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Artigos - 07/03/2009 - 08h03

Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar




Por Hiram Reis e Silva (*)

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. (Henry Ford)

- Determinação

Sempre procurei mostrar àqueles com quem convivo que jamais devemos estar satisfeitos com o que somos; que devemos, sempre e sempre, buscar o aperfeiçoamento em todos os níveis, seja espiritual, físico, mental ou intelectual. Com o passar dos anos, uma natural acomodação é capaz de nos conduzir à mesmice, à estagnação. Devemos combater essa tendência, com todas as nossas forças, com autodisciplina, superação, estabelecendo objetivos definidos. Não devemos ter receio de tentar, medo de fracassar. O perdedor é o que não arrisca e não o que falha tentando. No palco da vida, temos de ser os protagonistas não os coadjuvantes.

- ‘À espera de um milagre’

“A partida para o Alto Purus é ainda o meu maior, o meu mais belo e arrojado ideal. Partirei sem temores; e nada absolutamente me demoverá de tal propósito”. (Euclides da Cunha)

Foi com esta convicção, minha paixão extrema pela esposa enferma, minha fé inquebrantável no Grande Arquiteto do Universo e na sua capacidade de operar milagres, meu amor pela Amazônia e pelas águas, que nasceu o ‘Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar’. O projeto tem como objetivo fundamental despertar a juventude brasileira para que exerça, desde já, uma pressão cidadã, no sentido de reverter as nefastas ações que afligem nossa Hiléia, exigindo das autoridades providências que contemplem o meio ambiente e os povos da floresta sem, contudo, negligenciar a soberania nacional.

Nosso intuito era executá-lo depois de sairmos do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) em 2010, mas o corpo docente e discente, ao tomar conhecimento do nosso plano, sugeriu transformar o projeto do Coronel Hiram em um Projeto do CMPA. Começaram, então, entusiasticamente a desenvolver um acurado planejamento de modo a contemplar todas as disciplinas e clubes de maneira a torná-lo um projeto interdisciplinar e multidisciplinar. Devido a esse envolvimento da Comunidade escolar do CMPA, fomos levados a antecipá-lo e programá-lo para o período de 1° de Outubro de 2008 a 04 de fevereiro de 2009.

- Experiência e respeito à natureza

A proposta original consistia em descer o Solimões/Amazonas (Tabatinga/AM - Belém/PA) de caiaque, reconhecer seus principais afluentes, observar a fauna, flora, hidrografia, relevo, entrevistar autoridades locais e representantes dos povos da floresta. A escolha do caiaque se baseou em dois requisitos fundamentais - experiência como canoísta profissional e respeito à natureza. A experiência já havia sido consagrada nas águas do Mato Grosso do Sul onde conquistamos o campeonato estadual em 1989, singrando águas brancas, quedas d’água e provas de longa distância. Numa época em que tanto se propugna pelo respeito à natureza, o caiaque sintetiza o meio de transporte ideal para ser usado na ‘Terra das Águas’. Seu deslocamento silente não afugenta, não atemoriza a fauna; as remadas firmes e cadenciadas seguem o ritmo da natureza sem agredir a flora e a ausência de motores à combustão não polui, não macula os rios.

- Apresentação

No dia 21 de junho de 2007, no salão Brasil do CMPA do velho Casarão da Várzea, lançamos, em nome do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS) e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) oficialmente o Projeto. O evento contou com a presença de todos os professores, representação de alunos, autoridades, empresários e imprensa de Porto Alegre.

- Treinamento

A partir de então, com muito esforço e apoio de familiares, amigos e professores conseguimos adquirir parte dos equipamentos necessários e manter um treinamento rígido em que estabelecemos obstáculos bem superiores aos que iremos enfrentar na ‘terra das amazonas’. Em dois anos, percorremos uma distância de 12.590 km, equivalente à navegação do Chuí, extremo sul do país, ao México enfrentando condições de navegação extremas. O Lago Guaíba proporciona reais dificuldades à navegação com seus ventos fortes e largura de até 18 km (entre a Vila Itapoã e a Praia da Faxina) bem superior à do rio Solimões. As diversas rotas que idealizamos, atravessando o canal em navegações contínuas superiores a 2 horas, buscaram ultrapassar as situações que enfrentaremos na Amazônia. Os ventos do quadrante Sul, superiores a 25 nós (45 Km/h), passando entre os morros da Ponta Grossa e a Pedra Redonda, criam um interessante efeito de turbilhonamento. As ondas, de até 1,5 m, surgem de todos os lados sem um padrão definido exigindo muita habilidade e força do canoísta.

- Desafios

Procurando testar meus limites, estabeleci percursos superiores a 70 quilômetros de extensão e, em todas as oportunidades, tive a satisfação de atingir com sucesso as metas propostas.

Rota Desafio 1 - Navegador José Pineda

O saudoso amigo Pineda me apresentou, através de fotos e relatos de suas experiências como experiente navegador, um Guaíba muito mais majestoso e desafiador. Seguindo suas sábias orientações, fui cada vez mais estendendo os limites e passei a conhecer o rio em toda a sua plenitude, em todo seu esplendor e magia. O desafio que leva seu nome teve início às 06:15h do dia 10 de dezembro de 2007, no dia mais quente do ano. Foi um desafio de resistência física e psicológica. Cheguei à praia da Faxina às 10:30h e, às 18:20h, aportava na Raia 1 com um tempo de navegação de 09:25h.

Rota Desafio 2 - Cel Altino Berthier Brasil

Esta rota foi em homenagem ao meu ex-mestre do CMPA, Coronel Berthier, profundo conhecedor das belezas e mistérios da Amazônia Brasileira. Nesta prova, saí às 05:55h e naveguei até a maravilhosa Ilha do Junco, que faz parte do complexo do Parque Itapoã, no dia 18 de dezembro de 2007, retornando às 18:25h com um tempo de navegação de 09:27h.

Rota Desafio 3 - Professora Silvana Pineda

Cruzei o Farol de Itapoã e superei os umbrais da Lagoa dos Patos em uma navegação de 80 quilômetros em 11 horas. Uma prova, que se iniciou às quatro horas da madrugada, na mágica noite do dia 07 de fevereiro de 2008, em que as estrelas cadentes e o céu claro, embora sem lua, nos brindaram com sua esfuziante beleza. Chegamos exatamente às 18:00h, após manter o compassado ritmo dos 4 nós por hora.

Rota Desafio 4 - Rosa Mística

Parti rumo à Ilha do Barba Negra às 03:15h, numa noite clara, sem lua, acariciado pela brisa suave vinda do quadrante sul, como os boletins do tempo haviam anunciado. Depois de remar aproximadamente 45 minutos, o céu foi ficando carregado, na altura da Ponta Grossa, e os ventos de proa começaram a dificultar nossa progressão. Decidi continuar navegando até a Ilha do Chico Manoel esperando que até lá as coisas melhorassem.

Fiz uma breve prece esperando que o Grande Arquiteto acalmasse os ventos e desviasse as pesadas nuvens de nossa rota. De repente, pequenas luzes verdes começaram a brilhar sobre as águas. A magia do momento nos embalava e parecia que a abóbada celeste repousava nas águas do imenso Guaíba. Seriam microorganismos? Já havia presenciado fenômeno semelhante no litoral gaúcho. Depois de algum tempo consegui identificar que aquelas pequenas cintilações eram produzidas por centenas de vaga-lumes que descansavam sobre as águas antes de continuar no seu vôo nupcial.

Cheguei à Ilha do Chico Manoel às 06:15h e o tempo continuava fechado. Fiz um pequeno lanche e descansei na maravilhosa ilha do Clube Veleiros. O dia estava clareando, os ventos novamente se transformaram em suave brisa, e observei que na altura do Farol de Itapoã as nuvens eram mais esparsas. Parti às 06:55h diretamente para a Ponta da Faxina.

A Península da Faxina, com suas falésias, vegetação nativa e abundancia de pássaros, me impressionou. Decidi navegar mais um pouco e parar na Ilhota da Ponta Escura. A ilhota, com seus canaletes, não me chamou a atenção. Habitada e sem graça, me levou a continuar remando e a planejar um descanso na altura do Morro da Formiga. Tentava, em vão, avistar a Ilha do Barba Negra.

Por volta das 09:30h, mal tinha ultrapassado a Ilhota, vislumbrei no horizonte algo que mais parecia uma ilha de aguapés. Continuei remando, vigorosamente, por mais 30 minutos e confirmei minhas expectativas de que era a Ilha do Barba Negra. Achei estranho que a ilha que eu guardara na memória, que possuía a orientação norte-sul, se apresentasse transversal ao meu deslocamento. Eu esquecera, ou o cansaço me embotara a mente, de que a ilha possuía dimensões importantes com 3,5 Km de comprimento por 0,6 Km de largura e elevações de 10 metros. Mantenho uma remada forte e chego, por volta das 10:20h, ao morro da Formiga, coberto por mata virgem intocada, com seus 108 metros de altura. Pude avistar suas fantásticas praias de límpida areia circundada por rochas formidáveis. Em algumas delas as lontras, saciadas com comida farta propiciada pela piracema das tainhas, tomavam, preguiçosamente, banho de sol.

O cansaço começa a tomar conta do meu corpo e fico preocupado com a volta. Já havia remado 06:20h e ainda não tinha alcançado meu objetivo, a Ilha do Barba Negra. Decido aportar na primeira ilhota ou praia do Morro da Formiga que avistar. Ao ultrapassar a Ponta da Formiga avisto uma pequena ilha ao longe e me dirijo a ela ainda mantendo um ritmo forte.

Chego à Ilha exatamente às 11:15h, 7 horas após ter saído da Raia 1. É uma pequena e bela ilha para se ver de longe, mas não para se aportar. A Ilha do Veado, como é chamada, só depois é que fiquei sabendo do nome da ilha, quando fui confirmar minha rota, é formada apenas por rochas, alguns arbustos e cactos.

Descansei 30 minutos e iniciei minha jornada de retorno decidido a aumentar meu número de paradas para recuperar a energia. Parei na Praia da Formiga, tirei algumas fotos, admirei suas bromélias e vegetação típica. Confirmei, angustiado, a distância que me separava da ilha do Barba Negra e, depois de vinte minutos, rumei para a Ilhota da Ponta Escura.

Há aproximadamente dois quilômetros da Ilhota, avistei um canoísta remando no meio da Lagoa dos Patos e qual não foi minha surpresa ao verificar que se tratava de meu dileto amigo Coronel Teixeira. Houve um pequeno desencontro de informações e, em vez de partirmos juntos, cada um saiu num horário diferente. Cancelamos o pernoite na Ilha do Barba Negra, embora o Teixeira estivesse equipado para tal, e iniciamos o retorno.

Paramos na Ilhota para conversarmos um pouco e, mais adiante, na Ponta da Faxina onde saboreamos alguns coquinhos silvestres antes de atravessar o canal numa extensão de 12,7 Km rumo à Ilha do Chico Manoel. Pela primeira vez, no trajeto, fiz uso do GPS e confirmei a direção a ser seguida. O deslocamento, a partir das 14:00h, transcorreu bem impulsionado por suaves vento de popa permitindo aqui e ali surfar nas pequenas ondas.

Na Ilha do Chico Manoel, paramos uns 40 minutos e recebemos um telefonema da repórter Carla, da Zero Hora, agendando uma sessão de fotos. Novamente desfrutei da paradisíaca ilha, tomei um banho reconfortante para afastar os efeitos da canícula. Partimos, às 18:40h, rumo à Ponta Grossa onde paramos brevemente e depois do por do sol, às 20:30h nos encaminhamos, novamente orientados pelo GPS, rumo à Raia 1.

Chegamos às 21:30h, cansados, mas satisfeitos. Remamos 95 Km durante 13:30h. Sabemos que não iremos navegar uma extensão tão grande na Amazônia em apenas um dia. Mas um treinamento árduo certamente nos dá a confiança e a certeza de que estamos preparados para enfrentar os óbices que surgirem na nossa pequena Odisséia.

- Homenagem

Não achei nenhum amigo que quisesse ser homenageado com uma rota cujo objetivo final era alcançar a Ilha do Veado. Brincadeira à parte, gostaria de deixar, entretanto, patente que a homenageada desde início era para ser nossa querida amiga Rosângela Maria de Vargas Schardosim, de Bagé, que tem conseguido a divulgar meus artigos em diversos periódicos nacionais.

- O Quilombo da Ilha do Barba Negra

A professora Silvana havia me enviado, já algum tempo, o artigo abaixo, de Moacyr Flores, publicado no Jornal ‘Correio do Povo’ de 07 de maio de 1983, que achei interessante acrescentar um pouco das histórias e curiosidades que envolvem nosso lago e nossa lagoa, numa tentativa de resgatá-los para uma sociedade que desconhece sua realidade física e histórica.

 “No início de setembro de 1829, o iate de José Inácio Teixeira levantou ferros do porto de Rio Grande e velejou pela Laguna dos Patos, rumo a Porto Alegre. Ventos contrários não permitiram que entrasse no canal de Itapuã. O patrão do pequeno barco resolveu abrigar-se na Ilha do Barba Negra, à espera de que o vento amainasse ou soprasse noutra direção. Mandou um batelão à ilha, com um marinheiro branco e quatro escravos, também marinheiros, para buscar lenha.

Quando estes homens estavam entregues à sua faina, surgiram mais de 30 negros armados de lanças e espingardas. Um dos marinheiros escravos se escondeu num monte de lenha e os demais, comandados pelo branco, fugiram no batelão. Os negros atacantes atiraram nos fugitivos, visando mais ao branco, mas não o acertaram. Os negros correram para canoas escondidas nos aguapés e seguiram o batelão de perto. Vendo que os fugitivos se punham a salvo, os perseguidores tentaram a abordagem do iate que zarpou na direção de Bujuru, escapando dos quilombolas.

Depois de navegar pela Laguna dos Patos até conseguir vento favorável para contornar a ponta de Itapuã, José Inácio Teixeira tomou o rumo de Porto Alegre onde comunicou imediatamente às autoridades a existência do quilombo na Ilha do Barba Negra. O vigário-geral Antônio Vieira da Soledade, vice presidente da província em exercício, em meados de setembro de 1829 ordenou ao tenente Luís Alves dos Santos Marques que preparasse uma expedição punitiva, com 160 soldados de linha e mais 30 artilheiros. Quase um mês depois a tropa estava distribuída na escuna ‘Doze de Outubro’, em dois lanchões e um iate.

As embarcações aproximaram-se da Ilha do Barba Negra e ancoraram ao largo. Um dos lanchões dirigiu-se à terra e encontrou uma canoa grande tripulada por cinco escravos que, ao serem descobertos, remaram desesperadamente para a ilha, onde sumiram em desabalada carreira no meio da vegetação. O lanchão continuou a navegar, costeando a ilha até o lado oposto, onde os soldados desembarcaram e bloquearam a fuga de seis machos e três fêmeas - conforme a linguagem da época - que escaparam para uma pequena canoa. Intimados a se entregar, continuaram a fuga. O comandante ordenou aos soldados que atirassem. A descarga violenta matou os negros e afundou a canoa. A expedição desembarcou na ilha e encontrou apenas roças de feijão e de milho, quatro casas prontas e duas ainda em construção. Os soldados arrasaram tudo.

Apareceu o escravo marinheiro de José Inácio Teixeira, que havia se escondido no monte de lenha e fora depois capturado pelos quilombolas. Contou que enquanto lá esteve, foi mantido sob guarda e preso no tronco. O capataz do quilombo queria matá-lo porque era fiel a seu senhor e poderia denunciar o refúgio. Os demais escravos advogaram sua causa, salvando-lhe a vida. Narrou ainda que o capataz do quilombo, que morreu junto com os que tentavam fugir de canoa, era o assassino de um tal de João de Vestia.

A expedição falhou em capturar quilombolas porque eles estavam prevenidos do ataque e conseguiram fugir a tempo pela ponta da Ilha de Canguçu. Dois dias antes do ataque os quilombolas estiveram carneando na estância de Cabeçudas, de propriedade de D. Maria de Oliveira, irmã do cônego Salgado. A expedição retornou sem nada sofrer, apenas o cadete Joaquim da Fonseca Pereira Pinto, que se achava na retranca da escuna, por imprudência caiu n’água e pereceu afogado. Estas notícias foram publicadas no jornal ‘O Amigo do Homem e da Pátria’, edições de 18 de setembro e de 12 de outubro de 1829.

A incapacidade de os agentes repressores reunirem rapidamente suas forças permitiu que escravos da cidade avisassem os quilombolas em tempo. Segundo cronistas da época as notícias circulavam rapidamente entre os escravos que tudo viam e ouviam porque participavam como mão de obra de todas as atividades dos brancos. A expedição punitiva, com quatro embarcações e 190 soldados, não vasculhou as ilhas e as margens da Laguna dos Patos, não percorreu as estâncias da Barra do Ribeiro e de Pedras Brancas, atual município de Guaíba, em busca dos escravos fugitivos. O comandante militar deu a missão por cumprida com a destruição de roças de subsistência e algumas palhoças.

O jornal não se refere à proteção que os estancieiros da região davam aos quilombolas da Ilha do Barba Negra. Havia várias charqueadas nas proximidades, com trabalho mais intenso no período de dezembro a fevereiro, quando o calor do sol é maior, para secar as mantas de carne expostas nos varais. O quilombo da Ilha do Barba Negra fornecia mão de obra barata às charqueadas e às estâncias. Fora das safras os charqueadores e estancieiros não necessitavam sustentar esta mão de obra - o mesmo não aconteceria se tivessem que comprar mais escravos para os períodos de rodeios e salga de carne, pois nos momentos de crise ou entressafra não poderiam despedi-los”.

- Óbices

 “Quando surge um problema, você tem duas alternativas - ou fica se lamentando, ou procura uma solução. Nunca devemos esmorecer diante das dificuldades. Os fracos se intimidam. Os fortes abrem as portas e acendem as luzes”. (Dalai Lama)

Infelizmente, as organizações a que o CMPA está diretamente subordinado, que são respectivamente a Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA) e o Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP), entenderam que o projeto não era de interesse do Sistema Colégio Militar e por isso não autorizavam a realização do mesmo.

Como militar não me cabe julgar as decisões dos superiores hierárquicos e parti para a busca de uma alternativa. A solução, finalmente encontrada, com o apoio irrestrito de nosso Comandante, Coronel Paulo Contieri, foi a de pedir rescisão do contrato com o Colégio nos meses de Dezembro e Janeiro e tentar a recontratação a partir de fevereiro de 2009. As mudanças no projeto ocorreram tendo em vista que eu não podia passar quatro meses sem os vencimentos de professor sem comprometer as despesas relativas ao tratamento médico de minha esposa. Por estas razões, o Projeto foi, então, limitado a dois meses (Dezembro-Janeiro), com saída prevista de Tabatinga em 1º de dezembro de 2008 e chegada à Manaus em 29 de Janeiro de 2009. Pretendo, se Deus permitir, dar continuidade ao mesmo nos anos seguintes.

Apesar de, no lançamento do projeto, contar com acenos entusiásticos de diversas empresas gaúchas todas se mostraram, depois, reticentes em dar seu apoio financeiro ao projeto. O patrocínio, que já contávamos como certo, da Petrobras, arquitetado pelo amigo Vereador Ricardo Moura de Albuquerque Maranhão, foi vetado às vésperas de sua liberação sem qualquer tipo de explicação.

- Boas Novas

Patrocínio de amigos

Meus amigos, irmãos e mestres Cristian Mairesse Cavalheiro e Daniel Luis Costa Scherer financiaram minhas passagens aéreas e o transporte do caiaque. Meu Irmão maçom e ex-colega CMPA, Luiz Felipe M. Regadas, da Skysulbra Rastreamento de Veículos nos disponibilizou um equipamento de rastreamento via satélite instalado no caiaque.

A Polícia Militar do estado do Amazonas (PM/AM), seguindo determinação de seu comandante, Coronel Dan Câmara, vai me apoiar nas localidades em que atracar para o pernoite e que possuam destacamentos da organização. Graças a uma feliz coincidência, o atual sub-comandante da PM/AM, Tenente Coronel PM Luiz Cláudio Leão, um grande e especial amigo, o então estagiário 16, concluiu comigo o Curso de Operações na Selva em 1999 no CIGS.

Colaboração de amigos virtuais

Quando surge um problema, você tem duas alternativas - ou fica se lamentando, ou procura uma solução. Nunca devemos esmorecer diante das dificuldades.

Os fracos se intimidam.

Os fortes abrem as portas e acendem as luzes”. (Dalai Lama)

Após todos estes reveses, estava desanimado. O Grande Arquiteto do Universo fez com que se dissipasse a neblina e serenassem os ventos de proa nos apresentando a amiga Ana que ‘abriu as portas e acendeu as luzes’. Uma amiga fisicamente virtual, mas, certamente, uma alma gêmea comungando com os ideais que defendemos de patriotismo, honra e dignidade. Reproduzo, abaixo, apenas alguns dos e-mails de amigos comunicando seu apoio financeiro ao projeto.

“A amizade torna os fardos mais leves porque os divide pelo meio. A amizade intensifica as alegrias,elevando ao quadrado, na matemática do coração”

Ana Elizabeth Noll Prudente

Natural de Porto Alegre/RS, mora, desde 1976, em São Paulo. Empresária na área editorial em São Paulo é, também, especialista em inclusão digital e estratégias políticas de Defesa Nacional. Promoveu a primeira Oficina para a Inclusão Digital em parceria com o Governo Federal em 2001, integrando Portadores de Necessidades Especiais (PNEs) às novas tecnologias. Integra o Conselho de Relações Exteriores, assim como a de Comércio Eletrônico na Federação do Comércio, é diretora-adjunta social da ADESG/SP (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra), membro da Academia de Arte, Cultura e História e representante da Liga da Defesa Nacional no Estado de São Paulo. Foi candidata ao Senado pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC) em 2006.

E-mail da amiga Ana Prudente (30 outubro 2008)

Ontem depositei R$ 300,00 reais, que bem sei que não resolverá a falta de tantos equipamentos, mas foi o valor com o qual pude colaborar. Hoje conversei por telefone com um dos meus amigos aqui de SP, que recebeu minha chamada a seu respeito. Eu acho que ele vai poder ajudar bastante, não sei se na integralidade do faltante. Está saindo uma chamada para a FIESP/CIESP e Associação Comercial/SP.

Embora o senhor não me conheça pessoalmente, eu o conheço há mais tempo, via um amigo em comum. Foi ele quem me deu seu e-mail e pediu para que o colocasse na minha lista de contatos, já que estávamos no mesmo barco. E eu estou no seu barco coronel Hiram, que é o nosso barco Brasil. E com uma ‘certa inveja saudável’, confesso que esta sua viagem me encanta. Poder observar de perto, fotografar, filmar essa nossa terra linda já me leva longe, bem longe dessa loucura que é viver em SP”.

E-mail do Jornalista Luís Andreoli (31 outubro 2008)

Considero-a realmente de grande importância. Sei que a minha contribuição é ínfima. Todavia, é a que está dentro das minhas atuais possibilidades. Ou seja - fiz ontem um depósito no Banco do Brasil, em nome do Coronel Professor Hiram Reis, de R$ 200,00. Espero que, apesar de pequena, ela venha se juntar a outras para que se atinja o valor necessário. Um grande abraço e boa sorte ao Coronel Hiram Reis”.

E-mail do Ir:. José de Araújo Madeiro (1° de dezembro 2008)

E:. Ir:. Hiram Reis,

Não pensávamos em nos comunicar sobre o assunto em tela, mas pelo recebido, informamos ao poderoso irmão que fizemos uma doação de R$ 2.000,00, dois mil reais, para seu projeto. Enviamos pelos correios, dois Cheques contra o Banco do Brasil, para datas diferentes, que deverão estar às suas mãos lá para o dia 05, próximo. De outra parte, proclamamos que o irmão deveria comunicar-se com diversos obreiros da nossa ordem, quem sabe se não obteria mais recursos. Mas não somente desejamos sucessos na sua jornada, ficamos esperando qualquer pronunciamento da sua parte, para retransmiti-lo aos demais irmãos.

TFA:. Madeiro

O amigo Félix Maier e os camaradas da ‘Confraria das Onças’ em especial meu caro amigo Aufelio Bazoli Filho (estagiário 02), autor do livro ‘Dor Derespeitada’ igualmente colaboraram para o êxito desta invulgar empreitada.

Apoio familiar

Tenho conseguido levar a bom termo meus objetivos graças à compreensão, apoio e incentivo de meus filhos Vanessa, Danielle e João Paulo, e meu irmão caçula engenheiro Carlos Henrique Reis e Silva e sua querida família.

Divulgação

Os professores Capitão Alexandre José Kowalski de Oliveira, Professora Silvana Schuler Pineda e a Capitão Eneida Aparecida Mader têm me auxiliado na formulação dos artigos relativos ao projeto-aventura e a questões amazônicas. Graças à minha querida amiga Rosângela Maria de Vargas Schardosim, de Bagé, temos conseguido a divulgação dos mesmos em diversos periódicos nacionais.

Conclusão

“Prossiga na missão” (General Joaquim Silva e Luna)

Independente de todas as dificuldades encontradas, de todos os obstáculos que ainda possam surgir, eu, apoiado por abnegados amigos, cumprirei, parodiando as palavras de ilustre brasileiro Euclides da Cunha, ‘meu mais belo e arrojado ideal’.

(*) Hiram Reis

Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227

Petrópolis - Porto Alegre - RS

90630 150

Telefone:- (51) 3331 6265

Site:http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br

Os artigos publicados com assinatura não representam a opinião do Portal Pantanal News. Sua publicação tem o objetivo de estimular o debate dos problemas do Pantanal do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, garantindo um espaço democrático para a livre exposição de correntes diferentes de pensamentos, idéias e opiniões. redacao@pantanalnews.com.br

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