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Artigos - 26/08/2008 - 08h00

Luiz Alexandre recupera a visão do mundo que vemos




Por Guimarães Rocha (*)

O nosso mundo em constantes transformações, conta com os seus dínamos especiais, heróis que, comumente interpretados como “homens à frente do seu tempo”, simplesmente constituem vanguarda da sua época. Se estes recebem primeiro as pedradas por avançarem na linha de frente, portando o poderoso estandarte do espírito, por outro lado engalanam-se com o mérito que Deus lhes depõe na fronte como distintivo no grande caminho da ascensão das almas. Luiz Alexandre de Oliveira é um desses nomes. Ele publicou em Campo Grande, 1986, o seu livro “O mundo que eu vi”.

Luiz Alexandre de Oliveira (14/4/1903, cidade de Teixeiras, antigo distrito de Viçosa/MG—19/10/1997, Campo Grande/MS), ocupou na Academia Sul-mato-grossense de Letras (membro fundador), a cadeira 25, atualmente ocupada por Zorrilo de Almeida Sobrinho, patrono Arnaldo Serra. Professor, advogado, magistrado. A partir dos “anos 20”, fundou em Campo Grande o Instituto Rui Barbosa, depois foi professor e diretor na escola Visconde de Cairu (integrando essa instituição prestou excelentes e reconhecidos serviços à comunidade nipo-brasileira), proprietário do Colégio Oswaldo Cruz. O curso de Direito, cursou e concluiu no Rio de Janeiro. Por 30 anos serviu à justiça militar: promotor e auditor da Auditoria da 9ª Região Militar; auditor da Auditoria Militar de Belém/PA. Político militante eleito deputado estadual, antes da divisão de Mato Grosso. Encerrou seus dias em Campo Grande.

Doou em vida, para a Academia Sul-mato-grossense de Letras, o amplo imóvel onde funciona, desde 1999, a “Casa Luiz Alexandre de Oliveira”. Fez também as seguintes doações: a sede do Colégio Oswaldo Cruz, para a Sociedade Beneficente de Campo Grande; o imóvel na Calógeras com Barão do Rio Branco, para a Federação Espírita de Mato Grosso do Sul; terreno central para a Sociedade Municipal Espírita; pecúlio maçônico, para o Instituto Sul-mato-grossense para Cegos; e, para a Loja Maçônica Oriente Maracaju Nº 1, sua biblioteca particular e um terreno no Centro da cidade.

Pela contribuição à colônia japonesa, em sua defesa, principalmente durante a Segunda Grande Guerra, quando se registravam hostilidades envolvendo a imigração e os imigrantes, em 1984 Luiz Alexandre de Oliveira recebera a comenda Kunkoto Chokujisu Sho (Ordem do Sol Nascente em Raios Dourados e Prateados), das mãos do Cônsul Geral do Japão em São Paulo, concedida pelo Imperador do Japão.

O autor logo de início declara no livro “O mundo que eu vi”, considerado por ele basicamente um depoimento e menos uma autobiografia, que “o presente é muito melhor do que o passado” e “as gerações novas estão muito mais bem preparadas para a vida do que no passado”. Seu testemunho é valioso para relembrar a realidade, que nos é, a todos, difícil de suportar — posto ser ela própria o desafio necessário à nossa lenta evolução.

E não é de esquecer? Diz, “a história humana é um rosário de crimes, injustiças e prepotência”. No Brasil, “acabada a escravatura”, dominava a arrogância ostentada por ignorantes bafejados pelo poder e pelo dinheiro. No exemplo de Minas Gerais, o autor relata: os barões do ouro costumavam “resolver suas querelas pela violência, por serem rudes, analfabetos e lidarem sempre com escravos mesmo quando obtiveram sesmarias”; “embora pobretões passavam a se julgar de ‘sangue azul’ e predestinados pelos deuses”. Já no exemplo de Mato Grosso, explica, esses barões do ouro, diferentemente dos de Minas, que se tornaram barões do café e também pecuaristas, se fizeram barões da cana-de-açúcar e da pecuária.

“Ao tornar-se independente, infelizmente o Brasil herdou todas as mazelas da mãe-pátria. A corrupção e a incompetência dominavam o País. O primeiro empréstimo que o Brasil fez só serviu para enriquecer os intermediários (...)”; “O analfabetismo, a pobreza – (com falta de higiene) – e as doenças constituíam a trindade sempre presente na vida de todos e de cada um”; “Os negros, embora ‘libertos’, quase não tinham acesso na escala social, que era dominada por negros e mulatos (...)”, escreve.

Nesse proscênio (falto dos recursos técnicos tecnológicos só mais tarde advindos) veio nascer o nosso escritor, filho de Januária Maria de Oliveira – filha de escrava com branco, abandonada, que o criou, sozinha, mediante fruto de trabalhos rudes. Último de três sobreviventes de cinco irmãos nasceu “completamente cego, vítima da infecção do parto” (a parteira, a própria parturiente). Só depois adquirira parcialmente a visão do olho esquerdo.

Em Mato Grosso ao início do século 20, “o sul de Mato Grosso era inteiramente ignorado no resto do Brasil, por não haver comunicação direta para essa região, a não ser a aquática”. “Os paraguaios conheciam muito melhor as terras do sul de Mato Grosso do que os próprios brasileiros”. Mas vaticinou e acertou Luiz Alexandre, ao escrever sobre o mundo que iríamos ver, aqui: “pólo de atração, onde a mentalidade criadora de seus habitantes se associa ao arrojo de seus forasteiros. Aqui se repete o mesmo fenômeno já conhecido no Paraná e em outras regiões; tudo leva a crer que, até o fim do corrente século (20), Mato Grosso do Sul esteja projetando-se, na Federação, em igualdade de condições com o Paraná e outros Estados mais desenvolvidos”. Conta, à mão o lápis de quem viu, a história recente do nosso Estado, em síntese e com detalhamentos para municípios como Aquidauana e Corumbá.

Aponta no livro todos os problemas que nos afligem de sempre, sócio-culturais, político-econômicos e eco-ambientais e do Direito Internacional, bem como aqueles advindos do fanatismo relacionado a denominações religiosas. E, com visão de futuro determina “um ensino melhor” como solução maior.

Luiz Alexandre de Oliveira! Os seus olhos físicos foram prejudicados quiçá em favor da interioridade que vê mais e melhor. Auxiliando-nos a melhor enxergar o que se passa misteriosamente no tempo e no espaço, nas contingências do mundo a que estamos sujeitos, ajudou-nos também a divisar a ilimitada riqueza que lhe adorna o espírito, imortal na caminhada de realidade que empreende ao infinito.

 

(*) Guimarães Rocha

Poeta escritor, membro da Academia Sul-mato-grossense de Letras

E-mail:guimaraespolicial@globo.com

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Comentários
luiz carlos, em 05/12/2009 - 12h11

bom deixo aqui,um comentario. conhecia muito bem luis alexandre,pois morei com ele em sua residência,e devo e muito a ele,tem um porem, na segunda estrofe sua aonde vc fala sobre o luis e passa a fala sobre zorrilo,o percorrer do relato parece ser sobre o zorrilo e nao sobre o luis,eu sei que é sobre o luis por ter conhecido ele....

 
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