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Emprego - 05/03/2009 - 15h45

Frigorífico obriga jornada de 15 horas a quase 2 mil empregados




Divulgação

Por Wilson Aquino


Desde outubro de 2008 a maioria dos quase 2.000 empregados do frigorífico estão sendo obrigados a trabalhar em um único turno

Empregados do frigorífico Bertin, em Campo Grande, na saída para Sidrolândia, denunciam que desde outubro do ano passado estão trabalhado em um só turno, superior a 15 horas/dia para dar conta do abate, hoje, de 1.800 cabeças/dia. A maioria dos quase 2.000 funcionários da empresa entra às 5 horas da manhã e só sai depois das 20 horas. Além de não receberem integralmente as horas extras, que estariam sendo manipuladas pela administração da empresa, muitos têm sofrido acidentes e apresentado problemas de saúde devido ao esgotamento físico e mental, provocado pelo excesso de jornada.

A denúncia foi protocolada hoje, pela quarta vez, no Ministério Público do Trabalho e na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (antiga DRT). De acordo com a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados – STIC/CG, Gilberta Gimenes Gregório, essa mesma denúncia foi formulada ao TRT e à SRTE nos dias 15/10/08, 15/12/08, 03/02/09 e hoje pela manhã. “A situação é de desespero. Precisamos que esses órgãos tomem as devidas providências para evitar aquela exploração desumana do trabalho de mais quase 2 mil empregados”, comentou a presidenta.

A denúncia, pedindo fiscalização na empresa, foi protocolada nos dois órgãos pelos diretores sindicais Douglas Cavalheiro da Silva e Ivanilton Alves Pereira, que trabalha no frigorífico na função de faqueiro. Ele é uma das testemunhas do abuso de jornada de trabalho que se verifica todos os dias no Bertin, localizado a pouco mais de um quilômetro depois da rotatória do anel rodoviário de Campo Grande.

Junto ao ofício pedindo a “urgente fiscalização”, os sindicalistas encaminharam também ao MPT e à SRTE, fotografias com registro de horário de entrada e saída dos funcionários. “Todos os dias chegamos às 5 horas da manhã na empresa e só saímos depois de todo o processo de matança e manipulação da carne e derivados. E isso nunca ocorre antes das 20 horas”, denunciou Ivanilton.

O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Mato Grosso do Sul, Vilson Gimenes Gregório também avalizou o documento entregue aos órgãos públicos. Ele espera que a fiscalização ocorra antes que algum trabalhador sofra algum acidente mais grave ou fatal, por conta do excesso de jornada que provoca esgotamento físico e mental das pessoas.

A líder sindical Gilberta Gimenes informou ainda que o frigorífico está contratando dezenas de pessoas pois espera ampliar o número de abates para 3.000 cabeças/dia. A empresa, segundo ela, vêm prometendo, desde o ano passado, criar pelo menos dois turnos de trabalho para não sobrecarregar os empregados. No entanto, tem ficado somente na promessa, disse ela. Ela lembrou também que até a semana passada a empresa estava abatendo 1.500 animais/dia e que desde segunda-feira passou a 1.800.

O Bertin, segundo os diretores Ivanilton e Douglas Cavalheiro, pretende contratar mais 1.000 (mil) funcionários até atingir o abate de 3.000 cabeças/dia. “Louvamos as oportunidades de emprego que vêm sendo oferecidas, mas não podemos permitir que os empregados sejam explorados como vêm ocorrendo desde outubro do ano passado, sem que as autoridades responsáveis pela fiscalização movam um dedo sequer para evitar esse quadro”, comentou Douglas.

O diretor Ivanilton Pereira, que trabalha na empresa, disse que seu horário normal de trabalho deveria ser das 6 horas às 14h20, com direito a uma hora de almoço. Isso não ocorre, segundo ele, desde outubro do ano passado. Ele não sai do frigorífico antes das 20 horas. E o pior, segundo ele, é que durante esse período extra, não têm descanso para ninguém. “Somos obrigados a trabalhar até todo processo (matança, desossa, miúdos, triparia, congelamento e embarque) terminar.

 

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