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Meio ambiente - 19/01/2009 - 14h00

SPVS realiza monitoramento de ninhos de Papagaio ameaçado extinção




Por Portal do Meio Ambiente

Equipe sobe em árvores para monitorar a espécie. São cinco visitas em cada ninho, para verificar desde a postura dos ovos até a ave começar a voar

Pela primeira vez são instaladas a mesma quantidade de ninhos artificiais de madeira e de PVC na Floresta

No litoral do Paraná são cerca de 5.000 indivíduos

A SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental realiza monitoramento de ninhos do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) no litoral paranaense. O monitoramento, que está sendo realizado desde outubro de 2008, tem como objetivo a preservação da espécie que está na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, elaborada pela União Mundial para Conservação da Natureza (IUCN).

Nesse período estão sendo monitorados 26 ninhos naturais, sendo que 12 foram ocupados por papagaios, e 58 artificiais, 34 de madeira e 24 de PVC. O Chauá, como também é conhecido, só existe do litoral do Paraná, sul de São Paulo e norte de Santa Catarina.

Cada ninho é visitado cinco vezes pela equipe da SPVS, que verifica desde a postura dos ovos até quando os filhotes começam a voar e deixam os ninhos. O monitoramento é realizado durante o período reprodutivo nas Ilhas Rasa, Gamelas e Grande, no litoral norte do Paraná.

Os ninhos naturais utilizados pelos papagaios – ocos de árvores de Guanandi, Canela, Timbuva, entre outros – estão diminuindo pela derrubada para o uso de madeira e por ação do tempo, porque muitos ninhos são em árvores mortas. Para aumentar a oferta de ninhos o Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa instalou ninhos artificiais de madeira ou PVC. Pela primeira fez, desde quando o projeto foi criado há 10 anos, o número de ninhos de madeira e de PVC instalados na Ilha Rasa é o mesmo. São 40 ninhos de cada modelo com o objetivo de descobrir qual é o mais eficaz para a espécie.

Já foi constatado que os ninhos artificiais colaboram com a preservação da espécie, porque são mais seguros em relação a predação natural e roubo de filhotes (estão instalados em árvores acima de 20 metros de altura), sua estrutura auxilia na proteção contra chuva e intempéries, e não destrói facilmente como acontece muitas vezes com os ninhos naturais.

Entre 2003 e 2007, o Projeto instalou 70 ninhos artificiais, obtendo ocupação de mais de 50% deles. Somente no período reprodutivo de 2007, 58 filhotes nascidos nos ninhos artificiais tiveram êxito e chegaram a voar, alcançando um novo estágio de vida. Nos 40 ninhos naturais monitorados em 2007 nasceram 40 papagaios, mas somente 50% tornaram-se jovens e conseguiram abandonar o “berço”. Já nos 70 ninhos artificiais monitorados no mesmo período, nasceram 63 papagaios, e o índice de sobrevivência dos filhotes chegou a 89%.

O Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa recebe o apoio da Fundação Loroparque e Fundação Boticário de Proteção à Natureza e está a procura de novos apoiadores, em especial para realizar o censo da espécie, que acontece em abril. O censo - fundamental para o monitoramento da população de papagaios - é realizado todo ano para verificar se houve queda ou incremento no número de indivíduos ou se a população se mantém estável. Os censos anteriores demonstraram estabilidade no tamanho da população, o que já é um indicador positivo para uma espécie ameaçada de extinção.


A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) é uma instituição do Terceiro Setor brasileira, sediada no estado do Paraná, que tem uma história de mais de 20 anos em favor da conservação da natureza. Entre as iniciativas da instituição, estão projetos para proteção de áreas nativas e de espécies ameaçadas de extinção – especialmente nas formações de Floresta Atlântica e Floresta com Araucária –, recuperação e restauração ambiental, campanhas de sensibilização pública e educação ambiental. Mais informações em www.spvs.org.br.


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