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Artigos - 07/03/2009 - 08h50

Flutuante Aranapu - Flutuante Horizonte




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Largada para o Flutuante Horizonte (25 de dezembro)

O Cláudio chegou às 06:45h, quinze minutos antes do combinado; atrelamos nossos caiaques à sua ‘rabeta’ e nos dirigimos à boca do Aranapu. O motor de 5,5 HP gemia contra a correnteza forte, o que determinou uma velocidade média de 6,5 km/h. Partimos para nossa jornada, a remo, às 07:50h, com um ritmo calmo, tendo em vista que o objetivo se encontrava a mais de 60 km de distância.

- ‘Paraná’ Envira

Às 09:30h, depois de aportarmos numa pequena praia próxima ao furo que eu procurava para encurtar o percurso, saí para fazer um reconhecimento e confirmei se tratar do ‘furo’. A foto do satélite mostrava uma foz de aproximadamente um quilômetro, que o terreno totalmente assoreado reduzira a pouco mais de uma centena de metros. O areal e a vegetação de imbaúbas e capins indicavam que essas alterações na geografia eram recentes. Depois de um breve repouso entramos no furo, confirmei minha tese com um ribeirinho que navegava em nossa direção. As praias da margem esquerda estavam tomadas por enormes bandos de gaivotas que, incomodadas com nossa presença, iniciaram uma estridente revoada, quebrando a monotonia dos sons da floresta.

- Outro Furo

Depois da segunda parada, aproximamo-nos de um furo com uns 500 metros de largura, aproximadamente. Na fotografia aérea que eu possuía não dava para se ter a sua real dimensão, mas como a correnteza que penetrava por ele era bastante forte, decidi alterar a rota programada e percorrê-lo. Foi uma bela escolha a velocidade da correnteza se manteve por volta dos 12 Km/h e mais uma vez consegui reduzir significativamente o percurso. Na saída do furo, novamente no Solimões, paramos numa praia para descansar e reconhecer o terreno. Havia feijão em abundância e de boa qualidade nas belas areias brancas. Calibrei o GPS e chequei a posição do Flutuante Horizonte com as coordenadas enviadas pelo Instituto Mamirauá. De acordo com estes dados o flutuante se encontrava a apenas 11 km de distância, na margem direita.

- Flutuante Horizonte

Dirigimo-nos ao local marcado e, chegando à Comunidade Novo Horizonte, fui informado de que o flutuante tinha sido transferido para a margem esquerda, em frente, a 4 km de distância. Enquanto eu verificava, na Comunidade, onde o vigia se encontrava o Romeu, extenuado e sem raciocinar corretamente, já tinha iniciado a travessia para a margem esquerda. O bom senso mostrava que a correnteza, no local, era muito forte e seria extremamente cansativo nos deslocarmos até ele depois de remar mais de 70 km já que uma travessia frontal faria com que atingíssemos um ponto muito à jusante de nosso alvo. Achei na Comunidade Horizonte, o zelador do flutuante, Isvon. Chamei o Romeu que ainda, teimosamente, lutava contra a correnteza e solicitei ao Isvon que nos rebocasse até o flutuante. O treinamento intensivo no Guaíba em rotas que chegaram à 13:30h de remo em apenas em um dia fez com que eu chegasse a um nível de ‘endurance’ tal que, no Solimões, eu fosse capaz de alcançar os objetivos propostos sem fadiga e com a capacidade de tomar as atitudes corretas, na hora adequada, evitando maiores transtornos. Descarregamos os pertences e coloquei a ‘malhadeira’ (rede de pesca) na esperança de uma alteração no nosso cardápio.

- Família do Isvon

O Isvon foi buscar a esposa Helen Mara e seu hiper-ativo filho, quebrando nossa nostálgica rotina. A retirada da rede foi uma festa; um pequeno poraquê e uma arraia foram imediatamente devolvidos ao rio e as três branquinhas, a pescada e a cachorra foram preparadas pela Helen para nosso jantar. O Isvon me presenteou com sua camisa de manga comprida, para me proteger das queimaduras solares e dos mosquitos, e eu retribui com uma lanterna (acoplada com rádio, alarme e carregador de celular) que dispensa pilhas sendo recarregada por um dínamo.

Poraquê (electrophorus electricus) – ‘aquele que faz dormir’ - em tupi. Peixe de cor castanho-avermelhada, com tonalidades amarelo-avermelhadas na cabeça. Possui dois sistemas de produção elétrica: o primeiro, involuntário, com descargas regulares utilizadas na eletrorrecepção, vital em condições de pouca ou nenhuma visibilidade e o segundo, voluntário, que pode emitir descargas de até 550 V, suficiente para atordoar suas presas ou predadores. A cabeça é o pólo positivo, e a cauda, o negativo.

- Lenda do Poraquê

Contei aos amigos, no flutuante a lenda do Poraquê:

Poraquê era um guerreiro valente, imbatível nos combates, excelente caçador, inigualável na destreza do arco e da flecha. Mas, Poraquê, tinha um defeito era muito ambicioso. Tentou dominar o fogo, não conseguiu, quis comandar os rios, foi derrotado. Vencido pela segunda vez subiu em um pé-de-vento e tomou um relâmpago do Trovão e com ele fez uma borduna capaz de lançar raios.

Certa feita uma tribo atacou a aldeia de Poraquê e ele com sua borduna de raios exterminou os invasores. Sua arma ficou tinta de sangue e ele foi lavá-la no rio. Um dos raios caiu na água e o fulminou e transformando-o em um peixe feio.

Borduna: designação genérica das armas indígenas feitas de madeira dura usadas para dar bordoadas.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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