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Agronegócios - 27/12/2017 - 08h00

Produção de alimentos de pescado pantaneiro favorece cadeia da pesca

Produtos alternativos oferecem possibilidade de renda no período de defeso




Agostinho Catella

Pescadores na região de Corumbá.
Por Assessoria Embrapa / Redação Pantanal News

A produção de alimentos processados de pescado pantaneiro – nuggets, patês, marinados, defumados, quibes e hambúrgueres de peixe – oferece uma oportunidade para uma melhor estruturação da cadeia de pesca, afirma o chefe-geral e pesquisador da Embrapa Pantanal, Jorge Lara. A unidade de pesquisa pantaneira da Embrapa é uma das instituições que participam do projeto responsável por desenvolver formulações para esses alimentos, executado por meio de uma parceria com o Centro de Pesquisa do Pantanal, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

“Tendo um produto, temos uma oportunidade de organizar a cadeia – particularmente, se o produto tiver demanda. No período de defeso, os pescadores deixam realizar sua atividade por cerca de três, quatro meses em função da própria proteção do ambiente. Se tivermos um produto que possa mantê-los atuando nessa época, iremos contribuir com a organização desses trabalhadores”, explica o chefe-geral.

Ainda de acordo com Jorge, esses alimentos são produzidos em uma escala que vai de pequena a média (também conhecida como semi-industrial). O objetivo, segundo o chefe-geral, é formar diversas unidades processadoras para que pequenos grupos de pescadores ou cooperativas consigam produzir em quantidade razoável e possam, dessa forma, obter renda em épocas como o período de defeso. Dessa forma também é possível beneficiar outros atores da cadeia como os familiares dos pescadores, pequenos comerciantes e empresários dispostos a investir no negócio.

“Trabalhar com esses alimentos oferece uma alternativa ao poder público para dar vazão a recursos que, porventura, cheguem do Governo Federal. E o próprio consumidor se beneficia porque passa a ter opções de consumo de proteína de qualidade, com alto valor biológico – principalmente nessa região turística das cidades de Coxim, Corumbá, Cuiabá, Santo Antônio de Leverger”, exemplifica Jorge. Com uma cadeia melhor organizada, o surgimento de cooperativas que invistam na atividade também é favorecido, afirma.

Como começar?

Para aqueles que têm interesse em produzir e vender os alimentos processados de pescado pantaneiro, o chefe-geral da Embrapa Pantanal recomenda como primeiro passo o contato com o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) para compreender as regras, leis e normas exigidas na produção local de alimentos. “O segundo passo é elaborar seu plano de negócio, avaliando o potencial de rentabilidade da iniciativa, quais são os custos e o mercado disponível”. Ele explica que o terceiro passo seria a adaptação de uma área não muito grande, com cerca de 30 m², para manter as instalações que irão produzir os processados.

“Você teria um investimento inicial para adequar essas instalações e outro investimento para fazer acertos com fornecedores, seja dos ingredientes ou do próprio pescado”, detalha. Para Jorge, o valor do investimento inicial pode variar entre R$50 mil e R$200 mil, dependendo da quantidade de produtos pretendida. “Se a intenção for trabalhar com o básico, com R$50 mil é possível instalar um defumador e trabalhar com a marinação também. Se a produção dos derivados da carne mecanicamente separada (quibes, patês, hambúrgueres e nuggets, por exemplo) for incluída, será preciso comprar algumas máquinas como a descarnadeira. As menores do mercado têm preços mais acessíveis”.

O chefe-geral ressalta que algumas fontes de fomento incentivam esse tipo de empreendedorismo oferecendo juros mais baixos e sugere que se busque orientações em bancos e no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para conhecê-las. “Vale lembrar também que essa é a estimativa do investimento inicial; há todos os valores das variáveis, como custos operacionais e capital de giro, que precisam ser incluídos no plano de negócios”.

Para Jorge, também é fundamental estudar e compreender o mercado com o qual se pretende trabalhar. “Se você for vender, por exemplo, para consumidores locais, a tendência é que eles busquem espécies tradicionais, como o pintado e o pacu. Se for vender para turistas, a tendência é que esses consumidores procurem a maior diversidade de espécies possível”. O chefe-geral pontua, ainda, que a produção dos alimentos processados de pescado pantaneiro tem potencial para ser absorvida pela merenda escolar das instituições públicas de ensino. “Ter diversidade abre espaço para novos mercados”. 

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