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Artigos - 07/03/2009 - 08h47

Tamaniquá - Flutuante Aranapu




Por Hiram Reis e Silva (*)

Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Tamaniquá

Aguardei o Romeu, que estava envolvido com as aulas de remo para a criançada, na casa do Chico e da Dona Maria ‘Capivara’. Degustamos alguns ‘din-dins’ (sacolés ou geladinhos) e ficamos conversando com nosso monossilábico amigo Chico. Fomos convidados pelos donos da casa a saborear um jantar à base de peixe frito e uma caldeirada de piranha acompanhada de feijão com jerimum (abóbora) produzidos na roça da família e, logicamente, a saborosa farinha regional. Após o jantar fomos ultimar os preparativos para a partida.

- Largada para o Flutuante Aranapu (24 de dezembro)

Na manhã de 24 de dezembro, nossos amigos Chico e Dona Maria ‘Capivara’ estavam a postos na margem, para as despedidas. É impressionante como a amizade pode surgir em tão breves momentos de contato, em locais tão ermos, com pessoas com histórias de vida tão diversas. Partimos taciturnos, levando a lembrança do carinho e da atenção dos queridos amigos que deixamos em Tamaniquá.

- Aru

Na Amazônia o caboclo chama a neblina de Aru. Aru é o sapo que deposita seus ovos numa densa espuma presa às vegetações aquáticas. A neblina parece presa às copas das arvores e talvez por isso a analogia.

Aru – a planície Amazônica é a região do mundo que concentra a maior quantidade e a maior variedade de sapos. Onde quer que se esteja, a gente ouve sempre, partindo dos bosques e dos charcos, uma confusão de sons, uma Babel de ruídos formando um concerto extravagante. Os índios devotavam grande estima ao sapo, ligando-o às chuvas amenizadoras do clima, à abundância de peixes e à fertilidade da terra. Chamam-no genérica e carinhosamente de ‘amana-manha’ - a mãe da chuva. (Altino Berthier Brasil)

- Navegando na Aru

Recomendei, devido à neblina, que o Romeu diminuísse a distância para que não perdêssemos o contato visual já que a visibilidade era muito ruim. Seguindo o conselho do Chico, encostamos na margem esquerda do Solimões, que era a menos alterada pela violência do rio, já que nesta altura ele faz uma pronunciada curva à esquerda. Após a primeira hora de navegação a neblina se dissipou e o meu afoito parceiro resolveu mais uma vez se adiantar. Com isso tive de dispensar um agradável banco de areia para a primeira parada e enveredar por uma rota mais lenta e tortuosa entre uma das ilhas próximas à Maquapanim e à margem esquerda do Solimões quando a melhor rota (mais retilínea e de maior correnteza) era a da direita.

- Na boca do Aranapu

Depois da 2ª parada o Romeu ficou muito para trás e embora eu tenha diminuído bastante o ritmo das remadas ele continuava bastante afastado de mim, fiz mais uma parada depois de avistar a boca do Paraná Aranapu, aguardando o parceiro. Como o GPS apontava uma distância de mais uns 5 quilômetros até o flutuante e as informações que eu possuía a respeito da localização do flutuante eram conflitantes, pus-me a buscar ratificação com ribeirinhos de um flutuante próximo, à jusante. Confirmados os dados do GPS, tivemos de ‘arribar’, remando vigorosamente contra a correnteza do Solimões para entrar no Aranapu e, depois de 40 minutos, aportamos no flutuante Aranapu do Instituto Mamirauá. O senhor Cláudio, zelador do flutuante, já nos esperava. Fui descarregando o material do caiaque, para o flutuante, enquanto aguardava o Romeu e logo que ele aportou no flutuante fomos nos instalar nas confortáveis instalações.

- Tributário de si mesmo

“... ou vai, noutros pontos, em furos inopinados, afluir nos seus grandes afluentes, tornando-se ilogicamente tributário dos próprios tributários...” (Euclides da Cunha)

O Aranapu é um paraná que conduz as águas barrentas do Solimões às águas claras do Japurá e que, segundo o senhor Cláudio, nos últimos 18 anos, apenas em duas oportunidades, o Solimões recebeu águas do Japurá por intermédio do Aranapu. A sabedoria de Euclides da Cunha se torna patente mais uma vez. O Rio-menino é afluente dele mesmo ao lançar suas águas no Japurá através do Aranapu e recebê-las, mais adiante, de volta.

- Contato com a Comunidade

Assistimos a um torneio de futebol, promovido pelo Cláudio, no estádio ‘Moça Bonita’, cujo troféu era um porquinho. Tiramos algumas fotos, conversamos com os populares e o Romeu, mais uma vez, promoveu uma aulinha de canoagem para os mais jovens. Pregado em um belo apuí, à margem do campo, uma placa, ostentando o símbolo do Clube de Regatas Flamengo, trazia o nome do campo - ‘Estádio Moça Bonita’.

Apuí - é uma das árvores, segundo os Kokamas, onde moram os Xamãs. Para se tornar pajé é necessário que a mãe do Apuí, que é xamã, entre no sonho do pretendente e o encaminhe até o Apuí, levando caldo de cana forte, xixa de milho e tabaco que deve ser depositado no chão junto às raízes da árvore. A mãe do Apuí, então, desce, se embriaga e quando a pessoa, que levou as oferendas, estiver dormindo, a mãe do Apuí a ensina a preparar remédios e os cânticos para incorporar os xamãs.

- Preocupações extra-amazônicas

Os dias têm se sucedido melhor do que planejáramos. O rendimento dos caiaques, o apoio de autoridades e populares, o clima, normalmente agradável na parte da manhã, tudo tem contribuído favoravelmente para nosso otimismo. Apenas duas coisas me inquietam o sono e me preocupam; minha família e a renovação de meu contrato como professor do Colégio Militar de Porto Alegre. A saúde de minha esposa tem sido uma constante preocupação nestes cinco últimos anos e os altos custos com medicação e enfermagem reforçam a necessidade de continuar exercendo as atividades de professor para complementar o salário. O General Farias hipotecou sua palavra de oficial e cavalheiro que meu retorno estava garantido mas, infelizmente, ainda não tivemos a efetivação confirmada.

- Natal em Mamirauá

O Romeu improvisou um quibe sem carne, que foi nossa ceia de Natal. Fomos acompanhados pelo amigo Cláudio, o que tornou a noite bastante agradável. A noite foi fresca; havia chovido à tarde toda e dormimos muito bem nos preparando para o ‘Horizonte’.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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