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Artigos - 07/03/2009 - 08h06

Santa Rita - Amaturá




Por Hiram Reis e Silva (*)

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Largada para São Paulo de Olivença (05 de dezembro de 2008)

A Fabiola abandonou, temporariamente, e sem qualquer aviso, a equipe indo de ‘recreio’ (barco a motor) para São Paulo de Olivença. Saímos, dia 05 de dezembro, eu e o Romeu, exatamente às 6 horas, e fomos brindados com um amanhecer fantástico. A leste, matizes formidáveis enfeitavam os céus e, a oeste, um arco-íris maravilhoso formava um perfeito semi-círculo sobre a selva, o primeiro que pude observar em toda a minha vida. Pela primeira vez, sem atrasos, ficamos esperando o dia clarear o suficiente para iniciarmos a navegação. Na primeira parada em um enorme banco de areia avistei vestígios de anta que pelo tamanho e profundidade das pegadas era enorme. Na segunda parada um rebanho de zebus ficou nos encarando sonolento enquanto atracávamos. Eu havia colocado o maior peso da carga no meu caiaque para que o Romeu pudesse remar, sozinho, o caiaque duplo sem grande esforço. Descontadas as paradas de descanso, conseguimos fazer em cinco horas o que os barcos a motor fazem em quatro e chegamos a São Paulo de Olivença por volta das 12:00h.

- São Paulo de Olivença

O missionário jesuíta Samuel Fritz, em 1689, a serviço da coroa de Espanha, fundou várias missões no rio Solimões, entre elas a de São Paulo Apóstolo e São Cristóvão. O governo português não queria que a catequese no rio Solimões fosse feita por missionários subordinados ao governo espanhol e determinou, em 1691, que os jesuítas fossem expulsos. Os religiosos relutaram em cumprir a ordem e, em 1708, o Governador do Grão-Pará enviou uma tropa comandada pelo capitão Inácio Correia de Oliveira, para evacuar as missões. O jesuíta João Batista Lana fingiu retirar-se, mas, na verdade, seguiu para Quito onde foi buscar apoio e trouxe uma força armada que atacou os portugueses aprisionando o comandante e diversos soldados.

O governador do Grão-Pará ordenou, então, que outra expedição comandada pelo Sargento José Antunes da Fonseca fosse enviada. A expedição vingou a derrota sofrida por Correia Oliveira libertando os prisioneiros. As aldeias de São Paulo Apôstolo e São Cristóvão são transferidas para a tutela dos missionários portugueses e suas denominações imediatamente alteradas para São Paulo dos Cambebas e Castro d’Avelos respectivamente. A missão de São Paulo dos Cambebas teve seu primeiro assentamento na margem sul do rio Solimões, onde habitavam os Cambebas e Tikunas. Em 1817, é elevada a Vila, com o nome de Olivença e em 1833 perde a categoria de Vila. Em 1882 a freguesia foi elevada novamente à Vila, com denominação de São Paulo de Olivença e em 1884 com a criação da comarca de Solimões torna-se sede da vila de São Paulo de Olivença.

- Chegada em São Paulo de Olivença

Conforme tinha me orientado o amigo Sub-Oficial da Marinha Clementino, em Tabatinga, atraquei junto ao frigorífico azul do Nonato, prefeito eleito de São Paulo de Olivença. Solicitei a um de seus servidores que entrasse em contato com a Polícia Militar local para nos apoiar. Uma viatura imediatamente se apresentou no local e, graças a ela, contatei o delegado e depois descarregamos nossos pertences no Hotel Marques, a poucos metros do frigorífico. As instalações não podiam ser mais simples, mas por R$10,00 a diária não tínhamos o que reclamar. Passeando pela cidade podia-se notar a influência capital dos capuchinhos na arquitetura - na igreja matriz, casa paroquial e na escola recém restaurada. Não consegui estabelecer contato com o pároco, já que o mesmo estava em Tabatinga.

- Entrevista com o Senhor Bonifácio

O senhor Bonifácio foi indicado, para ser entrevistado, por todas pessoas que travei algum tipo de contato na cidade. Um dos mais antigos moradores, seu Bonifácio é uma pessoa afável que me recebeu com toda cordialidade, concedendo a entrevista e mostrando alguns artesanatos dos Tikunas de sua propriedade.

Eu me chamo Manoel Aparício Baleeiro, mas sou conhecido como Bonifácio, aqui nasci em 28 de maio de 1928 e aqui me criei, estou com 80 anos. Não conheci meu pai, minha mãe era descendente dos Cambebas e vivíamos numa pobreza desgraçada. Para comer andava pedindo pelas cozinhas dos outros. Eu era criança e não sabia trabalhar. As coisas começaram a melhorar quando comecei a estudar com os padres. Naquela época os padres capuchinhos tomavam conta de tudo, estudei até o quarto ano primário no colégio dos padres e ao completar doze anos fui dispensado e comecei a trabalhar para viver. Minha vida, então, começou a melhorar, primeiro eu fui madeireiro, depois fui seringueiro no tempo da guerra como soldado da borracha. Trabalhei 23 anos tirando seringa. Só parei de cortar depois que ela perdeu o valor e aí eu vim trabalhar com os padres, em 1967, como madeireiro depois servente de pedreiro e, mais tarde, cuidando da casa dos padres onde hoje é a prefeitura. As histórias ou lendas que conheço são as da mãe do mato ou curupira. A Curupira existe mesmo, quando eu era madeireiro estava cortando um cedro e vi uma. Eu e três companheiros corremos atrás para pegar e ninguém pegou. Alguns chamam de mãe do mato. Ela é toda coberta de pelos cinzentos com os pés para trás e mais ou menos da altura de um menino”.

- Cambebas (Omáguas)

O padre Cristóvão de Acuña, reitor do Colégio de Cuenca, acompanhou Pedro Teixeira na sua viagem de retorno de Quito à Belém, em 1637, escreveu a famosa obra ‘Novo Descobrimento do Grande Rio Amazonas’ onde relata detalhes importantes da epopéia. Segundo o ilustre cronista o território dos Cambebas ou Omáguas começava a sessenta léguas abaixo da confluência do Napo com o Marañón e terminava a quatorze léguas abaixo do Jutaí. Eram numerosos e possuíam uma sociedade complexa e hieraquizada. Os guerreiros tinham o costume de deformar a cabeça e deixá-la com o formato de cone e por isso eram conhecidos com os ‘cabeças chatas’. O achatamento artificial do crânio foi destacado por quase todos os cronistas que acompanhavam os desbravadores na época e Acuña, por sua vez, relata:

“Possuem todos a cabeça chata, o que causa fealdade nos varões, embora as mulheres a cubram com o cabelo abundante. Está tão arraigado nestes nativos o costume de ter a cabeça achatada que, desde que nascem as crianças, elas são colocadas numa prensa. Tendo sua fronte presa com uma tábua pequena, o recém-nascido fica de costas sobre outra tábua que lhe serve de berço e, apertado fortemente à anterior, fica com o cérebro e a fronte tão achatados como a palma da mão. E como estas tábuas não lhe permitem que a cabeça cresça mais que para os lados, ela acaba se deformando de tal maneira, que mais parece mitra de bispo mal construída que cabeça de um ser humano”.

Na disputa da Amazônia pelas nações européias, os Cambebas se beneficiaram com o comércio de escravos que faziam com os holandeses. Em decorrência das epidemias o poder dos Cambebas se enfraqueceu e eles acabaram sendo dominados pelos Tikuna a partir da segunda metade do século XVII.

Cambebas e a borracha

Os Cambebas foram os primeiros a fazerem uso da borracha que retiravam das seringueiras e isso despertou a atenção do sábio francês Charles Marie de La Condamine. Suas histórias despertaram grande interesse na Europa e uma delas, descrita abaixo, reporta exatamente o uso pelos Cambebas de pelotas de látex.

Um dia surpreendi os Cambebas entregues a uma singular prática, que minha razão pende entre a insanidade e esporte, no intuito de classificá-la. Alguns homens corriam pelo terreiro da aldeia em busca de uma esfera, e quando algum alcançava tal esfera, procurava impulsioná-la com os pés, para um objetivo determinado, que eram duas varas fincadas no solo, num dos extremos do terreiro. No outro extremo, outro semelhante par de varas, parecia ser considerado o objetivo de alguns dos participantes, que para lá procuravam desviar, sempre aos coices, a esfera que porventura se encontrasse nos pés de algum adversário. Mas o principal não é a natureza exótica dessa prática, é a própria esfera que parece constituir o centro de interesse.

Essa esfera salta e torna a saltar, contrariando a lei da gravidade da terra. Tal peculiaridade logo me atraiu e os gentis Cambebas me mostraram que a esfera, elástica e cheia de ar, tinha sido manufaturada a partir de uma seiva branca, que uma espécie muito farta de árvores deita generosamente. Esta seiva é solidificada com fumaça e se torna elástica, impermeável e com outras peculiaridades que poucas matérias podem reivindicar. Vislumbro um grande futuro para essa descoberta que a princípio me intrigou por desafiar uma lei tão severa que é a da atração dos corpos.

O Curupira

O seu Bonifácio, na sua entrevista, chama o ente mágico com quem teve contato de ‘a curupira’ confirmando a tese do ilustre pesquisador Franz Kreüther Pereira que descreve, muito bem, a dificuldade em se caracterizar um ente mítico. O pesquisador teve seu livro ‘Painel de lendas & mitos da Amazônia’, premiado com o 1º lugar no Concurso ‘Folclore Amazônico 1993 da Academia Paraense de Letras.

Na bibliografia que compulsamos a maioria dos pesquisadores não apresenta um consenso quanto às características e particularidades deste que vêm a ser um dos mais férteis nume caboclo. Encontramos os seguintes nomes e grafias - cayapóra, cayapora, kaápora, caipora, jurupari, anhangá, koropyra, curupira, currupira, tatacy, çacy, saci, sacipererê, sacy-cererê, maty, matinta, matinta pereira, mati-taperê ou simplesmente sererê. O que queremos mostrar é a dificuldade para se dar a esse mito um contorno definido e esclarecer as funções da divindade. E é exatamente aí o fulcro da confusão que coloca o Caapora, o Curupira e o Saci, como uma só entidade. Embora exista uma diferença estrutural evidente entre Caapora e Çacy, ambos são membros da mesma família. O vocábulo Caápora, ligado à imagem de protetor, função exercida pelo Curupira e pelo Saci, na nossa opinião, é o verdadeiro foco da confusão.

Gonçalves Dias registrou em ‘O Brasil e a Oceania’ com as seguintes palavras - ‘O Caapora veste as feições de um índio anão de estatura, com armas proporcionais ao seu tamanho; habita o tronco das árvores carcomidas onde atrai os meninos que encontra desgarrados na floresta, outras vezes divaga sobre um tapir ou governa uma vara de infinitos caitetus, cavalgando o maior deles. Os vaga-lumes são seus batedores, é tão forte seu condão que o índio que por desgraça o avistasse era mal sucedido em todos os seus passos. Daqui vem chamar-se Caipora ao homem a que tudo se dá ao contrário.’

O Caapora apresenta-se como um moleque pretinho, que cavalga porcos selvagens; mas também pode ser descrito como uma caboclinha de longos cabelos, duros feito espinhos, e que, em troca de tabaco, é capaz de dar ao caçador tanto a caça que ele deseja quanto o próprio sexo. Os índios e caboclos acreditam que prendendo um Caapora, ele é obrigado a conceder um ‘poderzinho’ ou atender a um desejo, em troca da liberdade. A armadilha para capturá-lo e a isca utilizada consistem apenas numa cuia e aguardente. Derrama-se a cachaça na cuia, que deve ser colocada num lugar onde ele já tenha aparecido, ou no local para onde tenha sido chamado previamente. Depois de ter bebido a cachaça, torna-se presa fácil para qualquer um, porém até hoje ninguém conseguiu realizar tal façanha. Apesar de, em alguns casos, essa entidade aparecer como má e vingativa, a versão geral é de que ele é um duende protetor da floresta e da caça. Daí alguns autores o identificarem com o Curupira, como já vimos, mas ele guarda, também, certa semelhança com outro habitante das matas, outro gênio florestal, o Mapinguari”.

- O caso da Menina Íris

Perambulando pela cidade, para conhecer as pessoas e lugares, fui até o Colégio Estadual onde encontrei diversos professores assistindo aos jogos esportivos dos alunos. Entrevistei a professora Iraci que relatou o caso da menina Íris. Este é o caso da menina Íris cujo desaparecimento na floresta envolveu toda a cidade:

Meu nome é Iraci, professora da Escola Estadual Professora Nilce Rocha Coelho e vou relatar o caso, verídico, da garota Íris Gomes. Corria o mês de outubro e estávamos envolvidos na preparação para o dia das crianças e Nossa Senhora Aparecida. Nesse período, vazante do rio, época das praias, as pessoas da região costumam colher as culturas de várzea. Íris tinha sete anos e morava com a avó e a vizinha convidou ambas para ajudá-la na colheita. Trabalharam o dia inteiro e no final da tarde começou a se formar uma grande tempestade. A vó da garota e outra senhora se apressaram em organizar os sacos de feijão para mandar para as canoas. A ventania formava redemoinhos enormes de muita poeira e a última vez que alguém viu a menina ela estava sentada num tronco de árvore na praia. Quando se deram conta de que a menina tinha sumido e foram procurá-la só encontraram o chapeuzinho vermelho dela. Todos entraram em pânico e logo que a tempestade passou, já era quase noite, mandaram o piloto do barco à cidade comunicar aos tios do acontecido. Os tios foram até a ilha e iniciaram as buscas. Passaram-se 5 dias, eu lembro que nós participamos de uma destas buscas. A Comunidade toda se envolveu e como a garota não foi encontrada foram buscar ajuda do exército. Os soldados vasculharam a mata de ponta a ponta para ver se encontravam a menina. Todo mundo orava, de todas as crenças, era católico fazendo oração, era o pessoal de centro espírita, cada um com a sua fé. Já estávamos achando que ela estivesse morta. No 5° dia quando iam novamente adentrar na mata acharam uma sandália que ela estava calçando, viram as pegadas, mas não a encontraram. A Rádio Comunitária Católica pediu ajuda para reiniciarem as buscas e, de repente, sem mais nem menos a menina apareceu na casa de uma senhora. Íris estava apavorada, com fome, só de calcinha, cheia de espinhos pelo corpo. A menina contava que dois homens estavam sempre com ela lhe protegendo e que um deles a alimentava. Ela estava muito assustada, atrapalhada, mas parecia ter se alimentando normalmente. Os médicos recomendaram que a mãe, que morava em Manaus, viesse e a levasse para fazer tratamento psicólogico. Hoje ela está em Manaus e deve estar com 14 anos”.

Após a entrevista a professora Iraci gentilmente permitiu-me acessar a internet de sua casa e fazer o upload, ainda que lentamente, alguns arquivos de fotos.

- Largada para Niterói (07 de dezembro de 2008)

O mapa não retrata corretamente o nome de diversas Comunidades, por isso me preocupei apenas com a localização geográfica da Comunidade Niterói, na margem direita do Solimões a uns 5 quilômetros da ilha de Caturiá, que no meu mapa constava como São João. Saímos às 06:45h do dia 7 de dezembro, com o dia nublado. Havia chovido muito na véspera e a temperatura estava agradável. A primeira parada foi na foz do rio Jandiatuba. Histórias de americanos explorando ouro no seu leito e impedindo os ribeirinhos de adentrar na sua área são bem conhecidas. O rio serve, ainda, de rota alternativa para o tráfico, pois possibilita contornar o posto da Polícia Federal, PF, da Base Anzol. Com a presença ostensiva da PF, os ilícitos estão sendo coibidos. Pesquisadores da Petrobras entrando em confronto com indígenas também deram notoriedade ao pequeno tributário de águas pretas do Solimões.

A segunda parada na Comunidade Porto Lutador foi rápida, e a Comunidade Tikuna se mostrou bastante amigável. A terceira parada foi ao sul da ilha Caturiá, onde encontramos o mineiro Paschoal, casado com uma cabocla. Descansamos à sombra generosa de uma frondosa árvore. Paschoal é um homem inteligente e falante. Contou alguns casos de estranhas luzes e dos caçadores de cabeça que vínhamos ouvindo falar desde Feijoal. Até hoje nenhuma vítima dos propalados caçadores foi encontrada para comprovar esta que é mais uma das muitas lendas contemporâneas dos povos da floresta. Fiz uma parada estratégica para aquilatar o tamanho e as condições de abrigo da próxima Comunidade, indagando dos ribeirinhos que ali se encontravam, e nos dirigimos até ela. Fomos orientados a entrar em contato com o vereador Torquato Araújo, dono de um flutuante que funciona como comércio e alojamento. O vereador Torquato e sua esposa Leila, acolheram-nos fraternalmente. Fomos tomar banho num igarapé da Comunidade Niterói para recompor as energias. À noite a jovem senhora Leila nos ofereceu um jantar formidável, a base de peixes, antes de nos recolhemos no flutuante para dormir.

Tapioca ou beiju (ou ainda biju) é o nome da iguaria tipicamente indígena, feita com a fécula extraído da mandioca, também conhecida como goma da tapioca, polvilho, goma seca, polvilho doce, fécula de mandioca. Ao ser espalhada numa chapa ou frigideira aquecida, transforma-se num tipo de panqueca e pode ser degustada com diversos acompanhamentos.

- Largada para Amaturá (08 de dezembro de 2008)

Acordamos mais tarde, já que o deslocamento até Amaturá era de apenas 40 Km. Fomos novamente brindados com um café com banana pacovan frita, tapioca e outras guloseimas preparadas pela encantadora Leila. A vista de Amaturá é reconfortante. O encontro das águas pretas do rio Acuruí com as barrentas do Solimões é um espetáculo à parte. Protegida das investidas do rio, o barranco gramado ostenta o nome da cidade e, ao fundo, as construções dos capuchinhos dão um ar nostalgicamente agradável à cidade. Deixei a equipe tomando conta dos barcos e me dirigi, a pé, à Polícia Militar, já que o 190 não funcionava. Mais uma vez a cortesia dos Policiais Militares foi patente e, depois de procurarmos junto com o Presidente da Câmara Municipal um hotel para pernoitarmos, fomos acolhidos, gentilmente, pelo prefeito Luiz Pereira na sua Fundação.

O Romeu sugeriu procurarmos a Dona Nessi, anciã local, com mais de 100 anos de idade. Filha de um peruano com uma índia Cambeba, possui uma lucidez invulgar para alguém de idade tão avançada. Apesar de ter a vista e a audição prejudicadas, historiou sobre a chegada dos capuchinhos, citando nominalmente cada um, sua procedência e personalidade. Emocionou-se quando falou dos filhos, alguns já falecidos. Contatei o frei, à noite, que me prometeu uma entrevista para o dia seguinte a partir das 05:30h. Provoquei-o e ele discorreu com invulgar conhecimento sobre a história dos capuchinhos e sua influência nas áreas da educação e desenvolvimento da região, sem permitir, no entanto, que eu gravasse seu relato naquele momento. Não avistamos a Fabiola durante nossa permanência em Amaturá. Ela praticamente não saiu do quarto.

- Amaturá

A origem do município de Amaturá está vinculada à história de São Paulo de Olivença que remonta à missão de São Paulo Apóstolo, fundada pelos jesuítas no final do século XVII. Com a vitória dos portugueses a missão de São Paulo Apóstolo, depois aldeia de São Paulo dos Cambebas, se tornou sede do município, desmembrado de Tefé com o nome de São Paulo de Olivença. O território sofre vários desmembramentos e dá origem aos municípios de Benjamim Constant e Santo Antônio do Iça. Em 1981 o distrito de Amaturá é desmembrado, passando a constituir o município autônomo de Amaturá.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

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