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Agronegócios - 14/11/2017 - 09h10

Doce cristalizado de bocaiuva é alternativa de renda para extrativistas




Aurélio Borsato


Fabio Galvani


Juliana Donadon


Fabio Galvani

Por Assessoria Embrapa / Redação Pantanal News

Embrapa Pantanal (MS) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolveram, em parceria, um doce cristalizado a partir da polpa da bocaiuva, uma palmeira frutífera nativa encontrada em quase todo o território brasileiro e em abundância no Mato Grosso do Sul. O objetivo da pesquisa foi aproveitar os frutos e agregar valor ao produto, gerando trabalho e renda para comunidades extrativistas. Considerada uma excelente fonte de nutrientes, a bocaiuva apresenta alto teor de carboidratos, fibras, lipídeos e minerais como cobre, zinco e potássio, contendo elementos com ações antioxidante e anti-inflamatória.

metodologia para a obtenção do doce cristalizado consiste, resumidamente, na substituição de parte da água de sua composição por açúcares, conforme preconiza a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O tratamento utilizou apenas açúcar cristal, de forma lenta, com concentração controlada da calda, aquecimento e secagem. A tecnologia foi apresentada pela primeira vez no Agroecol 2016, em Dourados (MS).

A Embrapa Pantanal e a UFMS possuem em andamento outras pesquisas relacionadas ao processamento da bocaiuva. Especialistas desenvolveram também a geleia de bocaiuva e anunciaram estudos para obtenção da geleia com maracujá, sob coordenação da professora Juliana Donadon, do curso de Tecnologia de Alimentos da universidade. “O objetivo é desenvolver o processo de obtenção de geleia de bocaiuva em mistura com polpa de outras frutas, de modo a ampliar a capacidade de oferta de novos produtos à base da palmeira e, consequentemente, promover a geração de trabalho e renda para comunidades extrativistas,” esclarece.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Aurélio Vinicius Borsato, foram realizadas pesquisas participativas com as comunidades, por meio de análises sensoriais preliminares que nortearam os estudos em laboratório, até que se chegasse a um produto de melhor qualidade. “Ainda na fase de execução dos estudos, a opinião das extrativistas de bocaiuva sempre foi consultada por meio de amostras oriundas de resultados preliminares, tanto de geleia quanto do doce cristalizado.” Borsato explica que a pesquisa está na fase final de ajuste de algumas condições de processamento, a fim de melhorar a apresentação do produto.

Impacto social potencial

O impacto social que as tecnologias que transformam a polpa de bocaiuva em geleia e doce cristalizado irá proporcionar será a geração de trabalho e renda. Além da agregação de valor, pode ampliar a capacidade de diversificação na oferta de produtos à base de bocaiuva, bem como disponibilizar ao consumidor tais produtos o ano todo.

“Estamos apoiando o desenvolvimento do processo de obtenção do produto geleia light de bocaiuva, em parceria com o professor Dorivaldo da Silva Raupp, do curso de Nutrição das Faculdades Ponta Grossa (PR). Trata-se também de uma consequência das atividades iniciadas por conta do Projeto Bocpan, da Embrapa, e que está em fase de finalização”, disse Borsato. Segundo ele, o propósito é obter uma geleia com baixo teor de açúcar e, consequentemente, de melhor qualidade nutricional. Os principais resultados estão sendo analisados estatisticamente para que em breve sejam publicados em revista científica.

A professora Juliana conta que sua equipe está pesquisando maneiras para viabilizar o desenvolvimento de novos produtos tendo como ingrediente a bocaiuva, considerando a reduzida vida útil dos frutos após a colheita e a impossibilidade de processamento imediato de toda a safra. O armazenamento dos frutos por meio de tecnologia adequada se faz necessário, visando a prolongar a vida útil e o aproveitamento dos frutos na entressafra. “Buscando atender a essa demanda, estudos estão sendo realizados sob minha coordenação e tendo como parceiras as professoras Rita de Cássia Avellaneda Guimarães e Raquel Pires Campos, da UFMS, além do pesquisador da Embrapa Aurélio Borsatto.”

O histórico das pesquisas

O pesquisador Aurélio Borsato conta que todas essas pesquisas tiveram início quando ele e a professora Juliana Donadon se conheceram numa reunião de trabalho da qual participavam representantes de várias instituições, públicas e privadas, de pesquisa, ensino e extensão, além de empresários e produtores autônomos, todos interessados no tema bocaiuva. Esse evento foi promovido em 2013, na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, pelo professor da UFMS Ruy Caldas, atual secretário-executivo da Rede Pró-Centro-Oeste, do Ministério da Ciência e Tecnologia. O objetivo foi alavancar e fomentar ações no Mato Grosso do Sul em prol da palmeira.

“A partir de então busquei o apoio do curso de Tecnologia Alimentos da UFMS, por meio da professora Juliana, que prontamente se interessou em desenvolver atividades de pesquisa com a bocaiuva em parceria com a Embrapa Pantanal”, conta o pesquisador.

Com foco no aproveitamento da polpa de bocaiuva para geração de trabalho e renda para a Comunidade Antonio Maria Coelho, da cidade de Corumbá, foi iniciada a parceria para o desenvolvimento da geleia de bocaiuva, testando nos laboratórios da UFMS diferentes formulações até que se chegasse  a um produto aceitável, com base em avaliações sensoriais  com a  comunidade científica e de consumidores.

Esse estudo acabou sendo aproveitado como trabalho de conclusão de curso de Vanessa Madú Silva, do curso de Tecnologia de Alimentos da UFMS. Concomitantemente, por iniciativa da professora Juliana, juntamente com a bolsista Giovanna de Carvalho Corrêa Chaves, do curso de Nutrição da UFMS, foi desenvolvido o processo de obtenção e avaliação química do doce cristalizado de bocaiuva.

Os principais resultados de ambas as tecnologias geraram publicações técnico-científicas, disponíveis na biblioteca da Embrapa Pantanal, em eventos regionais e nacionais, além de artigos já publicados e em fase de publicação em revistas científicas.

Todos os testes foram realizados em laboratórios do curso de Tecnologia de Alimentos da UFMS, com o apoio de alunos dos cursos de Alimentos e Nutrição, sob orientação da professora Juliana Donadon e co-orientação do pesquisador Aurélio Borsato. Análises sensoriais foram realizadas em ambiente acadêmico e também em comunidades rurais ribeirinhas e assentamentos.

Os frutos de bocaiuva foram coletados pela Embrapa, sob a coordenação de Borsato, durante as safras, às margens da BR-262, próximo à região da Comunidade Antonio Maria Coelho. Em seguida, foram selecionados, higienizados, acondicionados e destinados à professora Juliana. No laboratório da UFMS, os frutos foram então armazenados e congelados. A obtenção da polpa de bocaiuva foi realizada manualmente pelas bolsistas, sendo classificadas mediante as diferentes colorações, para então iniciar os estudos para obtenção tanto da geleia quanto do doce cristalizado. As atividades foram desenvolvidas entre os anos de 2015 e 2016.

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