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Artigos - 07/03/2009 - 08h11

Amaturá - Santo Antonio do Içá




Por Hiram Reis e Silva (*)

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Largada para Santo Antonio do Içá (09 de dezembro)

Acordei às 04:30h e depois me dirigi ao posto da Polícia Militar para confirmar o apoio agendado para as 05:30h. Acordei o plantonista, confirmei o horário e me dirigi para a praça central. Aguardei o frei capuchinho durante 30 minutos na praça para a entrevista que ele disse que me concederia; como não apareceu, fui ajudar os parceiros a carregar os caiaques. Partimos às 06:15h de 9 de dezembro; o dia estava magnífico, os golfinhos nos saudaram logo de manhã cedo com suas alegres evoluções.

- Trajeto

Depois de remar por mais de uma hora, paramos para o descanso numa praia onde comemos pão e bebemos bastante líquido. O dia continuava agradável e, na segunda parada, na altura de Várzea Grande, observamos um bando de botos pescando. A orientação, apesar dos problemas com o GPS, continuava fácil e conseguíamos identificar no terreno as Comunidades e acidentes sem qualquer dificuldade.

- Aportando em Santo Antonio do Içá

Na chegada a Santo Antonio do Içá, por volta do meio-dia, mais botos tucuxis em sua operação de pesca, foi a maior concentração que pudemos observar em toda extensão do Solimões. Aportei para descansar e me lavar antes de atracar no porto da cidade. Enquanto fazia isso, ninguém sabe como, a Fabiola conseguiu virar o caiaque oceânico, que estava parado, no meio do rio. Pescadores que estavam por perto se aproximaram para ajudar, mas antes mesmo que eles se aproximassem o problema já tinha sido contornado sem maiores conseqüências a não ser o susto e equipamento molhado. O velho porto estava lotado e desembarcamos, com alguma dificuldade, no flutuante para embarcações maiores, escalando os pneus que servem de amortecedores para o casco dos navios. Novamente, utilizei o 190 em busca de apoio e apareceu o Policial Jeniel, que me levou até a casa do vice-prefeito, já que o prefeito estava viajando. O vice não se encontrava, e sua esposa orientou o Jeniel a respeito de nossa hospedagem. Fomos até o Hotel Rio Solimões, próximo ao porto, e confirmei as reservas. No porto, o Jeniel montou uma rápida operação com o apoio dos vigias locais de maneira que pudéssemos manobrar os caiaques para uma área mais segura e os descarregássemos; em seguida, deixou-nos no hotel junto com a bagagem.

Uma cidade grande para o contexto amazônico, com um traçado moderno e bastante organizada, construída a 70 m acima do nível do mar, a 888 km em linha reta de Manaus e 1199 km via fluvial.

- Santo Antonio do Içá

A história do município está vinculada construção da igreja do Divino Espírito Santo em Tonantins, em 1813. Em 1865 foi criada a freguesia de Tonantins. A primeira denominação da atual sede municipal foi Boa Vista. A restauração do município de São Paulo de Olivença deu-se em 1935, mas só em 1938 é que reapareceram Tonantins e Boa Vista, como distritos de São Paulo de Olivença, o segundo já com a denominação atual de Santo Antonio do Içá. Em 1955 os distritos de Tonantins e Santo Antônio do Iça são desmembrados de São Paulo de Olivença, passando a constituir o município Autônomo de Santo Antônio do Iça. Em 1981, o município de Santo Antônio do Iça, até então constituído do distrito Sede e do distrito de Tonantins, perde este último, que se torna município autônomo.

- Rádio Felicidade (10 de dezembro)

Concedemos uma entrevista às 07:30h, de 10 de dezembro, na rádio Felicidade ao professor Sebastião Batalha. A Fabiola, para variar, não quis participar. O professor Batalha nos deixou bastante à vontade e apresentei o projeto e seus objetivos. Retornamos ao Hotel, que ficava a uns dez minutos da rádio e, antes de chegarmos a ele, fomos interpelados, na rua, pelo secretário da saúde do município, o senhor Cristóvão, irmão do prefeito Antunes, que nos garantiu apoio em viatura e alimentação. Solicitei ao secretário alguém que conhecesse a cidade e pudesse nos levar aos seus principais pontos turísticos.

- Turismo com o amigo Jorge

Pouco depois, estávamos com o amigo Jorge, funcionário da prefeitura, fazendo um passeio pela cidade. Conhecemos a Comunidade Indígena Tikuna do Lago Grande e o maravilhoso lago que lhe empresta o nome. A Comunidade possui uma estrada asfaltada, pela gestão do prefeito Antunes, até as suas proximidades e, em reconhecimento, observamos uma bandeira do PT, partido do prefeito, tremulando no centro da aldeia. O lago, fechado com exclusividade para a Comunidade, se presta à pesca sustentável do pirarucu que é realizada de 4 em 4 anos. Após uma breve visita à aldeia continuamos nosso passeio e conhecemos um balneário de águas cristalinas, em que os populares tomavam banho e preparavam um tambaqui assado. Passamos pelo aeroporto local que aguarda liberação da Infraero para funcionar. Na pista do aeroporto o Jorge deu carona para um grupo de crianças que retornavam do banho no igarapé. Uma delas estava com uma garrafa cheia de peixinhos coletados no balneário. Pude identificar, pelo menos, 7 espécies diferentes naquela pequena garrafa.

- Apoio incondicional

Fomos deixados no hotel para nos refrescarmos e logo após nos dirigimos ao restaurante indicado pelo amigo Cristóvão, que lá nos esperava com alguns elementos ligados à saúde nas Comunidades indígenas. Conhecemos a enfermeira Cristiane, uma paulista entusiasmada com os desafios que a Comunidade Tikuna de Betânia lhe propicia. O secretário Cristóvão autorizou que acompanhássemos o deslocamento da equipe de saúde pelo rio Içá, atendendo a um desejo meu. Eu queria observar o rio de perto e comparar sua geografia com a descrição de Euclides da Cunha. Conversei demoradamente com a Cristiane e marcamos a saída para as dez horas no dia seguinte. Só faltava resolver o problema da Internet, enviar as fotos tiradas até agora e escrever os artigos atrasados. O secretário escalou seu assessor, o Jaran, para que isso fosse resolvido. Jaran me deixou as chaves de seu gabinete e me lancei sofregamente a escrever o diário de bordo e enviar os arquivos de imagem e áudio. Só interrompi para o jantar, lá pelas 19:30h, e parei à 01:00h da madrugada. Neste intervalo, fiquei redigindo meu artigo e conversando com a enfermeira Cristiane, que também colocava sua correspondência em dia e relatou, com preocupação, determinadas atitudes que a Fabiola pretendia tomar em relação ao projeto.

- Rio Içá (11 de dezembro de 2008)

Saímos com certo atraso para Comunidade Tikuna de Betânia acompanhados pelo pessoal da Funasa. A velocidade da voadeira impulsionada pelo poderoso motor de popa mal permitia que pudéssemos admirar as margens do furo em que nos deslocávamos e observar os riberinhos em suas pequenas embarcações. A Comunidade, fundada por missionários batistas de origem norte-americana, é grande, bem estruturada, e enfrentava, na oportunidade, problema de abastecimento d’água. Fomos acompanhados pelos integrantes da Funasa e visitamos a simpática Comunidade.

O leito sinuoso do Içá, seus os meandros e lagos em forma de ferradura que o cercam como tantos outros afluentes do Amazonas pode ser descrito pelas palavras incomparáveis do imortal Euclides da Cunha na obra póstuma ‘À Margem da História’ (lançada um mês após a sua morte):

 “A inconstância tumultuária do rio retrata-se ademais nas suas curvas infindáveis, desesperadoramente enleadas, recordando o roteiro indeciso de um caminhante perdido, a esmar horizontes, volvendo-se a todos os rumos ou
arrojando-se à ventura em repentinos atalhos ...”

A história do município de Santo Antonio do Içá se confunde com rio que lhe empresta o nome e que banha as suas terras. Com inúmeros afluentes e igarapés aumentando-lhe a vazão, o Iça, na sua foz, tem a força de suas águas praticamente bloqueadas pelo Solimões. O represamento faz com que o belo rio se alargue abandone seu leito invadindo as terras baixas ao seu redor formando diversos lagos e ilhas.

- Johann Baptist Spix no rio Içá

O zoólogo Johann Baptist von Spix, na véspera do Natal de 1819, chega ao rio Içá, e faz o seguinte relato:

A 24 de dezembro alcancei o quartel militar do rio Içá, que nasce a noroeste, na cordilheira, onde é chamado Putumayo, e verte as suas águas pretas pelo lado setentrional, no Solimões. A minha chegada foi festejada com luminárias à noite, para cujo fim queimam manteiga de tartaruga em cascas de laranja. Duzentos dos mais belos índios da tribo dos passés, com caras tatuadas de preto, inteiramente nus, alguns com compridas varas na mão, outros com flautas de caniço, marchavam em fila, seguidos pelas mulheres e crianças, formando ora um círculo singelo, ora um círculo duplo. Semelhante marcha militar também executavam os menos numerosos juris, alternando com os outros. Ambas as nações são habitantes principais das margens do baixo rio Içá. Entre os passés, o pajé é tido em grande consideração. É ele quem aparece logo depois do parto, e dá o nome à criança. A mãe fura as orelhas do recém-nascido. A força e insensibilidade do menino são postas à prova com surra. Jovens donzelas casadouras são suspensas na cabana e jejuam durante um mês. A parturiente fica um mês de resguardo no escuro e só pode comer mandioca, e igualmente o marido, que, durante esse período, se pinta de preto e também fica deitado na rede.

Usam-se aqui as insuflações com o pó de paricá e clisteres com o decocto do mesmo. O tuxáua tem, em geral, diversas mulheres; os demais, apenas uma. O jus primae noctis não faz parte dos costumes destes. Há festas freqüentes com mascarados. Enterram os defuntos em covas redondas. Só o corpo do chefe é que tem acompanhamento, e suas armas são-lhe incineradas sobre o túmulo. Entre estes índios, encontram-se indivíduos da tribo dos jumanas, miranhas, de asas nasais furadas, ujaquas, ariauenas de orelhas alongadas e pendentes e também muriatés, cujas mulheres, em seguida ao parto, se escondem no mato fechado, a fim de que o luar não lhes provoque nem ao recém-nascido, alguma doença. Dos juris, conhece-se o costume usual aqui e acolá na América do Sul de deitar-se o marido na rede, logo que a mulher dá à luz, e ser servido por ela”.

- Primeira Baixa

Na noite de 11 para 12 de dezembro, levando em conta os pressupostos de segurança, saúde e falta de afinidade em relação aos propósitos do projeto chegamos à conclusão, de comum acordo, que a Fabiola não estava em condições de acompanhar mais a equipe.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

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