mamirauá (27 de dezembro)

Choveu a noite toda. De manhã, aguardamos um pouco o tempo melhorar e, como isso não acontecesse, partimos às 07:15h do dia 27. Houve um contratempo lamentável, o Romeu, para variar, se distanciou demais, à frente, e perdemos o contato visual. Tentei chamá-lo, pois ultrapassamos um furo que encurtaria, significativamente, o percurso. A chuva aumentou e o perdi de vista. Preocupado, alterei a rota planejada, seguindo-o e, para isso, contornei a ilha e acessei a boca pelo Japurá. Encontrei dificuldade em entrar na boca do Mamirauá pois, embora avistasse as construções da Comunidade, o capim ‘memeca’ havia obstaculizado praticamente toda a foz. Estava realizando mais uma tentativa no norte da foz quando avistei um ‘recreio’ entrando. Acelerei a remada e consegui confirmar com uma passageira que eles estavam se dirigindo para a Boca. Mantive as remadas fortes, para não perder o recreio de vista, e chegamos juntos ao nosso destino.

- Senhor Joaquim Martins

Conheci o decano da Comunidade e um dos alicerces do Projeto Mamirauá. O senhor Joaquim, muito lúcido e falante nos seus mais de setenta anos bem vividos, contou-nos uma série de ‘causos’ e piadas regionais. Na ocasião, aportaram no seu flutuante três pesquisadores do Instituto.

- Resgate do Romeu

Contatamos o Gerente Operacional do Instituto Mamirauá, senhor Josivaldo Modesto, mais conhecido como ‘César’, solicitando seu apoio para encontrar o Romeu, caso ele tivesse se perdido, e ele iniciou pessoalmente uma operação de resgate. O Romeu apareceu mais tarde, cansado e de mau humor, procurando justificar o injustificável, atrelamos nossos caiaques à ‘rabeta’ do Tito, um dos filhos do senhor Joaquim, que nos conduziu até o Flutuante Mamirauá, onde fomos cordialmente recebidos pelo zelador, o senhor Ivo.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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